Crônicas de Mikvar - As Chuvas de Inverno
9 Capítulo 9 - Wyllien III
Notas iniciais
Wyllien
Wyl não parava de pensar nas terras de Callan. Está tudo devastado, novamente. Meio ano antes, os homens de Lorde Joramun Marsh viriam do Norte expandindo seu reino de bárbaros, roubando tudo que os Thorne tinham, inclusive Castelo Cinza, onde residiam. Isso é bom... assim.. Sirius pode assumir como Senhor de Callan. Pensou, Afinal, nunca iriam aceitar um ladrão.
– Esqueça um pouco, Wyl. – A voz de Jon fez com que acordasse de seus pensamentos. O homem alto às vezes agia como seu irmão, protetor demais – É passado.
– Eles mataram até as crianças. – Apertou as cordas da sela.
– Malditos sejam. Os deuses cobraram deles. – Disse Jon em tom de raiva.
– Quando se tornou tão devoto? – Disse Dyrin, e riu.
– No dia em que levei a puta de sua mãe para a minha cama. – Ambos deram gargalhadas, Wyl só sorriu. Cavalgaram pela estrada norte de Callan, e depois seguiram pela floresta leste, onde novamente seguiram para o Norte, as escondidas de viajantes. Ao longo da noite, pararam para descansar e reabastecer os cantis, enquanto se alimentavam de frutas maduras que encontraram em um pequeno porão no castelo dos Marsh, porém não paravam mais do que cerca de cinco minutos, e prosseguiam numa cavalgada forçada. A lua já cobria os céus quando pararam em uma taberna para descansarem de vez. Alugaram três quartos separados, e não se viram mais após isso. Wyl comeu no jantar frango assado com ervas, e hidromel e foi se banhar. Após o banho de água quente adormeceu na cama de penas. Sonhou novamente com Castelo Cinza. Estava correndo junto com o irmão no pátio de treinamento dos soldados, como espadas de madeira nas mãos.
– Vou lhe dar a justiça do rei, Wyl! – Disse Sirius logo atrás.
– Eu sou Wyl, o maior criminoso de todo mundo! – Gritou em resposta o pequeno Wyl. Corriam pela o pátio coberto por neve, soltando gargalhadas e risinhos, e às vezes Sirius parava para descansar e Wyl fingia que estava igual fadigado para que o irmão não se sentisse fraco, porém o irmão parou para descansar inesperadamente, e fez com que Wyl tombasse e caísse o levando junto. Giraram pela neve dando soquinhos uns nos outros enquanto davam gargalhadas, pararam então. Wyl viu que a neve já não era branca, era vermelha e o irmão encontrava se ensanguentado. Logo apareceram os corpos de sua família, e depois do pessoal de sua casa. Murs, o mestre da caça, Sor Creigton, Senhor da guarda, Senhorita Catelyn... todos com que viveu por anos; o chão se abriu e levou ele com os corpos. Tentou gritar, mas a voz não veio e única coisa que pensou foi. Espere... Espere... Eu não estou morto, eu não estou morto!
A escuridão passou desvanecer.
Acordou num quarto iluminado pela luz que vinha da extremidade da porta, e estava sozinho no quarto, sendo vizinho apenas de uma bancada, um guarda roupa seu par de botas, e suas luvas que estavam sobre a bancada. Vestia apenas uma calça de veludo e agora seu colar poderia ser visto. Estava tanto tempo sem vê-lo que se esqueceu de que o tinha. Um pingente de hexagrama de prata com uma única pedra brilhante com linhas de azul-acinzentado no meio vê-lo fez se lembrar de muita coisa.
– Um dia este pingente virá a te servir – Lembrou-se no dia que seu pai, Signeth Thorne deu lhe o pingente – Assim como a seu irmão também. – Lembrou-se também se seu sorriso. O último. Calçou as botas e foi até o guarda roupa, sentia-se descansado de toda viagem, por mais que os sonhos ainda o perturbasse, se sentia bem e descansado. Vestiu uma camisa de lã e saiu do quarto, e tapou os olhos para dissipar a luz que saia da veneziana direto para seus olhos. Sentiu que um mão o puxou para as escadas pelo ombro, e então tirou as mãos dos olhos para ver. Era Jon.
– Wyl, Wyl, Wyl! – Cantarolou Jon em um tom calmo. Tinha em mãos uma taça de madeira transbordando de cerveja.
– Acho que já bebeu demais, Jon. – Disse tentando se afastar, porém Jon o empurrava para descer as escadas. Desceram rapidamente a escada em espiral, e Wyl tentou segurar em algo enquanto Jon o empurrava.
– Muito bem, paizinho. Se me lembro, você está morto a muito. – Disse Jon e deu um risinho. As vezes Jon passava dos limites, porém depois de muitas e muitas e muitas taças de cerveja. O salão da taverna estava quase vazio, mas os poucos que estavam cantarolavam para cá e para lá com uma taça de tinto ou cerveja enquanto as mulheres estavam trocando carícias com Dyrin e com outros três homens que estavam ali, e o frio subiu a barriga de Wyl. Droga, são da guarda real! Pensou. Soltou-se logo de Jon, e se aproximou da mesa de Dyrin que estava coberta por seda e vários pratos. Pato assado, Sopa de ameijoas, Javali coberto com mel e ervas, um jarro de hidromel, e outro de cerveja, além de diversos tipos de pratos de frango. Sentou-se a frente de Dyrin.
– Está sóbrio? – Perguntou Wyl tentando não prestar muita atenção nos guardas, e levou um corno de cerveja aos lábios.
– Mais do que Jon, eu lhe garanto. – Ambos olharam para o alto rapaz louro que estava agarrando e dando beijos a uma funcionária da taverna, enquanto balançava e cantava ao mesmo tempo.
– Até eu garanto isso. – Deu uma risada para distrair os guardas – Preste atenção, á guardas reais atrás de você. – Sussurrou. Dyrin tomou a compostura e retirou a garota que estava sentada sobre sua perna, e começou a mexer com a espada na bainha para soltá-la.
– Quantos? – Disse Dyrin olhando sobre o ombro. Wyl puxou seu rosto.
– Não olhe. – Os guardas começaram a notar a cautela dos dois e começaram a conversar uns com os outros. – Três. Vestem cota de malha e elmo de ferro.– Começou a soltar a sua espada também – Um deles parece ser um oficial. Veste uma túnica por cima da cota de malha, tem os símbolos do rei estampados. – Dois guardas se levantaram para falar com o oficial que os olhou, Wyllien disfarçou o olhar e sorriu para Dyrin, com um sinal feito com a mão os dois guardas começaram a caminhar até ambos e pararam em frente a mesa de tais. – Sim, senhor? – Disse Wyllien com cortesia.
– De onde vocês vieram? – Um dos guardas disse com a mão no cabo da bainha.
– Da capital. Por quê? – Perguntou-lhe Wyl ainda mantendo a farsa.
– Qual o nome de vocês? – O outro guarda disse. Wyllien sorriu para ele, e trocou olhares com Dyrin, e de repente ambos já tinham as espadas nas mãos, e começaram a trocar golpes contra os guardas. Wyl levou a lâmina para dar uma estocada contra o peito do mesmo que desviou facilmente e lançou uma contra a mão de Wyl, que girou para o lado esquerdo e lançou uma estocada contra a barriga do guarda, que se defendeu com a lâmina, e fizeram as espadas se beijarem por um bom tempo, até que Wyl lançou uma estocada contra a barriga da perna do guarda que caiu de joelhos. Torceu a mão do guarda para fazer a espada de tal cair, e foi a frente do mesmo. Fincou-a lâmina no coração do mesmo, e o sangue começou a jorrar, ensanguentando a cota de malha e então viu que o Oficial estava no chão, chorando enquanto as mulheres que trabalhavam na taverna estavam choramingando num canto. Dyrin decapitou o homem assim que embainhou a espada.
– Rápido, como sempre em, Wyl? – Embainhou a espada e foi atrás de Jon que estava caído, dormindo. Wyl se aproximou do Oficial e abaixou-se em sua frente.
– Qual seu nome? – Disse calmamente, Wyl.
– S-sou Rodrik... M-me deixe ir, por favor! – O guarda choramingava como as mulheres, e tinha se mijado todo. – E-eu tenho família!
– Deixe-me lhe contar uma história, Rod. – Wyl retirou seu punhal do lugar e começou a passar os dedos na lâmina – Meu irmão nunca foi cortês, não se preocupava com o seu jeito de agir, nem de falar, mas sempre foi piedoso demais. Já eu, era educado o suficiente como o herdeiro do meu pai, não tinha com o que me preocupar, mas uma vez meu pai me disse que certas vezes a piedade tem ser esquecida. – E cravou a lâmina no coração do Oficial – Eu sempre fui o cruel da família.
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