— Forccinari? — Cris disse olhando para sua mãe confusa.

— Que orgulho, filha. — Jú disse.

“Orgulho? Eu não vou para a escola dos meus irmãos”, ela pensou rapidamente e não demorou para retrucar:

— Eu queria ficar com meus irmãos.

Júlia se abaixou à altura de Cristina, e sussurrou delicadamente:

— É a melhor escola do país. Seu avô estudou lá.

A ficha caiu. O seu avô é um bruxo muito respeitado no mundo bruxo atualmente. Em 2005, o bruxo descobriu as propriedades exatas dos tronquilhos e com seu extrato conseguiu criar uma poção eficaz contra a gripe e queimaduras de – que desaparece em instantes, coisa que a poção original não faz. Graças a seu ensino em Forccinari, Liam se tornou um grande bruxo da idade moderna.

Cris também era apaixonada por Herbologia, seu pai trabalhava com plantas mágicas no Canadá, e ele sempre tinha boas histórias para contar para ela. Infelizmente, seu pai faleceu em uma viagem na Europa na tentativa de acabar com as Beladonas (plantas que matam só com um toque) no continente.

A animosidade era uma palavra bem quieta para descrever o sentimento de Cristina no momento. Ela estava muito ansiosa.

Logo, Cris abriu a carta e leu umas três vezes seguidas:

DIRETOR: Alvo Cognito

Pela ordem de Merlin, e o Ministério da Magia no Brasil, o maior bruxo deste país.

Prezada Sra. Dreer

É com muito prazer que temos ao lhe informar que vossa senhoria tem uma vaga guardada na Academia de Bruxos Forccinari, para confirmar a estadia mande-nos uma coruja.

As aulas começam no dia 1 de setembro. Aguardamos a sua coruja, e a agradecemos.

OBS: A Coruja deve ser mandada até o dia 27 de agosto, depois que recebermos sua coruja confirmando sua presença para o ano letivo iremos mandar uma lista de materiais.

Com muita alegria,

Joy Anne

Ela nem falou com a mãe, saiu correndo para o último andar da casa. Quando chegaram, reservaram um dos quartos de visitas para ser o corujal da casa. Lá só havia umas duas corujas, e Pietro, o Agoureiro da família. Ela pegou um pedaço de pergaminho, pegou a pena e começou a escrever a carta para a escola.

É claro que sua mãe ficou assustada com a atitude dela, e foi atrás ver o que ela foi fazer, foi um momento sem diálogos. Seu rosto esboçava um sorriso lindo. Júlia estava adorando cada momento.

— Mãe, o que houve? — Renie entrou no corujal de meias listradas.

— Sua irmã vai para Forccinari.

— Forccinari? — Eduardo gritou do andar de baixo.

— Sim! — Ela exclamou enquanto Cris escrevia a carta.

— Parabéns, Cris! — Renie falou.

— Obrigada. — Ela respondeu focada na carta.

— Quando as aulas começam, mãe? — Edu perguntou curiosamente.

— Não li a carta ainda, Dudu. — Ela respondeu.

— Primeiro de setembro. — Cris cantarolou.

— Ué? — Eduardo e Renie disseram juntos.

Júlia deixou o silêncio esvaziar e logo disse:

— Como sua irmã é mais nova, levárei-la para a estação. Vocês estão crescidos, e já podem fazer isso.

Cris havia terminado de escrever a carta, deu-a para a coruja e disse que a carta era para Joy. A coruja voou entra a copa das árvores, e então, quando subiu, desapareceu entre as nuvens.

Júlia estava se preparando para gastar com os materiais de sua filha, ela tinha que comprar algumas coisas para os seus outros filhos também, mas o resto não seria de incômodo.

Ela saiu pela vizinhança perguntando onde poderia comprar os materiais para seus filhos, mas quase ninguém sabia! Os que sabiam recomendavam lugares que a qualidade não era a melhor. A vizinha mais próxima, Sandy Camacho, uma velhinha disse que elas poderiam comprar os materiais por um preço justo, e também com uma qualidade enorme.

O lugar se chama Slimelth, foi bem-dito por duas pessoas, tirando Sandy. Só tinha um problema, ficava no Rio de Janeiro.

Seria a primeira aparatação da sua filha, fizeram-na longe da casa, porque não queria que o craque da aparatação afetasse-a.

Desaparataram no banheiro feminino de um bar. Júlia resolveu ficar no boxe para fazer suas necessidades. Cris tinha sentido na pele um leve enjoo por causa da aparatação, ficou se olhando no espelho.

Uma trouxa bêbada entrou ali, rindo muito.

— Tudo bem, amiga? Eu pensei que você estivesse em Júpiter.

— Por que eu estaria em Júpiter? — Cris perguntou confusa.

— Por que você é tão baixinha?

Ela forçou a vista para tentar enxergar Cris.

— UMA CRIANÇA? — Ela berrou — DONA VALDA!

— O que foi, sua bêbada idiota? — Uma mulher estava vindo.

Júlia saiu do banheiro.

— Ela está comigo.

Valda chegou ali, era uma mulher gordinha e baixa.

— Júlia? — A velha olhou para Cris.

— Tudo bem, Valdemira? — Jú sorriu para ela.

— Vai à Slimelth? — A trouxa as olhou estranhando o nome do lugar.

— Sim. Essa é a minha filha, a Cristina. Cris, Valda. — As duas se apresentaram.

— Feliz aniversário. — Valda estendeu sua mão.

— Não é hoje. — Cristina riu.

Valda também riu e pediu desculpas.

— Vamos sair deste lugar desconfortante. — Valda disse indo para a porta de saída do banheiro.

Saíram do banheiro para um corredor apertado, o papel de parede vermelho estava desgastado, havia quadros rasgados e empoeirados na parede. Não parecia um bar, e sim uma casa em mal estado. Ao chegarem no bar em si, Cristina ficou surpresa. Era um bar diferente.

Havia uma escada caracol que subia para o segundo andar do bar, que parecia mais um pub. O papel de parede se desfez naquela sala, que as paredes eram de tijolos. Havia dois sofás em posições triangulares com uma mesa em seu meio. Havia um agoureiro no bar, ficava perto do lugarzinho do barman. Era um lugar sofisticado.

— Querem algo para beber? — Valda perguntou indo até a geladeira.

— Não, muito obrigada. — Cris disse.

— Está abrindo para trouxas, agora? — Júlia perguntou.

— Sim, aqui em Copacabana os bruxos preferem visitar pubs e os bares do centro, por aqui não querem nada. Mas se vão à Slimelth, precisam ter cuidado, é um pouco perigoso. — Ela disse voltando para as duas com um copo na mão — Os trouxas tem sido bastante violentos nos últimos anos. Júlia, querida, você não vem aqui desde que seu pai morreu, tinha quantos anos? Quinze?

— Dezesseis.

Ela se dirigiu a Cristina animada.

— Sua mãe era uma adolescente rebelde, ela vinha aqui todos os dias das férias para aprender mais sobre Runas, eu sou especialista, poderia ser até professora de Runas, sabe?

— Eu não conseguia aprender nada na escola, então eu pedi ajuda a ela. — Júlia contou sorrindo.

— Bom, não quero atrapalhar vocês a fazer compras. Bom, se quiserem alguma coisa podem falar comigo, aqui fica aberto até as nove da noite. Sei que vão precisar aparatar.

— Obrigada, Valda, boa tarde.

As duas saíram do bar, andaram no meio dos trouxas até a praia. Na praia conseguiriam identificar Slimelth. Só os bruxos conseguiriam ver. Chegaram lá, tendo uma vista bem bonita da cidade, olharam para os prédios e viram uma espécie de shopping. Era lá, Slimelth.

As duas foram para lá. Era um shopping comum, como qualquer outro. Os trouxas passavam por ali como se o lugar realmente não existisse. Não havia uma entrada concreta para o lugar.

Só havia uma madeira na frente de uma pequena porta. Entraram, o lugar era imenso. Haviam vários andares, era um shopping bruxo. Tinha lojas e lojinhas ambulantes. Também havia uma escada rolante, só que era diferente da dos trouxas, muito diferente. Elas deviam chegar até o banco, para gastar com suas compras deveriam ter muitos galeões, que estavam no banco da família.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.