Notas iniciais
Desculpa a demora gente. e-e Bem, se os capítulos estiverem ficando curtos, agradeço se colocarem nos comentários. Obrigado a aqueles que acompanham, Boa leitura!

Wyllien

Já era noite quando saíram da capital. Tinham partido ainda na movimentação do comércio, para Wyl, seria mais fácil não dar de cara com nenhum cavaleiro da guarda, ainda mais que o distrito a qual se encontravam era o menor da cidade, e a rua estreita e sem saída, fechada pelo mais caro bordel de todo distrito. Enquanto estavam à vista das grandes muralhas brancas e verdes, tentaram galopar o mais rápido possível, ou o suficiente para se distanciar. Wyl lembrará quando era pequeno, quando vinha com o pai e com irmão para tratar de assuntos reais. Lembrava-se de quando ele e Sirius corriam pelo palácio real, sentiam-se príncipes, e até brincavam de tal com a princesa, mas quando Castelo Cinza foi atacado, se separou do irmão, do pai, da mãe e de todos. Suas recordações se transformavam em cinzas nos seus sonhos, porém continuava a viver, até encontrar algo pelo que morrer, mas Mestre Aron sempre lhe dissera que um homem deve escolher viver, dependendo de suas circunstâncias, deve encontrar algo para viver, e então passará a pensar.

– Onde estamos? – Resmungou Jon, quebrando um silêncio que Wyllien realmente gostava.

– Não sei. Acho que perto das Terras de Callan, ou Bosque Sangrento, ou Baía dos Bardos – Disse Wyl – Acho.

– E o mapa que iria comprar, onde está? – Jon tomou o lado de Wyl.

– O mapa! – Afagou a crina do seu alazão negro enquanto ria.

– Você o esqueceu? – Gritou Jon – Mas que porra, Wyl .

Wyl só parou com suas gargalhadas após alguns minutos, enquanto Jon resmungava alto em sua frente. O vento acariciava o rosto de Wyl como um leve beijo fresco de uma dama, enriquecido com os cheiros dos grandes pinheiros que os rodeavam, pomares e campos bem tratados se estendiam até o horizonte, aonde terminava em uma praia limpa, onde se localizava uma pequena vila pesqueira, e depois o mar. O imenso e azul fazia Wyl sonhar, crepitava quando as ondas chegavam à superfície, e Wyl se concentrava para ouvir. O lugar era lindo, a lua minguante que pairava no céu refletia na imensidão aquática, e iluminava o vilarejo ali perto. Às vezes Wyllien queria só ter um pouco de paz, saber que o irmão está vivo, e fugir, talvez para as cidades comerciantes no sul, ou iria navegar, para a cidade imperial talvez, ou iria se casar e ter uma vida modesta ao lado de uma bela mulher, e teria filhos, uma garota e um garoto, e talvez um dia, moraria ali, naquele vilarejo modesto. Quando qualquer vestígio do sol começou a aparecer, pararam em frente a uma taverna para descansar, voltariam a galopar durante o dia, além de mais seguro, a taverna era bem escondida, e o caminho para ir até ela era entre as árvores negras, que dificultavam a entrada de cavalo ali, por isso guardas não iriam se atrever, até por que nem ao menos sabiam do lugar. Ficaram com o quarto mais modesto da taverna, porém a cama era boa, e havia um jarro de vinho ao lado de pequenos bolinhos de cereja sobre uma pequena mesinha de carvalho com seda branca cobrindo-a. Wyl deixou suas armas e sua camisa de lado, e adormeceu, não esperou nem mesmo a comida. Quando finalmente conseguiu sonhar, foi um sonho terrível. Via tudo negro, enquanto as pessoas eram traços brancos, com as órbitas dos olhos vazias também brancas. Ruídos saíram da boca das pessoas como se elas tivessem-lhe avisando algo, gritando e correndo, então correu para os braços do pai em um jardim morto, o ar pesava com cheiro de morte. Olhou para o pai, e viu que os olhos do pai estavam negros, com apenas a íris vermelho com sangue escorrendo no lugar de lágrimas e entendeu o que ele lhe disse.

– Por que fugiu Wyl? – Choramingou a aberração que era seu pai – Por que nos deixou para morrer?

Tentou gritar, porém sua boca não havia no rosto, e então a imagem mudou. Era em Castelo Cinza. Estava correndo com Sirius, desta vez via o sonho cinza, porém ouvia as risadas do irmão. Tudo está bem. Seguia as risadas do irmão, com os pés descalços sentindo a pedra fria sobre seus dedos. Tudo está bem, Tudo está bem, Tudo está bem. Os risos do irmão se tornaram mais intensos, e então correu. Abriu uma porta e o viu lá, no chão frio, morto. E então acordou.

– Tudo está bem – Levantou-se da cama com rapidez. Estava suando. O suor escorria da sua testa quando parou para pensar no irmão. Onde você está Sirius?

Ao nascer do sol já estavam preparados. Wyl não teria pregado no sono, teria apenas deitado e fechado os olhos, dizendo o que sempre dizia ao irmão quando ficava com medo, Tudo está bem. Pensava no sonho, lembra-se da aberração que era o pai, lembrava-se do irmão morto no chão, com o ursinho de penas que a mãe lhe fizera. Wyl tentou esquecer o sonho, porém as lágrimas que vieram em seu rosto o fazia lembrar todo minuto. Tudo está bem, pensou, e então Jon tomou seu lado a galope e o arremessou uma folha de papiro enrolada em uma fita vermelha de seda.

– O que é isso? – Perguntou Wyl ainda com as imagens na cabeça.

– O maldito mapa – Respondeu Jon com raiva – Desta vez tenta manter esse.

– Claro, Vossa Majestade – Riu, e fez uma reverência mesmo de cima do cavalo. Jon riu, e Dyrin os acompanhou, porém Wyl fingia esquecer o sonho.

Galoparam em silêncio profundo, porém agora, estariam na estrada real, Wyl achava que seria melhor ir depressa, ao menos até sair do território da cidade. A estrada, feita de terra batida, possuía mais beleza que as outras estradas. Campos se estendiam planos, com algumas arvores, e pomares carregados. Seriam capazes de ver a torre do septo, lá longe, no fim dos campos, não enxergariam bem, mas seriam capazes de ver que era a torre em forma de espada, que agora provavelmente teria uma vela em homenagem a Espada de Guerreiro. Wyllien nascerá na Espada de Guerreiro, e por isso a mãe lhe chamava de “Wyl, o Bravo”, e após ouvir tanto a mãe, passou a treinar com o irmão com cabos de vassouras pintados. Lembrará que sempre ganhava do irmão, pois ele era o mais novo, e só queria ser igual á Wyl. Wyllien lhe ensinará tudo que sabia, e Sirius ficará quase tão bom quanto o mesmo, porém isso nunca mais aconteceu.

– A lenda de um único guerreiro – Cantou Dyrin – Que lutou e massacrou duzentos bastardos!

– Diga seu nome! – Jon o acompanhou.

– Ulfrid, o Vermelho! – Gritou Dyrin.

O canto do dia da Espada do Guerreiro era sobre Ulfrid, o Vermelho, um dos guerreiros que lutou contra duzentas malditas criaturas do rei Mago, Wyl só acreditava no rei Mago como conto para dormir, mas não para a realidade.

– Wyl, por que está quieto? – Perguntou-lhe Dyrin – Já sei. Teve um daqueles seus sonhos malditos?

– Sim, mas não foi nada, não se importe- Responde Wyl, afiando a espada negra com uma pedra de amolar.

– Por que não canta? – Dyrin sabia que Wyl adorava o conto de Ulfrid, mesmo que não acreditasse nele.

– Estou cansado, só isso – Mentiu Wyl. O que sentia, era mais que cansaço. Dor, infelicidade, terror.

– E então, Wyl, o dia de seu nome chegará em breve. O que acha que faremos para comemorar? – Jon agia como irmão mais velho para Wyllien, assim com Wyl agia como um irmão mais novo.

– Jon, acho melhor eu ficar trancado em meu quarto lendo alguns livros. Mestre Aron me deu alguns bons contos, alguns da primeira ERA, outros da segunda, e alguns sobre império, pretendo lê-los antes do Dia da Serpente – Sentiu a boca seca, e então levou um odre de vinho até ela e deu um gole rápido antes de sentir o gosto do amargo vinho.

Os cavalos ficaram cansados após algumas horas de viagem, então pararam e desmontaram e alimentaram os cavalos. Deram um bocado de aveia, e maçãs e um pouco de água que carregavam em um odre de couro especialmente para os cavalos. Montaram depois que descansaram e prosseguiram. Deveriam chegar à vila ao anoitecer, pararam na cidade para se abastecer, e também arranjar alguns Valanires, mas acabaram arranjando mais confusões. Saíram da estrada, e galoparam por pastos, enriquecidos com ovelhas cheias de lã, que fazia parecer que eram gordas. O céu estava com várias nuvens, e o sol pairava em cima de Wyl e dos outros, e então voltaram para a estrada de terra batida, e descansaram os cavalos em uma sombra agradável aonde o ar era fresco. Pouco tempo depois de desmontarem, uma comitiva com cerca de cinquenta homens de armas era capaz de ser vista ao longe da estrada, e então puxaram os cavalos para perto, quando a comitiva chegou, um homem que parecia ser intendente, e que carregava um estandarte de um cavalo negro com a crina laranja em fundo cinza começou a falar com Jon.

– Sabe há quanto tempo fica Lei porto, garoto? – Disse o homem.

– A cinco léguas daqui – Jon esticou o dedo em direção à torre – É só seguir aquela torre.

– Obrigado, jovem. Se eu fosse vocês, não iriam nesta direção, a terra queima mais ao sul, está tudo queimado.

– Sim. Obrigado – Jon falou docilmente, e sorriu.

Quando a comitiva prosseguiu o caminho, um palanquim tinha sido erguido do chão, era carregado por dois cavalos obesos, que seguiam lentamente o resto da comitiva. Quando A comitiva finalmente sumiu, Wyl percebeu que não era só cinquenta homens, era quase o triplo deste número, e percebeu que não uma comitiva de viagem.

– Não acha estranho? – Começou Wyl – A estrada menos movimentada é escolhida por uma comitiva. Poderiam ter usado a estrada da coroa, porém escolheram a vazia.

– É coincidência, Wyl – Afirmou Dyrin, enquanto tocava para si mesmo uma harpa.

Montaram os cavalos e prosseguiram. Saíram então da visão dos pastos, entraram em um bosque negro, com árvores escuras, e folhas violetas, com arbustos queimados e secos. Algumas árvores só estavam os galhos, com as folhas queimadas. O vento trouxe fagulhas para o alto, enquanto uma pequena chama cobria as folhas no chão. O céu já não era tão lindo quanto antes, estava cinza de fumaça, e cada vez que prosseguiam, as fumaças engoliam as nuvens, e o céu azul também. Saíram do bosque, e então estavam novamente na estrada, agora em terra lamacenta. Pegadas de cavalos e cachorros de caça se projetavam na terra lamacenta, enquanto mais para frente, viram marcas de botas. Seguiram então ao lado contrário das marcas no chão, adentraram a floresta que possuía ali perto, atravessaram plantações, casas e vilarejos queimados, e depois de tanto caminhar, encontraram um castelo, em chamas, contornado também por uma muralha em chamas. Está tudo bem. Adentraram as muralhas em chamas, e viram corpos espalhados por todos os lados, tudo em chamas, a pequena vila que estava ali tinha sido totalmente queimada. O cheiro de carne chamuscada congestionava o local, e então prosseguiram para o salão principal depois de passar pelos corpos, e pelo vilarejo queimado. Quando entraram no salão, viu que aquilo era um inferno. Sangue derramado no chão, enquanto espadas tomavam o lado de homens mortos, tapou o nariz com as costas da mão para apaziguar o cheiro. Wyl percebeu que estava novamente naquele inferno de chamas, estava novamente em casa.