Crônicas de uma galáxia
7 Friendzone
— Feliz uma semana de melhor-amizade! – Falei, pulando ao lado dele. – Cadê meu presente?
Apesar de ter descoberto a constelação da minha vida, eu não podia me esquecer de que tinha decidido ser a melhor amiga dele. Não sabia ao certo como lidar com isso também, mas sabia que era melhor ser amiga dele do que nada.
E então ele tirou uma trufa de chocolate do bolso interno da jaqueta, e jogou para mim:
— Feliz uma semana de melhor-amizade, melhor amiga. – Sorri. Com certeza era melhor que nada.
E eu nem esperava realmente receber presente nenhum dele, nem nada do tipo. Aquela trufa aqueceu mais ainda meu coração esperançoso.
Depois do parque de diversões, nosso relacionamento se aprofundou muito. Eu não só ficava mais feliz quando o via, mas sentia falta dele nos dias em que ele não trabalhava, e aos fins de semana. Nós começamos a passar mais tempo juntos. Eu comecei a saber mais sobre as estrelas daquela constelação tão maravilhosa, e tinha cada vez mais receio de não ser correspondida.
Eu enchia a boca para falar que era a melhor amiga dele. Não que quisesse, mas aquela posição indicava que eu era, em parte, a preferida. E que ele gostava de estar comigo. E isso por si só já era bom.
Ele costumava comprar balas todo recreio, e tinha virado rotina roubá-las dele, ou vestir sua jaqueta e descobri-las em algum dos muitos bolsos, junto com chaves e anotações amassadas.
Muitas coisas tinham virado rotina. Nós trocávamos mensagens o dia todo, até eu ir dormir. Ele falava mais sobre a vida dele, e eu sobre a minha. Eu sentia que simplesmente não conseguiria mais ficar sem tudo aquilo.
Admito que às vezes eu matava aula para poder cruzar com ele pelos corredores, enquanto ele trabalhava. E que pedia para ele ficar um pouco mais na sala conosco quando vinha dar algum aviso. Fazia qualquer coisa pra poder passar mais dois minutos que fossem com aquela constelação.
Alguns boatos sobre estarmos juntos tinham começado a circular pela escola, mas eu negava todos eles, para em seguida corar e fixar o chão.
— Nós somos só bons amigos.
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