Crazy Bout' You
46 Capítulo 46 - Brothers
Notas iniciais
Peter abriu a porta do quarto, equilibrando uma bandeja de café da manhã. Ele a deixou em cima de um móvel para fechar a porta e olhar para o ser deitado na cama, de boca aberta, apesar de não emitir nenhum som de ronco. Os braços estavam abertos, jogados para qualquer lado da cama e a barriga para cima coberta pelo cobertor que subia e descia conforme a respiração.
Já faziam três semanas que ele e Wade haviam voltado do hospital. Ele já estava melhor, apesar de algumas partes de seu rosto ainda estarem meio avermelhadas. Já Wade havia ficado com uma fratura na costela e lesões na perna direita. Apesar do médico ter recomendado apenas duas semanas em repouso, Wade ainda alegava dores, mas Peter sabia que era apenas manha para não ir à faculdade levando em conta a ótima disposição que o loiro tinha todas às noites nas tentativas de agarrá-lo.
A boca aberta de Wade começava a salivar aos poucos e Peter suspirou, rezando para que o loiro não sujasse a cama de Harry. Depois da recomendação do médico, Peter havia implorado para Harry que deixasse Wade ficar no Vórtex pelo tempo determinado. Não havia sido difícil de convencê-lo, já que Harry deu a ideia de pelo menos ficar no quarto de Wade na Aesir ao invés do sofá da sala do Vórtex. Pelo menos ele ficaria perto de Sam.
Peter chegou perto de Wade, sentou-se na cama onde o loiro ressonava e balançou o braço do outro, tentando acordá-lo.
— Vamos, Wade... Loki fritou bacon pra você.
Wade não moveu um músculo, apenas fechou a boca, dando um longo suspiro.
— Wade!
Peter começou a ouvir um ronronar vindo do loiro, seguido de um estranho gemido.
— Wade...?
Wade gemeu um pouco mais alto, abaixando a mão esquerda para dentro da cueca que vestia.
Peter franziu o cenho, desacreditando. Chegou mais perto do loiro percebendo que o mesmo não parava de gemer baixinho. Peter fechou a cara na mesma hora, sentindo seu corpo hiperventilar, aquilo era constrangedor, Wade estava tendo algum tipo de sonho erótico.
— Wade, acorda! — ordenou o moreno.
O loiro finalmente mexeu os olhos, abrindo-os aos poucos. A claridade apesar de incômoda não era tão ruim assim considerando a vista.
— Bom dia Petey — sorriu.
— Eu trouxe o seu café — disse Peter prestes a se levantar para pegar a bandeja, mas Wade segurou seu braço, impedindo-o.
— Calma Petey, eu não tenho pressa pra comer, não essa comida pelo menos.
— O que você quer di-
Peter sentiu sua cintura sendo agarrada pelos braços ágeis do maior, o fazendo se deitar na cama também. Peter tentou se soltar, mas Wade passou a perna direita por cima das suas e os braços envolveram sua cintura com mais força, o prendendo totalmente. Os dois ficaram de conchinha sob a cama com um Wade sorridente e um Peter completamente nervoso, principalmente pela sensação do volume das calças do loiro contra seu traseiro.
— Solta, seu maníaco!
— Você cheira a chocolate e pasta de dente — disse Wade.
— Wade, você tá excitado, para com isso!
O loiro apertou Peter ainda mais, afundando o nariz sob o pescoço do menor.
— Achei que sua perna ainda estivesse ruim — resmungou Peter tentando bater na perna direita do namorado.
— Eu tive um sonho muito bom, sabia? Sonhei que eu era seu pirulito.
— Não fala...
— E você dizia que eu tinha gostinho de morango, daí eu disse "vem leite condensado também".
— POR DEUS, WADE! — exclamou Peter, tentando manter-se firme, mas era difícil. Wade era assim, o fazia sempre sentir-se envergonhado e ao mesmo tempo com uma vontade absurda de rir.
— Tô com preguiça de levantar, Petey.
— Me solta, você tem que tomar seus remédios.
— Aaaaah não!
— Ah sim, não é você que diz "ainda sentir dor"?
— Eu tô ótimo.
— Perfeito, então vá para a aula.
— Nem pensar que eu falto a semana toda pra ir logo numa sexta.
— De qualquer maneira você sabe que não é só remédio pra dor que você toma.
— Eu tô bem — bufou o loiro.
Peter aproveitou o momento de distração do maior para se soltar e se levantar. Wade grunhiu, mas permaneceu parado onde estava e Peter foi até a gaveta pegar dois frascos de comprimidos. Aqueles eram os remédios que Wade precisava tomar para que as vozes não o atormentassem. Já fazia algum tempo que Wade não os tomava, mas depois de Cable, a terapeuta de Wade achou que era melhor ele voltar a tomar.
— Aqui, tome com o suco — disse Peter com dois comprimidos e o copo em mãos.
Wade negou com a cabeça, pondo as mãos na boca fazendo Peter suspirar cansado. Era sempre a mesma coisa, Wade fazia birra e ele se via obrigado a fazer algum tipo de trato com o loiro para que o mesmo tomasse os remédios.
— Wade você entende que isso é completamente injusto? Você se beneficia dos dois jeitos, tomando o remédio que te deixa são e arrancando alguma coisa de mim.
— Mas eu preciso de um incentivo pra tomar isso, eu odeio esses remédios, eles me deixam tonto.
— O que você quer dessa vez? Eu não vou te chupar! — adiantou o moreno em relação ao sonho de Wade.
O loiro fez um muchocho, frustrado, porque era exatamente o que ele ia pedir.
— Tá bom, então me deixe mais uma semana aqui, só mais uma.
— Você sabe que vai ter que pegar toda a matéria perdida com alguém, não sabe? Que eu vou verificar o seu caderno e tudo, não é?
— Credo babyboy, você parece até meu pai.
— Que seja.
— Tá — suspirou Wade -, só me deixa ficar mais um pouco.
— Tudo bem — rendeu-se Peter.
Wade sorriu e pegou os comprimidos, tomando o suco logo após jogá-los na garganta.
— Já sabe o que vai fazer com a roupa do Deadpool? — indagou Peter, finalmente chegando num assunto que ele estava muito curioso. Não havia tocado no assunto depois que Wade lhe contara o ultimato de Rick.
— Eu não sei, não pensei muito sobre isso.
— Vai mesmo parar com isso? — indagou Peter se sentando na cama.
— Acha que eu devia?
— Sinceramente eu não sei. Acho que no fim das contas eu me apeguei ao Deadpool — riu.
— Awww, e ele também te ama muito, babyboy — disse Wade agarrando a cintura de Peter novamente, dessa vez apenas apoiando a cabeça no ombro do menor.
Peter balançou a cabeça em negação, rindo.
— Você não precisa necessariamente se livrar do Deadpool, podia apenas arranjar um outro trabalho que ele possa fazer.
— Tipo o quê? Animar festinhas infantis? — repudiou o loiro.
— Capaz das crianças saírem correndo de medo — zombou Peter, recebendo um tapa de Wade.
— Eu não sei o que fazer com ele.
— Nós daremos um jeito — disse Peter.
— Você não devia tá em aula, aliás? — indagou Wade.
— Tenho consulta no oftalmologista e vou buscar meu óculos novo já que eu quebrei o outro naquela confusão toda.
— Escolhe um óculos vermelho, você fica bem de vermelho.
— Nem pensar — disse Peter se levantando. — A gente se vê.
— Me trás um sorvete de pistache!
— Você tem pernas pra sair e comprar um! — rebateu o moreno saindo do quarto e fechando a porta.
— Também te amo!
oOo
Harry encarava o relógio que ficava em cima da lousa, rezando, implorando para que a aula acabasse. O professor insistia em reforçar assuntos que já havia passado na aula passada e Harry já havia entendido sobre o assunto, inclusive toda vez que ele fechava os olhos e o professor lhe perguntava algo, ele respondia corretamente, o fazendo até rir um pouco da feição desacreditada dos outros alunos. "Estou andando demais com o Sam", pensou enquanto respondia a terceira pergunta feita pelo professor, que chamou sua atenção por estar mais interessado no relógio.
Quando o sinal finalmente tocou, Harry suspirou, aliviado, recolhendo suas coisas e as jogando na mochila. Era finalmente sexta e ele só queria poder ir embora e passar um tempo com Sam sem se preocupar com aulas no dia seguinte. Harry se levantou e saiu da sala, sendo imediatamente puxado para um canto do corredor, perdendo um pouco o equilíbrio com o repentino sequestro.
— Ou! Qual o seu problem-
— Shh! Eles vão te achar — sussurrou Sam, levando Harry para fora do corredor, indo para o Campus.
— Eles quem seu doido? — indagou Harry estranhando a paranoia do moreno que olhava para os lados à todo momento.
— É um pesadelo... — disse Sam, fazendo uma careta. — Eles foram até a minha sala antes que o sinal tocasse e interromperam a minha aula pra gritar que eu tinha cuecas rosas na minha gaveta!
Harry arqueou a sobrancelha, completamente confuso e surpreso.
— Eu nunca fui tão humilhado... aqueles pestinhas...
— Sam! Para de falar pela metade e me conta logo que porra tá acontecendo.
— Meus irmãos estão aqui — disse Sam por fim, seguido de um suspiro.
— Sério? Que legal, quero conhecê-los.
— Não, você não quer, acredite.
Harry riu do desespero de Sam.
— Qual deles fez essa barbaridade? — indagou dando ênfase na última palavra de modo divertido.
— Os gêmeos, é claro, aquelas pestes.
— Mas você não disse que eles tinham nove anos?
— E tem.
— E eles estão perdidos pela universidade enquanto você foge deles?
— Claro que não, não odeio tanto eles assim, eles estão com o Victor.
— Victor é o mais velho...? — indagou Harry tentando se recordar.
— Não. Eu sou o mais velho, depois vem o Victor que tem dezessete, James tem quinze e os gêmeos de nove.
— Noah e Denis, lembro o nome deles.
— Sammy! — um chamado em uníssono fez Sam suspirar, cobrindo o próprio rosto enquanto ficava de costas para as crianças que corriam em sua direção junto de um garoto que andava logo atrás delas, de olho nas mesmas.
— Pare de ser assim... — disse Harry cutucando o cotovelo de Sam, fazendo-o descobrir o próprio rosto.
Denis e Noah agarraram as pernas de Sam, rindo e o chacoalhando quase o fazendo cair.
— Parem com isso, pestes! — ralhou Sam.
— Ah, para, eles são uns fofos. — comentou Harry rindo da energia dos gêmeos.
— Se chamar a gente de peste de novo, abaixamos sua calça! — disse Denis.
— Será que essa cueca é rosa também, Denis? — zombou Noah.
— Hm... Essa parece ser roxa...
— E se a gente mostrasse pra todo mundo? — sorriu Noah, maldosamente.
— Me larguem! — rugiu Sam, tentando desgrudar os dois de si.
— Okay... Eles não são tão fofos assim... — admitiu Harry, segurando uma gargalhada.
— E quem é esse aí, Sammy? — indagou Denis.
— Ãhn...
— Também gostaria de saber quem ele é. — disse o garoto que estava junto dos gêmeos, o qual Harry julgou ser Victor. Ele era um pouco diferente de Sam fisicamente. Ele e os gêmeos também. Os três tinham a pele um pouco bronzeada e os olhos castanhos, ao contrário de Sam que era pálido e tinha olhos azuis. Victor era mais alto também, apesar de ser mais novo que Sam e tinha cara de poucos amigos.
— Esse é Harry Osborn. — disse Sam simplesmente.
Harry arqueou a sobrancelha, esperando uma apresentação completa, mas achou melhor não questionar naquele momento.
— Aquele cara rico filho do dono da Oscorp? Olha só o Sammy... Andando com a elite agora? — zombou Victor.
— Vocês não gostam mesmo de gente rica, hein. — comentou Harry vendo nos olhos de Victor o mesmo desdém que viu nos de Sam quando o conheceu.
— Ele não parece rico. — disse Denis cruzando os braços e arqueando a sobrancelha.
— Verdade, se ele fosse rico não andaria por aí com esse cabelo. — completou Noah.
Harry abriu e fechou a boca várias vezes, indignado com o insulto, enquanto Sam e Victor riam dele.
— Que absurdo! E os dois pestinhas já se olharam no espelho hoje? — retrucou Harry.
— Isso não vale, nossa mãe corta nosso cabelo. — defendeu-se Denis.
— A mamãezinha corta o cabelo de vocês, é? — zombou Harry fazendo uma voz mais fina.
— Sammy, vamos bater no seu amigo! — disseram em uníssono.
— Podem bater.
— Ei! O que eu fiz?! — protestou Harry, indignado.
— Bem-vindo ao meu mundo. — riu Sam. — Aliás... está faltando um, não está?
— James tá na sua república. — disse Victor.
— Como ele sabe onde fica?
Victor apenas deu de ombros.
— Aquele ladrãozinho deve estar pegando meus livros escondido, vamos embora logo. — disse Sam sendo seguido pelos outros.
Ao chegar na Aesir, Hogun estava sentado no sofá da sala com um James ao seu lado devorando um pote de sorvete.
— Ah, Sam! Cheguei aqui e tinha uma cópia sua na porta da república. — disse Hogun, divertido.
— Cópia minha? Não entendi a piada. — disse Sam indo até James e surrupiando a mochila dele.
— Que droga, Samuel! — resmungou o menor.
— Droga digo eu. — disse Sam abrindo a mochila e tirando dali dois livros que antes jaziam em sua estante. — Acha que eu não sei que entrou no meu quarto aqui já?
Harry achava engraçada a situação. Hogun não estava errado, não só pelos gostos dos irmãos em comum, mas pela aparência também. James era pálido, tinha os cabelos quase negros e os olhos azuis assim como Sam, mas um pouco mais arregalados, e assim como o mais velho ele também usava óculos.
— Mal chega e já vem pegar minhas coisas e até comer já está comendo. — resmungou o mais velho.
— A culpa não é minha. Victor não quis comprar meu almoço. — disse James.
— Como é que é? — indagou Sam dando um tapa no braço de Victor.
— Ele tem o dinheiro dele! — dizia Victor se protegendo do tapa.
— Mas você comprou pro Denis e pro Noah.
— Eles são crianças, James.
— Eu só tenho quinze anos!
— Argh! Você já tá comendo, não tá? — cansou-se Victor, sentando no sofá.
— São todos seus irmãos? — indagou Hogun impressionado.
— Pois é... — suspirou Sam.
— Pra minha defesa eu nem queria vir, mas os gêmeos insistiram. — disse Victor.
— Você é Harry Osborn? — indagou James se levantando e indo até Harry.
— O próprio. — sorriu, estranhando o interesse do menor. Normalmente os White não o encaravam de um modo tão impressionado.
— Comecei um estágio na Oscorp recentemente, é um grande prazer conhece-lo pessoalmente, senhor. — dizia James apertando a mão de Harry.
— Começou? — indagou Sam, curioso.
— Pois é, parece que você perdeu o posto de gênio da casa. — disse Victor. — James passou na entrevista, vai trabalhar meio período.
— É um prazer te conhecer também, mas não precisa me chamar de "senhor" não. — disse Harry. — Somos quase uma família já-au! — reclamou sentindo uma cotovelada de Sam.
— Parabéns, James. — disse Sam, bagunçando os fios de cabelo do mais novo. — Estou orgulhoso, mamãe deve ter ficado muito feliz.
— Ela fez um bolo e tudo. — riu James.
— Bem... Acho que depois dessa, vou direto ao ponto então. Meninos, eu e o Harry... Nós estamos juntos.
— Estão namorando? — indagou Victor meio descrente.
— Você tá namorando Harry Osborn? — indagou James, incrédulo.
— Eeeeca! — disseram Denis e Noah em uníssono, seguido de uma careta engraçada.
— Sim, estou. — disse Sam entrelaçando seus dedos aos de Harry que segurou sua mão firmemente.
— Eu vivi pra ver Samuel White namorar outro burguês. — disse James ainda chocado. — Meu chefe ainda...
— Você conhece a história de Christopher Daniels, certo? — indagou Victor encarando Harry.
— Sim, estou ciente.
— É bom que saiba que eu bati nele. Não quero ver meu irmão passando por isso de novo, da próxima vez que isso acontecer eu não vou dar só um soco no cara.
— Victor! — repreendeu Sam.
— Tudo bem, Sam. — riu Harry. — Ele está certo.
Naquele momento a porta da Aesir foi aberta e uma cabeleira loira conhecida por todos do local foi vista, fazendo Victor se levantar, incrédulo com a figura que agora os encarava meio exitante se voltava para fora ou subia para o próprio quarto. Sam prendeu a respiração, esquecendo-se daquele enorme detalhe.
— Daniels?! — disse Victor, olhando para Sam e para o loiro, respectivamente.
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