Se não fosse pelo fato de eu já estar morto eu teria sufocado. Por fim senti que paramos e eu fui obrigado a descer do carro. Fui guiado por algum tempo até me tirarem aquela maldita sacola da minha cabeça.

Fui jogado em uma espécie de sela escura e apertada, havia uma única janelinha na porta que dava para o corredor. O lugar era sujo e mal-cheiroso. Não demorou muito para que começasse a ter um dos meus ataques. Eu nunca consegui curar minha claustrofobia. Perdi a noção do tempo, e peguei o estranho hábito de fazer inscrições nas paredes da cela usando um botão de minha camisa. Eu creio que era uma forma de me manter são. Durante todo o tempo que fiquei lá não recebi nenhuma visita, nem comida nem bebida. Para mim estava claro que não se tratava de uma prisão normal.

Finalmente me tiraram daquele lugar pelo mesmo cara grandalhão. Me guiaram por um longo corredor e me jogaram dentro de uma sala incrivelmente clara, trancando a porta em seguida. Demorei algum tempo para me acostumar com a claridade. Quando finalmente consegui divisar mais alguma coisa além de borrões percebi que me encontrava numa grande sala circular de paredes, sem janelas e com uma única porta que se camuflava perfeitamente com o resto do comodo. Só o que havia ali era eu a maca onde estava sentado e uma pia cheia de aparatos estranhos e de natureza muito delicada.

Finalmente uma mulher entrou trajando um avental branco e luvas. Levei um choque ao perceber que se tratava da sra. Willians. Ela entrou distraída lendo uma papelada qualquer, parou na minha frente e um sorriso malicioso perpassou seu rosto.

— Sabe, — disse — eu nunca pensei que a estúpida da minha filha serviria para alguma coisa. — ela ria baixinho. — Você nos deu muito trabalho Dimitri. Mas agora tudo voltará ao normal. — Ela retirou uma seringa de cima da pia e inseriu um líquido verde limão de aparência neon. — Quer fazer um último pedido, querido?

— Não me chame de querido — eu explodia de raiva, mas este não era o momento de me deixar levar por emoções, precisava pensar em como sairia dali.

Mas não foi preciso: a porta foi escancarada e a Morte, seguida por Mona e um Karl muito assustado entraram por ela. Eu aproveitei o susto da sra. Willians para me desvenciliar dela e me juntar ao grupo.

— Como chegaram aqui? — perguntei sorrindo de felicidade ao vê-los.

— É uma longa história, explicaremos tudo depois — dizia Mona que se ocupava em mobilisar a mãe. Tinha uma arma apontada em sua cabeça.

— Agora, vamos à algumas respostas — ia dizendo a Morte...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.