Crônicas de Tasartir

6 Fogo! Queime-se no mar de chamas


Notas iniciais
Estive passando por crises de criatividade... Espero que gostem.

Finalmente posso afirmar com certeza. Meu elemento é fogo. Após o almoço e a conversa casual, pude então ter mais alguns momentos de treinamento elemental, e posso me assegurar com total certeza que meu elemento é fogo. Jude é trovão, mais do que obvio, e Ephraim é água. Irônico? Quase isso, e gerou boas risadas para Jude e Elliot que dizem que somos água e azeite. Definitivamente não é algo com o que possamos lutar ou até evitar, realmente somos opostos e neste caso ele não me é nada atrativo. Sofre de sérios transtornos de humor e geralmente zomba de meus fracassos. Agora minha única preocupação é conseguir colocar fogo em uma flecha em movimento. Parece impossível, mas o mestre me alegou que não é e que já vira muitos outros realizando tal proeza.

Se formar uma bola de fogo em minha mão já é tarefa complicada – porque ela vai estourar, com toda a certeza – lançar fogo no arco é extremamente perturbador pior ainda é aplicar chamas em um objeto que nem na minha mão está mais. Pensei em incendiá-la antes mesmo de sair do arco, porém minha arma seria incinerada em segundos e eu não tenho outro arco para repor e nem cara de pau para pedir um de presente de Elliot, ele já vem me sustentando, me fornecendo água e comida e até para minha mãe também, assim ele compensa a caça que não capturo mais. Isso já é esforço demais e estou dando trabalho exagerado para quem prometeu ser fácil e rápida. Por fim, não posso pensar em mais nada a não ser seguir as instruções de meu mentor, e me esforçar o bastante para que dê certo.

– Você pode se concentrar na seta antes de atirar, mas não tacar fogo nela antes de soltá-la. – Ephraim repete isto pela milésima vez naquele dia, pronunciando as mesmas palavras que Elliot.

– Eu sei! – Rosno irritada, e penso seriamente em tacar fogo em Ephraim e não na flecha.

– Estou tentando te ajudar! Ingrata! Além de grossa é ingrata... – Ele resmunga bem atrás de mim enquanto tenho os olhos semicerrados mirando a seta no alvo desenhado na árvore mais próxima. A voz irritante de Ephraim ecoa no meu ouvido e eu não consigo me concentrar.

– Cale a boca! – Chego a gritar abaixando o arco e o encarando indignada.

– Aposto que se eu fosse arqueiro faria isso em um piscar de olhos. – Murmura ele com os braços cruzados e uma expressão aborrecida. – Zira, admita você é péssima. – Diz ele pronunciando meu apelido que em sua boca me parece ofensivo. A raiva me abraça como uma boa amiga de muitos anos, e Ephraim se mantêm parado com uma sobrancelha arqueada.

– Você é um babaca! – Resmungo me virando novamente para o alvo na árvore.

– Pelo menos não sou fogo... Acabo contigo em dois segundos, criança. – Essa história de água ser superior a fogo dá uma boa deixa para o Petterfield mais novo me atormentar com frases provocativas.

– Vamos ver então. – Rosno apontando a seta bem em sua testa, e a pressiono sob a marca azulada que está lá e Ephraim tem um sorriso irônico nos lábios.

– Não é justo, me pegou de surpresa. – Diz ele com demasiada confiança de que eu não enterraria a flecha em sua testa.

Permaneço o deixando rendido assim até Elliot aparecer na porta da casa com um cajado em mãos.

– Ziraya! Você está louca? Quer mata-lo? – O mestre vem correndo, mas a distância é consideravelmente grande. E eu sorrio para Ephraim.

– Bem que deveria. – Sussurro forçando a flecha na testa do mesmo, que dá um passo para trás.

– Ah, quero ver você tentar. – Diz em um tom provocante demais, e eu então puxo o elástico realmente decidida a matar o guerreiro mais insuportável de todos. Quando vou soltar, uma parede de terra dura se põe sobre meu corpo, bem à frente e eu dou um passo para trás surpresa.

– Vocês dois são muito inconsequentes! – Posso ouvir Elliot gritar enfurecido do outro lado da parede amarronzada que parece muito sólida em minha frente.

– Ele me provoca! – Grito ainda com a voz furiosa, e Elliot faz um barulho que pareceu ser seu cajado tocando no chão. Instantaneamente a parede se encolhe e se aloja no chão, como se nunca estivesse surgido ali.

– Ela é uma incompetente, El! – Ephraim aponta para mim e diz isso aborrecido.

– Chega! Parem com isso! Vivem em pé de guerra, vivem se provocando, se continuarem com isso a única pessoa que vou treinar aqui será Jude. – O ancião grita e logo dá de costas enquanto marcha até a casa resmungando como os jovens de hoje são abusados.

– Porque a Jude? – Gritou Ephraim indignado.

– Porque ela é melhor que você, seu trouxa. – Retruco em intensa raiva por Ephraim não valorizar Jude o quanto ela merece. Ele a despreza somente pelo fato de ela ser humana.

– E melhor que você também pelo visto. – O rapaz de cabelos platinados grita comigo enquanto balança sua cabeça freneticamente e seus cabelos dançam ao redor de seu rosto.

– Não fale mais comigo! – Ordeno me virando de costas e num supetão soltando uma flecha.

A raiva faz com que minha visão fique turva e eu desejo mais intensamente que a seta pegue fogo, e aí então Ephraim verá que não sou tão ruim quanto ele pensa. Mas nada aconteceu.

Eu bufo derrotada, e tiro outra flecha de minha reserva.

– Você nunca vai conseguir. – Ele canta provocativamente atrás de mim, e eu tento ignorá-lo, sem muito sucesso e por fim, finjo que ignoro.

Eu sinto meu corpo pulsar em ira e mordo meu lábio inferior e não gritar obscenidades para meu colega atrevido.

Respiro fundo algumas vezes, e encaixo a flecha no arco com determinação. Eu tenho que ser boa, ou então tudo que eu mais quero não relará nem nas pontas de meus dedos. Eu tenho que ser melhor que Ephraim, e mais inteligente que Jude se eu quiser realmente causar algum impacto na guerra infinita.

Penso no meu pai. Ele não estaria orgulhoso pelo motivo pelo qual luto, mas estaria feliz pela minha perseverança e talvez pensar nele me traga algum tipo de sanidade.

Ótimo, isso tem de dar certo. Puxo o final da flecha juntamente com o elástico duro, e semicerro meus olhos me concentrando apenas na flecha. Torno-me ela durante estes segundos, e me permito sentir minha própria pulsação em ansiedade.

Agora eu sou a flecha. Primeiro passo dado, porém isto não é nem metade do que quero que aconteça.

Pondero alguns segundos e posso ouvir o vento zunir em meus ouvidos enquanto me mantenho presta no elástico e em minhas próprias mãos. Eu sou a seta.

Solto a respiração com a boca, e meus lábios ficam semiabertos quando finalmente adoto-me de coragem e puxo o elástico em seu limite. Sem hesitar, solto-o e me vejo voando urgentemente em direção a árvore.

Eu tenho que pegar fogo, agora, antes que eu encoste no tronco e aí será tarde demais. Vamos! Faça algo!

Eu forço mas nada acontece, e já é tarde demais para tentar sentir juntamente a mim a natureza, e então desisto mais uma vez derrotada.

– RÁ, RÁ! Estou dizendo, você é uma perdedora. – Ephraim gargalha sonoramente a longos metros atrás de mim, e uma raiva descomunal me preenche.

Eu não sou perdedora!

Tenho vontade de rosnar e lhe puxar os cabelos, mas percebo que não tenho mais controle sob meu corpo, eu ainda sou a seta e ainda não alcancei o tronco. Eu estou quase lá, quando o calor me envolve de jeito materno e eu volto rapidamente para dentro de mim.

Lá está, a seta a dois segundos de tocar o alvo. Em chamas, perfeitamente como eu havia planejado.

Obviamente não saiu como nos conformes, e nem é como eu imaginei que seria, é tão intenso que quase não consigo voltar para dentro de mim mesma. Mas isto querendo ou não, é graças às palavras estúpidas e irritantes de Ephraim.

Ele? Ele se calou, e observou a seta tocar a árvore com violência e então começar a transformá-la em cinzas imediatamente.

A felicidade é tanta que eu dou um salto de animação, e um grito esganiçado foge de meus lábios. Começo a gargalhar de forma vitoriosa e vejo Ephraim que não parece zangado com minha conquista.

– Rá! Eu disse! Eu consegui! – Digo entre gargalhadas e tapas fracos nos ombros de Ephraim que mesmo de má vontade me ajudou. – Obrigada! – Agradeço rindo enquanto lhe dou um ultimo tapa no ombro, e começo o treinamento novamente, desta vez já tendo ao menos uma noção de como se fazer.

Puxo a seta com confiança, e então a atiro tentando colocá-la em chamas novamente. Mas algo saiu errado.

– Rá, rá! Você precisa de mim para te irritar, bonequinha? – Ephraim debocha enquanto me dá um leve empurrão no ombro. – Você é cômica. – Completa marchando até a casa e entrando ali, me deixando sozinha enquanto praguejo e tento pensar no quê deu errado.

Com certeza foi a falta de irritação no meio do arremesso. Com certeza foi a falta de ira durante todo o tiro, eu terei de trabalhar nisso. Não terei Ephraim no meu ouvido me ajudando o tempo inteiro.

Suspiro e puxo outra flecha, e faço isso a tarde inteira tendo sucesso em apenas mais duas delas. E até então eu me sentir totalmente cansada e pesada para continuar com o treinamento. Coloco o arco nas costas e marcho até a casa. Jude sai do meio das árvores com o rosto pálido e ofegante, e logo atrás vem Elliot caminhando suavemente.

– Como foi seu treinamento? – Pergunto sorrindo de maneira simpática, não suportando a vontade de lhes dizer que consegui ao menos algumas vezes o prometido.

– Foi... Cansativo... Demais... – Ofega Jude, que tropeça e é segurada por Elliot que a mantém em pé enquanto a mesma mal se move de tão exausta que está.

– Como? Como ela ficou tão esgotada? – Pergunto ajudando o mestre a levá-la até dentro da casa.

– Ah querida, ser a médica do grupo é uma tarefa complicada. Ela tem de se sacrificar pelos outros, e então estávamos treinando isto. Enquanto eu me auto mutilava, ela tinha de me curar sem remédio algum, apenas com sua força espiritual. E vê? Não tenho um corte! Mas ela ficou muito esgotada. – Explica ele enquanto atravessamos a porta da casa, e colocamos a pequena deitada sobre o sofá de espuma. Ela continua respirando ofegante e hora ou outra tosse compulsivamente.

– Isso realmente a esgotou. – Digo me sentando no chão, de frente para o sofá e afagando sua cabeça que está apoiada no braço do sofá preguiçosamente.

– Eu... Água. – Ela sussurra e então eu arregalo os olhos.

– Ela quer água mestre. – O alerto e então ele atravessa a sala em dois passos e volta com um cantil de água da cozinha. Eu em um impulso tomo o cantil de suas mãos e levo-o a boca de Jude que o devora em alguns segundos.

– Melhor? – Pergunto depois de ela ter terminado, coloco o cantil no chão afagando ainda os cabelos de minha amiga que está tão frágil. Ela assenti muito discretamente e um sorriso agradecido se forma em seus lábios. Beijo sua testa e vejo Elliot me chamando para ir para a cozinha.

Elliot não se senta, logo vai em direção ao fogão a lenha e coloca uma porção de água que colhe da bica numa caneca enorme de aço que é muito raro por aqui.

Os Petterfield são tão ricos e bem de vida, pois Elliot passou sua vida inteira fazendo missões para ajudar os moradores da vila e arredores. E claro isto lhe trouxe bastante dinheiro já que cento e vinte anos, mais da metade deles dedicados a isso deve ter-lhe resultado em uma boa poupança.

E sei que de tempos em tempos ele pega uma missão leve para fazer, diz que é para não perder o costume.

Sinto vontade de me sentar, pelo cansaço da tarde de treino, mas a vontade passa instantaneamente quando vejo Ephraim comendo uma maça extremamente verde sentado na cadeira com os braços apoiados na mesa de madeira.

– Sente-se. – Mandou o mestre com uma voz rouca demais. Assustei-me, e me lembrei do conflito de mais cedo. Ele realmente ficou aborrecido pelas faíscas das brigas entre eu e Ephraim terem resultado em um quase homicídio de minha parte. Sem hesitar me sento, e meu estomago ronca quando sinto cheiro de café vindo do fogão onde Elliot trabalha em mexer e esperar. Café é algo caro, e é um luxo que só tenho a minha disposição depois que me passei a ser aprendiz de Elliot.

O mestre serviu-nos em silêncio e se sentou ao lado de Ephraim e de frente para mim, enquanto toma seu café fervente, no entanto nenhum deles se preocupou em dirigir a atenção para mim. Tomei meu café com pedaços de pão adormecido no silencio cômodo. Cômodo porque tenho certeza que a bronca que levaremos será enorme, o silencio é preferível a isto.

– Você realmente pensou em matá-lo? – O ancião cortou o silencio pelo meio, e eu engoli em seco.

– Não... – Eu digo prolongadamente, mas na verdade isso é uma grande mentira. Eu estava irritada e a única coisa que eu queria ver era o sangue jorrando de Ephraim, para ver se ele se mantinha em silencio.

– Mentira! – Elliot bateu na mesa, mas disse de forma contida. Eu claro me assustei, e Ephraim também pelo visto, pois tinha os olhos arregalados e um sorriso surpreso ameaçava sair de seus lábios quando ele me olhou com uma expressão cheia de perguntas. Neguei com a cabeça para ele com a mesma expressão, e senti vontade de rir como ele. Contive-me e esperei para ouvir em silencio o que Elliot teria para dizer.

– Vocês parecem duas crianças! Ficam discutindo o tempo inteiro, se estapeando o tempo inteiro, se xingando o tempo inteiro, isso dá nos nervos! – Rosna o homem colocando sobre a mesa toda a sua irritação. Ephraim é tão imprudente que solta uma risada baixa.

– Do que você está rindo, Eph? Você é pior que ela! Fica o tempo inteiro a infernizando... Até parece um moleque enxerido. – Diz o mais velho, porém o outro continua rindo cada vez mais alto.

– Ele é um moleque enxerido. – Concordo dando bastante veemência no “enxerido”. Ephraim só acha graça, enquanto eu e Elliot nos mantemos calados.

– Vocês fazem um escândalo... Eu só estava brincando com ela. E mesmo assim, por conta da minha brincadeira ela conseguiu achar o método para o treinamento. Você tem de me agradecer, Zira. A-GRA-DE-CER! – Diz ele tomando um gole de café, e depois negando com a cabeça rindo.

Eu estava brincando. Ele me provoca, me diz tudo que pensa e logo depois diz que está brincando e fica tudo bem. Sinceramente, o próximo objeto no qual vou tacar fogo, é o membro de Ephraim para ele deixar de ser tão abusado.

– Você... Você conseguiu? – O mestre agora pergunta de jeito pacífico e um sorriso ameaça se formar em seus lábios.


Touche!


Tenho que admitir, Ephraim sabe lidar com o irmão, aliás viveu a vida inteira com ele, mas mesmo eu o odiando, solto um sorriso debochado para ele, que mais pareceu de felicidade para Elliot.

– Sim! – Digo com uma felicidade descomunal. – Com a ajuda de Eph. – Completo o chamando pelo apelido. Ephraim ergue uma sobrancelha e rola os olhos para minha encenação.

– Vocês fizeram as pazes e eu aqui... Ah, deveriam ter me avisado. – Elliot diz se levantando e pegando os copos de nossas mãos. Troco um olhar desconfiado com Ephraim, e volto a conversar com meu mentor.

– Sim, foi bem diferente do que eu imaginei, mas por fim, consegui incendiar três setas. – Digo enquanto olho para a madeira da mesa e deslizo o dedo sentindo as saliências da mesma, enquanto ouço a água da bica se chocar contra o tanque onde Elliot estava ensaboando os copos enquanto tentava tirar os longos cabelos pálidos de sua visão.

– Isso é bom, muito bom. Mas porque não me disse antes?

– Ah, fiquei distraída com Jude. – Digo.

– Não precisa se preocupar, ela ficará bem. – Elliot diz, e me lança um breve sorriso de conforto e volta a prestar atenção em sua louça.

Ephraim se levanta e vai até a sala, me lançando um olhar sugestivo que supus ser um convite para que eu o seguisse. Assim fiz.

Saímos pela porta da frente e Ephraim tomou certa dianteira entrando no meio das árvores. O céu já está rubro com o poente, e os tons rosa e alaranjados deixam tudo parecer um espetáculo a ser assistido. O vento já é bem mais gélido, mas a noite ainda demorará a dar as caras realmente. Eu o sigo em silencio, e então o rapaz alto de cabelos platinados se senta bem a beira do rio, e tira suas botas molhando seus pés longos de dedos finos.

– Que pé feio. – Rio sonoramente, e me sento ao lado dele, sem tirar a bota ou o comentário que surgirá poderá ser mais ofensivo que o meu. Ouço-o bufar e remexer os dedos dentro da água.

– Vamos fazer um acordo. – Ele começa, então eu assinto, esperando qualquer coisa menos algo realmente sério. – Sem brigas, sem socos no estômago, e principalmente... – ele levanta o dedo indicador e aponta bem para o meu nariz. – Chutes no meio das pernas. – Diz baixo e eu gargalho alto.

– Isso só beneficia você. – Acuso olhando para o céu.

– Tudo bem, e pelo meu lado... Não vou mais tirar sarro de suas ‘desabilidades’ – Ele diz com a voz séria. Eu rolo os olhos esperando por mais alguma coisa, mas Ephraim se mantém em silencio.

– Você está com ciúme. – Zombo quando me lembro do primeiro dia de treino, quando fui mostrar o que poderia fazer para Elliot, ele quase esqueceu o irmão mais novo, dividindo sua atenção entre mim e Jude.

– Ciúme? De quê, posso saber?

– Ciúme porque tem que dividir seu mentor comigo, aliás, seu irmão... E raiva por naquela noite eu não ter pensado no que me disse e não ter desistido assim como você queria. – Retruco recebendo um olhar que faísca em revolta.

– Depois o babaca aqui sou eu! Confesso que a parte do ciúme é meio verdade... – Tenta se justificar enquanto eu solto uma gargalhada amarga. – Ei, não ria! E eu não terminei, e também eu fui ali porque naquela época eu ainda achei que você fosse alguém que merecesse uma vida feliz. Mas eu me enganei! – Rosnou tirando os pés da água e batendo-os na grama.

– Você não aceita o fato de eu ser mulher e ser tão boa quanto você. – Me levanto o seguindo, ele marcha pisando forte até a casa enquanto bufa alto.

– Você não é tão boa quanto eu! – Praticamente grita em desaprovação e eu faço questão de soltar uma risada sonora e carregada de ironia.

– Admita! Você passou grande parte da sua vida tentando controlar seu maná, e só agora veio ter resultados. Em uma semana eu consegui fazer o que você não fez em cinco anos. – Debocho e então descubro o porquê de Ephraim me provocar tanto. Porque é bom, vê-lo vermelho de raiva a ponto de explodir enquanto eu somente rio é algo realmente que vou levar para o caixão.

– Cale a boca! – Ephraim ruge parando e se virando para mim, mas eu mantenho minha expressão divertida.

– Desculpe Eph, só estou brincando com você. – Digo me lembrando de quando ele disse quase as mesmas palavras para mim, e imito seu jeito.

Ficamos longos segundos trocando olhares desafiadores parados no meio de toda aquela imensidão verde, porém ali é um lugar completamente seguro, é muito próximo da casa. Ephraim pareceu se acalmar, e logo esboça um sorriso forçado.

– Certo, eu acho que mereci. – Murmura para si mesmo.

– Acha? – Retruco pressionando o olhar e coloco a mão na cintura. Tamborilo os dedos no meu cinto de couro e vejo que nem tirei o arco das costas.

– ESTÁ BEM! Certo! Paz, tudo bem? Não te infernizo mais. – Ele diz se virando em direção a casa, e caminha mais calmamente até lá.

Sorrio satisfeita.

E caminho lentamente na mesma direção em que Ephraim foi, terei de ver como Jude está. Caminho em passos largos até então entrar pela porta da frente e vê-la saindo da cozinha com Elliot ao seu lado.

– Está melhor? – Pergunto me aproximando dela e a abraçando com força.

Jude é importante demais para mim, e isso é uma coisa ruim, já que formar laços tão fortes com companheiros que vão para a guerra comigo é a atitude mais idiota que eu poderia ter. Ao menos tenho somente Jude, e não tem chance alguma de apego com Ephraim, mas ainda sim é uma grande bagunça realmente amar um companheiro de time. Se ela morrer? Eu vou morrer junto certamente, e isso não pode acontecer. Tenho que estar de pé, pronta para o embate mesmo que alguém querido morra. Eu não posso fraquejar, ou tudo explodirá e a única coisa que restará serão cinzas, se ainda isso.

– Estou, vamos para casa. – Ela diz, e nos despedimos de nosso mentor e caminhamos silenciosamente em direção à vila.


Notas finais
Simplesmente amo escrever sobre as brigas da Ziraya e Ephraim, eles são cômicos... Enfim! Mereço reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.