Crazy Bout' You
43 Capítulo 43 - Insane
Notas iniciais
Sam envolveu suas pernas sob a cintura de Harry, que o segurava enquanto esfregava-se mais profundamente sob o moreno. Sam teve seus gemidos abafados pelo beijo sufocante que Harry lhe dava e seu membro começava a latejar e crescer dentro das calças.
– Vão para um quarto! — gritou alguém em meio à toda aquela pegação. Foi quando Sam sentiu suas costas doerem de tanto ser prensado contra a árvore e se dar conta da música e que ainda estava rolando uma festa ali.
– Droga, Harry, me solta.
Harry obedeceu, mas segurou a mão do moreno o tirando dali.
– Vamos sair daqui.
Sam andava rapidamente tentando acompanhar os passos acelerados do outro. Ele ainda estava um pouco alheio ao que estava acontecendo, se perguntando se aquilo era sério ou Harry apenas estava tendo uma recaída.
– Então você me perdoou? — indagou.
– Só vou te perdoar quando fizer umas coisas pra mim — respondeu Harry virando a cabeça para Sam e sorrindo maliciosamente.
Sam não gostou do jeito que Harry lhe olhara. Tinha certa maldade naquele olhar e alguma coisa lhe dizia que ele não ia gostar.
Os dois chegaram perto de suas repúblicas, Sam achava que ele lhe levaria até o Vórtex, mas Harry fez outro caminho indo até a Aesir.
– Por que não vamos pro Vórtex? Lá não tem ninguém, o Wade tá em casa.
– É mesmo? Então ele vai ouvir umas coisas hoje. Abre a porta.
Sam bufou não gostando do tom mandão de Harry. Ele pegou suas chaves e tacou no mais alto que as pegou por reflexo antes que acertassem seu rosto.
Harry revirou os olhos, indo abrir a porta. Wade continuava jogado no sofá, dessa vez olhando para a televisão desligada. Harry resolveu não questionar, e nem Sam.
– Já acabou a festa? — indagou o loiro.
– Não, ela só vai começar — disse Harry num tom malicioso.
– Ah não, gente, eu tô aqui!
– Foi o que eu disse — falou Sam.
– Você tem duas opções Wade, ou você vai pra festa ou você fica de telespectador, acredite, vai dar pra ouvir mesmo daqui.
– Harry! — repreendeu Sam.
Wade se levantou e saiu da Aesir, resmungando e batendo a porta com força.
Sam ia dizer mais algum sermão, mas Harry o puxou para o andar de cima antes, levando-o para o próprio quarto.
Harry fechou a porta do quarto, prensando Sam na mesma e começando a distribuir beijos pelo pescoço dele. Sam abaixou as mãos para a calça do maior, desafivelando o cinto dele e o retirando num puxão.
Harry deu um sorriso torto com a pressa do menor. Ele retirou a camiseta que Sam usava a jogando para o lado, enquanto o fazia andar até a cama. Harry fez o menor se sentar enquanto ele retirava a calça do mesmo, se empolgando.
Sam podia sentir uma certa euforia vinda de Harry e aquilo estava começando a intrigá-lo.
– O que você tem em mente, Harry? — indagou, incerto, com medo da resposta.
– Não é nada demais se você parar pra pensar — disse Harry sorrindo maldoso.
– Diz logo.
Harry foi até uma das gavetas de Sam tirando algo de lá. Ele se virou mostrando a peça de roupa, com um sorriso cafajeste nos lábios.
– Só vou te perdoar se você usar esse pijama.
Sam se recusou a acreditar em tamanha vergonha e estupidez. Harry segurava o pijama felpudo de gato que Wade havia lhe dado de aniversário. O pijama que ele jurara para si mesmo nunca usar.
– Ah não! Não mesmo! — dizia o moreno se levantando da cama.
– Você é quem sabe — Harry deu de ombros. — Vou voltar pra festa então.
– Argh... por que faz isso comigo? — choramingou Sam, fazendo birra.
– Olha bem pra minha cara, Sam. Você me traiu, não tô te pedindo muito, você acha que correu atrás de mim, mas não foi metade do que eu fiz por você, então veste essa droga desse pijama antes que eu mesmo coloque em você.
Sam bufou, irritado. Ele pegou o pijama e começou a vestí-lo de cara amarrada.
– Hã-hã. Vista sem a cueca — disse Harry.
Harry sorria satisfeito. Ele sabia que Sam estava totalmente com raiva dele, não só pelo pijama, mas pelo tom que ele falara. Sam odiava receber ordens ou ser tratado com um tom mais alto por alguém e aquilo era tudo proposital. Harry precisava daquela pequena vingança e no final, de qualquer maneira, os dois seriam beneficiados.
Depois de colocar por fim a toca, Sam cruzou os braços com a cara amarrada encarando o maior. Harry não pôde conter a gargalhada, era hilário justamente porque Sam estava com aquela cara.
– Se você se atrever a tirar uma foto minha eu te mato antes de me arrepender dos meus atos, eu juro.
– Você... você tá... muito fofo...! — dizia Harry ainda dando risadas.
– Eu te odeio.
– Odeia, é? — indagou Harry tirando a própria camisa. — Então acabamos por aqui? — dizia tirando suas calças e se aproximando do menor.
Sam ficou ofegante com a aproximação, Harry ia dizer mais alguma provocação, mas Sam o calou, beijando-o de uma vez.
Harry gostou da iniciativa, correspondendo com vontade. Ele guiou o menor até a cama, o deitando na mesma. Sam se ajeitou nela, encostando a cabeça no travesseiro, louco para que Harry tirasse aquele traje de si, mas não foi o que ele fez.
– O que tá fazendo? — indagou o moreno sentindo as mãos de Harry chegarem até seu traseiro, começando a puxar o tecido do pijama com força.
– Você tá muito gostoso nesse pijama, eu não vou tirar ele.
– Mas então como...?
Sam ouviu algo rasgar embaixo dele e finalmente percebeu o objetivo de Harry.
– Seu doente, isso é algum tipo de fantasia de zoofilia?
Harry riu, não respondendo Sam. Ele apenas voltou a beijá-lo, descendo a língua até a pele do pescoço do menor.
Sam já começava a ficar excitado, o problema era que aquele pijama era uma única peça, não dava para simplesmente abaixar às calças e pronto, então ele teve de se limitar a mexer em seu pênis por cima do tecido mesmo.
Harry começou a se posicionar, colocando as pernas de Sam por cima de seus ombros, enquanto abaixava sua própria cueca, depressa.
– Es-espera Harry... — Sam engoliu em seco, achando que Harry começaria sem nenhum preparo, mas o maior enfiou a mão no rasgo que havia feito no pijama, chegando até o pênis.
Sam gemeu ao sentir a mão quente do mais alto começar a masturbá-lo. Seu pênis latejava já há algum tempo e ter uma mão para aliviá-lo era extasiante.
Harry ia com pressa, apertando a glande de Sam ao chegar até a base. O moreno mordia os lábios, alucinado, remexendo-se sob a mão. Alguns segundos depois Harry pôde sentir o líquido quente sujar sua mão e por fim lambuzou seus dedos para prepará-lo.
Sam ficou mais relaxado após aquilo, então os dedos de Harry começando a invadí-lo não o incomodaram tanto. Ele fechou os olhos tentando estabilizar sua respiração, até sentir um terceiro dedo começar a incomodá-lo.
Harry mexia seus dedos dentro do menor, sentindo o próprio pênis começar a latejar querendo atenção. Harry tirou os dedos de dentro de Sam, posicionando seu membro. Sam abriu mais as pernas, permitindo que o outro continuasse.
O calor dentro do moreno era acolhedor e os gemidos excitantes. Harry estocava com cuidado e ao mesmo tempo com ansiedade. Vestido daquele jeito e esboçando aquelas reações, Sam parecia um simples e inocente garotinho descobrindo os prazeres do sexo.
De fato era quase isso. Era a segunda vez que Sam fazia aquilo, ele não tinha experiência, mas a julgar os gemidos roucos que Harry dava a cada estocada ele notou ser desejável o suficiente para isso não importar.
Harry abaixou-se, mordendo e chupando o pescoço de Sam, enquanto acelerava mais, passando a tocar no membro do menor por cima do pijama.
Sam soltou um gemido alto, virando a cabeça para o lado e deixando que Harry controlasse toda a situação.
– Gosta assim...? — perguntou Harry indo mais fundo.
Sam soltou um gemido esganiçado, assentindo.
– Então diz...
Sam negou com a cabeça, sentindo todo o seu rosto esquentar imediatamente.
Harry sorriu, colando sua testa na de Sam. O óculos dele se encontrava embaçado e gotas de suor já eram visíveis em seu rosto. Harry tirou o óculos de Sam, capturando os lábios, quase chegando a seu ápice.
Sam era masturbado pela mão de Harry, mas ele estava lento demais com ela. Aquilo estava o torturando.
– Harry vá mais rápido... — implorou.
– Só se você me falar — provocou o maior.
– Vá mais rápido!
– Não é isso... — cantarolou Harry.
– Aa-ah... eu gosto assim...
– Assim como?
– Fundo!
– Gosta assim? — indagou indo ainda mais fundo, demorando a retirar seu pênis todo de dentro dele.
– S-sim... assim...
Sam não aguentou por muito tempo, assim que Harry acelerou tanto nas estocadas quanto na masturbação, Sam despejou seu gozo, sujando o pijama. Harry atingiu seu ápice logo em seguida, gemendo junto ao moreno.
Harry ficou exausto, limitou-se apenas a sair de dentro de Sam e deitar-se de qualquer jeito, pousando a cabeça no peito do menor.
Sam suspirou, pousando sua mão na cabeça de Harry e afundando os dedos nos cabelos dele, fazendo cafuné até que ele adormecece.
oOo
Ao sair da Aesir, Wade fora até o Vórtex. Não ligava se Peter queria um tempo, ele precisava saber se o moreno estava bem, mas ele bateu a porta onze vezes e ninguém havia o atendido. As luzes estavam todas apagadas e parecia cedo demais para Peter dormir. Wade então deduziu que ele havia mesmo ido à festa e isso o deixou receoso.
O loiro correu até a república das mulheres, abrindo espaço entre as pessoas à sua frente, até achar Matt perto da porta.
– Hey, Matt, o Peter veio pra festa?
– Veio sim, aliás ele tinha dito que ia ao banheiro e não voltou até agora, tô achando que ele deve ter ido embora.
– Não, ele não foi, eu fui no Vórtex e não tinha ninguém lá.
– Que estranho, onde ele pode ter ido? Viu ele passando enquanto a gente conversava, Chris?
– Não, não o vejo desde que ele disse que ia no banheiro. Vai ver ele está lá dentro da casa então.
Wade os deixou para trás no mesmo instante, entrando na casa. Haviam vários casais sob o sofá, se beijando, e não só na sala, mas como na cozinha também. Wade subiu às escadas verificando em cada quarto se Peter não estava lá e a cada porta aberta ele encontrava casais juntos e nada de Peter. Wade começou a entrar em pânico quando nem mesmo no banheiro ele havia encontrado Peter.
O loiro desceu correndo e saiu da república, procurando do lado de fora. Ele procurou até mesmo entre as pessoas que dançavam mesmo sabendo que Peter nunca iria ali para dançar. A música alta começava a irritá-lo, o jeito como as ondas de som preenchiam seu corpo fazendo tudo tremer o deixava enjoado, sua cabeça começava a doer e seu estômago se revirar.
"Wade..."
Wade colocou as mãos nas orelhas, apertando os olhos e tentando pensar mais claramente.
"Wade...?"
Wade ouvia aquela voz ao longe o chamando e já não sabia se estava alucinando ou alguém estava mesmo o chamando.
– Wade!
O loiro abriu os olhos e deu um longo suspiro de alívio ao encontrar Gwen. Talvez ela soubesse de algo.
– Gwen! Cadê o Peter? Você viu o Peter?! Por favor, Gwen...
A loira franziu o cenho, assustada. Wade apertava seu pulso com força e parecia completamente desesperado.
– Por Deus, Wade! O que aconteceu?
– O Peter sumiu.
– Sumiu? Como assim sumiu?
– Você viu ele, não é? Diz que sabe onde ele está!
– Eu não o vi hoje. Ele veio pra festa?
– Droga! — praguejou o loiro.
– Talvez ele tenha saído da universidade, sei lá — deduziu Gwen.
– A essa hora? Duvido — disse Wade. — Ele teria ido embora, mas ele não tá no Vórtex e muito menos na Aesir. Não está aqui também, eu revirei aquela casa inteira, e nem mesmo aqui fora!
– Já tentou ligar pra ele?
Wade fechou os olhos, batendo na própria testa.
– Pelo visto não — disse Gwen com um sorriso divertido. — Deixa que eu ligo.
Depois de alguns segundos tentando, Wade começou a se preocupar com a cara que Gwen fazia.
– E aí?
– Ele não atende.
– Está vendo? Ele sumiu!
– Estranho... já viu lá nos fundos?
– Fundos? Onde?
– Vem, eu procuro com você.
Wade seguiu a loira até a parte de trás da casa. Ali era bem escuro, mas dava para ver se por acaso Peter estivesse ali. Gwen chamou por ele algumas vezes, mas ninguém respondeu.
Wade andou pelo lugar estreito, chutando alguma coisa no chão.
– Espera aí — disse o loiro se abaixando. Ele achou um celular e quando apertou um botão, viu as chamadas perdidas de Gwen. — Gwen! Olha, o celular dele.
– Bem, ele esteve aqui então.
Wade saiu das chamadas perdidas até que as mensagens lhe chamaram a atenção. Peter havia lido suas mensagens antes de desaparecer e estava prestes a respondê-las.
"Não sei Wade, quando eu estiver pronto eu falo com você, só me deixa em paz um pouco."
– É, parece que ele não estava de bom humor — comentou a loira tentando amenizar o clima depois daquela mensagem.
– Claro que não, ele estava numa festa. E eu sou um stalker estúpido. Isso é tudo culpa minha.
– Não fala assim Wade, como pode ser culpa sua?
– Você não entende, ninguém vai entender.
– Olha, eu prometi que não ia dizer para ninguém, mas se o Peter sumiu mesmo é a única pista que nós vamos ter. Eu acho que ele está com o amigo dele.
– Que amigo? — indagou Wade, curioso.
– Um cara que usa um traje todo vermelho e parece ser um criminoso, mas o Peter insiste em dizer que ele não é.
– Peter te contou sobre isso?
– Você já sabia?
Wade deu de ombros com cara de culpado. Pelo visto Peter não havia revelado a identidade dele.
– Bem, sim... ele sou eu.
Gwen arregalou os olhos, estática.
– O quê?!
Com um suspiro cansado, Wade resolveu contar toda a verdade para Gwen. Se Peter confiava tanto nela, ele também confiaria, e ele precisava de alguém que soubesse de tudo para entendê-lo e quem sabe ajudá-lo.
– Então... você acha que ele foi sequestrado? — cochichou a loira, completamente assustada. — Nós precisamos avisar o meu pai!
– Não adianta Gwen, o Peter precisa estar desaparecido por 48 horas e eu não vou esperar todo esse tempo, o Nate é muito perigoso.
– O que ele tinha na cabeça se afastando de você depois que o cara ameaça ir atrás dele?! Quando o acharmos eu mesma mato ele!
– Exatamente!
– Fica quieto que a culpa disso tudo é sua! Qual o seu problema em sair por aí fazendo serviços sujos de bandidos?
– Não é tão ruim — disse Wade na defensiva. — Eu só sou pago pra bater em bandidos, isso é até legal.
– Pois é, é pago por outros bandidos, parabéns — disse Gwen sendo irônica. — Como você pretende achá-lo?
– Vou para os lugares onde eu costumava andar com o Nate, talvez eu encontre alguma pista — disse Wade saindo daquele lugar estreito, voltando para a festa.
– Espera, mas você vai agora? Não é perigoso?
– Eu sei me cuidar, Gwen.
– Me mantenha informada então, qualquer coisa que eu puder fazer, me avisa.
– Ok, e não conte sobre o Peter para ninguém, eu quero tentar achá-lo antes que dêem falta dele.
– Tudo bem.
Wade se afastou da festa, indo em direção à saída da universidade. Ele não dormiria até encontrar Peter.
oOo
Peter acordou sentindo um cheiro horrível. Ele abriu os olhos sentindo falta de certa claridade, o lugar que ele estava era escuro, porém dava para enxergar como as coisas eram ali. As paredes estavam descascadas e com mal odor, o chão era úmido e sujo, e ele não fazia ideia de onde estava. Talvez em algum tipo de caverna, era como se ele estivesse no meio de um corredor assustador e fedido.
Depois de algum tempo tentando entender onde ele estava foi quando ele notou estar muito bem amarrado à uma cadeira. Sua boca não estava tapada ou coisa do tipo, então Peter aproveitou para gritar por socorro. Ele gritou por muito tempo, implorou a ajuda de alguém até sentir sua garganta doer, mas ninguém vinha para ajudá-lo. Foi quando ele finalmente ouviu passos indo até ele.
– Ei! Me ajude, por favor! Eu tô preso aqui!
– Pois é, eu quem te prendi, aliás — retrucou o homem se mostrando visível ao chegar mais perto do moreno.
Naquele momento Peter sentiu medo. Ele sabia quem aquele cara era, ele era Cable, e ele já estava perdendo a esperança de ser encontrado por alguém.
– O que você quer de mim? Me tira daqui!
O homem à sua frente começou a rir, como se ele fosse algum tipo de palhaço. Peter o encarou com raiva, não ligando se o cara era todo musculoso e assustador. Nate era alto, cabelos loiros e forte. Vestia uma regata branca, calça jeans azul e tinha uma cicatriz no olho esquerdo que ia de cima da sobrancelha e descia até abaixo do olho.
– Cala a boca e me responde! — confrontou Peter.
Cable arqueou a sobrancelha, fechando a cara. Peter era petulante demais e petulância o irritava.
– Me mandou calar a boca, moleque?
Peter engoliu em seco não dizendo mais nada.
– Para um garoto com um histórico de inteligência você é bem estúpido, não é?
Cable se aproximou do moreno, o fuzilando com o olhar.
– Por que eu tô aqui?
"Slap!"
Peter sentiu uma forte dor correr por seu rosto. Cable havia lhe dado um tapa na cara.
– Eu faço às perguntas aqui — disse o loiro rondando a cadeira na qual o moreno estava preso. — Então você é o famoso Peter Parker, não é? Me diz uma coisa, você sabia que o seu namoradinho é um bandido?
– Ele é um mercenário.
– E não dá na mesma? Ele não passa de um traiçoeiro filho da mãe. Acha que a vida dele vale mais que a minha? Pois não vale. Ele não merece mais que a morte.
– E isso tudo vem de um cara que se comporta feito um mimado porque o amigo dele ganhou um pai e ele não?
– Como é que é?
– Já pensou que isso tudo não passa de inveja?
Cable fechou os punhos dando um forte soco na cara de Peter. O moreno cuspiu algo metálico vendo no chão ser seu sangue. Ele se xingou mentalmente por ter dado com a língua nos dentes, mas era tarde demais, ele havia acendido a faísca.
Cable ainda não estava satisfeito com seu trabalho, segurando a cadeira com a mão esquerda e desferindo uma série de socos no menor com a mão direita.
Peter recebia todos sem o menor preparo. Ele sentia sua cabeça girar à cada soco recebido e uma tontura descomunal chegar. Foram tantos socos que ele podia sentir cada canto inchado da sua pele, cada filete de sangue escorrendo, e cada proximidade da inconsciência invadí-lo.
Peter sentiu seu coração acelerar, assustado. Cable não estava para brincadeiras, ele era perigoso e um milhão de vezes pior que Flash Thompson. Peter começava a duvidar se sairia dali vivo até que mais uma vez ele desmaiou.
oOo
Wade passou a noite toda procurando por pistas, mas não encontrou nada. Ele voltava do galpão onde havia passado boa parte de sua vida com Cable e os demais e nem ali havia algum paradeiro de onde ele estivesse. Wade se sentou sob a calçada de uma rua, bagunçando os cabelos, aflito, enquanto procurava não pensar no que Cable faria com Peter.
(Ele vai matá-lo sabe disso, não é?)
[Ele não ousaria]
(Ele não tem medo da gente)
[Ele não pode matá-lo! Ele sabe que nós vamos matá-lo por isso!]
(É o que ele mais quer)
Wade choramingou, batendo na própria cabeça. Algo começou a vibrar em sua calça e ele viu ser o celular de Peter. Wade o pegou rapidamente achando ser Gwen querendo notícias, mas era outra coisa. Era uma mensagem de Cable.
"Sei que deve ter achado o celular dele, aqui vai um presente pra você, Wade."
O número era privado então o loiro não tinha como rastreá-lo, mas essa não era a pior notícia. Alguns segundos depois Wade recebeu outra mensagem, dessa vez um anexo de uma imagem. Wade o abriu, receoso, se apavorando ao ver o conteúdo.
A foto era de Peter amarrado à uma cadeira com o rosto todo espancado. Wade ficou paralisado com a imagem, talvez até traumatizado. Sua mente ia à mil, enquanto seu coração encontrava-se destroçado. A raiva, o ódio, o medo, a culpa, todos os sentimentos se misturavam dentro dele. Era tanta coisa a digerir que Wade estava sobrecarregado. Ao inferno todas as sessões de terapia que ele já enfrentara. A ideia de Peter morrer era o suficiente para que tudo dentro dele beirasse à insanidade. Insano. Era como ele estava agora. E ficaria para sempre se algo acontecesse à Peter.
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