Crônicas - não dos reis - da vida.
7 24/02/2017
Quando iniciamos a fé cristã, passamos por situações boas, sentimos o amor de Deus de forma intensa, somos abraçados todos os dias, e então evoluímos, nos aprofundamos mais, crescemos na fé, mas agora não só com o cuidado de Deus, mas também nas provações que passamos. Não para o nosso mal, pois tudo coopera para o bem, mas para a glória de Deus em Cristo Jesus e para amadurecimento da fé cristã em nós.
Comigo não foi diferente, descrevo abaixo como me senti em minhas primeiras batalhas espirituais com um ano no caminho do Evangelho.
Achei essas anotações perdidas no Google Drive, não recordo a situação em questão, mas sempre tento descrever em poemas ou em curtos textos o que minha alma grita dentro de mim, o cenário em que me encontro e que não expresso a ninguém, apenas descrevo-as em palavras.
Como entender o que não quer ser entendido?
Foi essa pergunta que ficou pairando em minha mente.
Como fazer isso?
É complicado.
Como se retirar de um labirinto sem saída?
Como se esperar calor numa casa de gelo?
Como sentir um suspiro de vida de um coração já parado?
Como receber um beijo doce de um corpo já gelado?
Como fazer isso?
É assim que me sinto. Encerro aqui a possibilidade de um poema. Pois ele mesmo se perdeu no caminho da compressão.
Busco ar num quarto sem janelas. Como fui parar ali? Boa pergunta, mas só quem pode responder é Deus. Sim, Ele mesmo.
Não questiono por ter aparecido ali. O quarto é até espaçoso, sim, bem espaçoso, mas sem janela, acabo sufocado! E percebo que é assim que ficamos quando Deus nos coloca numa posição e, ao invés de pedirmos sua direção, tentamos agir por si só. Ao olhar para a situação, no meu caso, o quarto sem janela, desespero-me!
Até que dentro de mim é despertado a voz do Espírito Santo, o Consolador de minha alma. E Ele diz: “O Senhor traz a existência aquilo que não existe”.
Minha fé foi abalada ao ver o ambiente desfavorável. Era possível entender, sim, era possível, se eu focasse mais em Cristo Jesus do que na minha dificuldade. Se Deus me colocou num quarto sem janelas, foi para aprender a respirar com o ar que vinha dos pulmões dEle.
Se Ele me colocou numa situação difícil de ser entendida ou talvez impossível, foi para mostrar que Ele é o Deus do impossível, capaz de abrir janela onde não tem!
“Então eu clamei, ao Deus do Céu, e Ele ouviu ao meu clamor.”
Abriu -se um feixe de luz de onde eu não imaginava. Começaram novas indagações, mas, agora, sobre a beleza da vida.
Como entender o calor que vem do Sol tão distante?
Como entender que o céu tem ciência do mesclar de suas cores e as troca no tempo certo?
Como entender o vento que sopra, mas que nunca sabemos de onde ele começa?
É... algumas coisas não são para ser entendidas, mas sentidas... Assim é a confiança em Deus em meio a tribulação: eu não sei de onde ou como virá o socorro, mas sei que virá.
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