Criminal.

19 Capítulo 19: Apologize.


Notas iniciais
Boa noite minhas lindas! Boa leitura.

Point of view: Demetria.

O caminho até a casa dos meus pais foi o mais silencioso e tedioso de todos os caminhos que já havia feito de carro com Selena. A garota mantinha o olhar distante em algum ponto na rua sempre que o sinal estava fechado e as poucas vezes em que tentei chamar a atenção da mesma foi inútil, e algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto mesmo que eu lutasse arduamente para mente-las presas dentro de mim. Estacionei o veículo de qualquer jeito na calçada e desci sem esperar que Selena viesse atrás, o caminho que eu havia cruzado até criar coragem para confessar meus sentimentos havia sido doloroso o suficiente para que eu ainda ficasse me torturando na presença dela. Fui recebida por um abraço carinhoso da minha mãe e foi como se aquele simples ato puxasse para fora novamente a dor de saber que por ter sido tão estúpida havia perdido a única mulher que significava algo para mim. Durante muito tempo da minha vida eu fui acostumada até mesmo pelos meus pais a sempre estar no controle de todas as situações que surgiam em minha vida, e agora eu estava completamente vulnerável molhando a camisa branca da minha mãe com lágrimas que pareciam nunca ter fim.

- Vai ficar tudo bem, querida... – afagou meu cabelo uma última vez antes de se afastar do abraço – Eu vou trazer ela até aqui para que vocês conversem melhor, ok?

- Não mãe... – balancei a cabeça em tom negativo – Não...

- Sim. Por favor, não fuja disso.

Sentei-me no sofá macio com a cabeça baixa e permaneci encarando minhas unhas fixamente conforme minha mãe conversava algo inaudível com Selena do outro lado da sala. Virei o rosto para o lado quando ela sentou-se em minha frente esperando que eu desse início a conversa, porém tudo o que consegui fazer foi limpar os últimos resquícios de lágrimas ainda presentes em meu rosto e solucei baixo. Uma movimentação leve me fez entender que ela estava inquieta e que por mais paciente que fosse, ela era a dona da situação e a única pessoa que devia algum tipo de explicação ali era eu.

- Selena... – comecei, com a voz completamente embargada pelo choro – Acho que não há muita coisa para se explicar aqui já que você entendeu perfeitamente o que eu queria desde o início.

- Vingança.

- É. – assenti – E bom... Não foi exatamente o que eu esperava, acho que saí mais machucada disso do que a sua mãe. – a hesitação me fez esticar a mão e tocar levemente a pele fria do braço dela – Não precisa ficar assim, eu não vou expor minha aversão a ninguém agora, nada disso é sobre mim, é sobre você.

- Na verdade isso é sobre você sim, Demi. Vamos ter que encarar os fatos, por mais dolorosos que sejam: não há nada que possa resolver essa situação agora. Eu estou com a cabeça extremamente quente e aborrecida o suficiente para ir embora agora caso você diga algo que eu não concorde. Ela foi o motivo pelo qual você pisou no meu coração? – as sobrancelhas se uniram –

- Não! Claro que não, Selena! Dianna foi só uma garota que teve a má sorte de entrar no meu caminho na hora errada e eu a usei exatamente da forma como usei você. – admiti sentindo minha cabeça pulsar causando uma dor desconfortável – Mas não me preocupo com ela porque não sinto nada por ela.

- Como você quer que eu acredite que sente algo por mim, Demetria? – questionou com os braços cruzados abaixo do peito, a voz firme me fez abaixar a cabeça novamente – Seria patético cair no seu jogo outra vez.

- Eu te amo! – gritei batendo as duas mãos fechadas no sofá – Será que é capaz de acreditar em algo agora?

As razões pela qual eu estava chorando agora eram completamente diferentes das razões pela qual chorei antes. Antes eu chorava por estar completamente rendida a um sentimento novo que parecia dominar cada célula nervosa do meu corpo, chorava por saber que mesmo depois de muito tentar, Selena ainda permanecia no meu coração e na minha vida. Agora eu estava chorando de raiva por não conseguir expor meus sentimentos da forma como queria, chorando por ser covarde a ponto de só conseguir dizer “eu te amo” no meio de uma discussão. Bom, dizer aquilo era minha última esperança. Os braços finos envolveram meu corpo de uma forma protetora e só então me permiti chorar de verdade com o rosto escondido no pescoço alvo e sentindo o cheiro do shampoo que Selena usava. Sebastian. Era o mesmo que minha mãe usava, e o abraço pareceu ficar ainda mais confortável depois da minha pequena observação. Minha dúvida era saber se o abraço vinha do meu objeto de afeto ou da minha mãe, e ela logo foi sanada quando uma leve canção foi entoada próxima ao meu ouvido. “I'll be your soldier fighting every second of the day for your dreams, girl. I'll be your Hova, you can be my Destiny's Child on a stinger, so don't stress and don't cry, we don't need no wings to fly, just take my hand.” Em poucos segundos e antes mesmo de conseguir lutar contra, o sono estava me levando diretamente para os braços de Morpheu. Ao acordar, notei que já não estava mais no sofá e que Selena não mais suportava meu corpo, porém não precisei descer as escadas em desespero como fazia antes pois ouvi a risada angelical vinda do andar de baixo enquanto minha mãe parecia contar algum fato de quando eu era pequena. Desci um tanto quanto confusa ainda pelo estado em que o sono havia me deixado e dei um sorriso fraco ao ver minha mãe e Selena sentadas em uma mesa com uma pilha de álbuns fotográficos espalhados pelo quarto de visitas.

- Olhe essa. – minha mãe apontou algo na foto – Ela tinha apenas sete ou oito anos, me lembro desse dia como se fosse ontem. Demi lutou para não se vestir de índia, e quando nós finalmente conseguimos convencê-la, ela se recusou a tirar foto. Ela foi pega de surpresa em praticamente todas, menos nessa aqui... – virou algumas paginas – Essa foto foi tirada quando a professora entregou uma flecha para cada aluno e deixou que brincassem. Demi bateu em quase todos os colegas com a flecha antes de olhar para a câmera e sorrir.

As gargalhadas me fizeram revirar os olhos reprimindo um sorriso e aproximei-me lentamente, levando minhas duas mãos até a nuca de Selena, que estava exposta pelo fato de o cabelo liso estar todo amarrado em um nó. Recebi um olhar acolhedor da minha mãe, e para minha surpresa Selena ficou de pé e abraçou-me com força, depositando um beijo leve em meu pescoço antes de afastar o rosto e sorrir fraco.

- Sua mãe estava me mostrando suas fotos de pequena. – riu baixo escondendo o rosto no vão entre meu ombro e pescoço – Quer ver também?

- Estou cansada de ver isso. – observei minha mãe sinalizar por trás de Selena e suspirei – Mas tudo bem, eu vejo com você.

Puxei uma cadeira e posicionei a mesma entre minha mãe e Selena para conseguir dividir a atenção com as duas, entretanto logo dei uma desculpa para sair e ir até a sala assistir televisão. Enquanto estava ouvindo a conversa das duas sobre coisas do meu passado eu permaneci deitada, mas a conversa se transformou em um sussurro e aquilo atraiu minha atenção, então deixei a televisão no volume médio e aproximei-me de onde elas estavam em passos lentos.

- Então Demi foi praticamente um milagre? – Selena sussurrou com o olhar preso em minha mãe –

- Sim, quase isso. Quando me casei com Patrick ambos já sabíamos que era praticamente impossível ser gerada uma criança da união tendo em vista que ele não tinha a quantidade necessária de esperma para fecundar o óvulo, e eu só descobri que estava grávida porque comecei a sentir muita azia. – a garota assentiu e minha mãe deu continuidade a história – Foi então que resolvi fazer um exame e quando o médico me parabenizou eu achei que ele estava sendo irônico. Então aconteceu a primeira ultra, o primeiro enjôo, e quando quis saber se era menino ou menina ela simplesmente se recusou a abrir as pernas e começou a empurrar minha barriga na direção em que o aparelho estava. – minha mãe riu –

- Sempre foi bravinha assim? – Selena sorriu –

- Muito. Ela sempre deu bastante trabalho, por isso decidi que não queria mais filhos. Mesmo quando resolveu abusar da própria independência e foi para aquele lugar horrível algo em mim dizia que eu não poderia ter errado tão feio em querer apenas Demi.

- Ela é uma boa garota. – ouvi a afirmação vinda da mais nova e sorri involuntariamente enquanto mordia o canto direito do meu lábio inferior – Com influencias erradas na idade em que todo mundo se deixa levar.

- Acho que ela está finalmente se encontrando outra vez. Devo isso a você, querida. – minha mãe acabou com o espaço entre elas e envolveu Selena em um abraço apertado – Peço desculpa pelo estrago que nossa pequena travessa causou em sua vida, mas quero que saiba que nunca vi Demi tão tranqüila em toda a minha vida. Eu e Eddie já conversamos e você pode ficar aqui o tempo que for necessário, com toda certeza! Você nos trouxe ela de volta e não há nada mais justo do que retribuir esse imenso favor.

Fechei os olhos encostando-me na parede e escorreguei lentamente até o chão. Agradeci mentalmente milhares de vezes pela segunda chance que estava tendo em recuperar todas as coisas que sempre deveriam ter sido minhas, inclusive a Selena.

Notas finais
reviews?