Criminal.
6 Capítulo 6: Intuition.
Notas iniciais
Point of view: Selena.
- O que exatamente você está procurando?
- Meu celular. – parei no meio do quarto e levei uma das mãos a cintura enquanto a outra esfregava minha testa –
- Nós deveríamos estar estudando. – Miley jogou o livro na minha cama e sentou-se na beirada da mesma – Ninguém vai morrer se você ficar tipo uma hora longe do seu celular.
- Quem sabe.
- Oh vamos lá, diga a verdade. – riu dando um sorriso sedutor – Tem alguém na parada.
- É, talvez tenha “alguém”, mas como eu não tenho tempo para pessoas eu só estou procurando ele para o caso da minha mãe ligar. – abri outra vez a porta do closet e acendi a luz para procurar pelo aparelho no chão – Tenho certeza que está aqui dentro.
- Tudo isso teria sido muito mais rápido se você ligasse para ele do meu telefone. – ela piscou com o aparelho eletrônico no ouvido – Chamando.
- Hm... Ok, encontrei. – peguei o aparelho no bolso da calça pendurada – Ué... Tem ligações perdidas da minha mãe aqui. – corri o dedo através da tela para ver o horário das ligações – Por que a minha mãe me ligaria tanto?
- Não sei, talvez ela tenha sido seqüestrada. – deu de ombros –
- MILEY! – levei a mão na direção do peito – Mãe? Mãe o que houve?
- Selena, ligue para a policia! Tem um carro me seguindo e eles estão disparando tiros contra meus pneus! – ela gritava –
- Mãe, tente ficar calma! – comecei a correr pela casa até chegar ao telefone fixo mais próximo – Onde exatamente você está?
- Na Park Avenue Selena! Rápido! Eu vou desligar antes que perca o controle do carro, mas por favor, não demore!
- Está bem!
Meu celular escorregou entre os dedos sem que eu tivesse o mínimo senso de reação para segurá-lo. Na linha, o telefone da polícia só chamava, chamava, chamava...
- Miley, fique aqui e quando alguém atender diga que precisa de uma viatura para a Park Avenue com urgência pois tem um veículo sendo perseguido lá!
Peguei meu celular no chão, a chave do meu carro que descansava sob a mesa e corri até o veículo, arrancando com ele sem nem ao menos me importar em olhar para ver se vinha algum outro veículo na rua. Encaixei meu celular no suporte e ativei o Bluetooth, o que facilitaria muito no caso de alguém me ligar. Minha visão estava parcialmente coberta pelas lágrimas e minha audição parcialmente preenchida pelo som do meu choro que apesar de ser baixo, era o suficiente para me distrair de outros sons. Ao chegar na Park Avenue, liguei para minha mãe e não demorou muito até ela atender.
- Mãe, onde exatamente você está? – meus dedos trêmulos apertavam o volante –
- Já estou dando a terceira volta pela Park Avenue, estou no número 471, cadê a polícia? – ela parecia tentar controlar a voz –
- Parada em uma das sub-ruas esperando.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? VÁ PARA CASA, SELENA!
- Eu não vou sair daqui até saber que a polícia pegou seja lá quem for e que você está bem. – afirmei estranhando a segurança na minha voz –
- SELENA, EU ESTOU MANDANDO VOCÊ IR PARA CASA AGORA!
- EU NÃO VOU PARA CASA.
Percebi que o local onde eu estava tinha o sinal baixo e acelerei um pouco mais meu carro. Não demorou muito até que o veículo preto da minha mãe atravessasse meu campo de visão e rasgasse a avenida, seguido por outro carro que parecia apenas um vulto, porém pouco tempo depois três viaturas policiais correram atrás do veículo e eu respirei aliviada, me permitindo voltar a chorar com o rosto escondido entre as mãos. Ainda dominada pelo nervosismo e raiva da situação, disquei o número de Demi.
- Alô.
- ESCUTA AQUI SUA VADIA! SE ALGO ACONTECER A MINHA MÃE EU JURO QUE VOU CAÇAR VOCÊ NO INFERNO! VOCÊ ENTENDEU?
- Eu não faço idéia do que você está dizendo. – a voz dela soou indiferente, aquilo me enfureceu ainda mais –
- VOCÊ SABE MUITO BEM DO QUE EU ESTOU FALANDO, DEMETRIA! SE UM SÓ FIO DE CABELO DA MINHA MÃE CAIR VOCÊ VAI VOLTAR PARA O LUGAR DE ONDE VOCÊ NUNCA DEVERIA TER SAÍDO!
Não dei tempo de que ela respondesse e voltei a andar com o carro, acompanhando de longe a movimentação que a perseguição causava nas pessoas. Instantes depois o carro prata que seguia minha mãe colidiu contra uma mureta e capotou. Uma, duas, três vezes. Acelerei um pouco mais, estacionando meu carro de qualquer jeito no acostamento e atravessei a pista correndo diretamente para os braços aflitos da minha mãe. Aguardamos no local que o bombeiro chegasse para fazer o resgate, mas de relance pude ver que sim, Demi estava envolvida naquilo. Era o primo dela que estava no carro, afinal. O sentimento de impotência que parecia estar alocado em meu peito foi totalmente desfeito e um outro tipo de sensação preencheu meu corpo. Ódio. Quando a mãe de Miley chegou ao local e eu me certifiquei de que minha mãe estava segura, afastei-me sem dar uma palavra e quando a faixa preta atravessou meu peito eu dirigi um tanto quanto que automaticamente até o Brooklyn. Parei meu carro onde sempre costumava fazer antes e desci, trancando o na chave. Sem armas, sem faca, sem nada. Os becos ali pareciam cada vez mais escuros e estreitos, entretanto a última coisa que eu me permitiria ter naquele dia era medo. Minha mãe, o único motivo pelo qual eu ainda me esforçava para ser alguém na vida havia sido perseguida por um inútil atrás de vingança. Eu estava disposta a dar minha vida para que eles deixassem a minha mãe em paz.
- Está perdida, mocinha? – ouvi a voz masculina e rouca soar próxima a mim e virei-me dando de cara com um homem alto e moreno com a barba mal feita, um pouco bonito até –
- Não, nem um pouco. Quero falar com a Demetria.
- Demi? – a única iluminação que tinha ali era a ponta incandescente do cigarro dele – O que quer com ela?
- É com ela! – bati o pé na escuridão sem temer o que ele pudesse fazer –
- Demi! – ele gritou em voz alta e afastou-se quando no meio do nada outro círculo alaranjado aceso apareceu – Uma visitinha para você.
- Espere lá dentro. – ela ordenou –
- Se precisar de mim, sabe o que fazer.
- O que quer? – o vapor da fumaça me fez tossir –
- O que você está esperando para me matar? – fui direta –
- Um pouco mais de sofrimento, lágrimas e choro. – a risada dela ecoou através do beco –
- Eu não suporto mais isso. – minhas pernas enfraqueceram e eu caí ajoelhada – Por favor... Eu estou implorando para que você acabe logo com isso. É torturante sair de casa todos os dias para estudar e não conseguir aprender nada porque o medo de que algo aconteça com a minha mãe é maior do que tudo. E eu mal consigo dormir durante noite porque quando eu não estou rondando o trabalho dela eu estou rondando aqui, mas não agüento mais, então por favor...
- Você está implorando? – outra vez ela riu e eu senti um puxão me fazer levantar – Eu deixaria um furo na sua testa agora com o maior prazer do mundo. – o cigarro foi até o chão – Mas eu não posso.
- Por que não pode? – minha voz soou fraca e eu recuei lentamente o rosto ao sentir a respiração dela próxima a minha boca –
- Não faça perguntas.
Meus pés pararam de tocar o chão quando as mãos firmes de Demi seguraram ambas as minhas coxas e ela me colocou sentada em algum lugar que eu não identifiquei. Os dedos ainda pressionados contar o jeans que cobria minha pele puxaram-me para mais perto e o curto espaço que impedia o contato de nossos lábios foi quebrado, deixando que Demetria desse início a um beijo intenso repleto de vontade, ódio e... algo mais. Nada importante. Não da minha parte. Minhas pernas estavam presas ao redor do quadril dela, que agora tinha uma das mãos presas entre o meu cabelo usando a mesma para pressionar meu rosto para frente. No fundo da minha mente, um barulho parecia aproximar-se rapidamente. Policia. Policia.
- Demi, é a policia! – exclamei num sussurro contra a boca dela –
- Porra, não acredito!
Eu estava sendo movida pelo medo e apreensão desde o momento em que comecei a correr pelo escuro até o momento em que percebi que Demi segurava minha mão com firmeza me puxando juntamente com ela através de ruas e mais ruas até que nós nos encostamos no muro e ela abriu uma porta rapidamente, puxando-me para dentro junto. Quando consegui finalmente enxergar o rosto dela foi o momento em que me dei conta de que nunca havia visto tamanha beleza em outra garota antes. A pele pálida contrastava com o cabelo preto e a boca rosada, os olhos pareciam inocentes demais para uma criminosa e a sobrancelha bem feita dava um ar sexy ao rosto bonito. Ouvimos passos cortando o beco do lado de fora e permanecemos em silêncio por minutos, com os olhos fixos na porta. Eu estava simplesmente fugindo da policia por culpa de uma criminosa. A mesma que estava começando a ter um lugar importante demais no meu coração.
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