Crepúsculo
5 5 - Conversas.
Notas iniciais
continuem mandando!
5 — Conversas.
Iria cumprir a promessa que tinha feito a mim mesma ontem.Hoje também tinha aula de laboratório.E iria enfrenta-lo,se ele fizesse aquilo de novo.
Segunda aula.Laboratório.Ele não apareceu.
Me sentei sozinha meio confusa.Até que era melhor assim.
As chuvas pioravam a cada dia que passava.Tinha que levar uma capa de chuva na mochila recomendada por Magali.
Passou duas semanas e ele ainda não tinha aparecido.Surgiram alguns boatos de que ele tinha mudado para outra escola.Pindorama.*
-Nossa. — comentou Magali no refeitório — Desde que o Cebola sentou com voce na aula de laboratório nunca mais apareceu.Que estranho não é?Talvez ele deve ter se mudado para Pindorama.
-É,acho que sim — concordei.
Ele tinha sumido por minha culpa?!
Sempre dava umas olhadas na porta do laboratório,para ver se ele chagava.
Mas minhas esperanças tinham acabado.Mais uma aula de laboratório,eu fiquei brincando com a caneta até que a voz me faz pular da cadeira:
-Oi — ela parecia feita de sinos.
Me virei.Era ele.Cebola Oliveira.Estava com um meio sorriso encantador.
-Desculpe-me,meu nome é Cebola Oliveira e o seu é Mônica Sousa não é? — ele sorriu novamente.
-Co-como sabe meu no-nome? — olhei assustada.
-Tenho certeza que voce é a notícia mais falada na escola — seu sorriso ficou maior.
O professor chamou a atenção da sala,e mostrou os exercícios na lousa.
-Bom trabalho sala! — Licurgo sorriu.
Ele pegou o microcópio — tecnicamente eu já teria aprendido aquilo.
Cebola o empurrou para mim.
-Não quer começar? — tentei ser educada.
-Me considere um perfeito cavaleiro. — ele empurrou um pouco mais perto de mim.
-Como é? — arquei uma sobrançelha.
-Primeiro as damas. — ele sorriu.
Eu peguei a lamina e coloquei.
-Prófase — afirmei.
-Posso olhar,se voce não se importa? — pediu ele.
-Claro.
Ele olhou novamente e empurrou para o centro da mesa.
-Prófase — ele anotou no caderno.
-Isso mesmo. — disse ironicamente.
De repente notei que seus olhos não eram mais negros e obscuros,eram castanhos dourados.
-Usa lentes de contato? — peguntei apontando para meu olho.
-Não — ele ficou sério e depois deu um sorriso de leve — Quer ver agora?
-Não pode ser você. — virei para baixo.
Ele pegou a lâmina dois e a colocou no microscópio.Olhei em volta e a maioria nem tinha começado a escrever.
-Intérfase — ele escreveu no caderno.
-Posso olhar? — disse fazendo uma pergunta de irôni cruel.
-Claro. — ele deu um sorriso malicioso e entregou o microscópio.
-Você pode me passar a lâmina três? — estendi a mão.
Ele tocou na minha mão,além de sentir a lâmina,senti dedos frios de gelo.
Olhei no microscópio e ele estava correto novamente.
-Intérfase.
-Isso mesmo.
Dei uma pequena espiada no seu caderno e nunca tinha visto uma letra tão perfeita como a dele.
O professor Licurgo chegou na nossa mesa cruzando os braços nas costas e se inclinando para falar conosco.
-Vocês já acabaram? — ele olhou nossos cadernos surpreso.
-Sim. — respondi.
-Formam uma bela dupla de química, não? — ele se virou e foi para a mesa ao lado.
-Adoro a chuva,ela é boa não é? — observou Cebola olhando a janela.
-Na verdade não sou muito fã. — ele se voltou para mim.
-Porque? — ele me fitou.Porque estava interessado?
-Gosto de sol — começei — e também não gosto de cidade grande.
-Então porque está na oitava maior cidade do planeta? — ele cruzou os braços na mesa.
-Bom — tentei ser breve — minha avó morreu e meu avô está muito velho e foi para um azilo,e para não morar sozinha me mudei para sampa.
-Onde você morava? — disse ele rapidamente.
-Rio de Janeiro.
-Essa cidade também é grande — observou.
-Mas tinha sol — rebati — E não é tão grande como São Paulo.
-E porque morava com seus avós? — ele ficou sério.
Não estava entendendo porque todo esse interesse na minha vida.
-Meus pais perderam a casa quando era pequena,e tive que morar com eles para meus pais procurarem emprego no Sul. — lembrei olhando para baixo.
O sinal tocou interrompendo nossa conversa.Ele saiu como um flash,que nem a semana passada.
*DE ACORDO COM A REVISTA 11 ESSE É O NOME DE OUTRA ESCOLA DO BAIRRO LIMOEIRO.
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