Criação dos Doze
7 Capitulo 6
Henry ficara desacordado por tres dias, vez ou outra seu corpo tinha tremores leves ou ele entrava em convulsão, queimava de febre e vez ou outra gritava e chegava a abrir s olhos, que estavam totalmente negros. Sua mente foi atormentada pela dor e pelo fogo.
Ao abrir os olhos a primeira coisa que o garoto viu foi o travesseiro branco com um pequeno “ H” bordado em preto na lateral. Ele tentou se virar mas suas costas estavam extremamente doloridas.
– Mas que droga – resmungou, apoiando os braços na cama e se sentando com dificuldade.
Ao lado da cama sentada em uma cadeira Brianna dormia. Seus olhos estava com olheiras profundos e aparentemente ela havia perdido peso, os cabelos estavam desgrenhados e a posição em que ela se encontrava era nada confortável.
Brianna passara praticamente os três dias ali. Marcelus a explicou oque estava acontecendo, aquilo foi como um soco em seu estômago. Leon tentara se aproximar, mas ela vedou qualquer meio que ele tinha para fazer isso.
De certo modo Henry sentiu-se mal por ela. Ela o dava toda a atenção, apoiava-o nos piores momentos, estava sempre la, mas ele não conseguia retribuir o mesmo sentimento que ela tinha por ele, a amava como uma irmã. Mas sabia que isso não era o bastante e numa seria.
Ao tirar os pés da cama ele sentiu o peso nas costas, ouviu algo macio se arrastar pelo chão e olhou para trás.
O amontoado de penas brancas se estendiam por dois metros e pouco de comprimento atrás dele. No começo fora difícil acostumar-se com elas. Causavam dor e descontrole. Sentir sua pele ser rasgada toda vez que tivera que exercitá-las nunca foi la uma das melhores sensações. Mas depois de todo tempo a dor se tornou suportável, e as enormes asas brancas viraram parte de si como qualquer outra parte de seu corpo. Não conseguia se imaginar sem elas, mesmo com toda a dor que causavam, ou com o peso.
Ele caminhou ate a cadeira e pegou a morena nos braços, colocando-a na cama e torcendo para que a mesma não acordasse agora. Ele precisava de um tempo sem perguntas para reorganizar as deias
E principalmente, precisava de tempo para saber quem era a loira que atormentara sua mente e estava em todos os seus sonhos dolorosos.
Ela sempre pedia ajuda.
E ele sempre acabava falhando em protegê-la.
Mesmo sem conhecê-la aquele sentimento de perda o arrasou. Ao lembar-se da cena de uma pequena garota escapando dos seus braços.
Os gritos ainda eram tão vividos em sua mente….
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Ela demorou para abrir os olhos. Sua cabeça doía e seu corpo ainda estava um pouco paralisado. Os sonhos não a deixavam em paz e a dor começava a chegar novamente, tão abrasadora quanto antes. Ao se mexer ela ouviu o som de galhos secos e sentiu o chão duro a suas costas, tentou se levantar rapidamente, mas assim que o fez uma dor tomou conta de todos os ossos do seu corpo. Letta sentiu como se cada osso, cada pedacinho de carne ou cartilagem do seu corpo fosse moido. Sentia-se como se seus órgãos estivessem sendo perfurados por dentro. Talvez eles estivessem mesmo.
Apesar da dor Letta apoiou-se no tronco ao seu lado tentando se levantar, seu corpo protestava, enviando espasmos de dor que a acertavam como socos. Gritos abafados por uma garganta seca acompanharam o esforço, então finalmente ela estava de pé.
As lembranças chegavam como fleshs. O garoto loiro, as agulhas, e então fogo, literalmente fogo correndo por suas veias. Os sonhos também chegaram a sua mente, ao menos fragmentos desses, mas ela não conseguiu conectá-los. Não naquele momento. A única coisa em que pensava era a dor, e que tinha de voltar para casa, urgentemente.
Apoiando-se nos troncos Letta começou a andar, mesmo sem saber em que direção seguir, ela somente andou pela mata na esperança de encontrar alguém que a ajudasse.
O vento gelado da manhã abraçou sua pele e ela envolveu o braço esquerdo no corpo.
“ Continue” era a única coisa que conseguia pensar “ você tem que se mexer” as lágrimas, desta vez de dor e não de medo, corriam pela face da loira. Seus olhos estavam semicerrados, ela continuou a caminhar.
Haviam se passado três dias desde que Letta havia sumido.
A polícia não fazia ideia do que havia acontecido com a jovem loira. No primeiro dia eles acharam que ela apareceria em qualquer lugar, com ressaca e sem lembrar-se da noite anterior. Mas do segundo dia em diante começaram a se preocupar.
O desaparecimento de jovens era constante em Seattle, a violência e os ataques de uma certa gangue estavam aterrorizando os moradores, que reclamavam do serviço policial da cidade, que por sua vez reclamavam do dito prefeito, que não estava nada feliz com isso afinal as eleições logo começariam novamente não é? E ele precisava de votos para manter seu posto de homem poderoso e receber milhões de salário. Sem contar na conta bancaria que fora aberta no brasil para o seu desvio de verba particular. Deprimente.
Por isso a busca fora organizada no segundo dia. Letta era a filha de um dos médicos mais importantes e renomados da cidade, mais um motivo para darem uma atenção especial a esse caso, que os policiais juravam ser somente mais uma das burradas de uma jovem bebada e mimada.
Com toda certeza esse não era o caso.
Mas eles mal imaginavam oque estava acontecendo, na verdade eles nem queriam saber.
– Quanto antes ela for encontrada melhor – Michael, um policial, falou olhando para a trilha que dava pra a estrada.
Ele era um dos poucos homens bons naquele ninho de cobras, bem talvez não tão bom, mas de todas as cobras ele era a mais inofensiva.
Os policiais estavam adentrando a trilha em duplas, ao lado de Michael Lisandra se preparava. Ma eles não precisariam entrar na floresta, pois logo as buscas seriam encerradas.
Letta andava devagar porém ia inconscientemente na direção certa. Obrigar-se a continuar estava sendo difícil quando cada parte do seu corpo a ordenava parar. Mas quando estava prestes a feze-lo ela vislumbrou o galpão, mas não foi isso que a deixou tranquila e ate um pouco alegre. As viaturas da polícia e alguns policiais estavam por ali.
Michael estava prestes a partir quando um movimento do lado esquerdo do seu campo de visão o chamou atenção, assim que ele olhou viu uma garota loira, com os cabelos desgrenhados, o corpo e rosto machucados usando somente peças íntimas cambaleando para fora da mata.
Seu primeiro instinto foi correr e assim que ele chegou perto da moça ela desfaleceu em seus braços, entrando na inconsciência.
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“ Eu me afogava.
Ao meu redor nada mais que o azul das águas e algumas algas, não havia roupa em meu corpo e por incrível que pareça não havia agonia em mim. O único sentimento que tinha era paz.
Olhando meus braços notei as tribais que os cobriam, elas pareciam penas ao meu ver, e não estavam somente nos braços mas também em minha barriga e no começo das coxas, meus cabelos flutuavam ao meu redor.
Quando olhei para frente eu me vi, mas não era um reflexo, era eu.
Com algumas diferenças quase imperceptíveis. Os olhos dela eram avermelhados, com algumas olheiras. Seu corpo era um tanto mais magro. Nela não havia marcas no corpo e estava encolhida em posição fetal. Com o rosto virado para mim.
Era como se olhasse-me de um modo curioso. Por mais que pareça assustador não senti medo.
Não ate ela se mexer.
Ela esticou o corpo como se acordasse, mexeu as costas e delas brotaram imensas asas negras. Seu rosto passou a ter feições sombrias, seus olhos ficaram num vermelho vivo.
Seus lábios se mexiam mas deles não saiam palavras, as a cada vez que se abriam meu peito se apertava, meus pulmões sentiam a falta do ar e o peso das águas me esmagava.
Então eu realmente comecei a me afogar.
Quando meus sentidos estavam sendo levados pelas águas assim como minha vida eu me vi em seus braços. Seus cabelos negros e olhos de um verde tão vivo que fez meu coração bater por mais alguns segundos.
Então ele me levou para cima.
E meus olhos se abriram. “
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