Crazy Little Thing Called Love
11 Don't rain on my parade
Notas iniciais
Rachel deu uma espiada para fora para conferir quem estava na plateia. Dentre os alunos da escola de música, Finn, obviamente, o casal Schuester, seus amigos professores e o seu agente, Arthur Fitzpatrick, o homem que deveria impressionar com seu talento para lhe abrir as portas tão ambicionadas da Broadway.
Com um suspiro fundo, ela deu um sinal para a banda e entrou no palco cantando “Don’ t rain on my parade”, de Barbra Streisand.
“Don't tell me not to live
Just sit and putter
Life's candy
And the sun's a ball of butter
Don't bring around a cloud
To rain on my parade”
Toda a sua vivacidade estava ali, pulsando, vibrando. Ela amava aquela música, amava cantar, e sabia que só aquela canção de sua diva favorita era capaz de expressar sua vontade de alçar grandes voos e de ser uma estrela.
Rachel cantava, brilhava, e Finn não sabia o que os pais daquela garota tinham lhe dado na mamadeira, mas ela era um fenômeno. Nunca vira ninguém tão entregue, tão talentosa, tão incrível.
- Bravo! Bravíssimo! – a voz de Arthur se sobrepôs aos aplausos do auditório, atraindo os olhares de todos. – Excelente, Rachel.
-Obrigada, Arthur. – ela respondeu, já descendo do palco. Pegando a mão de Finn, ela entrelaçou seus dedos com os dele e indagou. – Vocês já se falaram?
-Anh, sim. Nós já nos falamos.- disse Finn, sério.
-Que tal sairmos para jantar algo, hum? Eu faço questão de convidá-los. – disse Arthur.
Finn e Rachel se entreolharam, e ela esperou uma pequena confirmação dele para responder:
-Tá, tudo bem!
Enquanto ela se trocava, a plateia se dispersava; era o fim do dia, os alunos e professores estavam indo para casa.
Mas Marley foi a única que ficou por ali, como que rondando Finn, até ele nota-la e cumprimentá-la:
- Oi, Marley! O que você achou da apresentação?
-Ah, incrível! A Rachel canta muito. – ela balançou a cabeça efusivamente.
- Bem... eu vou sair agora com ela... tchau, Marley.- disse Finn, apertando carinhosamente seu ombro e se retirando.
-Parece que não foi só o coração da Rachel que você fisgou, hein? – a voz sarcástica de Arthur soou atrás de Finn um minuto depois, espantando-o um pouco.
- Cara, você parece um fantasma. – Finn praguejou.
- Essa daí também é bem lindinha...
- Arthur, por favor. Não se meta a esperto aqui na Music House, ok?
- Eu?! “Metido a esperto” ? Do que você tá falando, amigo ?
Finn se manteve quieto, respirando profundamente, as mãos formigando. Arthur era como uma sombra que vinha nublar sua vida, justo agora, que tudo estava dando certo.
-Pronto, rapazes!- disse Rachel, pronta. – Vamos?
{...}
Eles acabaram optando por ir a um restaurante japonês. Finn ficou calado o trajeto inteiro, enquanto Rachel e Arthur tagarelavam sobre possíveis novas produções da Broadway às quais ela deveria se candidatar para testes. Arthur demonstrava bastante entusiasmo com relação ao desempenho dela, tecia elogios sem fim à sua apresentação: que ela era ótima, incrível, uma diva, e que um bom papel nos palcos dos musicais, aliando seu talento e a assessoria dele, era apenas questão de tempo.
Finn ouvia a tudo, mas sua cabeça se mantinha distante...
- Ele vai me levar para Londres! – Kirsten gritou.
Finn arregalou os olhos, surpreso:
- Ele não me disse nada disso.
- Porque ele não confia mais em você, Finn. Você tá dando pra trás, tá vacilando.
- Eu não quero mais ser um joguete nas mãos dele, é isso! O Arthur vai ferrar a gente, Kirsten...
- Não vai! A gente vai ganhar dinheiro, panaca, e você tá é com medo porque seu envolvimento pode respingar na imagem do seu padrasto. – ela o desafiou.
- E daí, se tenho medo disso mesmo? Isso é sério, e eu tô fora!
-Finn? – Arthur indagou, intrigado. – Tá tudo bem?
-Sim, está.- Finn respondeu, movimentando-se na cadeira e tentando se concentrar na conversa entre Rachel e o outro.
- Eu estava falando aqui com a Rachel... será que ela deveria tentar também os palcos de Londres? – disse Arthur.
{...}
O jantar seria num silêncio total se dependesse de Finn Hudson. Mas Rachel e Arthur aproveitaram para repassar várias informações e contatos importantes, até que acabaram e se despediram.
Arthur foi embora em seu carro, enquanto Finn e Rachel preferiram ir andando até o metrô. A moça ia com a cabeça apoiada no braço do namorado, até que decidiu perguntar:
- O que há entre você e o Arthur?
- Já disse que nada. – Finn tentou manter um tom de voz tranquilo.
- Ele tem sido um grande apoiador. Ele é o empresário mais empenhado que já vi. – ela comentou.
- Deve ser porque você está lhe pagando. – Finn murmurou.
Rachel parou abruptamente:
- Não, Finn! Eu ainda não paguei nada! Será que você acha que alguém só pode me elogiar e me ajudar a faturar um papel num musical se for pago?
- Eu... eu não quis dizer isso...
- Mas disse! – Rachel esbravejou no meio da rua.- e você, por que me elogia? Pra conseguir transar comigo?
- Rachel! – Finn também perdeu a paciência. – Não é nada disso! Você não o conhece, e já fica assim, toda animada, toda empolgada. Vai que o Arthur não é tudo isso que você espera?
- Se você sabe algo sobre ele, porque não me diz o que é, então?- ela o instigou.
-E...eu não sei nada.- Finn hesitou.
Rachel fez uma cara desconfiada para ele:
- Não gosto quando você fica assim, distante, taciturno. O que é tá havendo com você ultimamente, Finn?
Ele desviou o olhar do dela:
- Já disse que nada.
-Finn, eu estou querendo me aproximar, sabia? Você anda cheio de evasivas, distante. O que tá acontecendo com você? Eu fiz algo?
-Será que você podia parar de me encher?! – ele gritou, irritado.
Os olhos de Rachel pareciam duas grandes piscinas de lágrimas. Piscando, ela falou em um tom grave:
- Ok. Desculpe por me preocupar.
Antes que ele pudesse processar o que tinha feito, ela já estava distante, andando a passos largos.
-Droga! – ele bateu a mão na testa, com raiva e frustrado consigo mesmo.
{...}
Kurt deixou uma xícara de leite quente na porta do quarto de Finn. Era um hábito que tinha desde a adolescência, e que renovava agora que ele e o irmão voltaram a morar juntos.
Mas Finn, que não estava dormindo, o surpreendeu voltando da varanda do apartamento, ao invés de estar em seu quarto:
- O que houve? – Kurt perguntou, vendo que o semblante de Finn não era dos melhores.
- Eu gritei com a Rachel no meio da rua. – Finn respondeu, envergonhado.
-Isso tem alguma coisa a ver com o fato de você andar meio estranho ultimamente?
- Tô sendo tão óbvio assim?- Finn deu um sorriso de lado triste pro irmão.
- Sim. – afirmou Kurt. – Escute, Finn. O passado passou. Você mudou, por favor, não deixe que a presença do Arthur te atinja.
- Ele... ele ainda me incomoda.- segredou Finn.
- Eu sei que algo tenso rolou na época da faculdade entre vocês, mas já passou, não passou? Agora, vai lá e toca a campainha do apartamento dela. Aposto que Rachel está acordada assistindo a uma maratona de Sex in the City ou algo assim.- Kurt aconselhou, depois de fazer um afago no cabelo do irmão.
Finn vestiu uma calça, um moletom e foi fazer o que o irmão disse.
Rachel abriu a porta com a cara amassada de choro, um blusão desbotado, o coque bagunçado no alto da cabeça e ainda muito ressabiada:
- O que você quer?
- Você. – ele respondeu, adentrando o apartamento e lhe apertando em seus braços num beijo avassalador.
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