Crazy Bout' You
41 Capítulo 41 - Fear
Notas iniciais
Após as aulas, Wade havia ido ao Vórtex com Peter. Os dois passaram algumas horas juntos enquanto Peter tentava estudar para uma prova. Wade encarava as feições de Peter, atento, e aos poucos ele percebia os olhos do menor pesarem. Não demorou muito até Peter apoiar a cabeça entre os braços e dormir com a cabeça apoiada em cima da mesa. Foi nessa mesma hora que Wade se levantou rapidamente da cama do moreno e começou a revirar o quarto.
As gavetas ficaram escancaradas, o armário completamente bagunçado e o quarto revirado, mas Wade não achava seu traje. Ele havia achado engraçado no começo, mas ter Peter regulando Deadpool já estava ficando insuportável. Ele havia passado muito tempo sem ser o Deadpool, e naquele dia, apesar do escândalo e da perseguição, ele se sentira bem em voltar a usar o traje.
Wade grunhiu, frustrado. Seu traje não parecia estar ali. Ele olhou para Peter atentamente como se pudesse ler a mente do moreno e descobrir onde havia escondido. Qual o único lugar ali que ele não havia procurado? Foi quando a resposta mais óbvia o atingiu no mesmo instante.
Wade se deitou no chão e procurou embaixo da cama de Peter e depois na de Harry, mas não estava lá. O loiro já começava a pensar em desistir quando, de volta à cama de Peter, observou mais atentamente a área debaixo dela. Precisamente a parte de cima, onde o colchão repousava, e lá estava seu traje, espremido entre a cama e o colchão. Wade sorriu, satisfeito, e levantou o colchão, pegando o traje e a máscara. Ele os dobrou e os escondeu dentro das próprias calças.
Peter se remexeu na cadeira, fazendo o loiro paralisar, mas ele não acordou. Wade suspirou, aliviado e carregou o menor nos braços, o deitando na cama e o deixando ali. Agora que ele recuperara seu traje, precisava sair e aproveitar a chance enquanto Peter dormia.
oOo
– Você acha que o preto fica melhor?
– Já é a quarta vez que você me pergunta isso — resmungou Sam, deitado em sua cama, com um livro praticamente colado no rosto.
– Você não responde, eu tenho que ficar repetindo.
– Tanto faz.
Chris bufou, indo até o moreno e arrancando o livro das mãos dele.
– Ei!
– Dá pra parar de ser tão nerd e prestar atenção em mim?
Sam revirou os olhos.
– Você que devia parar de ser tão narcisista e fútil. Fico imaginando como você escondeu esse seu jeitinho gay pros seus amigos homofóbicos — zombou Sam.
Chris apertou seus punhos, irritado.
– Quero ver esse seu sorriso quando eu te agarrar na frente do Osborn na festa das Bravatas.
– Você não é nem maluco de fazer isso!
– Não sou, é? Veremos.
Sam se levantou da cama, furioso, empurrando Chris que se desequilibrou um pouco.
– Qual o seu problema?! Por que quer sempre ferrar com a minha vida?! E não venha inventar de novo que gosta de mim porque eu não acredito nisso nem um pouco!
– Você acha que eu sou como você? — repudiou o loiro. — Eu queria sim ficar com você quando cheguei, mas você é sempre um grosso, irritante que adora me humilhar. Não vou ficar correndo atrás de você White, não sou o Osborn. Se você quer tanto ficar com ele, vai! Eu só falei isso pra chamar a sua atenção porque parece que você só me escuta quando eu tenho que te provocar.
– Então vamos esclarecer logo as coisas, sim? Não somos amigos, logo, não me importo com nada que lhe diz respeito — disse Sam arrancando o livro das mãos de Chris.
– E isso mostra o quão mesquinho você é, eu to tentando ser legal, mas se você quer que eu continue sendo aquele cara que te humilhou, eu posso ser. Seria bem engraçado ver a cara do Osborn te vendo me beijar na frente de todo mundo.
Sam perdeu toda a paciência que tinha, erguendo com força o joelho e acertando em cheio as partes baixas do loiro.
Chris gemeu alto, perdendo o fôlego e se encolhendo enquanto a dor se alastrava pela região. Ele levantou a cabeça, encarando Sam com uma expressão assassina.
– É bom você correr...
Sam arregalou os olhos e saiu do quarto depressa. Ele entrou em desespero quando da escada avistou Chris na porta do quarto, indo atrás dele. Sam desceu as escadas correndo, tropeçando em alguns degraus antes de chegar no andar debaixo e encontrar Hogun sentado no sofá da sala. Sam correu até ele, o puxando para que ficasse à sua frente, como um escudo.
– Mas o que tá havendo aqui? — indagou o asiático.
Sam apontou para Chris que descia às escadas com cara de poucos amigos.
– Sai da frente, Hogun, eu vou acabar com esse magrelo!
– Sem violência, Daniels!
– Ele que começou! Ele me deu um chute no saco!
Hogun suspirou, se virando para Sam.
– Sério mesmo?
– Ele me provocou! — defendeu-se Sam.
– Ele gosta! Ele quem não quer paz.
– Olha, Sam, eu tenho que concordar com ele...
– Hogun!
– O quê? Você quem não quer ao menos viver em paz. Não dá pra ficar sem falar com ele, vocês dormem no mesmo maldito quarto. Eu sei que ele é um idiota, mas faz um esforço.
Sam cruzou os braços se negando a fazer as pazes com aquele troglodita. Ele apenas deu de ombros e saiu da república os deixando para trás.
– Típico — falou Chris revirando os olhos.
Sam observou o céu escurecendo. Ele não sabia ao certo onde estava indo, só queria ficar longe de Chris. Às vezes, até ele mesmo achava que exagerava em algumas coisas, mas a raiva por Chris ia além de tudo. Além de humilhá-lo, ainda tinha parte na culpa de tê-lo feito trair Harry. Chris parecia sempre entrar em sua vida para destruí-la.
Depois de alguns minutos, Sam percebeu que estava saindo da universidade, talvez não fosse uma má ideia comer fora, porém ele só tinha nos bolsos o cartão para sair da universidade, sua carteira havia ficado no quarto.
O moreno já se preparava para voltar quando uma limusine preta parou à sua frente. Ele achara intrigante já que era uma limusine, mas resolveu não encarar por muito tempo, porém o vidro na mesma se abaixou do lado do passageiro, revelando um homem de idade, o encarando de modo analítico. Ele abriu a porta da limusine e saiu, deixando-a aberta. Sam não conseguia parar de encará-lo, achando-o familiar, ele tinha certeza que já havia visto aquele senhor em algum lugar, alguma revista.
– Você é Sam White, certo?
– Sim... — respondeu Sam um pouco assustado com o fato daquele senhor saber seu nome.
– Sou Norman Osborn.
Sam prendeu a respiração. É claro. Aquele era o pai do Harry e aquilo significava apenas uma coisa: ele estava muito ferrado.
– Eu... eu acho que é melhor eu voltar, senhor Osborn...
– Preciso falar com você, será que poderia entrar? — indagou, apontando para a porta aberta da limusine.
Sam engoliu em seco não tendo como negar. Ele entrou no veículo sendo seguido pelo mais velho.
O som da porta se fechando lhe causou certa claustrofobia. Sam olhou para Norman, que lhe encarava de volta de modo analítico, fazendo-o sentir um extremo desconforto.
– Então é você o novo brinquedinho do Harold?
Sam arqueou a sobrancelha, surpreso com o tom de voz superior de Norman, mas ele não podia esperar outra coisa vinda de um pai preconceituoso.
– Não sou o brinquedinho de ninguém, senhor.
– Então não devo me preocupar com você?
– Creio que não.
– Meio tarde pra isso, não acha? Vocês dois estão em revistas e jornais por toda a cidade. Veja bem rapaz, meu filho é o herdeiro de toda a Oscorp e ter um romance com um... homem... vai manchar uma imagem de anos sendo construída.
– Sinceramente, senhor, eu não vejo o problema aqui. O que a imagem da Oscorp tem a ver com a vida amorosa e sexual do seu filho? Não é como se todos saíssem por aí divulgando sua vida íntima, o senhor é um homem poderoso, mas não um artista. Pode ser no máximo classificado uma subcelebridade.
– É claro que não tenho minha vida íntima espalhada por aí, olhe para mim garoto, já estou velho. E sou muito discreto ao contrário de Harold que adora chamar a atenção. Acha mesmo que ele não faz isso de propósito?
– Sei que ele faz de propósito, mas dessa vez é para chamar a sua atenção. Ele só está querendo dizer ao senhor que ele é gay e o senhor não pode fazer nada para mudar isso.
– Meu filho não é gay — disse Norman num tom neutro. Apesar de detestar a ideia, Norman não gostava de perder a compostura.
– Ah não, um equívoco meu, seu filho é bissexual.
Norman suspirou, vagarosamente, como um mantra.
– O senhor não parece bem, senhor Osborn, quer que eu saia? — indagou Sam querendo se livrar logo daquela situação. Sam sabia que Norman queria falar mais algumas coisas e começava a pensar em dizer logo a verdade. Que ele e Harry já não tinham mais nada um com o outro.
– Quanto você quer? — disse Norman por fim.
– O quê?
– Perguntei quanto você quer. Sei que estuda aqui por conta de uma bolsa integral. É um aluno exemplar, Sr. White, posso pagar para que estude em Harvard, posso comprar uma casa para a sua família, se quiser um carro também, pode tê-lo. Qual o seu preço?
– Está tão desesperado assim para que seu filho se afaste de mim?
Norman abriu a boca para falar algo, mas a mão de Sam bateu contra o banco com força, fazendo-o se calar.
– É bom que saiba que seu filho nunca vai parar. Se eu sair da vida dele haverão outros, acredite, eu já vi acontecer. Harry acabou de descobrir uma coisa nova, não vai ser tão cedo que ele vai olhar para uma mulher de novo, então sugiro que o senhor esteja disposto a gastar toda a sua fortuna comprando os namorados do seu filho. E aliás, a minha resposta é não, estou bem onde estou.
Sam abriu a porta da limusine, saindo com cara de poucos amigos. Ele podia sentir seu sangue percorrendo quente por suas veias, a raiva se alastrar pelo seu corpo, estava disposto até a agredir alguém. Ele entrou na universidade sem olhar para trás, mas estava feliz, pois sabia que havia surtido algum efeito em Norman.
oOo
A cidade de Nova York nunca parecera tão iluminada aquela noite. Depois de uma ronda por alguns quarteirões, Deadpool subiu até o telhado de um supermercado e ficou por ali, contemplando a vista.
Em seu bolso ele podia sentir seu celular vibrar pela quinta vez. Ele sabia que era Peter, já fazia uma hora que o moreno ligava pra ele. Ele lera três mensagens das quais Peter parecia extremamente zangado. Primeiro por ele ter bagunçado o quarto do menor e não ter arrumado. Segundo por ele ter pego o traje e saído escondido. Wade sabia que quando voltasse para Columbia ele estaria muito ferrado, mas tentou não pensar muito nisso, deitando-se no chão e apoiando a cabeça nas palmas das mãos.
Deadpool não podia reclamar do desconforto do chão. O céu estava bonito e o barulho dos carros eram como um sopro de vida. Para tudo estar perfeito só faltava extorquir o dinheiro de alguém, voltando com seu trabalho de mercenário.
– Que saudade de um pouco de ação — suspirou.
– Então cheguei na hora certa — respondeu uma voz. Uma voz sarcástica e maliciosa, com um toque de fúria. Uma voz familiar.
Deadpool se levantou imediatamente, tocando no coldre em sua cintura por precaução, mas mesmo que fosse ágil, seria difícil demonstrar naquele momento. Era assustador e chocante demais encarar a figura há poucos metros dele.
– O que faz aqui? — indagou, rapidamente.
– Eu esperava uma recepção mais calorosa — disse Cable, aproximando-se.
Ele vestia o mesmo traje de sempre. Uma calça preta junto de uma jaqueta de couro preta, provavelmente cheia de armas afiadas nos bolsos de dentro. Ele também possuía um coldre com uma arma, mas Wade percebeu que agora ele carregava utensílios destrutivos dentro de um cinto que usava.
– Por que voltou?
– Vou te contar uma história, Wade — disse Cable, andando vagarosamente de um lado para o outro. — Eu estava no Texas, fiquei lá depois de fugir daqui. Tive uma boa vida, não larguei meu jeito de viver, aliás peguei gosto pela coisa. No Texas quando você faz cúmplices, amigos, eles são leais — enfatizou a última palavra.
– Nate...
– Cala a boca, não terminei — disse Cable de modo grosseiro. — Como eu ia dizendo, eu estava muito bem lá, tão bem que havia até mesmo esquecido a raiva que eu tenho de você, mas eu tive uma péssima notícia um dia desses. Lembra do Jack, não é?
Deadpool afirmou, não dizendo nada a respeito. Jack apesar de grosseiro e rabugento, era o braço direito de Cable antes dele, e mesmo depois de virar o "favorito" de Cable, Jack o tratava bem, sem ressentimentos. Havia apagado da memória a lembrança que tinha de seus antigos amigos, ou enlouqueceria ainda mais. Não era bom lembrar que todos eles estavam presos e ele solto. Wade sentia como se estivesse os traindo todos os dias de sua liberdade.
– Fiquei sabendo que ele morreu. Na verdade ele foi assassinado por outro detento, mas isso não importa mais, ele está morto.
– Eu... eu não sabia...
– É claro que não, você deletou todos eles dessa sua mente maluca, não é? E de qualquer jeito, o "papaizinho" não lhe diria nada a respeito.
Wade apertou os punhos, ficando com raiva de toda a culpa que Nate queria empurrar em cima dele.
– Vai me dizer que isso é culpa minha agora? Sou eu o culpado por termos sido presos, por acaso?
– A morte de Jack despertou a raiva que eu sempre tive de você, Wilson. Me fez refletir sobre aquela noite em que fomos presos. Jack não se sentia seguro aquela noite e ele nunca havia se sentido assim, mas mesmo assim eu fui cego e segui com o plano. Plano que nós dois criamos, aliás. Eu nunca devia ter dado o lugar do Jack à você, seu traidor de merda.
– Se Jack morreu a culpa é toda sua! Se eu ferrei tanto com a sua vida assim, adivinha? A culpa continua sendo sua, seu babaca.
Deadpool sabia que com aquilo já devia ficar alerta e não foi diferente. Cable correu até ele, a fim de dar lhe um soco na cara, mas o soco foi desviado por pouco e Deadpool deu uma rasteira em Cable que caiu, mas logo pôs-se de pé num impulso, acertando em cheio o estômago de Deadpool.
Wade sentiu seu ar lhe faltar e se afastou um pouco de Nate para respirar. Nate não deixou que Wade recuperasse o fôlego, dando um golpe no joelho dele, fazendo-o se ajoelhar.
Wade sentiu sua máscara sendo retirada e um forte soco atingir seu nariz. Ele podia sentir o sangue quente escorrer por sua pele e sua visão embaçar. O loiro tentou levantar-se ainda assim, mas Nate não deixou, segurando seus cabelos com força e os puxando, fazendo-o gemer de dor.
– Eu vou acabar com você, Wade, mas não se preocupe, não será diretamente em você, isso seria fácil demais. Eu andei te observando, sabe? Belo rapaz o seu namorado, como é mesmo o nome dele...?
Wade arregalou os olhos, em fúria, atingindo com força o rosto de Cable.
– Fica longe dele! — gritou Wade levantando-se e voltando a dar golpes.
Nate se defendia de todos com um sorriso perverso nos lábios. Sabia que havia atingido o loiro em cheio usando o garoto. Nate deu um chute no tornozelo de Wade, fazendo-o cair mais uma vez.
– Sabe... nunca pensei que fosse desses, você é realmente um esquisitão, mas esse não é o caso. Vamos falar do Peter, ou deveria dizer... Petey? — sorriu Nate.
Wade rosnou, tentando se soltar de Nate que segurava seus braços e pisava em seu pé direito. Ele ficou de frente para si, cara a cara, fitando-o cheio de fúria.
– Eu vou destruir o que você mais ama, está me ouvindo? Eu vou acabar com a vidinha que você construiu.
Wade cuspiu no rosto de Cable, que apesar dignou-se a sorrir antes de acertar com força um golpe contra a cabeça do loiro, o deixando inconsciente.
Quando Wade acordou já era de manhã. Ele continuava no teto do supermercado e sua cabeça doía pra valer. Ele se levantou com dificuldades sentido seu corpo todo dolorido, pegou o celular e viu pelo reflexo o sangue seco cobrir todo o seu nariz. Wade pegou a máscara do chão e trocou de roupa antes de ir o mais rápido possível para a universidade. Precisava se certificar de que Peter estava bem.
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