Cronica do caçador
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Diante tal situação, perdi a razão, não havia motivo nem precisava, fui saciar o desejo da minha essência. Quando vi estava feito, os corpos no chão, o cheiro de sangue ainda no ar. Não, não me arrependi, quando se tem sede você faz algo a respeito, e eu fiz.
- Vai ser foda limpar tudo isso, da próxima vez por que não faz menos bagunça?
-Cala a boca e me ajude a limpar, temos que ir logo já estamos atrasados. E ele detesta atrasos.
- Tudo bem, acho que nossos amigos vão gostar deles, a carne ainda não fede, vamos entregar logo para eles.
Não havia suspeitas, era situação tranquila, estava longe do castelo não havia ninguém pode ouvir os gritos, nem sentir o frio da morte. Quando terminamos de colocar os corpos e restos no saco fomos para o nosso compromisso.
- Uma aldeia inteira, vão sentir falta deles.
-Uma aldeia de agricultores que não tinha muito para contribuir com os impostos. Acho que a rainha até vai ficar agradecida.
- Você lembra do chilique que ela deu da ultima vez que você saiu matando sem avisa-la. Você devia se controlar sabia?!
-E não é pra isso que você esta aqui Alltah?
-Você sabe que não resisto quando você começa a matar, fica tão charmoso. E meu trabalho é evitar que você destrua as partes mais importantes do reino, não quero gastar energia te impedindo de acabar com uma aldeia insignificante.
-Então não reclama. Pronto, mande os corpos para ele, amanhã será distribuído carne grátis no castelo todo.
-Como quiser Amon, agora vá logo se não ele vai brincar de dados com seus testículos.
-Ahm?!
-É só uma nova brincadeira dele, ele corta em cubos e joga, ai a pessoa...
-Que seja.
A lua já estava no ponto máximo do céu, mas as estrelas haviam fugido naquela noite. O vento batia e todas a natureza prostrava em sua direção. Depois de alguns minutos cheguei na taverna, desci da minha montaria e entrei.
-Está atrasado.
-A sede veio.
-Quantos dessa vez?
-Uma pequena aldeia a caminho daqui.
Ele franziu o cenho e perguntou:
Bethank?
-Não, acho que nem tinha nome, havia apenas agricultores que não contribuíam com o reino, apenas serviam para aumentar seu fedor.
Ele relaxou um pouco a expressão, mas ainda permanecia com a cara de indignação. Então falou:
-A cada dia sua cabeça vale mais, daqui a pouco você vai valer mais do que reinos inteiros.
Então veio uma voz do fundo:
-Pra quem já destruiu quatro reinos, custar o preço de um reinos e pouco.
Era Kanch, ele não era novo, também não era velho. A ausência de cabelos contribuía para que seu queixo quadrado chamasse bastante atenção. Era alto, quase batia a cabeça na porta quando passava, o corpo era o corpo de alguém que seria capaz de lutar contra um rinoceronte, um dos feitos dele mas isso não vem a caso agora.
-Kanch não se deve desrespeitar as pessoas assim, quando estão conversando você deve esperar eles terminarem o assunto e depois falar. Se não sua língua pode acabar em alguma feijoada do reino.
Para minha surpresa fui uma garotinha que disse isso, aparentava ter sete anos,seu cabelo curto e suas sardas apenas davam um ar juvenil, mas era tão magra que não parecia ter músculos. Após algum tempo pude ver seus olhos azuis misticos e entravam em contraste com sua pele pálida, e logo Kanch pós-se a explicar.
-Essa é Annia, ela é muito mais esperta e forte do que aparenta, esta me ajudando em uma situação.
Falei:
-Ta tão na merda que precisa de ajuda de garotinhas que deviam estar brincando de bonecas?
-Você não devia ter dito isso.
Olhei e ela estava se aproximando, seus olhos já não eram azuis, uma escuridão começou a rondar eles, logo estavam tão negros quanto a sombra de um pesadelo.
Kanch correu a jogou no ombro rapidamente,me jogou um olhar de preocupação e desprezo e saiu pela porta.
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