Crime Passional
15 Ate que o sol se extingue - Parte 02
Notas iniciais
***
- Ele ainda esta queimando... – o pai tocou-o e Kaede aproximou-se com o chá. – Filho acorde, tome este chá...
- Pai... – ele abriu os olhos de vagar e tentou fixar as vistas no rosto do pai, porem não conseguiu. – a Rin já voltou?
- Não, mas ligou a pouco, estava preocupada com você...
- E Haru? – Sesshoumaru levantou-se, sentando na cama, pegou a xícara de chá, e após esperar uns segundos, levou-a aos lábios, bebendo um pouco do conteúdo.
- Esta com Ayame lá embaixo... deite-se eu vou descer e deixar a Kaede cuidar de você.
Sesshoumaru deitou-se novamente, deixando os olhos fechados.
- Sesshoumaru-sama, espero que não se importe de eu colocar algumas compressas...
- Não Kaede... eu agradeço a sua ajuda...
Logo depois de aplicar algumas compressas, Kaede desceu, e encontrou a irmã conversando normalmente com Inu-Taishou, e passou direto sem interromper.
- Então seu filho mais velho se casou e já tem uma filha? – Kikyou perguntou com um carismático sorriso.
- Sim, ele casou-se tem quase uma semana...
- E quem é a esposa dele? – ela perguntou, vendo depois uma moça que ela não conhecia entrar na sala com uma menina no colo.
Kikyou observou a garota por algum tempo, e também à criança, logo comentou com Inu-Taishou.
- Essa menininha é a sua neta?
- Sim, o nome dela é Haru... – ele sorriu ao ver a garotinha estender os bracinhos para que ele a pegasse, então ele o fez.
- Inu-Taishou-sama, eu vou ver se a sopa dela esta pronta e volto em um minuto... – Ayame retirou-se, indo para a cozinha, e Kikyou a acompanhou com os olhos.
- É esta a esposa de seu filho, é muito novinha e...
- Não, ela não é minha esposa... – Sesshoumaru apareceu diante dos olhos da moça e ela arregalou-os ao vê-lo.
- Sesshoumaru-kun, como você mudou...
- Não use esse apelido, por favor, eu não sou mais um menino... – ele pediu, sentando-se ao lado do pai.
- Ottou-san!!! – Haru chamou-o e ele logo a pegou e ela recostou-se no peito do pai, ficando quieta por um tempo.
- Filho, não seja indelicado com a moça... – Inu-Taishou repreendeu, e Sesshoumaru olhou-o com uma sobrancelha arqueada, tentando conter as mãos da filha, que tentavam freneticamente desalinhar a sua franja.
- Estou vendo que não mudou nada Sesshoumaru-sama. – chamou-o com tom de sarcasmo.
- Eu posso dizer o mesmo de você, aparenta estar mais madura de que quando partiu... e por falar nisso, você casou-se? – Sesshoumaru perguntou curioso.
- Ah não Sesshoumaru-sama, eu não encontrei ninguém à minha altura naquele país, os homens de lá são muito estranhos... – ela comentou fazendo uma careta, mas a conversa entre eles foi interrompida quando uma voz masculina anunciou a chegada de mais um membro da família Daiyoukai.
- Otoo-san tadaima!! – anunciou se Inu-Yasha ao pai, e ao chegar na sala ficou estático ao ver Kikyou, a qual se levantou lentamente fixando os olhos aos dele. – K-Kikyou...
- Como vai Inu-Yasha? – perguntou e todos olharam para ele, que corou.
- Eu estou bem...
- Inu-Yasha vamos logo temos que terminar logo esse traba...lho... – Kagome parou ao ver os dois se entreolhando e sentiu um frio percorrer a espinha quando a moça a olhou de um jeito muito estranho.
- Vamos Kagome...
- Inu-Yasha, não vai me apresentar sua namorada? – Kikyou olhou-o censurando-o e ele percebeu tal sentimento.
- Desculpe, Kikyou esta é a Kagome... a minha Kagome... – ele sorriu e Kagome reverenciou-se.
- Prazer senhorita Kikyou...
Kikyou permaneceu calada, mas fez uma pequena reverencia com a cabeça, continuando séria, observando a intimidade entre o casal.
Logo os dois saíram, indo em direção ao escritório da casa, onde iriam terminar de fazer o trabalho.
- Como se sente filho? – Inu-Taishou olhou-o, um pouco preocupado.
- Acho que a febre baixou um pouco, mas ainda sinto meu corpo um pouco dolorido.
- O que houve Sesshoumaru? – Kikyou perguntou olhando-o.
- Acho que fiquei gripado...
- Se quiser eu posso lhe fazer um ótimo chá, eu conheço muitos tipos de ervas, desde as que curam, ate as que podem matar... – ela estreitou os olhos, e Sesshoumaru fez o mesmo, mas não deu muita importância ao que ela tinha dito, não sabendo que por traz daquelas palavras tinha uma grande conspiração.
- Então você poderia fazer um desses chás para ele, eu agradeceria, pois assim ele poderia ajudar a esposa dele a...
- Fique quieto pai... – Sesshoumaru pediu, levantando-se com a filha nos braços.
- Sesshoumaru-sama, me perdoe pela demora, eu tive que preparar a sopinha dela...
- Ayame, você poderia colocar um agasalho nela depois que ela terminar de comer, eu vou dar uma saída...
- Sesshoumaru, você vai sair com febre? – Inu-Taishou olhou-o repreensivamente, e o viu fechar os olhos e continuar tranqüilo.
- Eu não estou morrendo pai...
- Eu estou preocupado com você seu ingrato...
- Quanto a essa parte eu não tenho que agradecer, faz parte de sua obrigação como pai se preocupar comigo e com o Inu-Yasha... – Sesshoumaru olhou-o com um sorriso malandro nos lábios vendo o pai soltar fumaças pelas ventas e uma veia saltar na testa.
- Ora seu convencido, acha que eu... – parou ao ver o filho sair do local o deixando falar sozinho.
- Ayame, quando minha filha estiver pronta, leve-a ate meu quarto, eu vou me arrumar...
- Sim senhor. – a garota respondeu olhando-o sorridente.
Sesshoumaru caminhou devagar para o quarto, e ao chegar lá foi logo para o banho, demorou cerca de dez minutos neste e depois de vestir seu roupão, seguiu para o closet onde escolhia uma roupa quente e confortável, mas foi interrompido por leves batidas na porta. Olhou serio para a porta, e logo foi atender. Abriu-a de uma vez, e a garota arregalou os olhos, sentiu um frio na barriga ao ver a cena. Um belo homem com o roupão aberto, deixando o peito desnudo, podia sentir o perfume do sabonete que usou a distancia, e ela corou um pouco.
- Foi muita gentileza sua, você esta dispensada, eu vou cuidar dela ate a Rin chegar... – ele pegou a filha nos braços, e Ayame agia de forma maquinal, estava impressionada com a beleza do rapaz, mas não podia vacilar entregando-se aos sentimentos; saiu do local rapidamente, mas a imagem e o cheiro dele ainda estava vivo nas lembranças da garota.
Nervosa e corada Ayame caminhou rapidamente ate o ponto de ônibus, o qual logo passou, e ela o pegou, indo para casa.
Sesshoumaru pegou a estrada logo que terminou de arrumar-se e agasalhar-se bem. Comprou alguns comprimidos para dor e logo seguiu para o escritório, estava indo buscar Rin, que após ter passado toda a manha no fórum, seguiu para lá e trabalhava, mas um tanto preocupada.
Depois de uma hora percorrendo as ruas de Tókio, Sesshoumaru chegou ao prédio onde ficava o escritório onde ele e Rin trabalhavam. Haru, que estava no banco de trás, na cadeirinha, acabou dormindo, e após ele tomar a filha nos braços, trancou o carro e logo seguiu para onde Rin estava.
Ao chegar à porta, Sesshoumaru não entrou como de costume, bateu suavemente na porta. Rin estranhou e levantou-se para atender, podia ser um cliente ou alguém que trabalhava naquele prédio também. A reação de surpresa dela foi grande quando viu o marido parado na porta com a filha nos braços. O abraçou e o beijou, logo o convidando a entrar.
- O que esta fazendo aqui, deveria estar em casa... – Rin repreendeu-o aproximando e após afastar a franja sentiu a temperatura. — ... você ainda esta com febre...
- Eu estava com saudades de você... – ele pegou na mão dela e beijou-a. — ... não quis esperar você chegar...
Rin corou levemente e logo pegou a filha a colocando no sofá. Sesshoumaru por sua vez, tirou o sobretudo que usava e cobriu a filha a agasalhando mais. Logo, o casal sentou-se e Rin mostrou ao marido alguns documentos, explicando para ele o que tinha feito durante a manha.
- Eu terminei minhas últimas pendências, e agora só falta resolvermos o caso de Gatenmaru, e poderemos viajar... – Rin explicou sorrindo finalmente.
- Nos vamos resolver isso logo... – Sesshoumaru olhou-a e depois de dar um longo beijo nela, a ajudou a organizar os documentos no arquivo.
Logo saíram, e Rin insistiu em dirigir, para poupar as forças do marido, que ainda estava com febre, e sentindo uma enxaqueca infernal, mas mantinha a mesma expressão passiva de sempre. Segurava a filha nos braços calorosamente enquanto Rin dirigia atenciosamente, seguindo as estradas, as quais dariam para a casa da nobre família a qual pertencia agora.
Apesar de tudo, de todas as dificuldades, empecilhos e inveja, eles eram uma família feliz, unidos eram como um, eram três que se tornavam dois para cuidar de um pequeno ser, o qual estava aninhado nos braços quentes do pai, e vivia em paz, sem medo sorria em seus sonhos, pois estava protegida com aqueles que mais a amava.
Ainda era muito pequena para entender aquilo tudo, mas um dia saberia que nasceu de um amor infinito, o qual superou tudo, a inveja, a doença, as dificuldades que a vida oferece e ate a morte... saberia valorizar cada momento em que passaria com eles, com todos eles...
- Tadaima! – Rin adentrou a porta com um sorriso único, saudando os presentes na sala de estar, mas alguém lhe chamou a atenção, alguém que não conhecia, e seu sorriso diminuiu um pouco. A surpresa a fez arregalar um pouco os olhos...
- Okaerinasai... – Kikyou cumprimentou, levantando-se, deu um frio sorriso, sorriso que fez Rin sentir um frio intenso na espinha, um sorriso gélido e sem sentimentos aparentes.
- Rin essa é Kikyou, irmã da Kaede-sama, ela vai passar uns dias aqui ate encontrar um local confortável para ficar... – Inu-Taishou explicou levantando-se também. Segurava um álbum fotográfico nas mãos, o qual parecia muito antigo.
- É um prazer conhecê-la Kikyou-sama... – Rin reverenciou-se, e logo sorriu calorosamente para a moça a sua frente, no mesmo instante em que Sesshoumaru adentrou, aproximando-se dela. Rin olhou-o e sorriu.
- Então... esta é sua esposa, Sesshoumaru-sama?
- Sim... – Sesshoumaru tentou manter-se impassível, mas sua cabeça parecia que ia explodir de tanto que doía. Com isso, não ficou entre as pessoas ali presentes, seguiu para o quarto com Haru nos braços e Rin o acompanhou.
Ao chegar ao quarto, Sesshoumaru colocou Haru no berço e sentou-se na cama, fechou os olhos e Rin pode perceber uma ruga entre as sobrancelhas dele.
- Sesshy... querido, você esta sentindo alguma coisa... – preocupo-se. Ela aproximou-se dele e o tocou nos ombros, logo ajoelhando a frente do rapaz, o vendo abrir os olhos.
- Estou com enxaqueca... – ele respondeu-a, olhando serenamente nos olhos dela. Rin tocou-o na testa, afastando a franja, sentiu a temperatura.
- Você ainda esta com febre, vou preparar um chá para você, e um analgésico... – ela tocou o rosto dele em uma caricia e sorriu. – tome um banho bem quente e deite-se, não esqueça de agasalhar-se bem, hoje o dia parece estar mais frio que os outros... – ela levantou-se e caminhou para a porta, mas parou ao ouvir algo.
- Obrigado... meu anjo... – ela virou-se e deu um sorriso, o qual aqueceu a alma daquele rapaz.
- Eu volto logo... – ela saiu, fechando a porta suavemente.
Sesshoumaru seguiu para o banho, e fez o que Rin tinha lhe dito, logo estava na cama, mas não deitou-se, ficou esperando por Rin. E ela na demorou muito, logo chegou com o chá e um comprimido, o qual ele engoliu com um gole de chá.
- Eu vou me banhar e logo venho lhe fazer companhia... – ela sorriu novamente. Levantou-se e depois de escolher uma roupa bem quentinha seguiu para o banho.
Sesshoumaru deitou-se, e ficou esperando pelo retorno dela, mas o cansaço e o chá calmante o fizeram adormecer rapidamente.
Ao sair do banho, Rin olhou-o e rapidamente aproximou-se, olhou-o, estava com uma expressão muito tranqüila, e ressonava. Rin então, afastou a franja dele o tocando, e ficou satisfeita em sentir que ele não estava com febre. Arrumou algumas mechas que caiam no rosto dele, as pondo atrás da orelha esquerda, em seguida puxou e arrumou os cobertores, e o viu dar um suave suspiro.
Logo após aproximou-se do berço de Haru e após arrumar os cobertores da filha, deu um carinhoso beijo nela, ela tinha a compleição exatamente como a de Sesshoumaru àquela hora, e Rin sentiu-se premiada por ter dois tesouros como aqueles em suas vidas. Sentiu-se feliz e satisfeita por tê-los, mas seu sorriso esvaiu ao lembrar-se de Kikyou, ela apertou a beirada do berço de Haru com uma mão enquanto que a outra estava na altura do peito. Sentiu novamente a mesma angustia a qual sentiu quando viu aquela mulher, o sorriso dela tinha algum mistério, alguma coisa que não era boa.
Fechou os olhos e tentou desvendar o mistério que emanava do sorriso gélido daquela mulher tão misteriosa, misteriosa para ela, pois os demais pensavam que conhecia aquela mulher.
Rin caminhou ate a porta e antes de sair apagou as luzes, e ao sair fechou a porta suavemente. Seguiu para a cozinha, onde encontrou Kaede r Toutousai envolvidos em uma conversa, não interferiu segundo assim para a sala, mas não tinha ninguém, mesmo assim sentou-se e tomou um livro para ler. Ficou durante alguns longos minutos lendo, ate ser interrompido por risadas, que vinham de um alegre casal que saiu do escritório, onde estudavam.
- Inu-Yasha, Kagome, vocês estavam em casa?
- Sim, eu vim direto da faculdade para cá, eu estou começando a me preparar para as provas do próximo período, eu acho que se não me preparar vou ficar reprovado, estou com sérios problemas em uma matéria. – Inu-Yasha explicou um tanto serio.
- Mas nós vamos conseguir Inu-Yasha, vamos estudar duro e tirar ótimas notas... – Kagome confirmou sorrindo e Inu-Yasha sorriu também.
Rin levantou-se e aproximou-se dos dois, apoiou as mãos no ombro de cada um e apertou suavemente.
- Vocês vão conseguir, vejo isso, não se preocupem, se vocês estiverem unidos tudo dará certo... – Rin sorriu.
- Obrigada Rin-chan! – Kagome agradeceu.
Rin viu-os reverenciar e logo sair, e ao olhar para o corredor, viu Kikyou olhava a porta por onde o casal tinha saído, olhava com certo ódio no brilho que vinha de dentro dos olhos. Rin levou a mão aos lábios e arregalou os olhos.
Rin voltou ao quarto ainda assustada com o olhar da mulher e estava inquieta. Passou o restante da tarde envolvida em seus pensamentos.
Logo o jantar foi servido, mas Kikyou não jantou a mesa com a família, nem estava presente, assim como Kaede também não estava, coisa que dificilmente acontecia.
O jantar seguiu silenciosamente e após terminar, Rin serviu uma refeição e levou juntamente com um copo de suco de laranja para o quarto. Ao chegar lá estranhou não encontrar Sesshoumaru na cama, e após colocar a bandeja em cima da escrivaninha, seguiu para o banheiro, mas nem chegou a entrar, pois o rapaz saiu antes.
- Sesshy o que faz de pés? – perguntou preocupada.
- Eu estou bem Rin, só fui ao banheiro...
- Ah! – ela corou um pouco, mas logo lembrou-se do jantar. – Eu trouxe o jantar pra você... – ela viu-o sentar-se na poltrona e olhá-la atentamente. — ...você quer agora?
- Porque eu não a achei antes? – disse anda olhando-a.
- Hã? Do que você esta falando querido? – ela perguntou confusa, aproximando-se.
- Estou falando de um anjo que me tirou das trevas... – ele fechou os olhos e ela parou, corando em seguida.
Alguns dias se passaram, e Sesshoumaru finalmente ficou curado da gripe que havia lhe caído, e eles voltaram ao trabalho com todo vapor. O inverno se findou, mas os dias ainda estavam frio, mas a presença da primavera trazia brotos novos e alguns botões nas plantas. A grama que antes estava coberto pela neve agora começava a se reavivar, e ter a cor verde novamente.
- Rin, seu cliente esta livre... – Sesshoumaru sussurrou ao pé do ouvido da moça, a qual não conteve a alegria e pulou nos braços dele, o enlaçando no pescoço sendo abraçada por ele seguidamente.
Rin teve uma performance excelente, e depois de ter se virado contra Kamakiri, a qual acusava o ex-marido injustamente de ter abusado sexualmente do filho, o chantageando para tirar-lhe dinheiro, um beneficio para usar com ela e seu amante, o medico que forjou provas para incriminar o pai da criança em questão.
Kamakiri foi acusada por chantagem, e o medico por falsificação de provas e de documentos. Os dois foram presos e Gatenmaru conseguiu a guarda do filho de volta. E pelo que o juiz pode ver, a criança se sentia muito mais feliz do lado do pai.
- Eu estou muito agradecido a você, senhorita Rin, e ao seu esposo também... – o homem agradeceu sorrindo.
- Eu faria tudo de novo, eu sabia que o senhor era inocente, confesso que me deixei enganar pelas lagrimas daquela mulher, mas depois meu marido me ajudou a enxergar a verdade. Na verdade, temos que agradece a ele...
- Não é necessário agradecer, eu ajudei porque não gosto de injustiças, e ainda mais contra um pai que ama seu filho... – Sesshoumaru permaneceu sério.
- Depois conversamos mais senhorita Rin, meu filho precisa descansar, eu ligarei para acertarmos...
- Tudo bem, vá em paz... – Rin reverenciou-se, assim como ele o fez para o casal, e logo partiu.
Dava para se ver a felicidade estampada no rosto daquele homem, e Rin estava muito feliz também.
Sesshoumaru não demonstrava sentimentos em público. Após o casal sair do tribunal, onde tinha sido realizado o julgamento, seguiram para o escritório, e ao chegar no prédio, Sesshoumaru ainda estava sério.
O casal subiu para o escritório em silencio, mas o rapaz fitava Rin pelo canto do olho, sem que ela percebesse. Sentia muito orgulho e admiração pela esposa, uma mulher que um dia foi espancada, violentada, quase morreu junto com ele. Se transformou em uma grande mulher, forte e consistente, muito inteligente e que tinha o dom angelical para cuidar das pessoas.
Ao chegar ao destino, o rapaz abriu a porta e deu espaço para Rin passar, e assim que ela o fez, ele fechou a porta e a trancou.
Rin após entrar, deu alguns passos, mas foi impedida por Sesshoumaru, que sem explicação a puxou para junto de si e vorazmente começou a beijá-la. Rin não entendeu, mas aceitou as carícias, e estranhou um pouco, pois ele estava a beijando de forma diferente, podia sentir a língua quente e molhada dele acariciando a boca dela por dentro, mas estava de uma maneira tão ávida, estonteante.
Seguiram-se alguns minutos, e os dois separaram-se, e tanto ele quanto Rin sentiu os lábios inchados, estavam corados e muito úmidos, por causa do beijo.
- Sesshy? – Rin olhou-o confusa e recebeu outro olhar vindo dele, um olhar muito sensual, diferente de todos os olhares que conhecia, mas ele não deu tempo a ela de falar mais, voltou a beijá-la, e as mãos masculinas percorreram pelas costas dela ate chegarem aos cabelos, afundando os dedos nos longos cabelos da moça, podendo sentir o local umedecer. Eles podiam sentir as respirações ofegantes quentes como vapor de vulcão. O cérebro parou de processar preocupações e passou a entregá-los sensações ardentes, arrebatadoras.
Enquanto uma das mãos dele a acariciava por baixo dos cabelos a outra cuidadosamente percorria pelo corpo de Rin, a fazendo dar gemidos entre os lábios dele. O beijo não parava, ele às vezes mudava de posição, e nesse intervalo, ele dava pequenas mordidas nos lábios dela, com os seus lábios.
Sesshoumaru sentiu o corpo estremecer com as caricias que a esposa fazia nele, roçava as unhas de leve no tórax, e descendo suavemente por ele chegando ao abdômen o fazendo contrair os músculos. E sempre que sentia aquelas sensações, soltava um leve rosnado, mais gemente que alto entre os lábios de Rin.
Sempre que faziam aquele tipo de ritual, nunca era igual, sempre tinha algo mais intenso em cada um...
Uma paixão dos sentidos, do coração, da própria alma. Arrastada por uma volúpia inexplicável, por uma necessidade tão arrebatadora que tudo mais se tornava insignificante diante deles, diante daquele infindável e puro amor.
- Sesshy... – ela começou atordoada com os beijos que ele estava dando em seu pescoço. — ... não é melhor nós irmos para casa... – Rin deu um gemido ao sentir ele lamber e logo depois morder suavemente eu pescoço.
- Deixe acontecer meu anjo... – pediu ele sendo ainda mais sedutor, sendo mais ávido.
Rin acabou cedendo à Sesshoumaru, e deixou que ele a dominasse e a levasse mais uma vez aos limites da paixão, aos limites do prazer que o corpo podia proporcionar aos dois.
Um tempo depois, os dois tentavam controlar a respiração, e também o coração...
- Sesshy... não devemos ficar fazendo amor aqui... – Rin ainda estava sentada no colo do marido, e o abraçava o acariciando por baixo dos cabelos.
- Eu sei meu anjo... Eu não pude resistir mais uma vez... – sussurrou, beijando o pescoço dela perto do lóbulo da orelha.
- E se aparecesse alguém?...
- Eu tranquei a porta, e depois, nos já terminamos de organizar tudo, alem de termos avisado que não poderíamos atender durante algumas semanas... – ele continuou a beijá-la no local, e sentiu em seus lábios o arrepio da pele quente dela.
De repente o telefone tocou, e Rin atendeu ainda junto de Sesshoumaru, que continuou a beijá-la pelo pescoço, deixando a língua passear pelo local, estonteando a moça.
- Sim... – ela atendeu num fio de voz, tentando controlar o estremecimento de seu corpo, pelas sensações que estava sentindo entre os braços fortes e quentes de Sesshoumaru.
- Menina Rin, meu filho esta ai com você? – Inu-Taishou, um tanto preocupado perguntou. – É que quando ele saiu daqui ainda estava com febre, e ainda levou minha netinha com ele...
- Ele... esta bem Inu-Taishou-sama... me...melhorou bas...tante...
- Menina Rin, você esta bem? – perguntou estranhando a gagueira da moça.
Mas antes dela responder, Sesshoumaru tomou o aparelho das mãos da moça e desligou... o momento em que eles viviam estava intenso, era um amor consistente e muito grande.
Eles decidiram involuntariamente que ninguém abalaria aquele amor, e que duraria para sempre...
Alguns dias depois, Rin com a ajuda de Kaede arrumava as malas para a viagem do casal. Rin parecia um tanto ansiosa, ao contrario de Sesshoumaru que estava relaxado, apesar de nunca ter viajado para o Brasil.
Eram poucas as coisas que fazia ele ficar ansioso, e uma dessas poucas coisas era ficar as sós com Rin. Estava sentado no escritório da casa pensativo, olhava a filha Haru brincar com um urso de pelúcia.
- Otoo-san... – a menina chamou-o estendendo o urso, mas Sesshoumaru estava aéreo, muito distante e a garotinha continuou olhando o pai, não entedia nada, só sabia brincar, e continuou a fazer isso, vendo que o pai não dera confiança.
Ele continuou pensativo, ate Rin adentrar o local, despertando a atenção dele.
- Sesshy... eu queria conversar sobre um assunto com você... – disse ao se aproximar dele, sentando-se em seguida.
- Pode dizer Rin... – ele atentou-se a ela, virando se de frente, e acariciou o rosto dela, tirando uma mecha de cabelos e pondo-a atrás da orelha.
- Essa moça, a Kikyou, ela tem um comportamento muito estranho, o olhar dela é de quem esta tramando alguma coisa contra outra pessoa... – Rin olhava atento para ele, transmitindo preocupação o olhar.
- Rin, ela sempre foi assim... – ele pegou nas mãos dela a apertando suavemente.
- Pode ser, mas eu acho que ela esta tramando algo e isso me preocupa... eu acho que... – ela levantou-se ficando de costas para Sesshoumaru, que olhava-a atentamente. – ela esta tramando algo para seu irmão...
-Para meu irmão? – ele levantou-se e aproximou-se dela.
- Sim Sesshy, a ultima vez que eu a vi, estava olhando para seu irmão com um brilho intenso de ódio no olhar, e isso porque ele estava junto da Kagome-chan. – Rin virou-se e olhou para Sesshoumaru, que deixou um sorriso escapar de seus lábios.
- Rin, isso não faz sentido...
- Como não faz sentido, eu estou preocupada com o Inu-Yasha e você diz isso?
- Meu anjo, o Inu-Yasha sabe se virar, e depois, essa mulher não tem o porquê fazer algo com ele, eles nem se conhecem direito...
- Eu não quero ter que ver ninguém mais se ferir querido, e aquele olhar... – ela disse um tanto tremula em lembrar do que passou.
- Ei... – começou suavemente, pondo as mãos nos ombros dela e a olhando nos olhos. — ...Não vai acontecer nada... – ele abraçou-a. — ...Eu vou conversar com o meu irmão...
- Ta... – ela sentiu-se um pouco segura, mas não completamente.
- Não se preocupe... nada vai acontecer...
- Okaa-san... – uma pequena e fofa menina puxou a barra da saia de Rin, que arregalou os olhos para Sesshoumaru ao ouvir a menina a chamar pela primeira vez de mamãe, sentiu uma emoção muito grande que fez o coração palpitar de alegria.
Sesshoumaru deu um sorriso para a esposa, e logo abaixou-se, pegando a filha nos braços, a qual enlaçou o pescoço do pai, deitando a cabeça no ombro dele.
- Ela esta com sono... – comentou, olhando para Rin, que tinha lagrimas nos olhos, e acariciava as costas da filha.
- Nossa filha esta crescendo... sinto tanto orgulho dela, a cada dia nos surpreende com algo...
Algumas horas depois, Inu-Yasha chegou, e foi abordado por Sesshoumaru, vendo isso Inu-Taishou alertou-se, era difícil os dois irmãos pararem para conversar daquela maneira, poderia ser sobre o escritório de Sesshoumaru, mas o olhar que o mais velho tinha não era de quem trataria de negócios.
Logo os dois se encaminharam para o quarto de Inu-Yasha, que ao chegar lá jogou os livros em cima da escrivaninha, recebendo um olhar reprovativo do irmão mais velho por isso.
- Diga logo o que quer, e pare de ficar olhando pra mim dessa maneira... – Inu-Yasha pediu, tirando a camisa que usava em seguida.
- Que relação você teve com aquela mulher Inu-Yasha?
- Que mulher? – o mais novo virou-se rápido para olhar o irmão, de modo que seus cabelos acompanharam seus movimentos, pousando parte deste em cima do ombro direito.
- Não se faça de idiota... – Sesshoumaru caminhou ate a escrivaninha, sentando-se na cadeira depois, fechou os olhos, esperando pela alteração do irmão.
- Você esta ficando maluco, eu nunca trairia a minha Kagome, eu amo ela e...
- Eu estou falando da Kikyou Inu-Yasha, e eu não disse que você tem algo com ela, eu perguntei o que você \"teve\" com ela, no pretérito perfeito simples do indicativo... – olhou-o serio, e o viu corar, virando-se depois.
- Então a Rin tinha razão, para você reagir dessa maneira é porque...
- Então a sua mulher anda bisbilhotando minha vida pessoal? – Inu-Yasha irritou-se.
- Veja como fala seu moleque! – Sesshoumaru levantou-se alterado, olhando com frieza para o irmão, que o fitou serio. – A Rin andou observando o comportamento da Kikyou e viu que ela anda te espreitando, vigiando seus passos...
- Como é que é?! – ele olhou o irmão, e aproximou-se de modo que os dois ficassem de frente para o outro.
- Ela esta preocupada com o jeito que aquela mulher olha para você, principalmente quando esta junto da Kagome. – Sesshoumaru explicou, e logo caminhou ate a porta, e depois de tocar a maçaneta olhou para o irmão novamente. – É melhor ter cuidado... – saiu em seguida, deixando Inu-Yasha com seus pensamentos.
- O que será que ela esta querendo...? – Pensou Inu-Yasha, mas batidas suaves na porta o interrompeu. Caminhou ate a porta, e com uma mão coçava atrás da cabeça e a outra abriu a porta. A surpresa foi muito grande ao ver quem era.
- Kikyou?...
- Você mudou bastante desde a ultima vez que nos vimos... – comentou, já adentrando o quarto do rapaz que ficou a olhando surpreso. Fechou a porta de modo maquinal, e virou-se para a mulher, que o olhava, admirando o bem definido tórax do rapaz, que ao perceber isso, corou e passou por ela pegando a camisa que havia tirado para vestir novamente, mas foi impedido por ela. – Esta com vergonha de ficar sem camisa na minha presença?
- Não... eu... – ele estava sem palavras, e corado.
- Eu já vi muito mais do que isso, Inu-Yasha... – ela tocou o peito dele e aproximou-se o bastante, ficando com o rosto milímetros do dele.
Inu-Yasha sentiu o corpo gelar, e o coração acelerou de tal forma que a voz travou na garganta, seu cérebro estava processando as informações rápido demais, não sabia o que fazer, não conseguia pensar direito. E quando ele pensou que tudo estava perdido, ela se afastou, fazendo a tensão diminuir entre eles.
- Pensou que eu ia te beijar?
- O que você esta querendo? – Ele olhou-a se afastar, e parar perto da cama.
- Eu vim lembrar de muitas coisas... – ela sentou-se na cama e tocou os lençóis, apertando-os. — ... esse quarto me da muitas boas lembranças... – ela olhou para o rapaz, vendo ele parado no mesmo lugar, olhando para ela, com os lábios semi abertos. Desejou-os junto aos dela naquele momento.
- Eu... sinto muito Kikyou, mas... – ele parou de falar vendo que ela levantou-se, vendo ela se aproximar novamente.
- Eu sei que você esta namorando Inu-Yasha, não precisa ficar me lembrando disso, — ela olhou para a cama novamente. — eu só queria lembrar... de nós dois...
- Desculpe mas eu não vou poder te ajudar, eu realmente sinto muito...
- Entendo... você não me ama mais não é? Agora você ama aquela garotinha... – ela abaixou o rosto, fitando os próprios pés. – Você nem se lembra mais da nossa noite juntos... por causa dela...
- Eu me lembro sim Kikyou, eu me lembro de cada momento com muito carinho, eu realmente te amei muito, fui muito feliz ao seu lado mas...
- Isso tudo é uma grande mentira, se você tivesse mesmo me amado, teria assumido tudo comigo, mas preferiu deixar que eu partisse, e agora fica dizendo essas coisas... – ela disse com um pouco de nervosismo na voz, mas sem lagrimas nos olhos.
- Eu não estou mentindo pra você, eu te amei muito, mas você se foi e eu não podia ficar amando alguém que eu não sabia que... voltaria algum dia, você esperava de chegar aqui e me encontrar apaixonado por você ainda...
- Não... mas não precisa de me desprezar dessa maneira...
- Eu não estou te desprezando...
- Ah não... – ela se aproximou novamente dele e o enlaçou o pescoço dele e aproximou o rosto do dele... – então eu posso te dar um beijo?
- Er... – ele segurou nos braços dela e se afastou. – eu não posso fazer isso, não seria justo...
- Ora... – ela olhou-o com certo desprezo, e sem dizer nenhuma outra palavra saiu do quarto do rapaz deixando a porta aberta.
Inu-Yasha suspirou aliviado, apesar de estar totalmente envolvido com Kagome, ele era homem, e Kikyou foi sua primeira mulher. Queria ser honesto com Kagome.
- Maldição... porque essa garota tinha que aparecer... – Kikyou estava inconformada, ainda amava o rapaz, mas ele, tinha a esquecido...
- Kikyou, esta falando sozinha minha irmã?
- Ah... Kaede – ela sorriu disfarçando. – eu estou com um pouco de dor de cabeça...
- Entendo... – ela olhou-a um tanto desconfiada. — ... eu encontrei um local, é um apartamento perto do centro comercial, é um pouco movimentado lá, mas as pessoas que moram no local disseram que é um ótimo lugar para morar.
- Bom trabalho Kaede, amanha mesmo eu vou me mudar, você pode me ajudar a arrumar minhas malas?
- Claro... – ela sorriu, e logo as duas começaram a organizar as roupas.
- Eu encontrei um emprego em um prédio comercial no centro também, vai ser fácil para mim chegar lá...
- Isso é maravilhoso minha irmã... – as duas sorriram e continuaram a organizar as malas.
Eram três da manha e sentindo a boca seca, Sesshoumaru saiu sorrateiramente da cama e caminhou ate a cozinha. Lá bebeu um copo de água e quando voltava para a cama, Inu-Yasha apareceu de repente, e assustou-se com o irmão.
- O que você esta fazendo aqui? – perguntou olhando pelo local, como se procurasse alguma coisa, ou... alguém...
Sesshoumaru olhou para traz, onde os olhos do irmão estava fixo, mas logo olhou o irmão novamente.
- Esta procurando alguma coisa? – ele já sabia que sim, mas perguntou para saber qual seria a reação do irmão.
- Não... – Inu-Yasha olhou-o novamente, e aparentando um pouco de preocupação.
- A Kagome não vai gostar de saber que você anda se encontrando com a Kikyou as escondidas de madrugada...
- O Quê?!!!! – ele gritou exaltado, e o irmão o olhou com as sobrancelhas arqueadas.
- Não grite, eu não sou surdo seu idiota...
- Quem foi que falou que eu vim me encontrar com a Kikyou? – ele falou em tom baixo, saindo de perto do irmão e indo ate a geladeira, pegando um jarro de água depois e freneticamente despejou em um copo.
Sesshoumaru virou-se devagar e olhou o nervosismo do irmão, e aproveitou para tirar um sarro da situação.
- Você esta traindo a Kagome seu idiota?!
- É claro que não, eu nunca faria isso com ela...
- Então o que faz há essa hora acordado, nervoso e suando frio?
- Eu estava com um pouco de calor e vim beber água...
- Você não acha que ainda esta um pouco frio para sentir calor? – ele olhou o irmão serio, e este correspondeu o olhar, mas um pouco corado.
- ...E você o que esta fazendo acordado a essa hora?
- Não é da sua conta... – ele virou-se e começou a caminhar de volta para o quarto, mas foi interrompido pelo irmão.
- Você estava fazendo o que sozinho aqui na cozinha que nem um fantasma...
- Eu já disse que não é da sua conta...
- Então estava à espera de alguém, sinto muito, mas a Ayame não dormiu aqui essa noite... – Sesshoumaru que tinha voltado a caminhar parou e virou-se para onde o irmão estava.
- O que você esta insinuando?
- Aquela garota que toma conta da Haru...
- O que tem ela Inu-Yasha? – perguntou serio e começou a caminhar em direção ao irmão, olhando-o estranhamente.
- Vai me dizer que você nunca percebeu o jeito que ela olha para você? – Inu-Yasha deu a volta na mesa, pois se ficasse onde estava seria agredido, conhecia o irmão que tinha.
- Sim eu já percebi, eu sei do jeito que as pessoas me olham, mas ao contrario de você, não fico dando confiança...
- Ei pare de ficar insinuando que eu tenho algum tipo de relacionamento com a Kikyou, eu amo a Kagome...
- Abre seu olho Inu-Yasha, ter uma mulher no nosso pé é um problema serio... por causa disso eu quase morri, e a minha Rin quase foi junto...
- Isso não vai acontecer comigo, eu não sou como você...
- E qual é a diferença? – Sesshoumaru olhou para ele sentindo um fio de preocupação, mas isso não transpareceu.
Inu-Yasha ficou calado, e observou o irmão virar-se e caminhar novamente para fora dali, mas antes de sair deu um ultimo aviso. – Pelo seu bem, nunca mais insinue situações entre mim e outra mulher... se fizer isso, eu te deixo banguela...
- Feh!!! – Inu-Yasha tratou a situação com desdém, e logo que o irmão se recolheu, seguiu para seu quarto também.
- Onde estava Sesshy? – Rin perguntou sonolenta.
- Eu fui beber água... – sussurrou, deitando-se e abraçando-a depois. – Volte a dormir meu anjo...
Sesshoumaru continuou acordado, abraçado a ela, mas sua mente dava flashes do acontecido com ele. Nesses flashes via o rosto de Rin adormecido, cheio de sangue, e sentia uma fisgada na cicatriz. Virou-se de ventre para o alto, colocando as duas mãos debaixo da cabeça, continuou tentando dormir, mas sua mente estava atordoada com aqueles horrendos pensamentos.
Logo o dia começou a clarear, e ele não conseguiu pregar o olho.
Levantou-se e seguiu para o banheiro, e para começar o dia, tomou um banho, sabia que o dia seria muito cansativo, pois finalmente era o dia em que viajariam...
- Hummm... Sesshy... – Rin chamou preguiçosa, puxando os cobertores para cobrir o rosto da claridade. Mas Sesshoumaru não atendê-la-ia por enquanto, estava terminando o banho.
Ao sair do banheiro, sorriu ao ver Rin coberta da cabeça aos pés, e ao invés de se vestir caminhou e sentou-se na cama e devagar descobriu o rosto de Rin, a vendo apertar os olhos por causa da claridade, resmungou alguma coisa e puxou o cobertor de novo, mas Sesshoumaru não permitiu.
- Hora de acordar... – disse com uma voz sussurrante, próximo ao ouvido de Rin.
- Me deixe dormir um pouco mais... esta frio... porque você não vem deitar um pouco comigo também... – ela disse com uma voz dengosa.
- Me agrada a idéia de deitar ao seu lado novamente... – disse já entrando debaixo das cobertas. — ...mas temos que levantar... ou vamos nos atrasar, o nosso vôo sai as dez horas... – disse ele, beijando o pescoço dela delicadamente.
- Será que esta frio lá no Brasil? – perguntou ela puxando o cobertor novamente, sentindo depois os braços de Sesshoumaru a envolver, aquecendo-a.
- Provavelmente não, as temperaturas de lá são bem elevadas nessa época do ano... – ele apertou-a suavemente contra seu corpo, a aquecendo com o seu calor.
- Ah mas esse friozinho é bom... – ela comentou baixinho, virando-se depois para abraçá-lo, e ao fazer isso, encostou o rosto no peito dele, sentindo as pequenas vibrações que o coração fazia ao bater dentro do peito.
- Eu também gosto, de ficar agarrado a você meu anjo, e não vai ser o calor do Brasil que ira nos afastar... – após dizer isso deu um suave beijo na testa dela.
- Esta bem... eu entendi o recado, eu vou me levantar... – ela sorriu e viu ele fazer o mesmo.
Um tempo depois, ambos estavam prontos, ate Haru que tinha acordado pouco tempo depois. Rin estava vestida elegantemente com um vestido longo e muito confortável, com um casaco vinho aveludado. Sesshoumaru, como sempre estava com um de seus ternos pretos e com o sobretudo da mesma cor.
Faltavam vinte minutos para as nove quando Inu-Taishou os chamou para seguirem para o aeroporto, e não demorou muito, os três aparecerem na sala. Jaken levava duas malas, as quais seriam postas no carro.
- Estão prontos? – Inu-Taishou perguntou, dando um leve sorriso.
- Sim Inu-Taishou-sama... – Rin respondeu sorridente, e transparecendo muita ansiedade.
Logo os quatro seguiram para o aeroporto. Inu-Taishou estava feliz e transparecia um pouco do que sentia, mas Sesshoumaru permaneceu serio, e seus pensamentos estavam fixos ao irmão, estava preocupado com ele.
Um tempo depois, eles finalmente chegaram, conversaram durante alguns minutos ate ser anunciado que o vôo sairia em alguns minutos.
- Divirtam-se... – Inu-Taishou desejou, vendo os três seguirem para o portão de embarque.
- Rin vá indo na frente preciso dizer uma coisa ao meu pai... – pediu ele gentilmente.
- Esta bem Sesshy, mas não demore...
Sesshoumaru afastou-se da família e foi em direção ao pai, e ao chegar perto dele olhou-o serio, mais que de costume.
- Pai, fique de olho no Inu-Yasha, ele pode arranjar futuros problemas...
- Fique tranqüilo filho, eu o ajudarei no que puder... – Inu-Taishou segurou forte no ombro do filho.
- Estou falando de mulheres pai, aquela Kikyou anda rondando ele...
- Pode deixar filho, eu irei ficar de olho... – disse sentindo a preocupação de Sesshoumaru, surpreendendo-se um pouco com aquilo, já que ele não era dado a certos sentimentos. — ... Agora vá ou vai perder seu vôo...
Logo, Sesshoumaru seguiu rapidamente para seu destino, e logo chegou onde Rin estava.
Após embarcarem, não demorou muito para que o avião decolasse, e Inu-Taishou observou quando o avião que levava seu filho, a esposa dele e sua netinha partiu, deixando um pouco de saudades alojadas no coração do velho general.
- Ele estava preocupado com o irmão, o que é difícil de acontecer – pensava enquanto dirigia de volta para casa. – devo prestar à atenção nessa moça, eu acho que meu filho não pediria isso se realmente não tivesse acontecendo nada...
- Sesshy, eu estou um pouco ansiosa, será que vai demorar muito para chegar? – Rin perguntou, e ao contrario de suas palavras, seus gestos a causavam de muitíssima ansiedade.
- Rin... – chamou em tom reprovativo, com olhar igualmente.
- Desculpe... eu estou ansiosa... – ela acomodou-se, e passou a olhar a pequena janela do avião, por onde podia ver as nuvens passando.
A viagem seguiu tranquilamente, e Rin quase deu um pulo da poltrona quando foi anunciado que estavam chegando ao Brasil. Sesshoumaru, que cochilava na hora, acordou assustado com o \"gritinho\" de Rin, e arqueou as sobrancelhas, não acreditando que Rin, a Rin dele que sempre era tão madura, agia com seriedade em ocasiões publicas, estava tão excitada a ponto de ter aquele tipo de reação.
Ele observava-a sorrindo e brincando com a filha no seu colo, e não pôde deixar de sentir uma vibração diferente no coração ao vê-la daquela maneira. Limitou-se a observar a alegria da esposa, e sorriu para ela quando ela a olhou.
- Você realmente esta feliz... – comentou Sesshoumaru, vendo ela acenar exageradamente com a cabeça, mostrando-se mais animada.
Mas estranhamente ficou seria, e Haru continuou a brincar no colo da mãe. Rin aproximou o rosto do de Sesshoumaru e o viu fechar os olhos, esperando pelo toque aveludado dos lábios dela.
- Por favor senhorita, coloque o cinto, nós pousaremos em alguns minutos... – a aeromoça pediu delicadamente, e Rin um tanto corada sentou-se e pois o cinto.
Sesshoumaru ficou mal humorado por ter sido interrompido, e olhou com olhos estreitos para a mulher que os interromperam.
- Sesshy? – Ela chamou-o e pode ver transparentemente o mal humor dele. Achou graça da situação, e ele arqueou a sobrancelha, não entendendo o porque da sessão de risos. Mas assim que ela parou comentou o porque ria. – Não precisa ficar chateado querido, nos poderemos nos beijar muito daqui a pouco... – viu ele dar um sorriso disfarçado, e virou-se para frente novamente.
Como dito pela aeromoça, o avião pousou vinte minutos depois do aviso, e Rin tentava em vão conter a alegria que sentia, mas passou a controlar-se mais, pois Haru por algum motivo estava irrequieta e mexia-se muito no colo da mãe, fazendo ensaios de choro.
Depois de desembarcarem, o casal e a filha seguiram em direção ao ponto de taxi , e confusa, Rin não sabia o que o marido faria para chegar no hotel, onde foram feitas as reservas.
Logo, um rapaz, jovem, aproximou-se do casal, e Sesshoumaru atentou-se.
(N/A: Eu não sei muitas coisas de inglês, por isso um amigo meu que cursa turismo me ajudou nessa parte... detesto inglês XD)
- Hi Sr. Do You speak english? (Oi Senhor, você fala inglês? )- perguntou simpaticamente para Sesshoumaru.
Rin olhou-o séria, não sabia o que dizer, tinha feito um cursinho de inglês há muito tempo, mas não lembrava muito bem de como interagir no cotidiano.
- Yes, I\'m speak... – (Sim eu falo...) respondeu com um tom pouco frio, sério como sempre.
- Where would you like to go Sir? – (Para onde gostaria de ir senhor?)
- To this hotel... (Para este hotel) – Sesshoumaru mostrou um papel com algo anotado.
- Wait a moment Sir. (Um momento Senhor)
- Hai... – Sesshoumaru viu o rapaz ir ate o táxi próximo, e conversar em uma língua pouco conhecida por ele (o português).
Rin olhava-o perplexa, não sabia como reagir diante daquela situação, nem sabia que Sesshoumaru falava inglês, e tão bem
- Sesshy, você é cheio de surpresas... – Rin sorriu largamente, mas seu sorriso diminuiu ao ver o rapaz voltar e dirigir-se ao marido.
- Sir, that taxi will take you to the hotel. – (Senhor, esse táxi irá conduzir a seu destino)
- Your name is? – (Seu nome é?) -Sesshoumaru perguntou ainda serio.
- My name is Erick... – ( Meu nome é Erick) — respondeu sorrindo.
- Thanks Erick. – após agradecer, Sesshoumaru seguiu para onde o táxi estava, levava uma mala, e Erick outra.
Ao chegar perto do veiculo, Sesshoumaru colocou uma das bagagens no porta malas do carro, e seguiu para onde Rin estava e abriu a porta para que ela entrasse e após entrar fechou a porta esperando pelo motorista.
- Sesshy... eu não sabia que você falava inglês tão bem
- Era necessário que eu fizesse pelo menos dois cursos de línguas...
- Eu também, mas não lembro como falar e interagir com uma pessoa, eu fico nervosa e trava tudo...
Sesshoumaru olhou-a, mas não sorriu, logo virando o rosto novamente para frente, e viu o motorista olhando para eles pelo retrovisor, mas os olhos frios de Sesshoumaru o fizeram desviar e olhar para o transito de novo.
Longos minutos depois, o táxi parou frente ao hotel, e Sesshoumaru saltou do carro e pegou a filha dos braços de Rin, para que ela pudesse sair também.
Logo fechou a porta do carro, e de dentro do hotel, um homem, serio e estranho deu as boas vindas ao casal.
Sesshoumaru e Rin, não entendiam nada do que aquele homem em forma de barril falava, mas estava sendo muito simpático.
- Sesshy... – Rin olhou-o com um semi sorriso.
- Rin ele esta tentando ser gentil conosco... – Sesshoumaru pegou na mão da esposa e seguiu o homem que o indicou a recepção do hotel, onde ele confirmou as reservas feitas por Inu-Taishou.
Não teve problemas em se comunicar com o recepcionista, pois todos falavam inglês e logo recebeu as chaves do apartamento em que ficaria.
- Não se preocupe senhor, nos levaremos suas malas em instantes.
- Eu espero que sim... – Sesshoumaru olhou-o friamente e logo seguiu para o elevador.
Ao chegar, no devido andar, eles caminharam, mas logo pararam ao ver o apartamento que correspondia ao numero dito pelo recepcionista e que indicava no chaveiro.
Rin pegou as chaves e abriu a porta, pois Sesshoumaru estava com Haru nos braços, que tinha adormecido durante a viagem de táxi. Logo o rapaz entrou com a filha e Rin fechou a porta.
- Ela acabou dormindo, esta cansada da viagem... – disse depois de colocar a menina na cama.
- Você parece bem cansado também... – Ela observou.
- E eu estou, não dormi direito na noite anterior a viagem, e também não consegui dormir durante a viagem... – disse passando a mão nos longos cabelos.
- Porque não dorme um pouco agora? – Rin aproximou-se e tocou no rosto dele, o acariciando.
- Eu vou, mas mais tarde, tenho que pedir algo para comermos...
- É melhor descansar primeiro, você esta ate um pouco abatido... – pediu ele gentilmente, e depois o abraçou, mas logo separou-se, e fitou o rosto belo do rapaz.
- Você não esta com fome? – Ele a olhava profundamente nos olhos, e alisava os cabelos dela com uma mão cheia de carinho.
- Não agora, prefiro descansar também, eu posso dizer que a viagem foi um pouco desgastante... – ela separou-se indo em direção à cama, e ajeitou a filha, para que Sesshoumaru deitasse ao lado dela. – Agora venha se deitar um pouco, eu recebo as malas quando chegar...
- Eu só vou aceitar porque realmente estou com sono...
- É claro querido, você é de carne e ossos... – disse sorrindo, e quando ele sentou-se o ajudou a tirar os sapatos.
- Eu vou me banhar antes... assim vou ficar mais relaxado, não consigo dormir se não tomar um banho antes... – ele levantou-se de vagar e seguiu para o banheiro, onde rapidamente se despiu e logo estava debaixo da ducha.
Como dito, Rin recebeu as malas, e logo voltou ao quarto, mas Sesshoumaru ainda não havia saído do banho, com isso, foi ver Haru, que ressonava, a menina estava realmente cansada.
Durante alguns momentos da viagem, brincou com a mãe, e foram poucas as vezes que cochilou junto com Rin.
Instantes depois, Sesshoumaru saiu do banho, com o roupão meio aberto, exibindo seu belo e torneado corpo, o qual fazia desejar qualquer que o olhasse daquela forma. Tinha gotinhas de água escorrendo pelo peito, indo pelo caminho da maldade, e assim seguindo pelas coxas musculosas...
Rin mordeu o lábio inferior ao ver tal cena, mas logo disfarçou, sabia que ele precisava descansar, mas resistir aquele pedaço de mau caminho era difícil. Enfim conseguiu.
Enquanto isso em Tókio...
- Eu não acredito, aquele idiota foi se divertir e me deixou aqui com o trabalho dele... – Inu-Yasha reclamava, por ter que ouvir o telefone tocando o dia todo.
- Pare com isso Inu-Yasha... – Kagome, que tinha saído junto com ele da faculdade, fazia companhia no escritório, sentada no sofá frente à mesa em que Inu-Yasha estava.
- Enquanto ele se diverte com a Rin eu fico aqui ralando... isso é injusto, chichiue deveria ter me dado uma viagem de aniversário, pelo menos assim eu não teria que ficar atendendo esse maldito telefo...ne — ele nem fechou a boca e o telefone voltou a tocar, fazendo fumacinhas sair da cabeça do rapaz. – E não falei... – ele olhou para a namorada que tentava inutilmente conter as risadas nas mãos.
- Fique calmo Inu-Yasha... – pediu Kagome depois de controlar as risadas. — ...Seu irmão confiou o trabalho dele a você, teve ter muito cuidado para não prejudicá-lo.
- Eu não vou prejudicá-lo Kagome, e nem posso pensar em fazer isso, ou ele iria arrancar minha pele com as unhas se eu o fizesse... – logo atendeu o telefone, e a voz do outro lado o fez arregalar os olhos, era a Kikyou.
- Aconteceu alguma coisa Inu-Yasha? – Kagome preocupou-se ao ver a reação do namorado.
- Não... – disse desligando o telefone rapidamente.
- Quem era?
- Quem era... er... – ele levantou-se disfarçando, tentando manter-se calmo.
- Sim quem era Inu-Yasha?!! – a garota estava impaciente, o que deixou-o mais tenso.
- Era engano... – respondeu sem sentir direito as palavras saírem de sua boca.
- Engano hein... Eu vou para casa, estou cansada...
- Eu te levo... – ele pegou as chaves do escritório, e as do carro, e seguiu-a, mas foi interrompido por ela.
- Vai deixar o escritório antes de terminar...
- Eu só vou te levar em casa, volto depois para cumprir meu horário...
- Esta bem então... – Eles começaram a caminhar para a saída e logo que atravessaram a porta, Inu-Yasha trancou a porta e em seguida abraçou Kagome e seguiu para o elevador.
No Rio de Janeiro, Sesshoumaru dormia tranquilamente, e Rin o observava, estava um pouco tensa, pois estava em um lugar estranho onde todos falavam uma língua muito diferente e complicada.
Rin estava acostumada com o marido tomar todas as decisões por ela, um má costume, mas que ele fazia questão de preservar, gostava de vê-la dependente dele, não em termos gerais, mas pelo menos nesta questão.
Não estava com fome, e sim ansiosa, queria conhecer o lugar, e desfrutar das coisas que o Rio podia oferecer.
Rin olhou o relógio de pulso, levantou-se e caminhou ate a sacada do apartamento, pode ver algumas pessoas caminhando para a praia, a qual ficava a alguns minutos dali. Sentiu uma leve brisa passar pelos cabelos, refrescando a pele. Estava distraída olhando as pessoas caminhando aquela quase noite quando sentiu mãos masculinas tocarem em seus ombros, sentiu-as um pouco suadas, mas eram tão maravilhosas.
- Esta ansiosa para sair não é?
- Um pouco...
- Eu vou conversar com o recepcionista e ver onde posso alugar um carro... – ele abraçou-a sentindo o perfume dos longos cabelos da mulher entre seus braços, e ela tocou no braço dele, alisando carinhosamente.
Logo virou-se, e recebeu um beijo na testa dele. Sentir os lábios macios dele tocando a pele era tão maravilhoso, qualquer toque vindo dele era extremamente arrebatador, sentia-o na alma.
- Vai sair agora? – Rin perguntou curiosa, vendo-o se afastar.
- Vou sim, mas fique tranqüila, eu volto em minutos... – Ele começou a escolher uma roupa , e Rin o olhava de um jeito esquisito, o qual ele nunca tinha visto. Ao perceber isso Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha e passou a fitar o rosto de Rin, esperando que ela se explicasse por aquele gesto irreconhecível.
- Sesshy... dizem que as mulheres brasileiras são muito... – parou ao ouvir risadas abafadas vindo no rapaz, que estava de cabeça baixa, e seus cabelos cobrindo a lateral de seu rosto. – ...Do que você esta rindo? — Perguntou olhando o com braveza.
- Rin... eu amo você, acha que perderia meu tempo olhando para outras mulheres, tendo você? – ele olhou-a sorrindo, e viu-a corar e esconder o rosto nas mãos. Logo ele se aproximou, e a abraçou. – não se preocupe quanto às mulheres de qualquer parte do mundo meu anjo, para mim só existe você... – ele levantou o rosto dela suavemente entre as mãos, e deu um delicado beijo nos lábios dela. – eu te amo meu anjo... para mim... só existe você... – logo ele se afastou, começando a abotoar a blusa que vestiu...
- Sesshy... – chamou fazendo beicinho, e ele após terminar de abotoar a blusa aproximou-se dela e apoiou as mãos nos ombros dela, apertando suavemente.
- Eu volto em minutos, não se preocupe... cuide de nossa filha. – deu um beijo molhado nos lábios dela e logo virou-se indo em direção a porta, Rin o acompanhou, e logo que ele saiu, ela fechou a porta, encostando-se nela.
Como dito, Sesshoumaru encaminhou-se à recepção do hotel, onde informou-se com o recepcionista de uma locadora de carros, onde o rapaz tinha um amigo.
- Eu tenho um amigo nesta locadora de veículos, eu indico pessoas como o senhor para ele... – comentou com o rapaz que o olhava naturalmente, como olhava para todos, friamente.
- Eu agradeço por isso...
- Eu irei falar com ele que o senhor ira lá, e com isso ficara mais fácil do senhor se comunicar com ele, já que o inglês dele é menos apurado que o meu... e ele também não sabe falar japonês... – sorriu, mas o sorriso logo cessou, pois Sesshoumaru permanecia serio. Pegou o telefone discando em seguida o numero, e como disse conversou com o suposto amigo, na língua nativa, por esse motivo, Sesshoumaru não se interessou pela conversa e virou-se de costas para o balcão esperando que o recepcionista terminasse. Logo isso aconteceu. – Senhor...
- Sesshoumaru... – disse virando-se.
- O senhor pode ir lá, eu chamarei um táxi para o senhor, e ele o levara ate o destino...
- Me avise quando o táxi chegar, eu estarei no meu apartamento... – disse caminhando em direção ao elevador.
- Sim... senhor Sesshoumaru... – o rapaz olhou-o seguir, mas logo pegou o telefone, onde discou um numero, chamaria um táxi como havia dito.
- Como você consegue conversar tranquilamente com esse cara? Ele parece tão estranho, o olhar dele é assustador.
- Eu não devo ter medo dos clientes e sim respeito, tenho certeza que se eu o respeitar ele nunca me tratara mal.
O companheiro maneou a cabeça, e afastou-se para receber um outro cliente.
Rin estava alimentando Haru quando Sesshoumaru retornou, a menina estava comendo tranquilamente, mas ao ver o pai, a menina excitou-se e começou a chamar pelo pai, sorria e balançava as mãozinhas para chamar-lhe a atenção.
- Sesshy, já voltou... – ela comentou.
- O táxi vai demorar, então eu resolvi esperá-lo aqui com você... – disse sentando-se ao lado da esposa. E Haru muito esperta, passou para o colo do pai, logo se aconchegando no peito dele, e começou a brincar com uma mecha generosa de cabelos que pousava ali.
- Ela é tão apegada a você... – Rin acariciou o rosto da filha, e olhou para o de Sesshoumaru, o vendo fechar os olhos e suspirar.
- Fico feliz por isso... – ele abriu os olhos, e fitou os castanhos de Rin. – Fico feliz por vocês estarem comigo...
Enquanto Sesshoumaru trocava olhares com Rin, na mansão da família Daiyoukai, um jovem atravessou a sala velozmente, subindo as escadas do mesmo modo, deixando as pessoas presentes no local confusos.
- O que aconteceu com ele? – Kaede que servia chá para Inu-Taishou arregalou os olhos ao ver a cena.
- Eu vou ver o que aconteceu... – Inu-Taishou levantou-se calmamente. — ... voltarei depois para tomar meu chá... e espero ter sua companhia Kaede...
- Como senhor? – Kaede não entendeu bem o pedido.
- Eu quero ter sua companhia no desjejum Kaede... – repetiu, e Kaede corou, não entendendo o porque daquele pedido.
Inu-Taishou subiu lentamente as escadas e ao chegar ao topo suspirou, para depois caminhar ate frente à porta do quarto de Inu-Yasha. Deu três toques suaves, e ouviu a voz do filho mais novo resmungar algo, e com isso ele adentrou.
- O que aconteceu Inu-Yasha?
- Pelo que otoo-san?
- Você passou igual a um foguete pela sala e...
- Não foi nada, eu apenas esqueci de pegar um livro... – disse pegando alguns livros, e logo começou a caminhar, aproximando assim do pai, que o impediu de passar apoiando as mãos nos ombros dele.
- Inu-Yasha, nos precisamos conversar...
- Oyaji... estou atrasado, tenho que pegar a Kagome e...
- Não tem mais nenhum minuto para o \"seu velho\". – olhou-o sorrindo, e Inu-Yasha afrouxou os livros que segurava, logo se virando.
- Desculpe otoo-san, eu estou um pouco preocupado... com muitas coisas...
- Eu entendo, o seu irmão lhe deixou uma responsabilidade grande, e não é só isso... essa moça, a Kikyou... – viu o filho virar-se abruptamente com um olhar arregalado. — ...ela parece estar te deixando um pouco confuso...
- A Kikyou? – ele relaxou a expressão, e passou a olhar o pai com suavidade.
- Filho, não siga o exemplo de Sesshoumaru, eu temo perdê-lo e...
- Oyaji, eu não tenho a cabeça oca!!! – esbravejou, afastando-se do pai.
- Seu irmão também e acabou quase morto... – ele virou-se de costas para o filho, continuando depois. — ... depois que eu perdi minha Izayoi, sua mãe, eu pensava que tinha perdido tudo, mas vocês dois me mostraram que eu ainda tinha muito o que viver... eu amo vocês dois, não quero perder ninguém mais que eu ame...
- Otoo-san... – Inu-Yasha olhava para o pai ainda de costas, reparou no longo rabo de cavalo que ele usava, mas sua visão foi desviada para os punhos do pai, estavam cerrados. — ... otoo-san...
- Eu estou bem... – ele virou-se, arremessado os cabelos de um lado, para pousar em seu ombro forte. — ... apenas quero que tome cuidado com aquela mulher...
- Eu... – ele baixou as vistas, sentindo o pai se aproximar. — ...eu vou ter cuidado otoo-san...
- Obrigado meu filho... – ele apertou o ombro do filho suavemente, e logo os dois se encaminharam para a porta do quarto, e Inu-Yasha deu passagem ao pai, para depois o seguir.
Enquanto Inu-Yasha estudava naquela manha de sol, Sesshoumaru jantava com Rin e Haru no restaurante do hotel em que estava hospedado.
- Esta comida é bem mais pesada que eu imaginava... – Rin pousou as mãos no estomago, suspirando depois.
- O jantar esta bom... é bem diferente... – Sesshoumaru comentou após secar os lábios, olhando-a serenamente.
- Sim estava delicioso, mas eu comi menos que de costume, e nossa filha quase não tocou na comida...
- Se você quiser podemos ir a um restaurante que serve a comida que estamos acostumados a comer...
- Humm... – começou Rin secando os lábios. — ... não é necessário, é sempre bom experimentar novas sensações...
- Gostei disso... – Sesshoumaru estreitou os olhos dourados, a fitando sedutoramente, e Rin corou.
- O... o tempo esta quente não acha? – perguntou, notavelmente envergonhada, tentando desviar o assunto, e viu Sesshoumaru levantar-se muito serio. — ...Sesshy... – viu-o se aproximar, e após isso, abaixou-se para sussurrar algo.
- Vamos dar um passeio, a noite esta linda...
- Ah... sim vamos... – Rin levantou-se de vagar, logo pegando Haru, que estava ao lado, em uma cadeirinha própria para crianças de sua idade, e acompanhou o rapaz, que ia em direção à saída do hotel.
Sesshoumaru já havia alugado o carro, na mesma locadora indicada pelo recepcionista, só que ele teria que se acostumar com algumas mudanças, a direção do carro era do lado esquerdo, uma dificuldade que ele deveria superar em pouco tempo.
- Rin... os carros ocidentais são diferentes dos orientais... – explicou, vendo Rin se direcionar para o lado em que ele entraria.
- Er... eu sabia... – começou sem graça. — ... eu apenas me confundi... – sorriu sem graça, logo indo para o outro lado.
Ate se acostumar com a idéia de ter que passar a marcha com a mão direita, entre outras coisas, ele dirigiu de vagar, mais devagar do que de costume. Seguiu as ruas e logo chegou à orla de uma praia, estava com poucas pessoas por ser noite, mas havia muitos casais.
Sesshoumaru estacionou o carro em um lugar próprio, e assim que desligou o motor olhou para a mulher ao seu lado, vendo-a ansiosa. Em seus lábios havia um largo sorriso, um encantador sorriso, que o fazia sentir um bem estar que percorria pelo corpo e o sentia na alma.
- Vamos!! – Pediu ela ainda mais ansiosa por sentir a brisa salgada da praia.
- Sim... – respondeu ele, já abrindo a porta do carro, e Rin fez o mesmo, com a filha nos braços.
Desde que saiu do hotel, Haru estava quieta, talvez seria sono por estar bem cansada. Haviam chegado da viagem aquele dia, mas Sesshoumaru, organizado do jeito que era, queria ter um conforto amais, e mesmo cansado levou Rin para um passeio noturno, na praia. Gostava de vê-la sorrindo, de vê-la feliz.
Já havia se passado quase uma hora desde que pararam ali, sentiam a agradável brisa marítima desalinhando os cabelos, refrescando o corpo do calor que fazia aquela noite.
- Ela acabou dormindo de novo...
- Quer que eu leve-a um pouco?...
- Sim, por favor... – eles pararam e ele pegou a pequena a aconchegando em seus braços. A menina mexeu-se um pouco, mas logo voltou a repousar.
Caminharam durante mais alguns minutos, e logo seguiram para o hotel. Ambos estavam muito cansados, mais o rapaz, que teve crise de insônia antes de viajar.
- Então ele viajou... – comentou Kagura com a irmã mais velha.
- É... foi para o Brasil... – Kanna continuava sossegada, banhando-se de sol aquela manha de primavera, enquanto que Kagura, após receber aquela noticia, mostrou todo o mau humor que tinha.
- Aquela insossa vai ver quando eu sair daqui, vou arrancar as tripas dela com as unhas...
- Não adianta ficar assim Kagura, desista de uma vez desse maldito homem!!!! – ela quase gritou, sentando-se exasperadamente, mas continuou em tom baixo, após aproximar-se seu rosto do da irmã. – Nós não temos chance contra ela, sabe porque? – viu-a acenar negativamente com a cabeça. – Porque Aquele idiota ama a Rin, e enquanto ele a amar eles não vão se separar, por isso Kagura, perca as malditas esperanças, e pare de ficar deprimida por causa dele, ou vai acabar indo para o inferno mais cedo que pensa... – Kanna levantou-se de onde estava, e saiu de perto da irmã, que mostrava-se perplexa, mas muito triste.
- ...Sesshy... eu não vou desistir de você, nunca...
Continua...
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