Crescent Moon's Witch

6 "It's only a dream. Nothing can hurt me."


Notas iniciais
Hey, babes. Bom, este capítulo terá uma ligação bem forte com o quarto, "Bicolor", onde eu explico o que aconteceu com seus olhos depois da interação com a entidade e etc asdfghjklç Espero que gostem. Boa leitura! ☾ ❤

Meu sono foi inquieto e perturbado por apenas um sonho.

Uma lembrança.

☀️~☾~☀️

Ela estava de frente para mim, seus olhos bicolor nos meus, sua postura levemente encolhida.

Segurava minha mão, puxando-me em direção a uma cabana de madeira. Moon se localizava de costas para esta e de frente para mim.

Olhei para os lados avaliando o cenário a minha volta.

Era uma tarde linda e iluminada pela luz do sol -então, provavelmente este era o motivo pelo qual sua postura parecia definhada, ela odiava a Luz do Sol-, estávamos caminhando por entre um enorme canteiro de flores. Havia um caminho estreito e amarelo à nossa direita e outra parte do jardim a seu lado.

Haviam rosas vermelhas, brancas, cor de rosa, furta-cor, margaridas, girassóis (minha flor favorita), tulipas vermelhas, laranjas, roxas, dálias (negras, suas preferidas) e flores que eu não poderia especificar, algumas que eu não conhecia, outras que eu podia jurara que existiam apenas ali. Estendiam-se até onde a vista alcançava.

Haviam diversas espécies de árvores, também. Todas cobertas de vários tipos de orquídeas contorcidas pelos tronco. A árvore que mais me chamou atenção foi uma cerejeira que se localizava ao lado do chalé.

Podia ver várias borboletas voando e pousando por aí, além de vários outros insetos. Uma Glasswinged, com suas asas translúcidas como vidro, pousou em meu dedo estendido no ar.

Voltei-me para a garota que continuava a me conduzir, como sempre fizera.

O Sol batia em meu rosto e mesmo assim eu podia vê-lo por trás dela.

Quando descansei meus olhos sobre ela, todo o cenário fulgurou, literalmente, em um lampejo. E de repente eu reconhecia o local onde a paisagem se encontrava. A verdadeirapaisagem.

Suas íris estavam em colapso. Alternavam cada uma entre azul cobalto, verde esmeralda e castanho-dourado sem ordem alguma aparente.

Lágrimas escorriam de seus globos oculares, eu podia vê-las. Mas não eram lágrimas límpidas, eram escarlate.

Sangue.

E não estavam mais lá, seus olhos encontravam-se completamente negros, apenas.

Um sorriso desabrochou de seus lábios. O mesmo sorriso comprido e afiado. Um sorriso do Gato de Cheshire.

Ela piscou e agora seus olhos estavam brancos. Brilhantes, da mesma cor e intensidade da Lua que se assemelhava à sua marca. Crescente.

O sorriso psicótico permanecia lá.

Lunae!, queria eu gritar, mas ao que aparentava eu era apenas uma telespectadora.

E então a Moonlight de dois anos atrás (naquela época eram dois do sonho, agora já são três) estava em minha frente, o cabelo comprido e escuro, com a mesma franjinha cobrindo sua Lua, sorriso travesso em lábios enquanto eu me deixava ser guiada por entre o mato alto, em direção a uma casinha velha de madeira quebrada e corroída. As árvores estavam todas mortas, eram apenas galhos de madeira escura e retorcida, nenhuma folha, nenhuma flor, nenhuma vida.

Seus olhos estavam suaves, com determinação misturada ao amargo do sarcasmo impressos em seu olhar.

Mas ao mesmo tempo eram doces mesclados com o almiscarado da coragem.

Olhos agridoces.

Olhos que ainda eram castanhos. Um castanho confiante.

Um castanho salpicado com diversas manchas douradas.

Então já estávamos paradas de frente para a porta onde uma fresta revelava a escuridão total lá dentro.

Ela estava com uma mochila nas costas e algo me dizia que era mais algum ritual que iríamos fazer.

Como era Dia das Bruxas, ela podia se vestir de acordo com seu estilo e vontade, se a vissem diriam que estava fantasiada de bruxa, claro.

Uma saia preta de pregas e rodada marcava sua cintura junto com uma camiseta justa, de mesma cor, que deixavam a mostra uma faixa de pele pálida. No pescoço uma gargantilha com um pentagrama pendurado em uma tira grossa e aveludada.

Meias negras e com rendinhas chegavam quase até seus joelhos ossudos e um coturno de couro vegetal.

Em sua jaqueta jeans tinham vários patches e bottons com dizeres feminist, witch, psycho e também outros em formato de aliens, sereias e unicórnios.

Para diferir de sua roupas casual usava um chapéu pontudo. Ficava adorável nela.

Olhei para baixo, em busca de informações sobre o meu traje.

Tão familiar.

Eu usava um vestido branco, rendado, rodado, curto e tomara que caia, usava sapatos estilo boneca com uma fivela para amarrar.

Deslizei a mão pela clavícula em direção à nuca e descobri que vestia um colar de renda junto ao pescoço sem nenhum pingente, combinando com o vestido.

Balancei a cabeça, meus longos cabelos cacheados estavam presos em dois rabos, um de cada lado da cabeça, e eu não precisava nem me olhar no espelho para saber que minha maquiagem ressaltava meus olhos âmbar, fazendo-os enormes com um comprido cílios postiço e lápis branco na linha d'água e um pouco abaixo também. A boca delicadamente pintada para que o batom não ocupasse toda a extensão de meus lábios carnudos e de cada canto destes, uma linha preta desenhada até o fim de meu queixo.

Eu era uma boneca de porcelana.

[E eu mal sabia que poderia me quebrar lá]

Luna me encarava com olhos delineados de preto e cabeça levemente inclinada para a esquerda.

Apertei sua mão e segui em frente, empurrando aquele pedaço de madeira podre que mal poderia ser chamado de porta.

Ela pegou uma lanterna e me passou outra. Iluminou o chão e jogou a mochila em cima do carpete, a poucos metros da entrada.

Começou a acender as velas com um padrão de posicionamento em cada lugar.

Você não tem medo de nos matar queimadas?, questionei, me colocando a seu lado.

Ela sorriu, me desafiando. Por que teria?

Talvez porque estamos dentro de uma "caixa" de madeira velha e repleta de cupins?

Seu sorriso aumentou conforme enlaçava a minha cintura com as mãos, me prensando contra a parede mais próxima.

Relaxe, sussurrou e pude sentir seu hálito. Doce. Talvez cerejas ou amoras. Algodão doce? Mas também senti um cheiro metálico de sangue, mais suave que os outros aromas.

Então meus olhos, que passeavam por seus lábios vermelhos, muito vermelhos sem batom, fazendo jus à cerejas, se detiveram em seus caninos, me demorando neste detalhe.

Assim como os outros dentes, eram perfeitamente alinhados e brancos, só que perturbadoramente maiores e afiados, mais do que o de pessoas comuns. E me peguei testando os meus com a língua.

Tudo isso durou apenas um segundo e mais rápido do que me empurrou, ela recuou, ágil e rápida, sem esbarrar em nenhuma vela, o que era complicado, uma enorme proeza.

Dei uma espiada no chão, onde se encontravam as pequenas e muitas chamas bruxuleantes.

Ela fizera um trabalho incrível com estas.

Todas estavam posicionadas de modo que formassem [novamente] um pentagrama.

O que viemos fazer aqui?, perguntei curiosa e desconfiada.

Eu vim contatar, você veio para não me deixar foder tudo, desconfio, disse enquanto me dava as costas e sumindo conforme a escuridão a envolvia, até que eu não podia vê-la ou ouvir o sorriso em sua voz.

Isso me assustou, sempre que ela se afastava de mim eu me sentia exposta e vulnerável.

Mas eu ignorei esse sentimento por 30 segundos, até que eu senti uma presença atrás de mim.

Em nenhum momento sequer eu cogitei que pudesse ser Moonlight, não era sua energia.

A dela era conflituosa e misteriosa, mas me causava tranquilidade. Tinha uma presença suave, mas intensa.

A que eu sentia era forte e inebriada de negatividade.

Quando eu me virei para trás, eu esperava tudo, menos o que eu encontrei.

Um garoto alto, musculoso e aparentava ser alguns anos mais velho, maior de idade. Ele me encarava e eu senti medo.

Se fosse alguma encarnação ou demônio -quem sabe os dois- eu não teria sentido tanto receio.

Ele me agarrou com brutalidade, e com firmeza me prendeu entre si e a parede paralela à que eu havia estado com Moonlight.

Apertava minha cintura, logo desceu uma mão sobre minha coxa, subindo meu vestido.

Eu estava aterrorizada e isso havia me paralisado, mas não me impedia de tentar resistir.

E então eu percebi que não podia ver seu rosto, ele não estava encoberto, mas eu não conseguia distinguir nenhuma característica dele.

De repente eu avistei um movimento por trás deste.

Chamas.

Chamas altas e crepitantes, poderosas. Tão quentes que se tornavam azuis.

Elas haviam se intensificado das velas sem explicação alguma, mas o rapaz -que agora agarrava minha nuca- não parecia ter notado.

No meio do azul alaranjado, no centro do pentagrama, eu a avistei.

Ela estava flutuando/levitando a um metro do chão. Seu cabelo comprido se debatia como tentáculos, seus olhos estavam tomados do mesmo brilho da Lua que eu havia visto antes.

Branco prateados.

Perolados.

E suas mãos estendidas controlavam e ateavam o fogo.

Olhando para cima, eu avistei um buraco, uma falha nas telhas, por onde a luz da Lua se infiltrava, envolvendo Moonlight, puxando-a para cima, em sua direção, como um holofote.

E então um clarão.

Uma luz cegante que partia de seu corpo e iluminava todo o ambiente, e eu tive que reunir toda a força que ainda me restava para cobrir os olhos com as mãos.

Ele hesitou sobre mim e neste meio tempo ela se materializou atrás de seu corpo.

Seu cabelo se contorcia e parecia negro em contraste com a luminosidade dos olhos que cercava todo seu corpo.

Ela emitiu um barulho entre um rosnado e um grasnado, fazendo com que a atenção dele se virasse para si.

Abriu a boca revelando dentes extensos, pontudos e cortantes, deixando escapar o mesmo ruído, só que mais alto e ameaçador.

E de supetão avançou sobre ele, cravando seus dentes no espaço entre o pescoço e o ombro, arrancando um pedaço sangrento de carne.

Cuspiu-o no chão e lambeu os lábios embebidos de sangue com prazer. Um sorriso como o do Gato de Cheshire tomou sua boca ainda manchada de vermelho, como suas presas.

NÃO! NENHUMA GAROTA! NINGUÉM!, berrou ela com a voz distorcida, animalesca, grossa e rouca. Feroz.

Eu não podia caracterizar o rosto do cara, mas sua expressão era claramente um misto de dor e terror.

Em seguida seus joelhos cederam e depois de ajoelhado, ele estava jogado no chão.

Sua camisa estava encharcada e uma poça já se formava no chão que uma vez fora encerado.

Ele golfava desesperadamente tentando capturar oxigênio, agonizando e engasgando.

Percebi um leve movimento de pulso vindo dela e fogo começou a tomar conta do local.

As chamas lambiam rapidamente a madeira, engolindo o ressinto.

E repentinamente eu estava em seus braços com a mochila nas costas e ela nos conduzia para fora do calor estonteantes.

Corria a uma velocidade sobrenatural, mas eu só podia perceber isto pelos borrões em que tudo a minha volta se tornou. Era ágil como uma pantera.

E um segundo depois eu estava sendo colocada delicadamente embaixo de uma árvore. Outra cerejeira, só que essa se localizava distante da cabana, agora totalmente consumida pelas chamas azuis e altas.

Eu a sentia a meu lado, mas não podia vê-la e também não tinha força para fazê-lo.

Está tudo bem, Sunshine, aquela fora e seria a única vez que se dirigiria a mim desta forma. Está tudo bem.

Ele não merece ir para o inferno, ficará vagando. Uma nova casa será construída e essa será sua punição. Habita-la para sempre, haja o que houver.

E eu sinto muito pelo que ocorreu. A culpa foi minha por tê-la conduzido a isso.

Eu queria discordar, porque realmente não era verdade e eu sentia a dor em sua voz enquanto falava.

Ela agachou-se sobre mim. Inclinou a cabeça fitando meus olhos profundamente. Seus olhos antes dourados fitavam os meus âmbar, haviam transformado-se em azul turquesa muito vibrante.

Folhas de Sakura caíram sobre mim, inundando meu campo de visão. Mas não era primavera?

Então eu apaguei.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Foi um capítulo bem longo, logo não custa comentar, né? asdfghjlç Bom, até o próximo, babes. ☾ ❤