Crimson Day.
11 Capítulo 11.
Outside, September 5th.
Victoire’s P.O.V.
De frente para o quarto onde Molly estava com os bebês, havia uma poltrona com exatamente dois lugares. Ótimo. Não podia expressar em palavras o quão feliz ela estava de dividi-la com Seth, nem o quão irônica foi essa frase. Victoire não tinha escolha, mas tinha alguns minutos, Seth não sentiu de lado dela de imediato, saiu para buscar uma água e antes de ir perguntou de a ex-ravina também queria.
Minutos depois, ele estava de volta com dois copos de água em mãos. Vicky estava tão perdida em pensamentos que quase não percebeu sua presença. Ainda estava digerindo a informação sobre o pai das crianças e… estava bem preocupada com a Molly, ela parecia tão… magra. Suas pernas boas de apertar não estavam mais ali. Seus braços e até seu rosto parecia bem menos nutrido do que o normal. O que será que está acontecendo?
— Terra chamando Victoire, ainda está aí, loira? — A voz de Seth a trouxe de volta.
— Oh, você está aí, e-eu mal percebi. Valeu pela água. — Agradeceu antes de soltar um suspiro preocupado.
— Você está bem?
— Eu? Sim. Já a Molly…
Não terminou a frase, e nem precisaria, mas é claro que ele percebeu. Para um bom ravino, meia especulada basta. Seth a olhou confuso, ele parecia querer falar alguma coisa mas estava ponderando se deveria contar. O que quer que fosse, despertou a curiosidade de Vicky. Os olhos dele estavam fixos na loira, mas não pareciam estar concentrados no que via. Era como se… memórias estivessem passando na mente dele, naquele exato momento.
— Se você tem algo a me dizer, é bom que fale logo. — Disse com um tom meio rude, mas foi totalmente sem querer, ela só estava preocupada com a prima.
Seth ainda parecia perdido em lembranças passadas, seu olhar estava perdido. Vicky se sentiu meio incomodada e mexeu desconfortável na poltrona, de forma que pudesse ficar de frente para ele.
— Seth! — O chamou com calma e ele pareceu acordar.
— Eu! — Respondeu atordoado. — Desculpe, é que… James não tem sido exatamente compreensivo com ela. Você sabe, ela só come por causa das crianças. A tristeza a corrói e eu não sou um bom ouvinte, meu sangue ferve só de escutá-la dizer como está, psicologicamente. Talvez você a entenda melhor, Vicky. Quando ela descobriu a gravidez, terminou com o James e ele começou a humilhá-la em público, até a chamou de gorda. Isso pode ter sido a raiz de tudo.
— Não posso acreditar no que acabei de ouvir, mas esse James é um belo babaca mesmo.
— É, e isso não é tudo, gata. Ele fez de tudo pra diminuí-la, caiu na porrada comigo e depois da detenção, me pediu que cuidasse bem da “ruiva dele”. — Seth imitou as aspas com um gesto, e suspirou. — Ele não parou nem assim. Depois que eu a visitei na casa da sua avó, ele deu uma crise de ciumes. Eles ficaram sem se falar até ontem. Eu não entendi nada quando ela me disse que foi ele quem a trouxe, e muito menos porque ele é quem me avisou que ela estava aqui. Você não sabe da história um décimo, Vick. Ela tá sofrendo muito, acredite. James acreditou, no início, que o filho era meu. Agora não sei mais no que ele acredita.
— James é idiota, mas é grifano, é claro que ele ia avisar pra você sobre os bebês, seria algo que a “Molly gostaria”. — Ponderou Vicky desviando os olhos dos de Seth para o vidro da “janela” do quarto de Molly. — “Minha ruiva”?, quem é ele pra falar dessa forma? — Ela agora estava frustrada e queria muito esmagar o pescoço do primo.
Seus olhos encontraram os de Seth novamente e ela viu que ele compartilhava da mesma frustração, ela sabia exatamente o que ele estava pensando, que precisavam fazer algo a respeito. Mas o que? Como? A loira não sabia se a prima iria realmente se abrir para ela, contar tudo que está sentido e o quando James a machucou. A ferida está grande demais para ela mexer desta forma, ainda mais num estado desses, com duas crianças para cuidar. Mas não custava nada tentar.
— Seth, precisamos ajudar a Molly, precisamos fazer alguma coisa. — Ele confirmou com um manear de cabeça. — Eu não sei se ela vai se abrir comigo, mas eu farei de tudo e manterei você informado. — Vicky falava baixo e firme, Seth parecia concordar.
— Você está certa… eu acho que talvez ela fale, há muito tempo não conversa sobre isso. Lily e Lucy odiavam tanto quanto eu, pois viravam feras, mas com você talvez seja diferente… — Ele comentou. — Isto é, se conseguir manter a calma. Eu sei que é revoltante e eu mesmo não consigo, mas.. você é uma garota e é mais velha que Lily e Lucy, quem sabe consiga.
— Sim, quem sabe eu consiga manter a calma… — Os dois trocaram uma risada depois que Seth disse “boa sorte” e então a medibruxa saiu do quarto informando que estava tudo bem e que já poderiam voltar, mas bem rápido, pois o horário de visitas acabaria logo e só um deles poderia ficar como acompanhante.
Inside, September 5th.
Geral P.O.V.
— O que a doutora disse, Moll? — Perguntou Seth, curioso. A ruiva sorriu e olhou-o.
— Está tudo bem, mas que… eu estou abaixo do peso. — O nariz dela deu uma torcida, como se achasse aquela constatação fosse errônea.
— Não adianta achar ruim, senhorita. Você agora não está por si só. — Contestou Vicky, apontando com os olhos para os bebês, que já dormiam em seus berços. Molly revirou os olhos e bufou.
— Eu não estou abaixo do peso, estou gorda. Só um pouco menos agora porque a barriga de grávida sumiu.
— Gorda? Molly, você tá falando sério? Olha só pro seu pulso. — Seth respondeu, meio irritado. Antes que ela pudesse respondê-los, no entanto, batidas fortes soaram na porta do quarto. Os três voltaram os olhos para ela, e Molly pediu que a pessoa abrisse. A imagem de James ali, com um buquê de rosas, os surpreendeu.
— Eu posso entrar? — Perguntou, em tom baixo.
— Sim. — Respondeu Molly, engolindo seco.
— Posso dar uma palavrinha com a Molly? Não vou demorar. — Ele pediu ao adentrar o quarto, e Vicky e Seth se entreolharam. Seth ia negar, quando Vicky o interrompeu.
— Certo. Juízo, Potter. — Eela respondeu ríspida e puxou Seth pela mão até o lado de fora do quarto, fechando a porta atrás dele.
James se aproximou da ruiva e entregou-lhe as rosas, meio desconcertado.
— Parabéns de novo, Molls. Eu vim… pedir desculpas por ser um otário esse tempo todo.
— Obrigada. — Ela disse ao pegar as rosas, e as cheirou delicadamente. Suspirou antes de continuar. — Certo.
— É sério.
— Eu sei. — Molly respondeu em tom baixo, e ele suspirou inaudivelmente levando os olhos às crianças.
— Escolheu o nome deles?
— Sim.. Meghara e Hector.
— São bonitos, Molls. — Disse e ela sorriu levemente, assentindo. Assim, ele se aproximou das crianças e passou a observá-las. Primeiro, Meghara. Seus lábios se transformaram num sorriso que ela não soube decodificar. — Ela se parece muito com você…. é linda. — Constatou e Molly sentiu as bochechas queimarem. Ela agradeceu mentalmente por Meghara estar dormindo, e assim, James não veria seus olhos. Porém, ele pareceu intrigado enquanto olhava para Hector. Parecia ter notado sua semelhança com o pequeno bebê. James estava prestes a se dar conta disso quando alguém bateu na porta e logo a abriu.
— Com licença, sra. Weasley… preciso levar as crianças. — Disse a enfermeira que estava na frente.
— Certo. James, pode trazer um de cada vez para que eu possa despedir-me deles? — Pediu e o garoto assentiu, obedecendo a seu pedido. Primeiro trouxe Hector e os olhos dele ainda estavam grudados no bebê. — Durma bem, meu amor. — Ela sussurrou e beijou a testa do bebê, assentindo para o primo poder trocar de bebê. Assim, ele deixou o menininho em seu berço e trouxe a menina até ela. — Durma bem também, minha ruiva. — Murmurou, e o fato de James ter ouvido-a falando “minha ruiva” o corroeu. Quando recebeu a permissão dela, a colocou no berço outra vez.
— A senhora já tem os nomes, para que eu possa identificar a pulseirinha deles?
— Meghara Louise Weasley e Hector Ryan Weasley.
— Certo. — Respondeu a enfermeira, que escrevia nas pequenas pulseiras dos gêmeos. — Na próxima noite, poderá ficar com eles, amamentá-los durante a madrugada e afins. Tenham uma boa noite. E ah… pediram-me para avisar que o horário de visitas acabou. O senhor é o acompanhante dela?
— Não. — Molly respondeu de imediato. — Será um dos dois que estão lá fora.
— Ok. Então decida e os outros dois terão de ir. — Dito isso, as enfermeiras saíram do quarto com os bebês. James ia comentar a semelhança de Hector com alguém que ele conhecia com Molly, mas quando a olhou, ela já estava cochilando. Tomou a liberdade de deitar um pouco sua cama e beijar a testa da ex-namorada.
— Durma bem também, minha ruiva. — Ele repetiu as palavras de Molly já abandonando o quarto. Lá fora, ele olhou para a prima e Seth. — A enfermeira pediu que o acompanhante apenas fique… antes de dormir, Molls disse que seria um de vocês.
Os loiros se entreolharam, e Victoire sorriu.
— Deixem comigo. Boa noite, rapazes. — Disse a loira, antes de adentrar o quarto e olhar para o semblante sereno de Molls, que dormia pesadamente. Além do peso de seu primeiro dia como mãe de duas crianças, os remédios ainda deveriam estar fazendo o efeito sedativo. Victoire levemente afagou os cabelos de sua prima, reparando que eles já não tinham mais tanto brilho quanto antes. Ela tinha que ajudá-la de alguma maneira, e rápido. Os olhos dela foram rapidamente ao buquê que James trouxera e suspirou, negando com a cabeça, como se desaprovasse aquilo. — Nós vamos te tirar dessa, Molls. — Sussurrou antes de deitar-se no sofá de alvenaria com almofadas fofas para o acompanhante, tirar um livro de sua bolsa e, depois de ler um tempo, adormecer também.
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