Entre doses e "dores"

'Teu silêncio é insultante'- Esbravejei em plena 2:15 da madrugada. Arremessaria o copo de conhaque a parede se não julgasse ser um imenso disperdício.

A verdade é que eu sempre soube ser trouxa. Não daquelas que choramingam, mas a trouxa que se enfurece ou se chateia para si mesma a fim de não incomodar ninguém; essa classe de trouxa merece respeito!

Contrita, admito: sou genial, porém sou a unica pessoa que tem ciência disso.

Sentei-me a cama e ri de todo histórico de frases impactantes, olhares e jogadas de cabelo que planejava para me tornar o ser mais interessante já visto. Assim fui minha própria cobaia: músicas melosas, algumas fotos, insônia... Só não me rendi aos filmes "água com açúcar" porque ai seria demais!

Amar, quase amar e vencer na sinuca eram, praticamente, a mesma coisa e a mesma sensação.

A coisa toda é um cão dos diabos e no final das contas o que lhe sobra é o copo de conhaque do começo da história.

Talvez seja a melhor desculpa para se embebedar ou para transar, mas não vai muito além disso, mesmo.

Uma amiga disse certa vez que eu acabaria por adoecer, que boemia e paixão eram uma combinação explosiva. Agora questiono: o que não é explosivo no meio de todo esse caos?

Nos deixemos abater! Quando o espirito entra em exaustão a forma não acaba por aparecer?!

Não serei estranha a tudo, me alegra a paixão fingida ou não, o agridoce, o beijo de adeus e o ser ou não ser.

E ainda que durma tarde, acorde ainda mais tarde e continue o jogo mental comigo mesma sobre o sentir ou não sentir todas as músicas, doses e desilusões terão valido a pena.

Só o teu silêncio, esse é insultante.

– In crônicas de uma velha louca.