Crazy Bout' You
19 Capítulo 19 - Not A Bad Thing
Notas iniciais
Peter acordou aquela manhã da pior maneira possível, com um susto.
Era de costume que ele abrisse os olhos e os fechasse logo em seguida mal dando tempo para olhar ao redor. Ele curtia seus últimos segundos de tranquilidade, mas assim que ele abriu os olhos pra valer, encontrou um par de olhos azuis desfocados o observando. Bizarro.
– Merda, você vai me enfartar desse jeito — disse o moreno pondo a mão no peito e sentindo as batidas desacelerarem lentamente.
– Que foi que eu fiz? — indagou Harry confuso.
– Tá olhando pra mim, quer motivo melhor? — zombou Peter fazendo Harry revirar os olhos. — Você tem uma expressão psicótica insana, Harry, eu já devo ter dito isso alguma vez, então por favor não fique me encarando quando eu estiver prestes a acordar.
– Meu pai dizia isso quando eu não ganhava o brinquedo que eu queria. Harry sorriu. — Vai ver é por isso que ele quer distância de mim.
– Não exagera — disse Peter se espreguiçando.
– Eu estava pensando em ligar pro Stark — disse Harry. — É sábado mesmo, duvido que ele trabalhe hoje.
– Ligar pra quê? Acha que aquele doido vai te ajudar a conquistar o Sam? — repudiou.
– Quem tem namorado aqui é ele, não é?
– Não sei como — disse Peter.
– Tá bom então, "expert", me diz aí, o que eu faço?
– Eu já te disse, baixa sua bola.
– Ontem eu fui bem legal com ele, se quer saber. Bufou. — E o que eu ganhei? Fui mandado embora.
– Só isso?
– Não, ele me deixou entrar na Aesir, subir no quarto dele e me contou sobre o passado dele.
– Peter arqueou a sobrancelha olhando para Harry significativamente.
– Você é um gênio — disse Harry.
– É o que dizem — falou Peter, vangloriando-se.
– Aprendeu com o melhor.
– Tá, chega dessas típicas frases a lá Harry Osborn. Usa o que ele disse ao seu favor.
– Não dá — Suspirou Harry — Não trocamos informações sobre o outro como você imagina. Ele me disse uma coisa bem pesada sobre ele, é inclusive o motivo dele ser tão fechado.
– Isso pra mim sempre esteve na cara, ele com certeza foi machucado por alguém — disse Peter. — Não precisa me dizer, pela sua cara eu acertei mesmo. Então, de qualquer forma, o sermão que eu te dei ainda tá valendo.
– Ótimo — resmungou Harry.
oOo
– Sammy...? — Wade balançava sua mão direita perto do rosto de Sam que permanecia parado feito uma estátua com o braço apoiado na mesa e um pedaço de pão na mão que foi descaradamente roubado pelo loiro — Acho que ele desligou.
– Ele não é um robô, Wade — Disse Hogun.
– Parece — Zombou Flash.
– Samuel! — Exclamou Wade.
Sam acordou de seu devaneio olhando confuso para os rapazes à mesa que o encaravam curiosos.
– Que foi?
– Ele tá mal, não brigou comigo por ter chamado de Samuel.
– Me chamou de Samuel? — Indagou Sam fuzilando Wade com o olhar.
– Agora sim! — Sorriu.
– Cadê o meu pão?
– Wade comeu — Riu Flash.
– Acho que ele estava pensando no Harry — Comentou Hogun com um sorriso malicioso — Até o trouxe ontem à tarde.
– Ah, é? — Disse Wade num tom significativo.
– Vão à merda — Resmungou o moreno.
– Qual é, Sam, não pode mais ter desculpas depois de ontem. Não tem problema nenhum você ficar com ele — Disse Hogun.
– Fale por si — Sussurrou Flash.
– Fica na sua aí — Respondeu Hogun.
– Eu não fiquei com ele! Quer dizer... Não foi a intenção quando eu o trouxe. Foi só pra contar uma coisa.
– Que coisa? — Indagou Wade.
– É pessoal.
– Contou uma coisa pessoal pra ele? — Indagou o loiro surpreso.
– Eu precisei! Foi uma troca pra ele me deixar em paz.
Wade revirou os olhos. Sam era mesmo um iludido.
– Dá uma chance pro cara, ele gosta de você.
Sam, Hogun e Flash encararam Wade surpresos.
– Quanto ele te pagou pra você dizer isso? — Indagou Sam.
– É sério — Disse Wade — Ele quer te conhecer melhor.
– Então me diz, o que diabos ele vê em mim?
– Também queria saber — Disse Flash levando um chute de Wade por baixo da mesa.
– Você é inteligente, bonito, legal... Lembra até o Petey.
– Você está sendo gentil — Suspirou Sam — Acho que nesse caso a opinião do Flash é a que vale. Preciso da sinceridade de alguém que não seja meu amigo.
– Estou aqui pra isso — Sorriu Flash em ironia.
– Quanta besteira. A única opinião que vale aqui é a do Osborn — Disse Hogun — Sam, seja lá o que o trave em relação à ele não vai te proteger de nada. Vocês se beijaram ontem lá em cima, não foi?
Sam encolheu os ombros assentindo.
– Então está aí sua resposta. Ou você foge e ele corre atrás de você até essa brincadeira de "gato e rato" acabar muito mal, ou você dá uma chance pra ele e pra você, porque tá na cara que você quer.
– Ou ele pode desistir — Disse Sam.
– Ah, ele não vai — Sorriu Wade — Ele usa as mesmas táticas que eu uso com o Petey.
– Como é que é? — Indagou Flash.
– Oh-oh... Falei demais...
– O que te trava em relação à ele afinal? — Indagou Hogun.
– Você tá afim do Parker?! — Indagou Flash visivelmente chocado.
Sam se levantou da mesa balançando a cabeça em sinal para que Hogun o seguisse, e assim o asiático o fez deixando Wade e Flash num clima pesado.
– Não tô afim se falar sobre isso — Disse Wade se levantando da mesa.
Flash se levantou no mesmo instante segurando o braço de Wade e o impedindo de ir pra sala.
Vai me explicar tudinho se não quiser que eu vá lá no Vórtex e peça pro Parker me explicar.
Wade puxou o braço de volta com raiva, ele estava o ameaçando.
– Quer saber? Foda-se! Eu tô doido pelo Petey!
Flash fez uma careta desacreditando. Apesar de algumas atitudes esquisitas de Wade, ele não diria que o loiro fazia do tipo que curtia homens.
– Você só pode estar brincando.
– Não to, não — Wade cruzou os braços completamente convicto.
– Por quê? O que aquele idiota do Parker tem que te deixou assim? Ou é influência do White mesmo?
O Petey gosta de como eu sou, ele não liga pro meu jeito e nem tem medo de mim. E ele é bem bonitinho.
– Argh, me poupe! — Disse Flash num tom enojado — Isso é ridículo.
– Não. É exatamente como você se sente com a Mary Jane.
– Eu odeio aquele cara, desde o fundamental. Você sabe disso! Está fazendo de propósito?
Wade suspirou em desistência. Flash não ouvia suas razões, praticamente suas palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
– Você não me ouve!
– Você quem não me ouve! — Exclamou Flash — Traidor.
– Flash...
Wade observou Flash dar-lhe as costas e sair da república batendo a porta com força e o deixando só na cozinha.
Enquanto isso no andar de cima, Sam terminava de contar sua história para Hogun que agora poderia o entender melhor, e quem sabe dar-lhe a razão que Sam tanto queria ouvir de alguém, porém o asiático apenas ficou em silêncio após o relato.
– Diz alguma coisa!
– Você está sendo covarde.
– Como é? — Indagou Sam arqueando a sobrancelha confuso.
– Vai ficar a vida inteira fugindo das pessoas por isso?
– Não, só de caras feito ele.
– Harry não é o Chris.
– Poderia ser.
– E quem te garante? — Rebateu Hogun Olha, Sam, eu já disse o que tinha pra falar. Permaneço com os meus argumentos, se você não quer ouvir, paciência. Lembre-se de que o único a perder não vai ser só o Osborn.
Sam observou Hogun se levantar e sair de seu quarto deixando-o completamente sem argumentos — e olha que aquilo era um grande feito -, porém a estratégia do asiático não era fazê-lo ficar sem argumentos, e sim fazê-lo se contentar com um breve conselho. Já que as coisas não funcionavam à força com o moreno, que fosse com o mínimo de tentativa possível.
oOo
– Sai dessa porcaria de notebook — resmungou Harry sentindo-se extremamente entediado. — E se você fosse na Aesir fazer uma visitinha pro seu loiro bad boy e me levasse junto?
– Não posso, preciso arrumar umas fotos e enviar por e-mail pro Jameson. Vai pra primeira página na edição de segunda, eu vou ganhar do otário do Brock — Sorriu Peter vitorioso.
Harry se sentou ao lado de Peter na cama dele e observou a tela do notebook arregalando os olhos surpreso.
– Mas o que é isso?
– Ãhn... — Peter fez uma careta nervoso — Um cara aí.
"Um cara aí"? Essa coisa é medonha, ele é perigoso?
– Eu não acho, mas o Jameson insiste em dizer que é um assassino.
– Assassino?! Peter, você é maluco? Anda tirando fotos de um assassino?!
– Não — Suspirou Peter — Ele não é assassino, é só... Um cara que se veste assim e sai desfilando assim por aí, o Jameson só está querendo uma manchete pro Clarim. Ele exagera, já te disse como ele é.
– Mas ele tá te atacando nessa foto!
– Eu pedi pra ele fazer isso.
Harry expressou uma careta mais confusa do que já estava fazendo Peter rir um pouco.
– Jameson está obcecado por ele, quer que eu e o Brock consigamos fotos desse cara e ele vai me ajudar.
– Peter Parker... Trapaceando pra dar uma rasteira no Brock...
– Não me olha assim, ele quem pediu por isso. — Peter deu de ombros.
– Eu nunca disse que você estava errado — Sorriu Harry -, mas por que esse cara te ajudaria?
– Porque eu sou mais adorável que o Brock — Sorriu Peter convencidamente.
Harry riu balançando a cabeça em negação.
– Certo, eu vou dar uma saída, esse quarto está me deprimindo. Já sabe da Gwen?
– Deve estar com aquele imbecil que ela chama de "namorado" — resmungou Peter.
Harry apenas proferiu um "Hum" antes de sair e descer às escadas. Ian estava na sala jogando vídeo game com Darcy, e, apesar da imensa vontade de jogar com eles, Harry olhou pela janela esquerda da sala encontrando uma distração muito melhor que um mero aparelho eletrônico.
Sam estava sentado em frente a Aesir com Wade ao seu lado, os dois mexiam as bocas com pressa no que parecia estarem numa breve discussão. Harry foi até a porta, saindo da república e caminhando próximo deles.
– Mas eu não quero usar um terno! — Resmungou Wade pela milésima vez — Eu fico parecendo esses caras cheios de frescura.
– É a intenção — Riu Sam — É sexy.
– Sexy? — Indagou Wade pensativo — O Petey vai achar sexy?
– Eu acho — Sam deu de ombros.
– Não sei, não...
– Não olha, mas o Osborn tá vindo aí, finge que nem conhece — Cochichou Sam entredentes.
– Onde? — Indagou Wade balançando a cabeça para os lados até achá-lo Hey, Harry! Aqui!
– Sam deu uma forte cotovelada em Wade fazendo o loiro rir e gemer de dor ao mesmo tempo.
– Traidor.
– É o que dizem. — Wade deu de ombros.
– E aí — Disse Harry se aproximando dos dois.
– Senta aí — Disse Wade indicando um espaço ao lado de Sam — Estamos falando sobre meu encontro com o Petey.
– Ah sim, eu estava mesmo pra te perguntar... Por que você chama ele de "Petey"?
– O nome dele é Petey, não é?
– Não... — Disse Harry demoradamente enquanto estreitava os olhos — É Peter, com "R".
– Peteyrrr...
– Desiste — disse Sam -, Wade só chama ele assim.
Harry apenas dignou-se a rir. Wade era uma figura.
– Sammy disse pra eu usar terno — Wade fez bico ainda emburrado.
– Ia ser ótimo, dá elegância e uma ótima impressão — Disse Harry — E é sexy.
– Viu? — Disse Sam de modo convencido.
– Sexy... — Bufou o loiro — Não é como se eu já fosse transar com ele.
– E por que não? — Indagou Harry.
– No primeiro encontro? — Indagou Sam meio receoso.
– Vai me dizer que você segue essas regrinhas femininas? — Rebateu Harry.
– Não é só uma questão de "regrinha feminina" e sim de princípios.
– E onde estavam seus princípios naquela salinha no seu aniversário?
Sam mordeu a língua e apertou os punhos contrariado.
– É o seguinte, Wade, o terno vai instigar o Peter a imaginar coisas bem férteis, se é que me entende. Somos todos homens aqui, e sabemos que no final dependendo da situação as coisas podem acabar bem divertidas.
Wade abriu um sorriso entusiástico.
– Me convenceu — Disse o loiro se levantando.
– Espera, onde você vai? — Indagou Sam.
– Vou passar meu terno.
– Mas ainda tá cedo — Protestou o moreno.
– Ah, tá bom! Eu tô agradecendo o Harry te deixando sozinho com ele.
Wade abriu um sorriso ao ver a carranca de Sam ao ouvir aquilo e deu uma piscadela para Harry que levantou o polegar em aprovação.
Sam revirou os olhos ao ver o loiro entrar na república e deixá-lo ali.
– Ingrato, fui eu quem disse pra ele usar a droga do terno.
– Mas fui eu quem persuadiu melhor — Disse Harry de modo convencido.
Sam se calou deixando-os numa situação um pouco constrangedora. O moreno estava pronto para se levantar, mas Harry não deixou segurando sua mão antes que ele se movesse. Ele estava ficando bom em calcular o tempo que sua paciência se esgotava.
– Achei que fosse me deixar em paz.
– Eu cruzei os dedos — Sorriu Harry.
Sam se limitava a falar tentando também não manter o contato visual. O outro tentava puxar alguns assuntos banais, mas ele não continuava a conversa cortando todas com o seu silêncio.
– Você está sendo infantil — Disse Harry.
– Não estou.
– Então por que não olha pra mim? — Desafiou.
Sam ergueu a cabeça por pura birra olhando para os orbes azuis de Harry e se arrependendo no mesmo momento.
– Sam, eu gosto mesmo de você.
– Mentiroso.
– Eu tô apaixonado por você.
Sam não conseguiu dizer nada. Até porque sua voz parecia ter sumido junto com aquele escudo que ele colocava assim que Harry se aproximava, pois ele estava começando a acreditar.
– Droga, acha que eu gosto disso?! Eu estou tão feliz quanto você! — Disse com sarcasmo — Não querendo te ofender, mas você é bem chatinho comigo. Eu nunca me senti tão humilhado por alguém! — Desabafou Harry.
– Por quê tá me dizendo isso...?
– Porque no fundo eu sei que você também quer. Ou não me deixaria ter feito aquilo no seu aniversário, ou até mesmo te beijar. Não estaria nem aqui me ouvindo. Sam, não é tão ruim se apaixonar por mim.
Sam engoliu em seco observando Harry se aproximar aos poucos. Os dois não se olhavam mais nos olhos, apenas encaravam um a boca do outro, até que num impulso os dois quebraram a distância ao mesmo tempo num beijo apaixonado.
Harry puxou o moreno para mais perto invadindo a boca dele com sua língua, buscando aquele gosto que Sam tinha que fazia com que seu peito ardesse em chamas por dentro. O moreno não o impedia de aprofundar o beijo e nem mesmo protestou quando mordeu o lábio inferior dele e recomeçou o beijo num ritmo um pouco mais lento.
Quando os dois se separaram em busca do ar, Harry se afastou, pronto para partir.
– Eu vou indo antes que você me expulse — Sorriu.
Sam segurou um riso com a perspicácia do outro, porque era exatamente o que ele pretendia fazer.
oOo
– Como eu estou?
Harry olhou em direção à porta do quarto encontrando Peter com roupas sociais. Ele usava um terno e calça social na cor preta com uma camisa social branca por baixo e uma gravata azul marinho que se destacava.
– Como alguém que eu com certeza tiraria a virgindade.
Peter balançou a cabeça em negação resolvendo levar aquilo como um elogio.
– Ah não — Protestou Harry indo até o moreno e tirando o óculos do rosto dele — Coloca suas lentes.
– Mas eu gosto do meu óculos — Protestou Peter.
– Só por hoje Pet.
– Peter suspirou assentindo e abrindo a gaveta à procura de suas lentes.
– Lembra do que eu te falei? — Disse Harry num tom autoritário.
– Não ser arredio, não falar sobre ciências, não desviar de mãos bobas, ter mãos bobas e se ele quiser me levar para algum hotel, eu vou feliz.
– É isso aí!
– E você acha mesmo que eu vou seguir os seus conselhos? — Repudiou Peter.
– Se quer ter uma ótima noite, sim.
Peter apenas limitou-se a dar um riso nazal e se olhar no espelho dando algumas piscadas para firmar as lentes. Ele estava pronto.
– Vamos, ele está prestes a chegar — Disse Harry saindo do quarto.
No andar debaixo a campainha tocou e Loki quem atendeu um pouco surpreso com a figura à sua frente.
– Uau...
Harry e Peter desciam às escadas deparando-se com um Loki meio bobo e um elegante e tímido Wade parado na porta da república.
Wade vestia um terno preto assim como Peter, mas a camisa que ele usava por baixo era na cor preta dando um ar mais misterioso no loiro, e a gravata na cor vermelha deixava bem claro para Peter o toque "Deadpool" de Wade.
– Ahn... — Wade deu uma leve tossida limpando a garganta — Sammy disse que seria bom eu trazer.
Peter olhou uma caixa na mão do loiro onde continham chocolates.
– Que gentileza a dele — Disse Harry pegando a caixa de chocolates antes de Peter — Agradeça por mim.
Peter arqueou a sobrancelha encarando Harry com uma expressão séria.
– Quê? Você vai ter mais com o que se preocupar do que chocolates.
– Vamos — Apressou-se Peter.
O moreno fechou a porta atrás de si sentindo o vento frio daquela noite atingir o seu rosto.
– Desculpe pelo Harry.
– Tudo bem — Sorriu o loiro — Ele tá desesperado, mas é esperto. Acho que ele ficou com o Sam hoje.
– Ele me disse, praticamente se declarou, mas não ficou tempo o suficiente pra ouvir o fora.
– Ele vai conseguir — Disse Wade.
– Onde vai me levar? — Indagou Peter o seguindo até a saída da universidade onde havia um ponto de táxi perto.
Wade fez sinal para que um táxi parasse e assim que o mesmo parou, ele abriu a porta para que Peter entrasse no veículo.
– Philip Marie — Disse Wade para o taxista que assentiu dando a partida.
– Philip Marie? — Indagou Peter um pouco surpreso — Esse restaurante é meio caro, não?
– Eu tenho dinheiro Petey.
– Ah... Claro — Compreendeu o menor — Deadpool.
Depois de alguns minutos o táxi parou em frente ao restaurante que se encontrava bem iluminado com luzes em tons amarelos e alaranjados dando a impressão de um lugar quente e aconchegante. Em cima da entrada se lia "Philip Marie" e haviam algumas mesas ocupadas ao ar livre.
Peter adentrou ao lugar se sentindo um pouco estranho. Nunca havia ido àquele lugar e todos ali se vestiam com roupas sociais assim como eles. Peter agradeceu Harry mentalmente por convencê-lo a usar aquele terno.
– Posso ajudá-los? — Disse a recepcionista de vestido preto e cabelos loiros.
– Sim, já reservaram todas as mesas partículares? — Indagou o loiro.
– Ainda temos duas disponíveis, uma fica aqui mesmo perto da entrada e a outra mais ao meio.
– Queremos a do meio — Disse Wade.
A recepcionista assentiu proferindo um "me acompanhem" e os levando até um corredor do restaurante que Peter não havia notado. Era escondido das demais mesas e haviam várias cortinas vermelhas ao redor. Algumas estavam fechadas e algumas abertas onde garçons atendiam os casais em cada salinha. Peter ficou mais aliviado em saber que seria uma coisa mais particular. Pelo menos não teria de ficar no meio de toda aquela gente elegante e rica.
A recepcionista os levou até uma salinha vazia onde continha uma mesa para casal, um guarda-casacos e alguns pufes no chão.
– Vou chamar um garçom para os dois, quando quiserem a sobremesa é só apertar esse botão que o garçom voltará — dizia a moça indicando um botão vermelho na lateral da mesa.
Peter e Wade sentaram-se à mesa e não demorou muito para que o garçom viesse e anotasse os pedidos dos dois.
– Não sabia que tinha esse tipo de coisa aqui — comentou Peter observando os detalhes da parede em preto em branco.
– É bem legal, né? Eu só vim uma vez pra tratar de negócios.
– Veio de Deadpool? — Indagou Peter surpreso.
Wade assentiu dando risadas.
– As pessoas ficaram meio assustadas.
– Imagino — Disse Peter rindo.
– Cadê seus óculos? — Indagou o loiro fitando Peter de modo analítico.
– Ah... Harry não me deixou usar.
– Como você tá me vendo?
– Wade, eu também não sou nenhum míope. Eu ainda posso enxergar as pessoas sem eles, mais ou menos...
– Mais ou menos — Riu Wade.
– Enfim, eu tô usando lente de contato.
– Você fica lindo assim.
Peter sorriu timidamente. Ele não estava acostumado com elogios e Wade geralmente o superestimava.
– Tem certeza que gosta de mim?
– Por quê a pergunta?
– Sei lá, normalmente as pessoas ficam sem graça com quem gosta e você fala essas coisas pra mim tão tranquilo.
– Eu fico confortável perto de você, Petey. Você me dá segurança.
Novamente Peter sentiu suas bochechas esquentarem e decidiu que Wade era uma exceção para tudo.
O garçom finalmente voltou com o jantar dos dois e os serviu, deixando-os a sós e fechando as cortinas logo em seguida.
– O que é isso que você pediu? — Indagou Peter observando o prato exoticamente colorido do loiro.
– Não sei, mas o nome pareceu legal quando eu li no menu.
Peter deu uma risada fraca tratando de começar a comer e algumas vezes rir das expressões de Wade ao comer seja-lá-o-que-fosse-aquilo.
– Tem gosto de azeitona, maionese, tomate, ervilha e um pouco de... Ketchup.
– Parece ótimo — Disse Peter com sarcasmo.
– Quer trocar?
– Nem pensar. Eu tô muito feliz com as minhas batatas.
– Verdade, eu podia ter pedido batata...
Peter riu.
– Eu posso dividir as minhas com você.
– Jura? — Indagou Wade puxando o prato de Peter pro centro da mesa e dando uma garfada nas batatas.
– À vontade...
No fim Peter acabou experimentando aquilo que havia no prato de Wade e acabou por gostar.
– Flash tá furioso comigo — Disse Wade puxando assunto — Descobriu que eu gosto de você. Na verdade eu que dei a língua nos dentes.
– Isso é mal... Ele vai querer se vingar de você.
– Não se preocupe com isso, eu sou mais forte que ele. E agora que ele sabe, não vai poder mais te machucar.
– Talvez seja por isso que ele tenha raiva — Disse Peter pensativo.
– Pode ser, mas se ele for atrás de você, me fala.
– Não preciso que me defenda dele, eu sei lidar com o Flash — Disse Peter.
– Correndo dele.
– E você quer que eu tente lutar com aquele ogro?
– Não. Só me fala.
– Vou pensar — Disse Peter provocando a paciência do loiro — Agora me devolve minhas batatas.
– Nãaao! — Protestou Wade sendo descaradamente roubado pelo moreno — Você acabou com a minha gororoba, nada mais justo que eu acabe com as suas batatas.
Peter pegou uma batata com a mão colocando-a perto de Wade para provocá-lo, mas o loiro foi mais esperto abocanhando-a e levando o dedo do menor junto.
– Ai! Você me mordeu! — Protestou Peter balançando a mão.
– Eu te morderia todo... — Disse Wade com um sorriso bobo.
Peter encarou Wade um pouco surpreso com a confissão feita deixando-os num silêncio constrangedor.
– Ãhn... Corta essa parte — Disse Wade.
Peter apenas se dispôs a rir. Aliás, rir era o que ele mais fazia quando estava com Wade. O loiro provavelmente não tinha a menor noção do quanto fazia bem pra ele, mas ele tinha.
– Você deve achar que eu sou um idiota.
– Você não é idiota, Wade.
– Mas só deve me ver como amigo.
– Se eu te visse só como amigo não estaria aqui num encontro com você.
– Mas você não me diz o que sente — Disse Wade um tanto aflito.
– Tá bem! Eu... Eu não sei, eu... Você mexe comigo. Seu jeito, a aparência, sei lá, tudo!
Wade franziu o cenho desacreditando. Ele não tinha lá uma autoestima boa, então era difícil acreditar que um cara legal como Peter gostasse de tudo nele.
– Tem certeza que isso não é pena?
Peter revirou os olhos levando às mãos ao rosto em impaciência.
– Tenho.
– Não, sério, olha pra mim.
Peter tirou as mãos do próprio rosto observando o de Wade. Os olhos azuis lhe fitavam analíticos e Peter sabia que ele falava das cicatrizes. Mas quem se importava com elas afinal?
– Levanta — Disse Peter num tom autoritário.
Wade ficou de pé no mesmo instante imaginando que Peter também se levantasse, se tocasse de como ele era estranho demais e fosse embora. Mas não foi o que ele fez.
Peter levantou-se da cadeira e andou a passos pesados até o loiro, pegou na gravata vermelha e a puxou para mais perto de si juntando seus lábios aos dele. Peter sabia muito bem o que estava fazendo, ou pelo menos boa parte dele. Wade podia ser problemático, com um parafuso a menos, com marcas do passado gravadas pelo corpo e até mesmo um mercenário, mas o que ele não era, era um cara ruim. E se ele não era ruim, se apaixonar por ele também não seria, muito menos o fim do mundo.
Wade encostou Peter sob a parede aprofundando o beijo e abaixando as mãos tocando no máximo possível de cada parte do corpo do menor por cima daquelas roupas todas. Eles estavam vestidos demais pro gosto dele.
Peter abriu os olhos quando Wade finalizou o beijo, mas voltou a fechá-los quando o loiro começava a descer a boca até o pescoço dele. Enquanto os lábios de Wade davam atenção ao seu pescoço, Peter sentia as mãos deles percorrerem um novo rumo passando por debaixo de sua camisa social branca e tocando em sua pele quente. Peter estava começando a ficar excitado.
Wade segurou firme na cintura de Peter o girando para perto da mesa e o encostando sob a mesma tentando não derrubar nada. Peter sentiu um incômodo em sua cintura ao encostar na mesa, mas ignorou ao sentir a língua quente de Wade invadir novamente sua boca.
Os dois estavam tão completamente absortos ao calor que "de repente" aquela salinha ganhou e a excitação que os dominavam cada vez mais, que não perceberam a cortina se abrir e um constrangido garçom os pegar naquela situação.
– Hã-hãm — Pigarreou o garçom.
Wade e Peter se afastaram de imediato com o susto. Peter não havia entendido a presença do garçom ali, até se lembrar do incômodo ao encostar na mesa. Ele havia apertado o botão na hora em que Wade o empurrou contra a mesa.
– Vão pedir a sobremesa? — Indagou o garçom tentando amenizar o clima tenso.
– Sim, claro — Recompôs-se Wade — Dois sorvetes de pistache com flocos — Disse o loiro abrindo um sorriso malicioso para Peter, que tentava à todo custo segurar sua risada.
O garçom assentiu saindo rapidamente dali e deixando-os a sós.
Peter e Wade voltaram a se sentar em suas cadeiras, no entanto não disfarçavam mais o desejo em seus olhos. Olharam um o estado do outro com seus ternos amassados e suas gravatas tortas, e trocaram um sorriso cúmplice. Ternos eram definitivamente sexy.
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