Crepúsculo

7 7 - Hospital.


7 — Hospital.

Fui examinada várias vezes no pequeno corte lateral do rosto.Disse: \"Eu estou bem!\" várias vezes,mas niguém me ouvia.Minha mãe não sairia do meu lado até ter alta.

O doutor Cebola também era bonito,parecia ter no máximo 25 anos,ou menos.

-Vamos ver se a paciente Sousa pode ir para casa? — afirmou ele dando um sorriso.

-Estou bem doutor. — repeti.

-O corte foi feio senhorita Sousa — ele obsevou.

-É muito grave doutor Oliveira? — perguntou minha mãe desesperada.

-Não,pode se alcamar Luísa,não teve risco de sequelas,ou outra coisa mais grave.Como Mônica disse,ela esta ótima. — ele colocou a mão no ombro da minha mãe enquanto falava — Quem é que esta em estado grave.É o garoto ao lado — ela apontou Jeremias — não acordou até agora.

-Ele vai ficar bem? — perguntei.

-Provavelmente.

Minha mãe suspirou.

-Filha,sempre o coração enorme,até pelo culpado ela tem pena — comentou ela.

-Ele não tem culpa de nada mãe — retruquei — ,como ele disse,foi um acidente.E graças ao Cebola estou viva,deveria agradecer a ele por isso.Então pare de culpar o ...

-Cebola? — ela me interrompeu — Seu filho? — olhou para o doutor.

-Bom — ele se virou para mim — acho que ela já pode ir para casa,ou quer ficar aqui?

-Não! — me arrastei para fora da cama — Até mais doutor! — sorri e parei.Fui até o pai de Jeremias.

O rosto dele estava congelado,os olhos totalmente pasmos.

-Ele vai ficar bem! — acariciei o ombro dele.

-Obrigado. — ele segurou minha mão e um pequeno sorriso apareceu.

-Tenho que ir — fui até a porta e deixei minha mãe conversando com o médico.

Passei por Cebola no corredor.E o parei com o braço.

-Posso falar com você? — fiz um sorriso falso.

-O que quer? — ele disse sério.

-Vamos a um lugar menos movimentado? — apontei o fim do corredor.

-Esta bem. — ele foi até lá.O que deu nele,um dia educado,outro dia mal humorado?

Sem discutir me coloquei na sua frente.Esperei um pouco pensando por onde começar.

-Vai ficar em silêncio para sempre? — rebateu ele.

-Quer saber! — começei com aquela voz firme — Voce esta agindo como um idiota! — minha voz diminuiu um pouco,formando um sussurro raivoso.

-Desculpe ser rude,estou meio que sendo uma boa pessoa com você,confie em mim. — seus olhos ficaram mais claros.

-Boa pessoa! — disse voltando com a voz firme — Sempre bancando o nervosinho metido e cheio de segredos!

-Se é para me dar um sermão,então por que veio para um lugar menos movimentado? — rebateu ele.

-Não vim para dar um sermão! — suspirei — Só não gosto que falem deste jeito comigo.

-É o único jeito de você não ser minha amiga. — ele sorriu falsamente.

-Então não vai responder minha pergunta? — disse cruzando os braços.

-Você não fez nenhuma. — ele riu.

-Esta bem!Como você parou a caminhonete? — disse calmamente.

-Não sei do que esta falando. — ele arqueou uma sobrancelha.

-Como voce tem a cara de pau de falar uma coisa dessas! — dei um soco no ombro dele,e ele nem se moveu um milimetro,ou gemeu.

-Voce bateu a cabeça,esta vendo coisas.

-Não sou vidente para ver coisas! — rebati — E estou muito bem,e vi voce amassar aquela caminhonete,aliás como chegou para me salvar se estava do outro lado do estacionamento?!

-Eu não amassei caminhote nenhuma,estava atrás de você quando tudo aconteceu. — disse ele rindo.

-Pare de rir!Eu sei o que vi e...

-Você pode me agradecer e esquecer isso?Afinal,o que importa é que voce esteja viva. — lembrou ele.

-Obrigada. — sorri e depois fiquei novamente séria — Eu só quero saber como sobrevivi. — implorei.

-Sinto muito. — ele se virou e foi para outro corredor.

Eu arreganhei os dentes.Iria descobrir.Eu iria.

O que ele quiz dizer com:

\"É o único jeito de você não ser minha amiga\"

Se ele não quer ser meu amigo,então por que me salvou?

Quando minha mãe saiu do escritório do pai de Cebola.Encontramos Magali,Cascão,Marina,Franja e Cascuda — a garota loura,melhor amiga de Jeremias.

Contamos para eles a minha situação e a de Jeremias,Cascuda ficou assustada, Magali ficou feliz por eu estar bem.

Cascão disse que enquanto esperavam tinham decidido que no feriado iriam para a praia de sampa.

-Praia em São Paulo? — era muito ruim em geografia também.

-É sim,fica um pouco longe daqui,mas,nós ja fomos lá.O nome dela é Barequeçaba. — ele sorriu.

-Todo mundo vai? — disse interressada.

-Só a Cascuda e o Jê que não ,eu acho. — observou ele.

-Como vamos para lá?Não temos idade para dirigir. — lembrei.

-O pai do Nimbus tem um mini-ônibus para nos levar. — disse ele.

-Vou ver com minha mãe depois e te respondo amanhã,O.K.? — pisquei.

-Claro.Tchau. — ele saiu pelo portão.

Eu e minha mãe voltamos para casa.