Notas iniciais
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March, 18th of 2019.

Geral P.O.V.

O sono de Molly não estava sendo suficiente para que adormecesse. Um desconforto tomava conta de seu estômago, fazendo parecer que milhões de borboletas voavam em sua extensão procurando uma saída. Até o momento em que não conseguiu segurar, levantou-se em uma corrida e ajoelhou de frente à privada, vomitando tudo o que comera no jantar. Segurara com uma das mãos os cabelos em um rabo mal feito para não sujá-los. Deu descarga e logo foi escovar os dentes mais umas três vezes, inquieta com o gosto ruim em sua língua. Então Molly se deu conta de que não estava doente. Era a quarta vez que vomitava em três dias. Arregalou os olhos quando sentiu uma dor no peito que parecia uma apunhalada enquanto assimilava mentalmente os fatos. Desceu as escadas com as pernas bambas, segurando nas paredes até chegar no sofá vermelho de frente à lareira. Apoiou os cotovelos nos joelhos, e nas mãos, a cabeça, enquanto passava a mão nos cabelos e sentia lágrimas caírem por seu rosto. Chorava silenciosamente e sozinha na Comunal da Grifinória ao que julgava ser aproximadamente 02h da manhã. Inquieta, trouxe os joelhos para cima do sofá colando-os ao tronco, abraçando-os e apoiando o queixo no meio dos mesmos. Olhava para as chamas que crepitavam e sentia os fios ruivos caírem sobre sua face, engolindo em seco. Molly sempre teve o sonho de ser mãe... mas céus! Não assim. Ela não poderia contar quem era o pai do bebê que suspeitava carregar em seu ventre. James a odiaria pelo resto da vida se o encarregasse daquilo. Não poderia sequer contar pra muita gente, porque poderia ser expulsa de Hogwarts! Começou a questionar se o Chapéu havia acertado em colocá-la na casa dos corajosos, pois se via numa situação na qual não via opções de coragem. Seu pai! Quanto mais Molly pensava, mais problemas encontrava. O choro se intensificou, e ela tampou a boca pra abafar os sons que emitia. Ouviu passos pesados na escada e engoliu o choro, mordendo o lábio inferior.

— Molls? — Escutou a voz chamar, e estremeceu. Rapidamente limpou as lágrimas com a manga comprida da blusa de pijama e olhou para trás com um sorriso simplório e triste.

— Oi. —Disse, com a voz falha.

— O que tá fazendo aqui a essa hora? — Perguntou James, que se jogou no sofá ao seu lado. Discretamente, Molly se encolheu para o lado oposto.

— Não consegui dormir.

— Você esteve chorando? — Perguntou o primo, ao notar a voz embargada da ruiva e seus olhos inchados. Molly negou com a cabeça. — Não minta pra mim.

— Ok, eu estava, mas já melhorei. — Respondeu meio seca, e por conhecê-la bem, James suspirou e a abraçou, puxando-a para deitar em seu colo. A ruiva negou deitar-se, mas assentou ao lado dele e James a envolveu puxando seu tronco para perto do dele de modo que ficassem frente a frente. Molly não podia olhar em seus olhos, simplesmente não conseguia. Quando ousou levantar os olhos até suas têmporas, pôs-se a chorar de novo, com a cabeça enterrada entre o ombro e pescoço do moreno. Seus soluços eram altos e Molly não conseguia conter-se.

— O que houve, Mollinda? — Perguntou James, que acariciava os cabelos dela carinhosamente, e a ruiva sentiu o coração ser apunhalado por ele chamá-la daquela forma num momento em que ela precisava ter toda a coragem do mundo, e não conseguia.

— James, eu... eu te amo. Você sabe, não é? — Dizia entre soluços após se afastar para olhá-lo. Ele assentiu, ficando nervoso com a situação. — Mas não podemos continuar com isso.

— Por quê? Molly, o que está acontecendo? — Perguntou, visivelmente alterado, a afastando de modo que ela acertasse o tronco, e até chegasse para o lado oposto do sofá mais uma vez.

— Nada, James, eu só... não posso. — Desviou os olhos azuis e então suspirou dando espaço a um soluço alto.

— É isso, então? — Ele perguntou se levantando, e ela baixou a cabeça pondo-se a chorar mais uma vez. — Ok, Molly.

Dito isso, James deixou a Comunal, subindo para o dormitório masculino mais uma vez, e Molly caiu ajoelhada de frente à lareira. Tinha o rosto escondido pelas mãos, toda a pele da face e também das palmas umedecidas pelo líquido que escorria de seus olhos. Depois de alguns minutos daquele jeito, reuniu forças que nem sabia que possuía e subiu até o dormitório, deitando-se em sua cama. Foi levada pelo sono apenas por estar extremamente cansada, depois de ensopar a fronha com as lágrimas, de novo.



Notas finais
O que acharam? ♥