Todos os fins de semana, a família dele se reunia para um almoço que normalmente se estendia até o fim do dia.

Isso não acontecia nunca na minha família, visto que meu pai tinha conseguido criar uma relação de ódio profundo como todos os membros dela, e eles não nos visitavam.

Eu não estava acostumada com muitas pessoas pela casa, falando e rindo, e compartilhando momentos de alegria. Era bastante incomum para mim, e eu sou infinitamente grata ao Marco por trazer isso para a minha vida.

Quando eu acordava, normalmente as pessoas que já estavam todas lá, e eu consegui aprender os nomes deles muito rapidamente. Suas tias e tios eram muito amáveis comigo, e aquilo me tocava muito. Depois de meses negros, eu não conhecia mais a sensação de ser estimada e considerada parte da família.

Ouvia seus tios brincando conosco enquanto nos perguntavam quando seria nosso casamento, e eu ria sem saber como reagir, apesar de feliz. Marco segurava minha mão e respondia qualquer coisa, enquanto eu ainda tentava entender como a minha vida podia dar tantas voltas e ser tão variável e extremista.

Consegui permanecer em um estádio lotado durante um jogo de futebol com meu sogro, sua esposa e minha cunhada sem me sentir desconfortável ou com medo em nenhum momento, mesmo que eu não gostasse de futebol. Ou de pessoas. Sabia que estava segura.

Todos os momentos em família que eu tinha, graças a ele, me faziam sentir como se eu pudesse morrer de felicidade. Era uma sensação nova e relativamente estranha pra mim, e não tinha como exprimir o quão importante era.

Ele tinha a família mais legal do mundo.

Às vezes, eu achava que a vida estava sendo boa demais comigo, e a qualquer momento aconteceria alguma coisa que me derrubaria mais uma vez, me fazendo afundar naquele mesmo oceano escuro, frio e solitário de meses atrás. Não parecia ser possível que eu fosse destinada a uma vida tão perfeita quando parecia ser a vida com ele.

Depois de umas semanas, chegou o Natal. E tivemos o nosso primeiro Natal juntos, com a ceia em família, distribuindo presentes enquanto todos usavam toquinhas de Papai Noel. Surpreendi-me quando soube que haviam presentes para mim – uma surpresa boa, muito boa.

E então, o ano novo. Eu costumo acreditar que a pessoa com a qual se passa o ano novo vai estar presente na sua vida por todo o ano seguinte. Então, foi muito especial começar 2015 ao lado dele. Pude beijá-lo no primeiro segundo do ano que eu já sentia que seria muito diferente de todos os outros.

E os dias passaram, imersos numa felicidade quente e doce, sendo guardados momento por momento no meu coração em êxtase.