Criaturas da noite
1 Capítulo 1 - A Tríbrida
Sou Maryne Lincoult Bittencourt, sempre achei o mundo normal, tirando os desastres naturais, os assassinatos, os assaltos... O que quero dizer é que, depois dos dez anos esse mundo não tem mais contos de fadas. Atualmente tenho dezoito anos e pelo menos pra mim, a vida não é fácil, e agora, depois de descobrir que estava errada em achar que seres mitológicos não existiam, minha vida ficou ainda pior. Agora você deve pensar: “Isso é só uma história, bruxos, vampiros, lobos, gnomos, fadas, não existem.” Eu queria ser você, continuar pensando que nada disso existe, porque, por incrível que pareça, isso tudo existe, e não é ficção, é real.
Tudo começou...
20 de novembro de 1998 – Londres
Sancho e Teodoro caminhavam a noite pelas ruas do centro de Londres, eles pararam em frente a um prédio torto, que dizia: Facção do Híbridos, esse prédio só é visto por seres mágicos.
– Sempre coisas ruins acontecem em noites chuvosas ou em dias escuros com neblina – disse Teodoro – Porque nada acontece em noites animadas ou em dias ensolarados?
– Meu caro amigo, se acontecem coisas ruins em dias ensolarados e não em dias chuvosos com neblina, todos iriam odiar esses dias ensolarados e iriam se perguntar: por que nada acontece em dias escuros com neblinas? – disse Sancho.
Sancho e Teodoro entraram no prédio e caminharam por uma imensa escada, os dois são amigos de infância. Sancho é guarda da universidade Dark Side, ele é um talentoso lobo aposentado. É alto e tem o peso acima da média (bem acima).Também é forte e tem rudes cabelos grisalhos e longas barbas brancas, e olhos acinzentados.
Teodoro é professor de objetos mágicos na universidade Dark Side, um excelente bruxo. É baixo e magrelo, tem um longo e pontudo nariz, olhos azulados e ralos cabelos grisalhos. Teo sempre usa vestes luxuosas, e Sancho usa roupas com pelos de animais, sempre está com um casaco vermelho que o deixa com cara de Papai Noel.
– Sinceramente Sancho, confesso que às vezes não compreendo seus pensamentos.
Eles entraram em uma sala, havia uma enorme mesa de pedra posta no centro da sala, e sobre ela, um imenso mapa do mundo, conseguia-se ver navios se movimentando no mar, arranha céus, aviões. Esse mapa é mágico, nele é possível ver sua própria casa, ou prédio, sua família ou amigos, em tempo real, ou seja, verá onde estão indo, quem os acompanha, quem está andando na rua da sua casa, e também leva você ao local onde estão, você pode vê-los, mas eles não veem você.
Na sala estavam três pessoas. Sereno, Safira e Apolônio. Sereno e Safira são irmãos, diretores de Dark Side. Eles são altos e magros, sempre estão bem vestidos. Safira tem cabelos curtos e castanhos e olhos cor de mel, já Sereno tem cabelos negros, uma barba rala e olhos esverdeados. Apolônio é diretor da Facção dos Híbridos... Caso não saiba, híbridos são duas espécies em uma, por exemplo: bruxo/lobo, vampiro/lobo, bruxo/vampiro. Apolônio é forte mas pequeno (confundido como anão), é careca e tem olhos vermelhos, sempre é visto usando ternos.
–Onde estavam? Resolveram recolher besouros voadores pelo caminho? – Safira falou ironicamente.
–Não senhora – Teodoro falou rapidamente.
–Sim senhora – disse Sancho ao mesmo tempo que Teo. – Não, não, quero dizer – corrigiu enquanto escondia um pote com besouros voadores dentro do casaco.
–Que bom que vieram! – Sereno se aproximou do dois – Tenho uma missão para vocês.
–Uma missão? — Teodoro falou assustado – Da última vez, que você deu uma missão, nos fez ir a um vulcão recolher uma pedra com nome estranho, e lá moravam ciclopes!
–Desta vez é diferente.
–Diferente? – Rancho ficou emburrado – Disse isto e depois nos deu uma missão para pegarmos uma alga marinha que ficava perto do esconderijo do Kraken! E eu não quero ser petisco de polvo!
Apolônio subiu em um banco e colocou o dedo em um lugar no mapa, logo a sala se transformou em uma floresta, as paredes e cadeiras sumiram, mas a mesa de pedra e o mapa permaneciam intactas, igual as pessoas.
– Está é a Epping Forest, onde um bebê foi encontrado ontem a noite por caças dragões, eles dizem que o dragão Amphiptere estava na floresta, e pelo caminho encontraram esse bebê. Os pais dela sumiram, ou morreram, não sabemos. Nós encontramos parentes que moram aqui mesmo, nas redondezas de Londres. – Apolônio olhava para a floresta enquanto falava.
Amphiptere é uma serpente alada sem pernas e com asas, ela tem veneno no sangue e como cobras, consegue injetar este veneno com uma única picada.
Logo a floresta desapareceu, e estavam de volta a sala, Sereno saiu da sala e rapidamente voltou com um bebê no colo. Uma linda criança, com olhos azuis e cabelos ruivos crescendo.
–Que coisa mais fofa... – Sancho apressadamente pegou o bebê – cut cut cut, quem é o bebê mais fofo?
–Ela é a Tríbrida? – perguntou Teo.
–Sim — Apolônio fez uma cesta aparecer, e dentro dela havia um pingente de raposa e uma carta.
Agora deve se perguntar: “o que é um Tríbrido?’’, é uma espécie rara, bruxo/vampiro e lobo, três espécies em uma.
–Teodoro, preciso que arrume um transporte para leva-la até a fazenda dos parentes, nada chamativo, por favor – Severo entregou a cesta e um papel para Teo. – Neste papel está o endereço da fazenda. E cuidem dela
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Sancho, Teodoro e o bebê estavam a caminho da fazenda, voavam em um fusquinha rosa com asas.
–Acho que Sereno disse: nada chamativo.
–Sancho, saiba que isto não é nada chamativo.
–Só me diga, porque rosa?
–O único disponível, Oras!
Sancho estava apertado naquele carro, às vezes tentava se sentir confortável, mas sempre batia em algo e Teodoro ficava zangado.
–Ontem a noite estava chovendo, certo?
–Acho que sim Teo.
–Eu disse, coisas ruins sempre acontecem em noites chuvosas.
–Ela é tão bonita e tão fofa – Sancho fazia cócegas no bebê – Será que quando ela crescer vai estudar em Dark Side?
–Não sei — Teodoro a olhou – Espero que sim – ao se distrair , Teo baterá em uma ave – Hey! – ele colocou a cabeça para fora do carro – Olha por onde voa!
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Foi uma viagem longa, mas finalmente eles chegaram a fazenda, no caminho bateram em muitos pássaros e Sancho jurou sentir uma peça do fusca cair.
–Mas já?
–Sim.
–Vamos deixa-la neste frio?
–Hoje está calor.
–Mas é noite, aqui é uma fazenda, e se uma vaca a machucar?
–Sancho, não invente. Vamos logo.
Lágrimas escorriam no rosto de Sancho, os dois a colocaram na cesta, eles choravam, diziam que se apegaram a ela, e ela segurava a barba de Sancho ou apertava o nariz de Teo.
Eles apertaram a campainha e ouviram passos indo até a porta. Voltaram correndo para o fusca e observaram uma mulher pegar a cesta com o bebe e leva-la para dentro.
... Essa é minha história, bem, o começo dela. Não fui acolhida por esses parentes da fazenda e sim quando completei doze anos eles me deixaram com outra tia que morava no Brasil. Às vezes meu primo me visitava, mas agora, ele entrou para uma universidade na Romênia e não tem tempo para me visitar, já eu, estou tentando passar em uma universidade.
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