Crazy Bout' You
6 Capítulo 6 - Just Lose It
Notas iniciais
– Você o quê?! — Indagou Gwen após Peter chegar da estranha tarde com Deadpool.
– Foi legal até — Disse Peter afinando a voz. A expressão de Gwen estava começando a assustá-lo.
– Peter você virou amigo do bandido!
– Ele não fez nada Gwen.
– Você tomou sorvete com ele — Disse Gwen rindo histericamente — Depois brincou com ele no parque!
– Eu não brinquei com ele — Disse na defensiva — Se eu não empurrasse ele naquela balança ele ia ter um ataque.
– Ou seja, você brincou com ele.
– Você falando assim parece patético e insano.
– E é!
Peter bufou cruzando os braços. Eles já estavam chegando perto do Vórtex enquanto o moreno tentava pensar em algo sensato a dizer para a amiga.
– Ele não é perigoso, vou descobrir quem ele é — Disse por fim.
– Faz o que quiser — Suspirou a loira — Só me liga se as coisas começarem a ficar estranhas. Eu tenho medo por você.
– Tudo bem — Disse Peter dando um beijo na bochecha da amiga.
Naquele momento passos rápidos eram audíveis não muito longe dos dois. Peter e Gwen olharam para o rapaz que caminhava na direção da república em frente. Ele tinha as mãos nos bolsos e o capuz da blusa vermelha na cabeça, mas Peter o reconheceu sendo Wade.
– Ele me deu uma câmera nova, esqueci de te contar.
– O quê? Aquele cara? Ele não é amigo do Flash?
– É, mas Flash quebrou a minha câmera e ele comprou outra.
– Que estranho — Comentou Gwen olhando para Wade que fuçava impaciente a própria mochila. Ele pareceu frustrado e bateu na porta da república. Ninguém atendeu.
– SAMMY! — Gritou Wade impaciente.
– E você agradeceu? — Indagou Gwen parando de olhar para o loiro.
– Não tive tempo.
Peter viu um rapaz moreno e de óculos abrir a porta, deduziu ser o tal do Sammy e ele não parecia muito feliz.
– Esqueceu de novo a sua chave? — Peter ouviu-o dizer.
– Estão fazendo o quê aí parados? — Indagou Harry chegando perto dos dois trazendo algumas sacolas consigo.
– Conversando. E eu estou vendo mesmo o que eu acho que estou vendo? — Zombou Gwen dando risadas — Harry Osborn fazendo compras domésticas?
– Pois é, meu pai não deixou eu trazer um empregado pra fazer essas banalidades por mim — Disse Harry num tom dramático.
Gwen riu ainda mais.
– Não é brincadeira não, ele pediu mesmo — Confirmou Peter.
Harry olhou para a república Aesir um pouco surpreso em ver Sam White ali.
– Então o bolsista é nosso vizinho — Comentou mais para si mesmo.
– Que bolsista? — Indagou Gwen.
– Sam White, aquele de óculos.
– Conhece ele? — Indagou Peter.
– Vagamente, falei com ele hoje depois das aulas. Um completo nerd metido a defensor dos pobres e oprimidos.
– Você e sua mania de grandeza sob os nerds — Disse Peter cruzando os braços.
– Sabe que é meu nerd favorito, não sabe? — Brincou Harry sorrindo malicioso.
– Tocante — Zombou Gwen — Peter, acho que estão olhando pra você.
Peter e Harry olharam para onde Gwen olhava e observaram Wade e Sam olhando para eles.
Nesse momento, Wade acenou para Peter chacoalhando a mão direita com certa urgência. Peter arqueou a sobrancelha, mas acenou de volta meio relutante para não ser mau educado. Harry que achou a cena cômica, não pôde deixar de acenar para Sam que ao contrário de Peter, cruzou os braços e entrou na república sem olhar para trás. Harry abriu mais o sorriso pela atitude.
– Okay, isso foi totalmente estranho — Riu Gwen.
– Eu que o diga — Concordou Peter.
oOo
Uma semana havia se passado e Peter achou estranho o repentino sumisso de Deadpool. Não que ele sentisse saudades, não mesmo, mal conhecia aquele cara, mas era suspeito. O moreno havia ido duas vezes naquela semana no beco e no parque, mas ele não apareceu. Agora Peter jazia em seu quarto na república, sozinho em pleno sábado enquanto Harry provavelmente havia ido passar o dia com o pai.
– Que tédio — Suspirou o moreno esparramado em sua cama enquanto jogava no celular, mas o jogo era tão patético que Peter arremessou o aparelho na cama de Harry e ficou um tempo olhando para o teto.
– Pss!
Peter fechou os olhos imaginando ser um passarinho.
– Pss!
Peter ignorou o barulho novamente, até que batidas sonoramente humanas eram audíveis da janela. O moreno se sentou abrindo os olhos e tomando um grande susto.
– Ah! — Gritou Peter de um modo esganiçado e afinado pelo susto.
– AH! — Repetiu o cara.
– O que... — O moreno não conseguiu terminar a frase. Deadpool estava pendurado na árvore em frente a janela vestido naquela coisa que ele chamava de uniforme.
– Peter, você está bem? — Indagou uma voz do lado de fora do quarto. Era a voz de Loki — Ouvi gritos.
– Está tudo bem! — Respondeu Peter correndo até a porta e a trancando.
Loki não respondeu e o moreno concluiu que ele havia descido pra sala. Peter foi até a janela e a abriu dando espaço para que o mercenário estrasse.
– Ficou maluco?! Se alguém o visse... Sabia que eu divido esse quarto?! Aliás, como você sabia que eu estava aqui?
– Uou baby boy! Vai com calma aí! — Disse Deadpool erguendo os braços em rendição — Eu tenho meus contatos.
– Que frase mais clichê, vai ter que fazer melhor se quer mesmo que eu acredite — Disse Peter revirando os olhos.
– Eu te segui aquele dia — Deu de ombros — E aí? Como você tá?
– Levando — Respondeu rapidamente — Você sumiu, posso saber onde esteve?
– Tava com saudades baby boy? — Perguntou Deadpool segurando uma risada.
– Não! — Exclamou Peter cruzando os braços — Eu estou curioso, andou matando pessoas?
– Já te disse que eu não sou assassino, mas é. Tava ocupado, sabe? Trabalhando.
Deadpool rondava o quarto pegando alguns objetos e os sacundindo vez ou outra como se tivesse algo de valor dentro.
– Com quem você divide esse quarto? — Indagou o mercenário.
– Que diferença isso faz?
– Só quero saber — Deu de ombros.
– Meu amigo Harry, que pra sua sorte saiu hoje. Se ele te visse você estaria ferrado.
– Ele é pequeno demais, quem estaria ferrado era ele — Debochou.
– Como sabe como ele é? Há quanto tempo anda me seguindo?
– Calma baby boy, só aquele dia mesmo. Te vi conversando com ele e uma menina loira, e acenando pra um cara. Quem era? — Atreveu-se a perguntar.
– Ah, o Wade — Disse Peter num tom sério — Não o conheço muito bem, ele é estranho.
– Estranho? — Indagou Deadpool num tom meio inconformado — Estranho como?
– Ele não conseguir me chamar pelo meu nome direito já é uma boa razão, parece até você — Disse Peter num tom de deboche, mas mal ele viu o semblante nervoso de Deadpool por baixo do uniforme.
– Mas e aí? — Pigarreou mudando de assunto — Quer fazer alguma coisa?
– Tipo...?
– Sair desse lugar pra começar.
Peter fez uma pausa pensando na proposta e deixando Deadpool nervoso.
– Vamos lá baby boy! Nova York está chamando!
Peter soltou o ar pesadamente em rendição.
– Tudo bem — Disse destrancando a porta. Deadpool vinha logo atrás dele fazendo com que Peter se virasse imediatamente e desse de cara com aquela máscara medonha — O que você pensa que está fazendo?
– Saindo...?
– Desse jeito? — Riu o moreno nervosamente — Volta pela janela e a gente se encontra lá embaixo, aliás, por quê você não tira isso? — Disse tocando na máscara para retirá-la, mas Deadpool se afastou com um sonoro "Não!".
– Nem pense em fazer isso baby boy, não tiro nada em serviço.
– Mas você não está em serviço, ou está?
– Não, mas... Você é fotógrafo daquele jornal, não posso confiar em você. Não ainda.
Peter assentiu meio desconfiado, mas de acordo. De certa forma, ele tinha razão.
– Ok. A gente se vê lá baixo — Disse o moreno saindo do quarto.
Peter desceu às escadas com pressa pulando alguns degraus de dois em dois no processo. Deu um aceno de mão para Loki quando passou pela sala, indicando que sairia e foi porta à fora sentindo o sol forte bater em sua pele.
O moreno olhou para os lados aliviado em ver o Campus vazio, como era fim de semana quase todos iam visitar os parentes. Peter viu que Deadpool não estava mais pelas redondezas e concluiu que ele deveria estar lá fora o esperando, foi até a saída da universidade e o encontrou encostado sob uma viatura.
– E aí baby boy, pronto para fortes emoções?
– Você é doido de ficar perto de viaturas, não é? — Riu Peter balançando a cabeça em negação.
– Preciso ficar, ela está sob meus domínios agora — Respondeu Deadpool dando dois tapinhas no capô da viatura.
– Como é?
O mercenário por incrível que pareça rodou uma chave no carro e abriu a porta indicando para que Peter entrasse.
– Não! Nem pensar!
– O que foi agora? — Suspirou Deadpool.
– Você roubou essa viatura!
– Eu não roubei, só peguei emprestada — Deu de ombros — Aliás, ela é de um conhecido meu.
– Vai me dizer que você tem amigos policiais? Isso não faz o menor sentido, ainda mais agora que você é capa do Clarim Diário, aliás nem devia sair pela rua com essa coisa, é facilmente reconhecível.
– Não disse que tinha de fazer sentido. E ninguém consegue me pegar baby boy, não se preocupe.
– Eu não me preocupo — Disse Peter entrando de uma vez na viatura.
Deadpool deu um leve sorriso dando a volta e entrando no banco do motorista.
– Onde quer ir? — Indagou animado.
– Sei lá, o parque?
– Deixe de ser limitado. Que tal Las Vegas?
– Você deve ter bebido muito se acha que eu vou até Las Vegas numa viatura roubada com você.
– Assim você me ofende baby boy — Disse o mercenário pondo a mão no peito num gesto dramático. Ele deu partida na viatura e seguiu sem realmente saber que rumo tomar.
Alguns minutos depois um celular tocou e Peter lembrou que havia deixado o seu na república, se Gwen ligasse o mataria por sair com Deadpool sem um telefone em mãos.
– Fala Deano! — Disse Deadpool atendendo o celular.
"É DEAN!" Berrou uma voz do aparelho fazendo o mercenário afastá-lo dos ouvidos.
– Que seja, estou no meio de um passeio, o que você quer?
"Os caras, capangas do Selwyn estão te procurando. Vieram até aqui perguntando por você e eu só escapei porque disse sua localização"
– Disse minha localização?! — Exclamou Deadpool — Filho da mãe! Tem merda na cabeça?!
Peter assistia à tudo um pouco assustado e curioso para ouvir a conversa.
"Sério mesmo que é você quem está perguntando se EU tenho merda na cabeça? Eles iam me matar seu imbecil, eu tive que rastreá-lo"
– Quando eu me livrar deles eu vou atrás de você.
"Boa sorte" Disse Dean desligando o aparelho.
– O que está havendo? — Indagou Peter nervoso.
– Preciso te levar de volta baby boy, estou sendo seguido.
– Então o certo é não me levar de volta — Concluiu Peter — Quem está te seguindo?
– Uns caras aí — Deu de ombros.
– Especifique — Pediu Peter entredentes.
– Tá. Existe um idiota aí chamado Francis Selwyn que se acha o fodão do pedaço só porque ele tem uma bengala maneira, mas ele não é. Nem capangas ele sabe recrutar, uma vez até pediu que ajudasse eles em troca de uma boa grana. A intenção era roubar o cofre de uma mansão, de acordo com Francis ele devia muita grana para um traficante e bem, nós roubamos! Na verdade, eu roubei, aqueles inúteis mais atrapalharam do que ajudaram e eu achei muito justo levar a grana toda comigo.
– Então você simplesmente sumiu?
– Sim. Nunca mais ouvi falar deles, só que Selwyn ficou muito puto comigo. Soube que ele foi muito bem punido por não pagar a dívida — Riu.
– Mas agora estão te seguindo.
– Com sede de vingança — Disse Deadpool imitando uma voz macabra e rindo logo em seguida.
Peter viu pelo retrovisor uma BMW preta os seguindo com suspeita velocidade esbarrando propositalmente em outros carros.
– Segura firme baby boy! — Alertou Deadpool ligando a sirene da polícia.
– Ai meu Deus! — Exclamou Peter se encolhendo sob o banco enquanto Deadpool acelerava e os carros à frente davam espaço para a viatura passar — Vira na próxima esquerda!
Deadpool virou na primeira esquerda dando de cara com um congestionamento gigante.
– Eu disse na próxima! — Berrou Peter olhando para trás e vendo a BMW se aproximando.
– Qual a diferença?! — Berrou Deadpool de volta.
– Na próxima tinha uma rua estreita que essa viatura passaria raspando ao contrário da BMW. Mas agora já era!
A BMW havia finalmente os alcançado batendo contra a viatura violentamente.
– Sai da viatura! — Avisou Deadpool destravando as portas e saindo.
– O quê? Ficou louco?! — Indagou Peter vendo três homens saírem da BMW.
– Entra em qualquer táxi que ver! — Disse o mercenário por fim correndo dali e sendo seguido pelos caras.
Peter saiu do veículo observando alguns táxis parados no congestionamento, mas era quase impossível simplesmente entrar em um e voltar para a universidade.
– Até parece — Resmungou Peter dando meia volta e indo em direção onde Deadpool havia corrido.
O moreno os encontrou numa viela deserta perto dali onde um dos caras já jazia inconsciente no chão e os outros dois lutavam com Deadpool.
O primeiro tentava dar socos e chutes, mas Deadpool era veloz e sabia desviar, porém levava alguns golpes do segundo já que os dois o cercavam.
– Eu não disse pra você ficar longe?! — Disse Deadpool acertando com força um deles fazendo com que o cara caísse numa poça suja desnorteado lhe dando vantagem de lutar com o outro usando as duas mãos.
– Você não manda em mim — Disse Peter olhando para os lados à procura de algo que pudesse ajudá-lo.
O primeiro cara levantava da poça balançando a cabeça para que a tontura passasse e viu Peter parado assistindo à tudo.
– Amigo seu? — Sorriu maldoso olhando de Peter para Deadpool.
– Droga — Praguejou o mercenário tentando imobilizá-lo novamente, porém o parceiro o puxou dando-lhe um soco no rosto e o outro teve chances de aproximar-se de Peter — Sai daqui baby boy!
Peter olhou para cima encontrando em fim uma boa arma para ajudar o mercenário, mas seria arriscado e perigoso.
– Está tudo bem! — Avisou Peter.
– Tem certeza? — Disse o cara sorrindo maldosamente pronto para atacar.
Peter deu um pulo se agarrando a grande caixa de metal de lixo. Subiu nela ganhando altura o suficiente e com cuidado desenrolou um fio solto que jazia no poste ao lado da caixa.
– Vai fazer o quê? — Riu o cara mostrando a fileira de dentes amarelos — Tentar me enforcar?
– Desculpe por isso — Disse o moreno fechando os olhos e aproximando o fio elétrico do homem molhado que se contorceu gritando de dor e caindo no chão inconsciente.
Deadpool deu uma cabeçada no homem que ainda lutava com ele fazendo-o cair inconsciente e ensanguentado.
– Ai meu Deus... — Dizia Peter andando para lá e para cá nervoso — Eu matei ele?
Deadpool aproximou-se do homem checando o pulso que parecia bem fraco.
– Quase, mas ele vai ficar bem — Disse tranquilamente — Você até que é bom.
– Por favor, eu apaguei esse aí bem antes de você — Disse o moreno num tom superior.
– É, você tá certo — Riu Deadpool pousando seu braço esquerdo em volta dos ombros de Peter — Que tal o Texas?
– Não vamos pro Texas — Disse Peter num tom autoritário.
– Como você é chato — Resmungou o mercenário levantando as mãos em desistência.
Os dois voltaram até a viatura e decidiram por ir a um estranho bar onde as atendentes trajavam vestidos amarelos super curtos e cheio de babados com uma touquinha escrita "Shebang". Havia um pequeno palco onde um homem já bêbado cantava uma música melancólica que Peter não fazia ideia de qual era.
– Que lugar é esse?
– Gostou? Às vezes eu venho aqui pra passar o tempo — Disse Deadpool acenando para uma garçonete loira de cabelos cacheados que acenou de volta com cara de safada. Peter ao menos achava o olhar dela safado.
– Vestido desse jeito? — Perguntou Peter em descrença.
– Claro, pelado que não é — Respondeu Deadpool dando de ombros e fazendo Peter se sentar numa mesa bem em frente ao palco.
– O que vão querer rapazes? — Disse a garçonete safada com um bloquinho e caneta em mãos. Peter precisava saber o nome dela, não era legal ficar chamando-a de "safada".
– Vai querer o quê baby boy?
– Ãhn... Nada, tô sem fome.
– Dois Jack Daniel's, Lynn — Disse Deadpool dando uma piscadela para a moça que sorriu, outra vez safadamente, e foi pegar os pedidos.
– Ela sabe quem você é? — Indagou Peter desconfiado.
– Não, mas ela quer saber — Disse Deadpool num tom divertido — Ela é um encanto, só é meio atirada.
– Meio? — Disse Peter com sarcasmo — E a gente precisa conversar sobre o que aconteceu hoje.
– Ér... — Disse o mercenário coçando a cabeça meio sem graça — Acontece.
– Já cogitou arrumar um emprego normal? — Indagou Peter arqueando a sobrancelha.
– É complicado — Disse Deadpool — Não me dou bem em entrevistas de emprego.
– Imagino... — Comentou Peter.
– Aqui estão — Disse Lynn trazendo dois copos de vidro enormes com canudos vermelhos.
– Não tinha azul? Queria um vermelho e o outro azul — Disse o mercenário num tom pensativo enquanto observava os canudos com atenção.
– Acabaram os azuis D — Disse Lynn — Mas tem verde.
– Deixa pra lá, não tem preto?
– Negativo D. Tem rosa também.
– Bleh, rosa é ridículo.
– Acho que vi uns roxos também, mas azul está em falta.
– Aff, então tá.
Lynn se afastou indo atender outra mesa e Peter tentou assimilar que ele estava mesmo insatisfeito por causa das cores dos canudos. E do que ela chamou ele mesmo?
– D? — Indagou Peter curioso.
– Não é fofo? Ela me chama assim. Disse que é muito cansativo falar "Deadpool".
– Aliás, eu não pedi nada se você se esqueceu.
– E quem disse que são pra você? — Indagou o mercenário levantando a máscara até que sua boca aparecesse pegando ambos os copos e levando os canudos aos lábios tomando as duas bebidas.
Muito bizarro.
– Você também podia me dar um apelido baby boy.
– Ãhn... Acho que não.
O cara no palco agora cantava esganiçadamente "Somewhere Over The Rainbow" e Peter foi obrigado a tapar os ouvidos. Eles não mereciam serem castigados daquele jeito, o cara era realmente desafinado.
– Você é péssimo! — Gritou Deadpool rindo histericamente.
– Cala a boca! — Gritou o cara meio bêbado.
– Melhor você! Pro bem dos clientes! — Provocou.
Alguns clientes riram concordando com as cabeças e Deadpool terminou as bebidas se levantando rapidamente.
– O que você vai fazer?! — Sussurrou Peter observando o mercenário invadir o palco empurrando o bêbado que deu uma cambaleada e desceu do palco aos tropeços.
– Aí galera! Quem tá a fim de Eminem?! — Disse Deadpool bastante animado. Enquanto os clientes erguiam suas taças Peter se encolheu na cadeira sentindo vergonha alheia.
– Toca aí Lynn!
A garçonete trocou a música e uma estranha batida tomou conta do lugar.
– Okay
Guess who's back, back again
Shady's back, tell a friend
Now everyone report to the dance floor
To the dance floor, to the dance floor
Now everyone report to the dance floor
Alright stop! Pajama time!
Peter pôs a mão direita na boca segurando uma gargalhada. A letra era absurdamente engraçada e a voz de Deadpool só tornava tudo mais cômico ainda. Ele não era tão desafinado, mas também não era nenhum cantor profissional.
– Now I'm gonna make you dance
It's your chance
Yeah boy shake that ass
Whops I mean girl, girl girl girl
Girl you know you're my world
Alright now lose it (Aah aah aah aah aah)
Just lose it (Aah aah aah aah aah)
Go crazy (Aah aah aah aah aah)
Oh baby (Aah aah)
Oh baby, baby (Aah aah)
Lynn dançava no palco com mais uma garçonete morena e Peter sentia seu rosto todo esquentar toda vez que Deadpool apontava pra ele nos refrões, era definitivamente muito constrangedor.
O cara bêbado que havia ficado bravo com a expulsão dele no palco agora dançava feito um retardado num canto em frente ao banheiro masculino e Deadpool fazia gestos com a mão se sentindo um verdadeiro rapper. Peter desistiu de segurar a gargalhada quando ele passou a rebolar.
– Mmmmm touch my body
Mmmmm touch my body
Ooh boy just touch my body
I mean girl just touch my body.
E a música havia acabado com alguns aplausos e muitas risadas.
Deadpool desceu do palco animado voltando a sentar em frente a Peter.
– E aí baby boy, o que achou?
– Bem engraçado — Disse Peter ainda rindo — Você não existe cara.
– O que isso quer dizer? — Indagou o mercenário confuso.
– Sei lá... Que você é único. Nunca vi ninguém igual a você.
Deadpool deu um sorriso simpático gostando da resposta. Ele chamou Lynn para pagar as bebidas e ela veio toda feliz.
– Você foi demais D — Disse Lynn — Aliás, adorei sua foto no jornal, pegaram o seu melhor ângulo.
– Valeu — Disseram os dois em uníssono fazendo a loira arquear a sobrancelha.
– Foi ele que tirou a foto — Esclareceu Deadpool.
Lynn ainda estava confusa, afinal apesar da foto ter sido boa, a manchete não era lá muito amigável, mas os dois já se levantavam prontos para sair e a loira resolveu não perguntar.
– Ihh, tá escurecendo, melhor eu te levar logo baby boy, antes que o dono na viatura dê falta dela — Disse o mercenário levando o braço direito em volta do ombro de Peter, mas ao descer os dois degraus do bar pra sair, quase caiu se sentindo meio zonzo.
– Isso que dá tomar dois copos enormes daquele jeito — Disse Peter segurando-o pela cintura e pelo braço ao seu redor.
Deadpool ainda estava com a máscara meio tirada, e agora tão perto dele como se encontrava naquele instante dava pra chegar à três conclusões. Ele era meio pálido. Tinha algumas cicatrizes. E sua boca era... Bem, era uma boca! E Peter a gravaria na mente. Precisava saber quem ele era.
– Consegue dirigir? Se quiser eu...
– Não, tô de boa — Disse o mercenário abaixando a máscara nervoso com os olhares de Peter em si. Abriu a porta do veículo e ocupou o lugar do motorista.
O caminho de volta havia sido silencioso. Agora que o sol dava lugar à lua, Peter se permitiu abaixar o vidro da janela e sentir o vento da noite em seu rosto. A brisa era tão suave que seus olhos começavam a pesar.
Deadpool parou a viatura em frente a universidade e olhou para o lado notando que o moreno havia cochilado. Parecia um anjo dormindo. Um baby angel.
"Awn"
– Baby boy... — Sussurrou.
Peter não se mexeu.
– Petey... — Dessa vez Deadpool o balançava devagar, mas nada dele acordar.
Deadpool achou curioso o jeito que ele ressonava. Resolveu observar mais de perto vendo que o óculos estava torto e a respiração era calma. O peito dele subia e descia calmamente e os fios de cabelos dançavam com o vento.
Peter abriu os olhos vagarosamente dando de cara com um par de olhos brancos assombrosos o fitando, e não era apenas branco. Tinha preto, tinha vermelho. Tinha um rosto o observando. Se é que aquilo podia ser chamado de rosto.
– AH! — Gritou Peter de modo afinado — Droga cara, já é a segunda vez hoje.
– Você se assusta como uma garota — Ria Deadpool.
– Cala a boca — Disse Peter dando um tapa no braço dele — Preciso ir, mas antes... — Disse num tom acusatório — Quantos anos você tem?
– Vinte e um.
– É mesmo? E você não faz faculdade?
– Ãhn... Chega de perguntas baby boy.
– Você faz faculdade aqui?
– O quê? De onde tirou isso?
– Sabia que precisa de um cartão pra entrar e sair dessa universidade? Como entrou hoje de manhã? — Disse Peter disparando as perguntas.
– Eu dou meu jeito.
– Sei... — Disse num tom desconfiado — Vou indo então, a gente se vê?
– C-Claro — Respondeu o mercenário ainda nervoso pelas perguntas.
Peter saiu do carro acenando para ele e entrando na universidade. Tudo estava bem deserto, o que era ótimo, perfeito pra ver quem entrava ou saía dali nas próximas horas. Depois de deixar o mercenário daquele jeito com as perguntas, ele tinha quase certeza que ele estudava ali. E Peter ficaria de tocaia esperando por ele.
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