Crimes na França - INTERATIVA
7 Capítulo 7 -Uma reunião casual
Notas iniciais
Capítulo 7 -Uma reunião casual
Assim que seu chefe chegou a reunião, Mangle não esperava que ele trouxesse Foxy junto.
Não que ela não gostasse do rapaz, pelo contrário, na verdade achava ele muito divertido, mas não achou que seu chefe realmente fosse convidá-lo para participar da reunião, afinal, Foxy era Foxy, e conhecendo-o, Mangle sabia que ele provavelmente não levaria absolutamente nada daquilo à sério.
Entrou na sala branca, fechando a porta de carvalho atrás de si. Seus longos cabelos brancos esvoaçavam em suas costas, e seu ponche roxo e rosa cobria seu dorso, protegendo-a do frio que fazia naquela manhã. Apertou as mãos, amassando as luvas alvas e bateu as botas no chão, encarando o grupo de outros jornalistas à sua frente.
Todos estavam sentados em suas cadeiras, discutindo uma coisa ou outra, ou simplesmente rindo de algo. A sala era bem ampla, limpa e com tonalidades claras. A janela de vidro cristalina deixava os raios da manhã invadirem o cômodo deixando o ambiente extremamente agradável. Sentou-se na frente da mesa enorme à sua frente, e ia começar a conversar com alguém ao seu lado quando seu chefe entrou na sala com Foxy.
–Muito bem, pessoal -disse o Chefe Paulo Bier ao grupo de jornalistas à sua frente-Vamos começar nossa quinta reunião tratando do caso Escorpião de Paris. Prontos para pegar o Escorpião?
–Claro que não -Intrometeu-se Foxy, sorrindo.
O resto dos jornalistas franziram a testa.
–Como assim "não"? -indagou um deles
–Obviamente vocês não vão conseguir pegar o Escorpião. Já olharam pra vocês e depois pra ele? Claramente o escorpião é mais inteligente que qualquer um de vocês pode ser! Já viram a quantidade de vezes que pegaram ele? Nenhuma. Qual a chance de vocês contra ele. Vocês nunca vão conseguir pegá-lo.
Silêncio. Claro, todos os jornalistas sabiam que pegar o Escorpião de Paris não seria tarefa fácil, mas Mangle não esperava que Foxy estivesse tão pessimista. Todos encaravam-o, supresos, até que uma menina de olhos violetas se pronunciou. Celine.
–Engraçado, sabe, o jeito que se referiu como nós, não a gente. Você não faz parte desse grupo, Foxy? Não está conosco pra pegar o Escorpião? -a menina ergueu a sobrancelha, batendo o all star azul no chão liso.
Todos encararam-a, e depois olharam novamente para Foxy, que pareceu desconcertado. Mangle podia ver a surpresa colada em sua cara. O que ele escondia, afinal?
–Verdade -falou Michael cruzando os braços -você não está conosco, Foxy?
–C-claro que estou! -ele exclamou, ainda mais supreso. Parecia entrar em pânico internamente. O jovem começou a coçar nervosamente os cabelos vermelhos como fogo, numa tentativa de manter a lucidez. -Só que se olharem para vocês -ele fez uma pausa -verão que obviamente o Escorpião sabe melhor o que faz. Duvido que nós o peguemos.
–Hmm... -fez Logan na multidão, pensativo -pois você parece muito pessimista. Temos que pensar positivo.
–É verdade, Foxy. -falou Laura -pensamento positivo. Otimismo. -ela sorriu.
–Muito bem -falou o chefe, por fim -Foxy, pare de atrapalhar a reunião. Se não vai sair nada de positivo dessa sua boca, mantenha-a calada. E então, alguém tem um comentário otimista ou uma ideia para pegarmos o Escorpião?
Silêncio. Mangle viu todos os colegas olharem para o teto, chão, ou para os próprios pés, numa tentativa de desviar o olhar do chefe. Ninguém tinha uma ideia?
–Eu acho que tenho uma. -falou Celine, na multidão. -Eu e Laura conversamos um pouco, e chegamos numa boa ideia. -ela trocou um olhar cúmplice com a menina ao seu lado.
Mais silêncio mortal. Alguns engoliam em seco, outros encaravam as garotas com curiosidade. Mangle sabia que viria uma boa ideia de lá.
–E se usássemos a "profissão" dele pra pegá-lo? -indagou Laura
–O que quer dizer com isso? -Foxy perguntou, parecendo preocupado.
–Queremos dizer -Celine falou -ele é um justiceiro. Poderíamos armar uma cilada pra ele. Armar uma situação onde alguém precisasse da ajuda dele urgentemente, e, quando ele aparecesse para ajudar a pessoa, pegaríamos ele. -ela sorriu, satisfeita.
A sala de repente ficou em um silêncio ensurdecedor. Pegar o escorpião? pensou Mangle. Não, será que isso seria possível? Mas o plano de Celine e Laura é bom. Bom mesmo. Digno da detetive mirim. Mangle sabia que o Escorpião não deixava de ajudar ninguém que realmente precisasse. E se ele caísse na cilada? O que seria dele? Seria preso? Torturado? Mangle nem sabia dizer, mas preferia não pensar nisso. Pare com isso, Mangle, reprimiu-se a garota, porque você se importa com ele? O escorpião é um criminoso...certo? Ele é mau... não é? Ah, por que tudo estava tão confuso em sua mente? O lado de jornalista dela lhe dizia para contribuir e apoiar o plano, afinal, Celine era boa em planos, e aquele não fora exceção. Mas e se o Escorpião não fosse quem ele parecia ser?
Sempre que Mangle ouvira dizer dele nos jornais e nos noticiários ela sentia algo estranho se revirar no estômago, algo que inicialmente ela achou ser nojo, mas... não era. A jovem não sabia dizer exatamente o que, mas nojo não era? Admiração? Ou... algo mais?
–Mangle. -chamou alguém, o chefe, que a tirou de seus devaneios momentâneos. O que estava pensando? -E então?
–Hã? E-e-e então o-oque? -ela indagou, voltando à realidade e encarando seu chefe de olhos arregalados.
–O plano. -falou Michael, franzindo a testa -você prestou atenção?
Ela engoliu seco.
–Claro que sim. Enganá-lo, e pegá-lo com a cilada que Celine e Laura propuseram. -a jovem pisco os olhos cor de ambar.
–E então? -perguntou Laura, parecendo genuinamente animada com tudo aquilo -você está dentro?
–Vai ajudar, não é? Afinal, você sempre quis pegar o escorpião, certo? -perguntou Celine com seu olhar misterioso. Darwin estava ao seu lado, encarando a menina menor, sorrindo.
–É um bom plano -falou ele -Celine e Laura tiveram a melhor ideia possível. Típico, claro. Mas e então? Você está dentro? pode ser nossa melhor chance de por as mãos nele! -Darwin sorriu ainda mais
Os jornalistas se remexeram, curiosos e ansiosos para saber a resposta da jovem de cabelos brancos. Por que todos eles de repente pareceram, à Mangle, tão vis por querer pegar o escorpião? Foxy se mexia desconfortável, aparentemente incomodado com alguma coisa.
–Você está dentro, Foxy? -ela perguntou, tentando descobrir o que seu amigo achava. Foxy, apesar de totalmente zueiro e ligeiramente desajustado, normalmente tomava decisões corretas em momentos críticos. Seria bom saber o que ele achava de caçar o escorpião de pais.
–C-claro, q-quer dizer, vamos peg-ar o escorpião de paris logo, não é?... -ele engoliu em seco. O que o incomodava? -Por que não?
–Tudo bem. -Mangle tentou sorrir, apesar da incerteza de estar fazendo a coisa correta. Será que era certo caçar alguém que ajudava as pessoas? -estou dentro. É um bom plano, Celine.
–Obrigada -corou a menina de olhos violetas -Laura ajudou também. -e sorriu.
–Muito bem, é ótimo que tenham um plano em mente. Celine, você fica incumbida de desenvolver o resto da missão, e traga por favor o plano mais completo que conseguir até semana que vem. -pediu o Chefe Paulo com um meio sorriso no rosto -até lá, todos estão dispensados. Planejem bem isso, pois em breve poderemos ter a matéria do ano!
E assim a reunião se encerrou. Mas Mangle continuava pensando em sua decisão, em ter concordado ajudar a pegar o justiceiro mascarado. O que sentia por ele? Admiração? Ele era bom, afinal? E enquanto as outras pessoas saíam das cadeiras, pegavam as coisas conversando e saindo da sala fazendo barulho, Mangle andava com a cabeça abaixada, mente a mil e pensamentos em outro plano. Será que era correto? O que fariam com o Escorpião? Era certo o que fazia? O que de repente sentia por ele? As perguntas rodavam sua cabeça como um ioiô, até que a jovem esbarrou em alguém.
–Ai. -ela ergueu a cabeça -desculpe, Foxy. Não te vi, perdoe-me.
–Tudo bem -ele soltou um sorriso nervoso à ela -eu também estava pensando.... sabe... bom o plano da Celine, não é? -ele não a encarava mais, parecia nervoso e esfregava as mãos. O corredor agora estava vazio. Quanto tempo tinha se passado desde o final da reunião?
–É, a menina tem talento para estratégias...-Mangle comentou, umedecendo os lábios e juntando as maão nas costas -Ela e Laura fizeram um plano bom. Você acha que vamos conseguir pegar ele, então?
Foxy pareceu sorrir por um momento, quase como se... quase como se soubesse de algo que ninguém mais sabia. Mas logo o sorriso morreu em seu rosto, e ele passou a mão pelos cabelos ruivos nervosamente:
–Não sei... talvez...
–Ah...
Os dois continuaram frente a frente, mas nenhum deles se encarava nos olhos. Um clima estranho havia acabado de se formar entre os dois, como se alguém tivesse uma piada constrangedora. Olhando sua face com atenção, Mangle podia ver que ele estava mais vermelho que o normal. Ela sentiu seu rosto esquentar.
–E-eu tenho que ir... sabe?... acho que... hã, tinha que passar num lugar -ela mentiu, confusa. desde quando mentia tão descaradamente?
–Ah, eu também. Melhor irmos. -ele olhou-a brevemente nos olhos, desviando-os tão rápido quando os havia encarado -melhor... Até mais então, Mangle.
–A-a-até. Foxy.
E continuou a caminhar. O que foi isso? Por que Foxy estava tão estranho? Mangle não sabia dizer, mas ele escondia algo, disso ela tinha certeza. O que será que era? De qualquer forma, ela não conseguiu pensar mais nisso, afinal tinha assuntos mais urgentes para resolver. Devia decidir, em uma semana, qual era o seu time: o dos jornalistas, ou o do Escorpião. E de uma coisa ela tinha certeza: escolher entre eles nunca havia sido uma tarefa tão difícil para ela quanto naquele momento.
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