— Todo mundo faz isso quando não sabe jogar. – Pablo disse, mostrando os comandos no controle. Eu ri, tentando aprender. – É sempre a mesma coisa, e sempre dá certo.

— Okay. – Concordei. – Vai.

Ele deu play em um das dezenas de jogos que estavam enfileirados na prateleira a minha frente, e eu me concentrei em apertar os mesmos botões enquanto via o homenzinho que me representava na tela pulando e tentando golpear o outro homenzinho a sua frente. Era engraçado.

— Como tá indo? – Marco perguntou, se sentando no sofá ao meu lado, segurando uma cerveja.

— Indo. – Respondi. Ele riu.

— Ev?

— Com um pouco de prática, ela pode ficar boa até. – Ele concordou, sem tirar os olhos da tela.

— Obrigada. – Murmurei, repetindo a mesma e complicada operação enquanto ouvia os dois conversando paralelamente, como se fosse fácil apertar todos aqueles botões e pensar em outra coisa ao mesmo tempo.

Eu tinha aprendido a conviver com o melhor amigo do meu namorado com certa facilidade até. Sentia como se eu o tivesse adotado, e o considerava meu melhor amigo por extensão também.

Esse é um lado bom de namorar uma pessoa que, antes disso, era um total desconhecido na sua vida. Temos muitas experiências pra trocar, conhecimentos pra compartilhar e, felizmente, amigos para apresentar. Conheci parte dos amigos dele, os tinha adotado, assim como ele aos meus.

Era mais uma parte do Marco que se apresentava para mim: suas amizades, em carne e osso, não em perfis nas redes sociais.

E fomos ao shopping com eles, e eles (em especial, o Pablo) vieram em casa (porque eu chamava a casa dele de “casa” somente), e jogamos e comemos juntos, e saímos em um lindo double date com um casal de amigos dele e, assim como ser aceita pela família, ser aceita pelos amigos dele era uma sensação ótima.

Tudo que envolvia o Marco e a mim na sua vida era ótimo.