Criminal

6 Mommy issues


Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo para vocês! Boa leitura, beijocas :)
Acordei com o sol forte em meu rosto, olhei as horas no celular e já eram três horas da tarde. Minha cabeça parecia que ia explodir em mil pedaços a qualquer momento. Com meus olhos extremamente sensíveis a luz, olhei para o lado e vi Day tendo o que parecia ser o melhor sono da vida dela. Apagamos mesmo ontem a noite, pena que não me lembro de exatamente nada depois que chegamos naquela boate, pelo jeito a noite foi boa mesmo. Levantei bem devagar da cama e fui quase rastejando até o banheiro, que parecia estar muito longe. Liguei a água da banheira e fui procurar algum remédio para ressaca no meu guarda-roupas. Acabei pegando o remédio, uma calça legging, um moletom azul e me enfiei no banheiro. Tomei o remédio, me despi e entrei na banheira com água morna. Se eu fechar os olhos aqui, é bem capaz de eu dormir de novo, mas tenho que me recompor para quando Aida chegar e eu ser metralhada de perguntas, que já cheguei a achar que era puro interesse de mãe para filha, mas depois acabei descobrindo que ela queria manter as aparências e me impedir de fazer alguma coisa que estrague sua imagem.

Devo ter ficado um bom tempo naquela banheira, porque adormeci sem perceber, e quando acordei já estava toda enrugada. Me levantei da banheira e me enxuguei com uma toalha recém-colocada em meu banheiro, deve ter sido Camille. Coloquei a roupa que havia pegado no guarda-roupas e fui até o quarto.

— Acorda, Daisy — cutuquei com intuito de acorda-la

— Me deixa dormir, mãe! — disse ainda sonhando

— Não sou sua mãe não, garota. Levante dessa cama antes que eu te jogue para fora dela. E sem fazer barulho, por favor — ri

— Você falando já é muito barulho — disse tentando abrir os olhos

— Vou preparar o café, pode ir tomar um banho se quiser

Preparei panquecas de morango, suco de manga e café preto forte. Me sentei na mesa, peguei um pouco de panquecas e suco e comecei a devorá-los enquanto tentava lembrar o que havia acontecido ontem a noite, que virou um grande branco. É muito estranho isso de beber e não lembrar das coisas, não acontece muito comigo porque não bebo sempre, mas quando exagero um pouco, não lembro de nada.

— Você lembra de alguma coisa que aconteceu ontem — Day entrou na cozinha e me olhou confusa

— Absolutamente nada, minha memória só vai até na parte que entramos na boate

— Eu só lembro de ter ficado com um cara muito lindo, mas é só. Depois vou ver com Chris se ele se lembra de alguma coisa, mas acho difícil

— Seu pai está em casa? — bebi um gole de suco

— Não, ele só chega mais tarde. E o seu? — enfiou um pedaço de panqueca na boca

— Está dormindo, chegou hoje cedo do hospital. Agora ele só acorda na hora do jantar

— É o que eu gostaria de fazer se você não tivesse me acordado — me olhou torto

— Cala essa boca — ri

— O que vai fazer amanhã à noite?

— Maratona de séries com bastante chocolate. Por que a pergunta?

— Ás vezes esqueço que tem apenas 17 e acho que tem 70. Pode cancelar esses planos maravilhosos que tem para amanhã. — disse com sarcasmo — Nós vamos à um bar amanhã, vai ter uma banda muito boa tocando lá

— Chris e Cora vão?

— Provavelmente não, eles não curtem esse tipo de música. Quem me chamou foi o bonitão que estava comigo ontem — deu um sorriso com malícia

— Não disse que não se lembrava de ontem? — perguntei confusa — E quer que eu vá segurar vela para você e o Sr. Bonitão?

— Pelo jeito eu dei meu número para ele — ela me mostrou as mensagens que ele havia mandado, convidando-a para esse bar — E não vai estar segurando vela, vai estar acompanhando sua amiga muito querida numa saída em grupo

— Tudo que qualquer um sonha em fazer — falei com sarcasmo — você vai ficar me devendo

— Você é uma ótima amiga — ficou toda animada e mandou mensagem para o Sr. Bonitão confirmando nossa presença

Daisy já estava tagarelando por mais ou menos meia hora sobre o quanto amanhã à noite vai ser o máximo, quando sei pai ligou perguntando aonde ela estava, pois ele havia chegado mais cedo e notou que ela não estava em casa. Day saiu da minha casa numa rapidez que acho que ela poderia participar do próximo elenco de Need for Speed.

Minha dor de cabeça parecia só aumentar e eu ficava cada vez mais incomodada por não lembrar de absolutamente nada que aconteceu ontem à noite. Essa é a parte que não gosto sobre a bebida, nunca me lembro de nada. É sempre muito bom na hora, eu me solto bastante. Sem a bebida, não me divirto quase nada nas festas, então gosto de tomar umas doses para relaxar. Fui para a sala, apaguei as luzes e fechei as cortinas, me deitei no sofá e fechei meus olhos numa tentativa de passar essa ressaca infeliz. Juro que essa é última vez que bebo. Quer dizer, jurar é uma palavra muito forte, então só vou tentar não beber mais.

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— O que está fazendo deitada aqui, Alysson? — minha mãe me acordou acendendo a luz da sala e abrindo as cortinas

— O que você quer, Aida? — coloquei uma almofada no rosto

— Quero saber mais sobre aquela festa que você foi ontem. Sabe, aquela que você encheu a cara? — tirou a almofada do meu rosto e me olhou furiosa

— Do que está falando, mulher? — me sentei

— Pare de se fazer de sonsa, Alysson, eu coloquei pessoas atrás de você. Ficaram de olho em você durante toda a noite

— Você fez o que? Está ficando louca, resolveu me espionar? — levantei e elevei meu tom de voz

— É a única maneira de eu saber o que está acontecendo na sua vida, já que você se recusa a ter uma conversa normal comigo. E também não sou irresponsável como seu pai, nunca iria deixar você sair de casa com um grupo de estranhos para uma festa num lugar que eu não conheço.

— Eu que me recuso a ter uma conversa normal com você? Não sem nem porque perguntei, você realmente está ficando louca! — ri — E não ouse falar assim do meu pai, Aida. Ele me criou muito bem, e olhe que foi praticamente sozinho.

— Talvez esse seja o problema, ele te criou exatamente como ele — disse com desgosto na voz

— E fico muito muito grata por ele ter feito isso, pois a última coisa que eu gostaria de ser é como você — ela levantou sua mão tão rapidamente, que tudo que pude sentir foi uma ardência em minha face. Saí da sala com passos duros e fui em direção ao meu quarto, enquanto ela mantinha sua posição, parada no meio da sala com os braços esticados ao lado do corpo. Coloquei meus tênis All Star, peguei meu cartão de crédito e meu celular, os enfiei no bolso do moletom e saí em direção a porta do apartamento.

— Aonde está indo, Alysson? — Aida finalmente se desprendeu de sua posição e foi correndo até a mim

— Não te interessa — peguei a chave de casa, saí pela porta e a tranquei

— Alysson, abra essa porta agora! — ficou batendo na porta — eu vou chamar a polícia

— Chame mesmo, boa sorte explicando para eles o porquê de eu ter saído — apertei o botão do elevador — e também explicando para os jornalistas o que sua filha estava fazendo numa boate bebendo até tarde da noite — entrei no elevador e só pude ouvi-la chamando meu nome uma última vez

************************************

Saí andando pelas ruas da região, completamente sem rumo. Apesar de estar tarde, as ruas ainda estavam cheias, o que não era muito comum no último lugar que morei. Depois de muito andar, fiquei com um pouco de fome, então entrei numa lanchonete de esquina que havia ali. Fui até o balcão e fiquei esperando a atendente anotar meu pedido, o que não demorou muito. Pedi uma porção de batata-frita e refrigerante. Enquanto ela anotava meu pedido, me sentei numa mesa perto da janela e fiquei olhando em volta da lanchonete. Queria não ter feito isso, pois vi o que não queria ter visto, bem ali, de jaqueta de couro, uma calça jeans escura e uma bota de couro, sentado no balcão.

— Você costuma se perder sempre desse jeito? — se sentou na cadeira em frente a minha

— O que está fazendo aqui, Adrien?

— Eu que pergunto. Seu papai sabe que está fora de casa à essa hora da noite? — disse com sarcasmo

— Cuide da sua própria vida, pode ser? — revirei os olhos

— Já que está fora de casa tão tarde, que tal passar na minha casa para que possamos continuar de onde paramos ontem? — pude ver malícia por todo seu rosto

— Que? — perguntei confusa. Do que ele está falando?

— Então é assim que vamos jogar agora? — encostou na cadeira, mas a malícia não saiu de seu rosto

— Do que está falando, Adrien? — meu pedido chegou na mesa

— Você não se lembra? — um sorriso apareceu em sua face, mas nada da malícia sair

— Me lembrar de que?

Ele pegou uma batata de minha porção e saiu da lanchonete rindo, me deixando ali parada e cheia de dúvidas. Do que Adrien está falando? Eu realmente preciso me lembrar do que aconteceu ontem, pois ele não parece estar planejando me contar tão cedo, e se eu não descobrir, vou acabar enlouquecendo. Meu celular começou a tocar, era meu pai.

*LIGAÇÃO ON*

— Filha, aonde você está? — disse preocupado — volta para casa, por favor!

— Não voltar enquanto essa louca não sair — comecei a comer minhas batatas

— Filha, estamos ambos muito preocupados com você! Foi só uma discussão boba, meu amor

— Discussão boba? Ela esqueceu de mencionar o tapa que me deu bem na cara?

— Ela fez o que? — disse com raiva — filha, por favor, venha para casa. Vamos resolver tudo isso como uma família

— A única família existente nessa casa somos eu e você, papai. Ela não passa de uma colega de quarto

— Então volte por mim, Alysson. Eu não sou culpado por isso, mas você está me punindo. Quer que eu vá te buscar?

— Não, pai. Eu volto, só que não quero vê-la.

— Claro, meu amor! Vou esperar, ok? Te amo mais do que você imagina

— Também te amo, pai

*LIGAÇÃO OFF*

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— Minha filha, que alívio — meu pai me abraçou assim que entrei em casa

— Alysson! — minha mãe saiu do corredor e veio em minha direção

— Pai, você falou que eu não a veria! — me desfiz de seu abraço

— Aida, você já fez mais do que o suficiente por aqui hoje — meu pai entrou na minha frente quando ela aproximou

— Saia de minha frente, Dominic. Quero ver minha filha

— É melhor você voltar para o quarto, Aida — meu pai permaneceu

— Você nunca mandou em mim, Dominic, e não vai ser agora que vai começar. Saia da frente e deixe-me ver minha filha — disse com tom ameaçador

— Vamos fazer assim, se Alysson quiser vê-la, eu saio de sua frente. Mas se não quiser, você volta para o seu quarto

— Assim não é justo, você sabe qual será a resposta. Ela não passa de uma menina abusada e malcriada, e depois dessa cena que arrumou hoje, merece muito mais que um simples tapa no rosto — meu pai olhou assustado para a esposa que sempre defendeu. Era como se um cego começasse a enxergar novamente

— Aida, é melhor você se afastar. E se encostar o dedo em minha filha novamente, vai se arrepender pelo resto de sua vida. E não estou exagerando — ela olhou assustada para meu pai, que nunca havia soado tão ameaçador em toda a minha vida, e saiu em direção a seu quarto

— Obrigada, papai — eu lhe abracei e caí em prantos em seu ombro

— Me desculpe, filha, fui um cego tolo. Você sempre me avisou sobre o que estava acontecendo aqui e eu nunca a escutei. Estava errado, meu amor, perdão. Não se preocupe, vou tomar providências logo, não vai ter que conviver com essa loucura nunca mais.

Notas finais
Chegamos ao fim de mais um capítulo! Espero que tenham gostado. Me deem um feedback para eu saber se vocês estão gostando! Vejo vocês no próximo capítulo, beijos :)