Crazy Bout' You
31 Capítulo 31 - Howl
Notas iniciais
– Por que todo mundo fez uma rodinha lá fora? — indagou Ian observando tudo pela janela.
– É o que eu to tentando dizer! — esbravejou Peter, impaciente.
– Peter, calma, fala logo o que tá acontecendo — disse Loki.
– Wade e Matt estão se matando lá fora!
– O quê?! — exclamou Sam.
– Ah, essa eu não perco! — falou Harry saindo da república apressado.
Todos os outros foram atrás de Harry e, com dificuldades, abriram passagem entre os estudantes.
A imagem era assustadora. Os dois estavam no chão, os óculos de Matt já se encontravam jogados longe e, acima do olho esquerdo e no nariz do moreno, já estava sangrando. Wade também não estava em seu melhor estado, com a boca cheia de sangue e o olho direito bem roxo, mas, naquele momento, era quem estava com a melhor; em cima de Matt, apertando seu pescoço numa tentativa de enforcamento.
– Vai lá, Wade! — gritou Harry, empolgado, mas assim que olhou para o lado e viu Peter lhe encarar de modo assassino, calou-se.
Loki e Hogun foram os primeiros a correrem até Wade, tentando separá-lo de Matt, logo depois Foggy também tentou ajudar, mas era impossível. Wade estava completamente fora de si e Peter sabia que ele seria capaz de matar Matt.
Peter observou Matt fechar os olhos aos poucos e, desesperado, entrou no meio da confusão, se ajoelhando e colocando as duas mãos no rosto de Wade, o fazendo o encarar.
– Wade, olha pra mim!
Wade desviou o olhar insano de Matt para encarar Peter, acalmando-se gradativamente.
– Petey...
– Larga ele, Wade.
– Mas...
– Larga o Matt — disse Peter num tom autoritário.
Wade afrouxou o aperto no pescoço de Matt, que deu uma longa aspirada, respirando fundo, aliviado.
Peter tocou nos braços de Wade os fazendo se afastar de Matt, mas assim que Matt ficou livre, deu um forte chute na cara de Wade, que caiu zonzo.
– Matt! — falou Peter num tom de reprovação.
– Eu vou levar ele de volta — disse Hogun ajudando um tonto Wade a se levantar.
– Eu não quero... ir... — disse Wade piscando os olhos várias vezes, tentando fazer tudo parar de girar.
– Você vai sim, e vai agora — ordenou Hogun, puxando-o para longe de todos, em direção da Aesir.
Peter pegou o óculos de Matt do chão e o ajudou a levantar.
– Você tá bem?
– Não muito — confessou Matt fazendo uma careta pelos machucados que ardiam.
– Vem, eu vou te ajudar — disse Peter.
Loki franziu o cenho, observando completamente confuso Peter levar Matt para dentro da república.
– Ele não devia ir atrás do Wade? — indagou.
– Esse é o "efeito Murdock", era disso que eu tava falando — disse Harry de cara fechada. — Ele não vê ninguém além desse idiota.
– Você sabe muito bem porque o Peter não vai atrás do Wade — disse Sam em defesa de Peter.
– E daí? Isso não justifica essa proteção ridícula que ele tem pelo Murdock.
– Bem, acho que isso estragou a festa — disse Sam olhando em volta. Todos chochichando baixo uns para os outros.
– Nem pensar — falou Harry. Fez sinal para o DJ, que havia parado a música, continuar a festa e logo as batidas da música eletrônica voltaram. — Tá tudo bem, pessoal! Festa sem briga também não é festa!
Na cozinha do Vórtex, Peter fuçava a caixa de primeiros socorros em busca de algodão, enquanto Matt estava sentado numa cadeira.
– Onde você aprendeu aquilo? — perguntou Peter.
– Eu te disse, faço box.
– Mas você...
– Eu não sou mais aquele garoto indefeso que você conheceu, Peter.
– Tô vendo — disse Peter por fim.
Matt sentiu o algodão com um líquido gelado passar por seu nariz e perto de seu olho. Peter tentava passar com cuidado, mas mesmo assim ainda ardia bastante.
– Desculpe por bater no seu namorado.
– Tudo bem, você tentou me ajudar, mas aquele chute foi realmente desnecessário.
– Às vezes eu me empolgo — comentou Matt dando de ombros.
Peter continuou a cuidar dos ferimentos de Matt calado. Era um pouco estranho vê-lo sem os óculos, desde sempre Matt os usava e não removia para nada, pelo menos na escola. Ele tinha um rosto bonito, na opinião de Peter, e os olhos desfocados o deixava com uma aparência vulnerável e angelical. Era incrível como ele ficava bem mais maduro com os óculos. Vai ver era por isso que ele usava.
– Pronto, não acho que vá precisar de band-aid, mas pode ficar roxo depois.
– Obrigado.
Peter encarou Matt por mais alguns instantes, curioso em saber mais sobre aquelas novas habilidades em luta.
– Você quer perguntar alguma coisa.
– Sim — rendeu-se Peter -, eu queria saber se você já... bateu em outras pessoas antes.
– Se já me meti numa briga? Já, algumas vezes. Sinceramente eu tô bem frustrado agora porque eu costumo ganhar.
– Não imagino te ver ganhar. Sem ofensas, mas, cara, eu te protegia das pessoas.
– Admita Peter, você me adotou. Não me deixava chegar perto de ninguém — riu Matt.
– Se você esbarrasse em alguém, ainda mais no Flash, você estaria morto — defendeu-se Peter cruzando os braços.
– Você nem imagina as coisas que eu já fiz. Tenho o mesmo temperamento que o seu namorado na hora da briga.
– Wade ia te matar — disse Peter num tom sério.
– Eu também sei matar, Peter.
– Olha, já chega, eu não tô gostando desse papo — falou Peter, incomodado. — Quer que eu acredite que você agora é um assassino?
– Não chega a tanto, só estou dizendo que é difícil manter o controle e que eu sempre tenho uma certa sede de sangue. Quero dizer que eu não preciso da sua proteção.
– Ah, entendi, tá chateado que eu impedí o Wade de te matar? Desculpe por você ainda estar vivo então! — disse sarcástico.
– Esqueci do quanto você era dramático.
– Eu não sou dramático — bufou Peter.
Matt riu, fazendo uma careta logo em seguida, depositando a mão no abdômen.
– Tá machucado aí também?
– Não é nada, ele só me deu um soco aqui.
– Deixa eu ver — disse Peter levantando parte da camisa de Matt sem cerimônias, encontrando uma região roxa e um corte com filete de sangue no meio do peito. — Tem certeza que foi só um soco?
– Um arranhão também — completou Matt, sorrindo torto.
– Levanta os braços — falou Peter, autoritário.
Matt obedeceu, sentindo sua camisa subir e passar por sua cabeça até que saísse de seu corpo.
Peter prendeu a respiração ao ver o corpo de Matt. Não porque a situação estivesse feia, muito pelo contrário, aquele não era nem de longe o corpo que o Matt que ele conhecia tinha. Ele estava mais musculoso, mais definido. Os gomos do abdômen eram perfeitamente distribuídos e os braços eram bem delineados, com cada músculo no lugar certo. Peter piscou algumas vezes, tentando parar com aquela distração e começando a passar o algodão em cima do corte de Matt.
Matt podia ouvir a respiração desregulada de Peter e um certo desconforto vindo dele. Será que era por ele estar sem camisa?
– Peter, você não parece bem.
– E-eu tô ótimo, já vou acabar aqui.
Peter terminou com o algodão, pegando uma pomada e começando a passar na região roxa do abdômen de Matt. Ele engoliu em seco ao tocar na pele quente do amigo, massageando a região definida.
Matt ficou paralisado com os músculos rijos, enquanto a mão de Peter passeava por seu abdômen. Ele podia ouvir os batimentos meio acelerados de Peter e aquilo o deixava ainda mais nervoso. Não por se sentir desconfortável com aquilo, mas por se sentir bem até demais, não era uma coisa normal de se sentir. Ele não queria sentir aquilo de novo, não por Peter, ele era seu amigo.
Peter parou com a massagem, guardando a pomada na caixa de primeiros socorros e a fechando. Ele olhou para Matt que ainda mantia aquela expressão angelical, com a diferença de que agora os lábios estavam entreabertos. Peter observou Matt umidecê-los com a língua, meio hipnotizado com o processo.
Matt ficou em silêncio, sentindo o olhar de Peter pesar sob si. Ele sabia que aquilo podia arruinar a amizade deles, mas as coisas já estavam estranhas mesmo. Matt se levantou e sentiu Peter fazer a mesma coisa. Ele ergueu a mão até que tocasse na bochecha de Peter, sentindo a região muito quente, provavelmente ele estava morrendo de vergonha.
Peter sentiu sua respiração ficar descompassada assim que Matt deu um passo à frente, colando seu corpo ao dele e tudo o que Peter podia ver eram os lábios entreabertos de Matt. Ele fechou os olhos, deixando que Matt prosseguisse e logo sentiu a boca do amigo encostar na sua.
Matt o beijou por fim, segurando os braços de Peter e o encostando contra a parede mais próxima. Peter levou as mãos até a nuca de Matt, entreabrindo os lábios para que as línguas se encontrassem.
O beijo era bom, Peter tinha de reconhecer, mas ele começou a sentir um peso, tanto em seu coração quanto na consciência. Ele estava traindo Wade. Provavelmente naquele momento, Wade devia estar se sentindo muito culpado pelo que fez e ele estava ali, dando a razão para o motivo do ciúmes do namorado.
Peter sentiu Matt morder seu lábio inferior da mesma maneira que Wade fazia e, de repente, ele se imaginou naquela situação com o loiro. Não era mais Matt quem estava ali. Peter puxou os fios da nuca de Matt como fazia com Wade e conduziu aquela loucura com sua mente em outra pessoa.
Matt se surpreendeu com a repentina ousadia de Peter e aquilo lhe lembrava quem ele tanto queria esquecer naquele momento, mas era inevitável não imaginar como seria. Matt apertou a cintura de Peter com as duas mãos, tornando o beijo ainda mais feroz, sugando os lábios de Peter com vontade e o apertando contra a parede, enquanto imaginava outra pessoa ali, no lugar de Peter.
Assim que Matt demonstrou mais excitação naquilo, Peter teve um momento de lucidez, afastando-se de Matt, confuso.
Matt deu um longo suspiro, desacreditando na idiotice que havia feito.
– Peter, me desculpe... eu...
– Não, eu quem tenho que me desculpar — respondeu Peter pondo as mãos em seus fios, os puxando em desespero. — Não devíamos ter feito isso.
– Eu sei.
– Eu tô com o Wade, Matt, e eu não pretendo terminar com ele.
– Eu sei, eu não espero nada de você.
– Matt, desculpe, eu... eu estava pensando no Wade.
Matt deu um riso fraco, tanto em alívio quanto em certo desgosto por ter feito a mesma coisa.
– Eu também.
– O quê?
– Eu estava com outra pessoa na cabeça, Peter.
Peter pronunciou um "oh", de certa forma aliviado em saber que Matt não era afim dele, mas também curioso em saber quem era essa tal pessoa.
– Quem?
– Eu não quero falar sobre isso — murmurou Matt. — Eu... eu acho que eu já vou embora.
– Não! Não vai — pediu Peter. — Fica, por favor.
Matt assentiu, rendendo-se. Ele vestiu sua camisa e pôs seus óculos. Ele e Peter foram para fora da república, andando pelo Campus nas partes mais distantes de toda aquela festa. Peter não ousou procurar saber sobre quem Matt havia imaginado em seu lugar, mas aquilo ficou martelando em sua mente. Ele ficara realmente curioso.
oOo
Do lado de fora, na festa, Sam bebia uma tequila enquanto observava com uma carranca Harry dançar com Mary Jane.
– Tem certeza que o seu namorado não tá por aqui, né? — indagou Harry olhando para os lados pela quarta vez.
– Sim — riu a ruiva revirando os olhos -, ele não quis vir e eu também achei que ele não devia.
– E ele te deixa sair sozinha assim? — perguntou Harry arqueando a sobrancelha.
– Eu sei cuidar de mim, sabia? — comentou a ruiva pondo as mãos na cintura. — E ele não manda em mim, sem contar que ele não tem mais moral pra nada depois do que fez com o Peter, eu quase terminei com ele.
– E não terminou por quê?
– Eu amo ele, Harry.
– Você é doida, mulher.
Mary Jane riu, balançando a cabeça em negação. Ninguém a entendia quando ela dizia isso às pessoas, mas era sempre cômica a reação delas. Era como se ela fosse uma perdida ou algo do tipo, mas ela sabia muito bem onde estava se metendo.
– Doido é você por deixar seu acompanhante sozinho. Ele tá me olhando como se fosse me matar — disse a ruiva encarando Sam com certo medo.
Harry olhou na direção de Sam, se xingando mentalmente por ter feito aquilo, mas Sam quem disse não querer dançar, a culpa não era dele.
– É melhor eu ir — falou Harry engolindo em seco.
Sam estava encostado à mesa de bebidas, olhando para outros estudantes enquanto Harry chegava perto dele. Ele fingiu não notar que Harry vinha, continuando a beber sua bebida.
– E aí, já tá bom de trevas e solidão? — indagou Harry de modo divertido.
Sam olhou para ele indiferente.
– Devia ter ficado lá com a sua amiga.
– Tá bravinho, tá? — brincava Harry, fazendo bico.
Sam ameaçou jogar sua bebida em cima de Harry, que se abaixou na defensiva.
– Ei! Foi mal! — riu Harry, pegando o copo das mãos de Sam e bebendo o restante da tequila.
– Ei! — protestou Sam, cruzando os braços.
Harry depositou o copo em cima da mesa e abraçou Sam por trás, envolvendo a cintura dele com seus braços e encostando o queixo no ombro dele.
– Demonstrações de afeto não vão te livrar.
– Ah, nem vem, você quem não quis dançar comigo — reclamou Harry balançando Sam conforme a batida eletrônica.
– Eu odeio dançar — disse Sam o fazendo parar com aquilo.
– Mas que emburrado, hein? — caçoou Harry mordendo o lóbulo da orelha de Sam. — Tá merecendo uma lição.
– Você quem está merecendo uma.
– Samuel White, você tá com ciúmes da Mary Jane? — indagou Harry sorrindo divertido.
Sam se soltou do abraço de Harry, emburrado.
– Não, Harold, eu estou muito bem, até por quê, não temos nada.
– Nossa, essa doeu — disse Harry, sem resquício de brincadeira na voz.
– Foi mal — suspirou o moreno.
– Não, isso vai te custar uma ida até o quarto comigo.
– Ah, nem pensar! — repudiou Sam. — Sei bem onde isso termina.
– Tô falando sério, vem comigo — disse Harry segurando a mão de Sam e o puxando para dentro da república.
Sam andava às pressas, tropeçando pela rapidez de Harry em levá-lo, mas quando estavam perto da escada Sam puxou a mão, nervoso.
– Harry...
– Eu só quero ficar sozinho com você, não precisamos fazer nada que você não queira.
– Acontece que você é muito persuasivo — disse Sam.
– E você bastante resistente, quer apostar quem ganha?
Harry sorriu de modo malicioso, fazendo Sam engolir em seco. Harry percebeu que fizera Sam praticamente paralisar ali, e logo postou-se em frente do moreno, dando um selinho demorado seguido de uma mão boba na região da virilha que fizera Sam grunhir, vencido.
Sam subiu às escadas logo atrás de Harry, que seguiu em frente ultrapassando o próprio quarto até chegar no último do corredor. Sam olhou confuso para o outro.
– Loki deixou eu ficar com o quarto dele hoje.
– Planejou isso? — questionou Sam arqueando a sobrancelha.
– Claro, tô doido pra tirar sua virgindade.
Sam deu um forte tapa no braço de Harry, fazendo o outro gemer de dor e rir logo em seguida.
– Calma, cara, foi brincadeira. Mais ou menos — sussurrou as últimas palavras.
Sam revirou os olhos, entrando no quarto assim que Harry abriu a porta.
– Eu tenho uma coisa pra te falar — disse Harry trancando a porta e se virando para Sam.
– Ainda gosta dela, não é? — falou Sam indo direto ao ponto.
– O quê? Não — riu Harry negando com a cabeça. — É outra coisa, mas é bem importante, eu preciso que você pense muito antes de me responder.
– É sobre sexo?
– Tentador, a gente volta nesse assunto depois, mas é outra coisa.
– Então fala logo! — exclamou Sam, perdendo a paciência.
Harry respirou fundo, se aproximando de Sam e segurando as duas mãos dele.
– É um pouco estranho dizer isso, eu nunca disse pra ninguém, mas eu quero muito que seja você, então lá vai. Sam... você aceita namorar comigo?
Sam arregalou os olhos tirando suas mãos do aperto das de Harry.
Harry ficou inquieto e muito nervoso com a reação de Sam. O moreno ficou paralisado o encarando com certa incredulidade. Será que ele deveria ter pedido de outro jeito? Harry continuaria deduzindo em sua mente outras formas de tê-lo pedido em namoro, mas logo uma mão chocou-se contra sua face com força.
Sam sentiu sua própria mão arder pelo tapa dado na cara de Harry, mas foi automático.
– Tá fazendo isso pra transar comigo? — rosnou o moreno com a voz visivelmente afetada.
– O quê...? Eu... não! O quê? — dizia Harry, ainda confuso pelo tapa recebido.
– Então você fez uma aposta.
– Sam! — exclamou Harry, incrédulo.
– Eu não vejo outro motivo!
– Quando você vai se tocar de que eu amo você?! — berrou.
Sam deu um passo para trás como se tivesse levado um soco, e era como ele se sentia naquele momento. Era surreal ouvir aquelas palavras de Harry Osborn. Sua mente lutava pelos contras daquela declaração, mas só haviam prós. Eles estavam há um bom tempo ficando, Harry já poderia ter feito o mesmo que Chris fez com ele, então para quê um pedido de namoro? Ainda mais seguido de um "eu te amo". Harry Osborn o amava.
– É sério? — indagou Sam ainda chocado.
Harry pôs as mãos no rosto, impaciente.
– Todo esse tempo juntos e você ainda duvidava de mim — suspirou Harry. — Você é mesmo um imbecil.
– Não tá meio cedo pra tirar essas conclusões? — perguntou Sam, ainda garantindo.
– Não, não está. Eu amo tudo em você, até essa sua pouca fé à meu respeito.
– Você é maluco — disse Sam abrindo um sorriso abobado.
– Você me deixa assim.
Sam se aproximou de Harry, selando seus lábios aos dele num beijo apaixonado. Harry envolveu a cintura do moreno com força, enquanto sentia as mãos de Sam passearem por seu cabelo. Assim que Harry finalizou o beijo, ele encostou sua testa na de Sam, abrindo um sorriso.
– Então isso é um sim?
– É — sorriu Sam. — Desculpe pelo tapa.
– Sem problemas, o que é um pedido de namoro sem uns tapas, né?
Sam abraçou Harry afundando seu rosto na curva do pescoço dele, sentindo o perfume dele.
– E o que a gente faz agora? — indagou Sam com a voz abafada.
– Sei lá, quer voltar pra festa?
– Nem pensar — disse Sam fazendo Harry sorrir.
– Quer dormir?
Sam franziu o cenho, erguendo a cabeça e olhando sério nos olhos de Harry.
– Jura? Não vai começar a se insinuar nem nada?
Harry deu de ombros, fingindo inocência.
– Sou um cara comprometido agora, sabe.
– Nossa, se eu soubesse que namorar com você te faria calar a boca eu teria feito isso antes — zombou.
– Palhaço. É que eu não quero que você pense que eu te pedi em namoro pra isso. É claro que eu tô doido pra te jogar naquela cama, mas do jeito que você é paranoico...
– Eu não sou paranoico — enfatizou.
Harry arqueou a sobrancelha em desafio, começando a andar até a cama, guiando Sam até a mesma e o deitando sob ela.
Sam respirou fundo, tentando se concentrar no fato de que ele também queria aquilo, ele tinha medo, mas ele queria Harry naquele instante, naquele momento em que ele finalmente soube que Harry queria muito mais dele. Ele estava pronto.
Harry ficou por cima de Sam, distribuindo beijos e mordidas por toda a região do pescoço do moreno. Sam arqueou as costas assim que sentiu as mãos geladas de Harry passarem por suas costas debaixo da camiseta, para logo em seguida trilharem por sua barriga e peitoral. Ele levantou os braços assim que sentiu Harry levantar sua camiseta e o deixou tirá-la rapidamente.
O loiro continuava a atacar o pescoço de Sam, chupando e mordendo forte até deixar marcas bem vermelhas que com certeza dariam o que falar se descobertas. Harry baixou seus lábios até o peito de Sam, mordendo de leve o mamilo esquerdo dele, fazendo-o arfar. Não era uma sensação dolorosa como Sam imaginara, os dentes e a língua de Harry faziam um ótimo trabalho, estimulando a região sensível de seus mamilos, revezando entre um e outro.
O som do zíper da calça sendo aberto deixou Sam mais inquieto, sentindo suas próprias calças sendo retiradas lentamente. Harry retirou os tênis e as meias de Sam no processo, parando um pouco para observá-lo.
O corpo de Sam era magro, sem muito o que um corpo masculino viril poderia oferecer. Ele não tinha músculos e nem gomos, nem mesmo pêlos ele tinha. Talvez seria uma visão decepcionante para uma mulher, mas para Harry ele estava perfeito. A pele pálida e convidativa, os fios negros que se destacavam, os lábios finos, tudo. Ele usava uma cueca box cinza que caía perfeitamente nele, as mãos do moreno desceram até o próprio membro, ajeitando algo que fez Harry dar um riso abafado. Provavelmente ele estava morrendo de vergonha por ser observado.
Sam observou Harry retirar a camiseta dele também, a jogando no mesmo canto do quarto onde a sua fora parar. Ele retirou os sapatos com os pés, jogando-os de qualquer jeito no chão, e abaixou as calças tão rápido que Sam começava a sentir certo medo da selvageria de Harry. Ele era um lobo pronto para o abate.
Harry abaixou-se, cravando os dentes no peito de Sam, começando a descê-los devagar, enquanto suas mãos se enchiam com as nádegas do moreno, afundando as unhas nelas. Sam gemeu com a dor, sentindo Harry umidecer seu umbigo com a saliva, chegando enfim à região da virilha.
Harry abaixou a cueca de Sam, lambendo os próprios lábios em expectativa. Sam fechou os olhos com o contato do elástico da cueca em seu membro já rijo, mas conteve um gemido, sentindo-se completamente exposto ao ficar finalmente nú na frente de Harry.
Sam ouviu Harry grunhir, impaciente, e sentiu o peso do outro sair de cima dele. Ele abriu os olhos vendo aquela cena completamente hipnotizado. O loiro ficou de pé, abaixando a cueca e revelando finalmente seu membro já duro. Tudo foi numa velocidade normal, mas para Sam era como se fosse em câmera lenta. O corpo de Harry também era magro, apesar de possuir mais músculos que o dele e o membro era bem maior do que ele imaginava. Sam ofegou, eufórico.
Harry voltou para cima da cama, se acomodando em cima de Sam. Ele abriu as pernas do moreno se encaixando melhor naquela posição. Sam retirou seus óculos, o colocando em cima da cômoda ao lado e logo sentiu os labios de Harry contra os seus.
O menor gemeu ao sentir os quadris de Harry irem de encontro ao seu, com os membros chocando-se um no outro num frenesi. Sam podia sentir o quão duro Harry estava, assim como ele que se movimentava contra o maior no mesmo ritmo. O beijo era quente e violento, as línguas sedentas uma pela outra excitavam o moreno de um modo que o enlouquecia, nunca ficara tão excitado daquele jeito. Foi então que sentiu seu orgasmo à caminho, enquanto seu membro apertava-se contra o de Harry.
Harry começou a masturbar Sam com a mão esquerda, enquanto com a direita, levou dois dedos até a boca do moreno, o fazendo chupá-los e Sam extasiado com a mão habilidosa de Harry, os chupou com destreza. Harry sentiu o próprio membro latejar com a cena, mas concentrou-se em seu objetivo.
Assim que seus dedos ficaram bem lubrificados com a saliva do moreno, Harry abriu bem as pernas de Sam, levando os dedos até a entrada dele. O moreno grunhiu, incomodado, apesar de Harry colocar apenas um dos dedos, aquilo era bem desconfortável.
Harry percebeu o desconforto do menor, acelerando sua mão com a masturbação. Sam passou a gemer, extasiado, e Harry aproveitou o momento para introduzir todo o seu dedo dentro dele, movimentando-o lentamente.
Apesar de sua entrada sendo violada, Sam não conseguia concentrar-se na dor dela e sim no orgasmo que estava prestes a ter. A mão de Harry ia cada vez mais rápido e seu pré-gozo melando e facilitando os movimentos tornavam tudo mais excitante. Sam apertou os dedos do pé, dando um gemido alto ao sentir uma fisgada na barriga e suas pernas amolecerem, o êxtase dominando-o, e por fim derramou-se na mão do outro.
Harry retirou seu dedo de dentro de Sam, usando agora sua mão esquerda lubrificada com o gozo para facilitar as coisas. Ele introduziu dessa vez dois dedos, explorando o interior do moreno e lubrificando o máximo possível ali.
Depois de um tempo, assim que os dedos de Harry o deixaram, Sam prendeu a respiração sabendo o que viria a seguir. Ele observou Harry levantar sua perna esquerda até alcançar o ombro, apoiando-a ali, e logo pegar o próprio membro e posicioná-lo em sua entrada.
Harry olhou nos olhos de Sam verificando se estava tudo bem e viu Sam assentir para ele, permitindo. O loiro sorriu e aproximou-se, dando um selinho no moreno antes de empurrar-se contra ele.
Era doloroso, como se não fosse certo fazer aquilo. Sam sentiu seus olhos embaçarem, lacrimejando, mas toda a dor foi automaticamente suportável assim que ele observou o rosto de Harry. Os olhos estavam fechados, a boca entreaberta e um gemido satisfeito saiu dela. Parecia ótimo pra ele e Sam não estragaria aquilo.
Harry empurrou mais um pouco até estar completamente dentro de Sam, era quente e apertado como imaginara. Viu um certo brilho nos olhos de Sam, que pareciam ser lágrimas, talvez não estivesse bom para ele, pensou. Harry desistiu de ser tão cuidadoso, afinal aquilo parecia apenas prolongar a dor de Sam e ele logo se mexeu, movimentando seu quadril.
Sam retirou sua perna de cima do ombro de Harry, abrindo-as sob a cama e trazendo o maior para mais perto de si, buscando os lábios dele.
Harry correspondeu ao beijo com volúpia, estocando com mais rapidez. Seu membro latejava dentro de Sam, implorando por velocidade e ele passou a ir mais fundo, mais rápido.
Sam gemia entre o beijo, totalmente entregue e numa daquelas fundas estocadas, ele sentiu um prazer indescritível dominá-lo. Sua mente nublou junto com o calafrio que percorreu seu corpo, e sentiu o peito pesar antes de gemer:
– Aah! Harry...!
Harry mordeu o lábio inferior de Sam com um sorriso malicioso nos lábios.
– Você vai ver estrelas, Sammy — sussurrou.
Sam sentiu mais uma vez o pênis de Harry ir de encontro à ele, atingindo sua próstata mais uma vez, e mais outra, e mais outra. Sam arranhava com fervor as costas de Harry, movimentando-se junto, enquanto gemia enlouquecido.
– Ha-arry... a-aah...
Harry estocava com força, extasiado com as sensações e principalmente com os gemidos de Sam. Ouví-lo gemer seu nome era o que mais o excitava, saber que quem o fazia gemer daquele jeito era ele, e só ele.
Sam mordia o interior de seus lábios, contendo seus gemidos que ficavam cada vez mais altos. Os de Harry, apesar de serem mais grossos e extasiados, não eram tão altos quanto, e aquilo podia chamar a atenção de alguém que estivesse no andar de cima.
O calor do sexo era evidente, os corpos já se encontravam suados e Harry podia sentir que gozaria a qualquer momento. Ele ouvia estimulado os gemidos contidos de Sam, que estava à beira de seu segundo orgasmo e Harry passou a ajudá-lo, masturbando-o.
Os dois se encararam por todo aquele tempo, trocando gemidos cúmplices, e não tardou muito para que Harry gozasse dentro do moreno e sentisse mais uma vez o orgasmo dele em sua mão.
Sam deu espaço na cama para Harry se jogar ao seu lado e os dois viraram suas cabeças, sorrindo bobos um para o outro. Ambos estavam exaustos.
– E se a gente dormisse agora? — propondo ofegante o que Harry havia lhe dito antes de tudo aquilo.
– Acho ótimo — sorriu Harry, se aconchegando mais perto de Sam.
Os dois deitaram-se de lado, um de frente para o outro, com as testas coladas e, pela primeira vez em tempos, Sam não tinha mais medo ou receio algum.
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