Crônicas de uma vingador
3 Michael
Notas iniciais
Meus pais foram assassinados quando eu era apenas uma criança, não me recordo bem deles, apenas que me amavam e tentavam me fazer feliz, a qualquer preço.
Foi quando eu tinha apenas dez anos que um casal de idosos me adotou, este foi o meu primeiro contato com a Ordem. Recebi educação de boa qualidade, afeto, entre outras coisas. Sou grato pelos meus pais adotivos por ter me tornado quem sou.
No meu décimo quinto aniversário, recebi o convite para entrar na Ordem pelas mãos de meus próprios pais adotivos, junto a ela, minha primeira missão, eliminar a essência da energia pura, entre outras palavras, as bruxas, como são conhecidas desde 1755, Filhas de Moular, a Ordem tenta manter a o equilíbrio desde esse tempo. Antes de partir em missão recebi treinamento em armas de fogo, armas brancas e armas especializadas em matar bruxas. O padrão sempre é o mesmo: meninas com postura média, um metro e sessenta à um metro e oitenta, geralmente tem um aspecto diferente, são loiras ou ruivas, mas podem ser morenas, muitas delas são perigosas, uma coisa eu digo, não irrite qualquer uma delas, pois terás grandes consequências.
Há pouco tempo, mais de dois anos iniciei minha caçada pelo equilíbrio e pela ordem, devo ter matado pouco mais de 700 dessas ameaças antes que elas se tornassem um perigo para a gente. Faz nove meses que tinha recebido uma missão, tinha de matar uma nova vitima, essa se encontrava em Damain, uma garota realmente linda e atraente, mas era a maior ameaça, se os poderes dela vier a tona, seria uma grande problema para todos nós.
Decide partir o mais rápido possível para a cidade que se encontrava a mais poderosa herdeira de Moular, a deusa do céu.
Sempre fui um grande ator, assim que cheguei em Damain, tive de começar uma nova vida, fingir ser uma pessoa que não sou. Era só chegar e matar, simples assim, é sempre como a primeira vez, a minha primeira missão, sempre me lembro, uma garota simples, porém bonita, seu sorriso era atraente, mas ela era uma vitima, tive de ter sangue frio, tive de marcar um encontro com ela e atrai-la para uma armadilha.
Foi uma armadilha bem sucedido, mas trágico. O único jeito de matar uma Moular é acertar um golpe certeiro no peito com uma lâmina de platina em seu peito. Aprendi isso com os mais velhos, a Ordem tem pouco mais de 600 anos, fomos nós que queimamos as bruxas no século XIII, pensávamos que sua genealogia tivesse sido erradicada. Seu nome era Lucy e já tinha despertados seus poderes, não por totalmente.
Teve de ser um plano bem executado, se ela ao menos pensar que sou uma ameaça, iria me matar com toda certeza .
Quando cheguei na cidade, tive de manter minha descrição e a profissionalidade para não levantar suspeitas, foi a minha primeira missão, que fiquei nervoso, seria meu primeiro encontro com uma bruxa já desperta, onde não sei até onde seus poderes iriam chegar, além disso, os relatos sobre ela falavam que ela era herdeira de uma verdadeira bruxa, de linhagem direta e que ela era namorada de um Dríade, também uma linhagem de sangue puros, só que ele ainda não sabia nada a respeito de seus próprios poderes e nem imaginava que sua namorada era uma uma bruxa.
O plano seguia como pensado, brevemente eu iria me encontrar e eliminar mais uma ameaça a Ordem e ao mundo. Nós não perseguimos os Dríades, já que existem poucos relatos de seus descendentes e boa parte deles vivem escondidos entre animais.
A hora de me minha missão ser cumprida estava se aproximando aos poucos, foi na biblioteca da escola onde estudava nesses dias de investigação. Não sei o motivo pela qual a ordem me mandou para este local e não um membro veterano.
Dada a hora de nosso encontro estava chegando e eu me apressava para o ritual. Já no saguão da biblioteca e lá estava ela, linda, em um vestido floral, pouco abaixo dos joelhos, seus olhos verdes, lindos como um jardim florido, sem falar de sua loga cabeleira longa e loira.
– Vamos começar, tenho de encontrar Carlos ainda hoje — disse ela.
– Sim, vamos estudar o que hoje? — perguntei todo inocente — Vamos começar com física?
– Vamos!
As horas foram se passando, uma a uma e eu esperava a hora certa, pelo momento certo, quando o celular dela toca:
– Não vai atender? — Perguntei.
– Não, é só o Carlos, mas ele sabe que estamos estudando.
– Entendo, então você contou sobre o encontro de hoje?
– Sim, ele é meu namorado, conto quase tudo a ele?
– Quase tudo? — Perguntei em um tom meio sombrio.
– Claro, tem coisas que se pode contar nem para nossos pais — disse ela rindo.
– Tipo o que? — Continuei insistindo, puxando a lâmina de minha bolsa.
– Coisas de mulheres, entende.
Nesse momento não exitei e pulei encima dela e enfiei a adaga em seu peito, abrindo um corte profundo.
– Porquê, me diga o porque Michael — disse ela cheia de dor em suas palavras.
– Apenas pelo fato de todas vocês serem uma ameaça — respondi com frieza, — vocês bruxas, criaturas de mundo das trevas, todas devem morrer, vão contra a Roma e contra a Ordem.
– Você sabe sobre mim? Sobre minha verdadeira identidade? — Perguntou ela, após cuspir sangue no chão.
– Não apenas a sua, mas a de todas as outras no mundo — suspirei, dando continuidade — sabemos suas origens, seus antepassados.
– Isso não vai ficar assim, meu namorado é...
– Um Dríade, — Cortei — também sabemos de sua existência, mas não os caçamos, não é a nossa tarefa.
– Pena que ele não conhece os seus poderes — continuei — é apenas mais um ser imaturo, que não tem conhecimentos dos dons que possui.
Ela demoraria muito para morrer, então segui até o banheiro para poder me lavar e me livrar do corpo e depois sair da cidade e continuar meus serviços em outras cidades.
Enquanto me lava, ouvi sussurros na saguão, parecia uma conversa, não tive como me livrar do corpo, tive de sair rápido de lá, se não entregaria a Ordem, mas minha consciência estava limpa e de dever cumprido.
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