Crônicas de Arkauss
4 Capítulo 4 - Encontro Inesperado
Notas iniciais
Assim que amanheceu, Connor já estava de pé. Uma coisa importante haveria hoje, e ele deveria estar no Castelo das Rosas ate o anoitecer, por sorte o castelo não era longe, mas o azar é que ele precisaria sair dali o mais rápido possível, atrasar-se não era uma opção. O próprio Rei Nicolas havia solicitado sua presença, era algo grandioso e honroso e por isso Connor não pretendia ver Luna, ele sabia que uma eventual despedia o faria demorar. Arrumou seu cavalo, pagou o homem pelos dois quartos e partiu bem cedo, sem sequer se despedir da nova amiga.
Essa decisão o deixou incomodado desde que passou pela porta da jovem que dormia serenamente.
Sua viagem continuava no mesmo ritmo, não era fácil manter sua cabeça longe de Luna, deixa-la sozinha parecia tão cruel, sua beleza era tão evidente, a gentileza, a sutileza, tudo nela reluzia, ate mesmo seu sinistro poder que a amaldiçoou por todos esses anos não era assombroso para Connor. Mas ele precisava se manter firme, mandou seus pensamentos embora, e prosseguiu, apenas pensando em uma possível missão de estreia.
Um pouco antes do entardecer o jovem consegue chegar ao castelo, ele pede a um pequeno menino que se encontrava ao lado da entrada do portão principal para vigiar seu cavalo, o menino inicialmente se recusa.
— Vamos, eu não irei fazer nada demais. Aqui, te darei uma recompensa, duas moedas de prata se você cuidar do meu cavalo. O que acha? – Diz o cavaleiro já sem paciência.
O garoto abre o maior sorriso que consegue e diz:
— Claro senhor!
— Seu pequeno mercenário de meia tigela – retruca o rapaz soltando um sorriso e afagando a cabeça do garoto.
Se virando para o cavalo, ele apenas acaricia seu nariz e pisca para ele. O cavalo cisca o chão em retribuição e relincha.
Assim, Connor deixa seu cavalo e vai para o castelo. Ele esperava que muitas pessoas estivessem ali, que muitos outros nobres jovens queriam se vangloriar e se tornar cavaleiros do grande rei, mas não se encontrava mais que uma dúzia de jovens, todos eles magros, como se nunca tivessem empunhado uma espada na vida, e para o espanto de Connor, o seu nome foi gritado no meio da multidão assim que ele pisa no salão.
— Connor Arkauss! O Rei do Castelo de Rosas, filho escolhido pelas divindades, regente do reino de Lihlium deseja vê-lo! Por favor, avance ate os portões!
— Estou aqui! – Grita o jovem em resposta, ele estava atordoado, não conseguia entender tal ação repentina – Em que posso ser útil?
— O Rei o aguarda! Saia logo da formação! – Diz impaciente o homem em vestimentas coloridas e ornamentadas. Ele parecia importante.
Todos os presentes riem do rapaz, que segue a passos apressados com o rosto queimando.
Connor assim que entrou pôde contemplar o quão grande e majestoso aquele castelo era, com adornos lindos de com um brilho inexplicável. Nas paredes, grandes fileiras de rosas de todos os tamanhos, cores e tons caiam em cascata por todo o canto, enchendo o lugar de um perfume suave e agradável. Por todo o lado podia-se ver grandes janelas com vitrais adornados, através das quais se podia ver todo o reino. No chão uma grade tapeçaria esboçava a flor que dava nome ao reino.
Logo mais a frente, um trono grande e brilhante debaixo de uma cortina que carrega o emblema do reino mantinha sentado um senhor de aproximadamente 40 anos, com cabelos castanhos, porém levemente grisalhos. Ao se aproximar Connor percebeu seus olhos também castanhos que passavam uma impressão fria e poderosa, mas que era suavizada por seu sorriso terno e confiante.
Por instantes Connor ficou sem reação, olhando o homem mais poderoso do reino em sua frente, mas logo fez a reverência devida se ajoelhando sob a perna direita e mantendo sua espada em riste entre o rei e seu corpo apoiada com a ponta no chão.
— Senhor... Sou Connor Arkauss...
— Sei quem você é, jovem rapaz! Eu pedi para recrutar jovens com vontade e coragem para me servir, mas percebo que ir a vilarejos tão distantes talvez tenha sido um erro – o Rei solta uma risada desajeita e alta, passa a mão em seu queixo e continua – Mas ouvi falar de você, Arkauss, e como ouvi. Um jovem com tamanhas habilidades e coragem como você me será extremamente útil. Espero que esteja disposto a se juntar ao meu exercito da guarda principal, e caso esteja, terá que passar por um árduo treino, não somente suas habilidades serão testadas, como também sua força de vontade. O que me diz, Arkauss?
— Será uma imensa honra senhor! — Diz o jovem entusiasmado com a ideia.
— Claro, claro que será – o rei gargalha novamente – seja bem-vindo em minha guarda real!
Assim Connor se retira do salão principal do castelo e anda rumo a uma grande porta. Está se sentindo triunfante, imagina mil e uma proezas que poderia fazer e se alegra ao imaginá-las. Porém, uma pontada no peito o traz de volta ao mundo real: ele não pode deixar de pensar em como se sente triste por deixar Luna sozinha. Seria muito difícil de vê-la agora que faz parte da guarda real, mas ele se esforçaria para isso, afinal, ele jamais quebraria uma promessa. Contudo, mesmo sabendo disso, Luna ficaria sozinha por tanto tempo... seus pensamentos ficam confusos entre alegria e tristeza. Pensando em tudo, menos no caminho que percorria, Connor abre uma última porta com um grande lírio esculpido em ouro e para em um incrível jardim suspenso no pátio do castelo. Aquele definitivamente não era o caminho de volta para a entrada do castelo.
Connor observa a beleza do lugar à luz da lua e sente o aroma doce das flores que floresciam por ali. O lugar possuía uma energia boa e acalmava até a alma mais atordoada, bastava apenas alguns minutos de contemplação.
Um barulho nas pedras do passeio chama a atenção do rapaz e ele se vira para ver do que se tratava.
Uma linda mulher estava andando por ali, tinha longos cabelos lisos e loiros, olhos de um tom azul como o mar, e usava um típico vestido cor-de-rosa com estampas em florais da realeza. Seu vestido se misturava com as pétalas das flores do jardim que se desprendiam com a brisa, deixando-a ainda mais angelical. Connor não conseguia parar de olha-la, era tão linda que ele não conseguia suprimir a vontade de contorna-la com as mãos. “Tire esses pensamentos de sua cabeça Connor, ela provavelmente é filha do Rei” pensava ele enquanto tentava, em vão, desviar o olhar da moça, que agora o notava ali e a cada segundo se aproximava mais dele com passos leves e ritmados em meio à grama florida do lugar.
— Connor Arkauss! – Grita ele se colocando em posição ereta em um impulso – Quer dizer...
— Sou Susana, filha do Rei Nicolas, é um prazer — diz ela sorrindo de um jeito doce.
Connor se curva. “Como pode ser tão doce e gentil?” Ele pensa e ao levantar, fica sem reação diante a tão linda mulher que agora estava bem a sua frente.
— Você é um dos cavaleiros do meu pai? – Ela pergunta.
— Ainda não, mas espero logo me tornar, minha senhora!
— Que empolgante. – Ela solta uma pequena e delicada risada enquanto cruza as mãos diante do peito– Creio que você seja do interior, estou correta?
— Sim... – Connor fica envergonhado, pensando se falou algo de errado – Vim para servir seu pai e a você também.
— Você é diferente dos guardas daqui, — diz ela o fitando enquanto mantém um semblante agradável e deixa as mãos ainda cruzadas caírem até a altura da cintura — eles não falam comigo, creio que seja extremamente proibido, tenho um pai muito protetor.
Connor não sabe o que dizer sobre. Antes que pudesse dizer algo ele escuta passos perto do portão e decide se despedir antes de colocar a jovem princesa em problemas com o rei.
Antes de alcançar o portão, o rapaz ouve a princesa o chamar e se vira:
— Connor, espero vê-lo novamente! – Diz ela se curvando.
— Talvez um dia Princesa — diz ele sorrindo da melhor maneira que pode — seria um prazer.
O Jovem finalmente encontra a rota correta para sair do castelo com a ajuda do mesmo homem estressado de antes, este explica detalhes sobre o treinamento enquanto o guia para fora. Assim que chega ao portão pega seu cavalo com o pequeno garoto e procura uma pousada para passar a noite, ele queria ver Luna no dia seguinte, avisa-la sobre seu novo treinamento e sua possível ausência, mas antes disso ficaria um pouco com ela já que o treinamento só iniciaria depois de cinco dias.
Depois de alguns minutos de procura, ele acha uma boa pousada, era antiga e cheirava mofo em alguns cantos, mas era segura e tinha espaço para seu querido amigo que o acompanhara a viagem toda.
Então, depois de um longo banho, ele fecha as janelas de seu quarto, dando uma ultima olhada em seu cavalo e deita em sua cama. Logo que se deita começa a pensar em todo seu caminho ate ali, em como conhecera a adorável e forte Luna, em como se tornara um soldado do rei, e agora, em como conhecera a linda princesa do castelo, tão gentil e sorridente...
“Você é um tolo sortudo Arkauss”, pensa ele, “mas mais que tudo, um tolo...” e adormece.
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