Crônicas - não dos reis - da vida.
3 17.05.2017
Sai da minha cadeira!
Foi o que pensei, quando voltei da copa (cozinha) para o meu local de trabalho. Ainda eram meio dia e o meu colega de trabalho, que pega no turno da tarde, ou seja, uma hora da tarde, havia chegado mais cedo. Por quê? Também quero desvendar esse mistério até hoje.
O fato é que ele chegou cedo e, como eu havia levantado da cadeira para preparar um lanche para mim, ele chegou, bateu o ponto no computador e se sentou onde eu estava! Ultrajante!
Antes de eu sair para fazer meu lanche, deleitava-me com leituras de Menalton Braff, cronista da Carta Capital. Como era a hora do almoço, geralmente não se tem muito atendimento. Então me animei para abrir várias abas e ler bastante crônicas.
Bem, o plano estava indo de vento e popa! Até a chegada de vocês-sabem-quem. Foi frustrante.
Minha vontade era de pedir licença e pegar meu lugar de volta, afinal, eu estava no meu horário de trabalho ainda e ele havia chegado mais cedo. Que culpa tenho eu? Eu estava no meu direito de permanecer sentada e de frente para o computador, usufruindo daquilo que ainda estava sob minha disponibilidade. Afinal, eu só saí por um instante para pegar algo para comer e ele chegou e tomou meu lugar!
Fiquei intrigada.
Como a bíblia fala que devemos ter os frutos do Espírito (“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade” Gálatas 5:22), já que o Espírito e a carne militam numa guerra bem acirrada (Gálatas 5:17), eu optei em seguir as Escrituras. Aliás, ela também nos adverte que dos nossos lábios devem sair palavras doces. “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. A língua dos sábios adorna a sabedoria, mas a boca dos tolos derrama a tolice.” (Provérbios 15:1-2) e “As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma e revigoram a saúde e a alegria de viver” (Provérbios 16:24).
Fiquei na minha, terminei de lanchar, li o livro que havia começado na manhã deste mesmo dia e quase o finalizei nesse meio tempo em que fiquei longe da minha cadeira. Fiz um trabalho rapidinho que o meu chefe pediu e, quando deu o meu horário, empossei-me novamente do computador para bater o ponto, mas fiquei sem a cadeira, pois o meu colega de trabalho não se deu o trabalho de se levantar.
Por fim, fui embora. Ainda bem que não me estressei. Seria em vão. Mas ainda penso... Aquela cadeira era minha! Foi muito abuso ele ter sentado, só porque eu saí por uns minutos em busca de algo para comer, isso não é justo!
Era óbvio que eu estava usando o computador e era de se esperar que ele batesse o ponto e me devolvesse o meu lugar de direito, pois ainda estava no meu horário!
Enfim...
Parando para pensar um pouco, é assim mesmo com Jesus. Para a minha e sua sorte, Jesus não fica reclamando de injustiça como eu fiz desde o início. Não, não.
Aonde eu quero chegar?
Bem, Deus nos deu o sopro de vida. Ele nos deu moradia. Deu-nos também características Suas, como sentimentos, já que Deus é amor, bom, protetor, fortalecedor e, às vezes, se irrita, por isso que não somos isentos disso. Na verdade, a bíblia não nos proíbe de nos irritarmos, mas ela nos alerta que devemos tardar em nos irar “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tiago 1:19), Mas voltando, Deus nos deu de tudo! Até mesmo a nossa salvação por intermédio de Jesus, o que nunca teríamos se não fosse por Cristo ter ido em nosso lugar para a cruz, que era nossa por direito e é aí que eu entro no assunto que eu queria chegar.
Ou seja, TUDO, absolutamente TUDO é de Deus (Salmos 24 é bem determinante nesse quesito). Nossa vida, querendo você ou não, é de Deus e no Grande Dia teremos que dar conta dela para o nosso Criador.
E, por mais que a nossa vida seja dEle por direito, Ele não nos impede de “chegar mais cedo e tomar posse do que é dEle”, consegue me entender?
Eu reclamei que a cadeira era minha, naquele momento, é claro, mas que o meu colega de trabalho chegou e tomou posse. Fazemos isso com Deus! A nossa vida é dEle, nossos planos e sonhos, Ele já preparou, mas teimamos em pegar tudo o que Deus planejou e colocar de lado, tomamos posse de nossas próprias decisões, fechamos as abas que Deus abriu para a nossa vida e entramos em outros links.
Mas, como eu disse, Jesus não reclama de quando tomamos posse de algo. Jesus nos permite “chegar mais cedo” e pegar a cadeira (nossa vida), que é dEle.
Mas tem a segunda parte desse fato. Quando o meu colega de trabalho chegou e ficou no meu lugar, começou a usar o computador como ele queria, distraindo-se. Quando lhe foi solicitado fazer um trabalho, ele fez incompleto. Pois estava prestando atenção no que estava fazendo e não no que fora lhe ordenado para fazer.
Quando estamos agindo por nossa conta, fazemos exatamente assim! Jesus nos pede para orarmos, mas só nos ajoelhamos na igreja para fazer um rápido agradecimento e só! Jesus nos pede para interceder, mas achamos que o clamor que o pastor faz no púlpito é o suficiente. Jesus fala que devemos adorar em espírito e em verdade, mas só nos entronizamos com a adoração, quando o louvor começa a tocar. Ficamos automáticos na fé. Distraídos com nossos próprios interesses e só prestamos atenção naquilo que nos convém.
Jesus é o nosso manual de vida. Mas temos um ímpeto costume de só aceitar os termos de informações e ignorar o que está escrito. Sendo que na prática, acabamos nos enrolando, porque o nosso Manual requer atenção. Porque nele está escrito “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.
Negar a si mesmo não é chegar mais cedo e tomar posse da cadeira. Mas é deixar a cadeira (nossa vida) nas mãos de Quem é de direito. Compreende?
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