Crônicas de uma galáxia

28 Suicídio em câmera lenta


E então, o período mais negro da minha vida.

Começou com um excesso de sono e a sensação de nunca ter dormido o suficiente. Com o passar dos dias, evoluiu para um desânimo incessante. Depois, eu não tinha energia ou vontade de fazer mais nada, e meus dias se resumiam à minha cama.

Acompanhava minha mãe no hospital, e dormia com ela algumas vezes por semana. Ouvia os diagnósticos dos médicos, cuidava da casa e do meu irmão enquanto meu pai procurava um jeito de garantir que minha mãe tivesse todo o tratamento necessário. Minha preocupação com ela só crescia a cada nova cirurgia.

E aí eu comecei a chorar por absolutamente tudo e nada. Não era como se eu quisesse ou controlasse, mas as lágrimas simplesmente desciam e eu sabia que tudo que eu podia fazer era abraçar um travesseiro e deixar que elas caíssem.

Semanas depois, eu já me ouvia dizendo que queria morrer. Eu não aguentava mais a rotina. Não aguentava mais estar tão longe da pessoa que eu mais amava no mundo. Não aguentava mais ser tão ignorada, negligenciada e magoada. Não aguentava mais estar tão sozinha.

E então, o ápice. Existir se tornou insuportável. Tudo me causava dor física, e foi quando eu comecei a ter crises mais violentas. Meus braços viviam constantemente arranhados, e eu não me importava porque não era como se eu tivesse alguém que fosse ver e me chamar a atenção. Às vezes eu me deitava na cama, lentamente parando de respirar e observando minha visão se tornar turva, até que meu próprio corpo decidisse ingerir mais uma Lufada de ar por conta própria.

Sentia como se estivesse morrendo aos poucos. Como se a própria vida tivesse decidido que eu não merecia mais estar ali, e estava indo embora de mim. Eu me perguntava onde estava Deus, porque eu O precisava tanto e sentia que até Ele tinha se esquecido de mim. Mal comia, e dormia mais de doze horas por dia. Um fantasma completamente ignorado dentro de casa. Muitas foram às vezes em que, tomando banho, eu sentia que minhas pernas não aguentavam mais meu peso, e chorava deitada no chão úmido, completamente exausta de tudo aquilo.

Só queria que acabasse.

Sentia falta do Marco. Sentia falta de ter alguém que demonstrasse que se importava comigo, que me abraçava e dizia que me amava como se fosse a certeza mais absoluta e infinita do universo.

Ele era a minha vida, e tudo que me impelia a continuar lutando contra o desejo que me fazia estudar métodos rápidos e indolores de morrer. Sempre que eu sentia que estava prestes a desistir e deixar minhas estrelas se apagarem, me obrigava a pensar nele e em todas as coisas que nós nunca poderíamos fazer juntos se eu morresse. E eu fechava os olhos, e relembrava da sensação de estar no melhor abraço de todos enquanto chorava mais uma vez, o som abafado pelo travesseiro e o coração explodindo de dor.

Notas finais
Esse capítulo tem trilha sonora/música inspiração! https://youtu.be/bSLPGvjbFKU