Crônicas alheias
13 Texto 13 - Saudades
Notas iniciais
Por favor, diga que ainda se lembra daquelas tardes na calçada da sua casa. Éramos apenas nós dois, você ainda não havia saído de seu casulo, eu o aconselhava a explorar o mundo, mas você sempre dizia que tinha um mundo dentro de sua cabeça. Diga-me que não se esqueceu do dia em que choveu e nós fomos colher as folhas que caiam com a ventania.
Dançamos a noite toda como se estivéssemos em uma festa, mas quem disse que não era. O que me bastava era você ali, naquela sua roupa laranja e azul, com aquele seu chapéu preto. Você me dizia que aquele era o seu mistério, assim ninguém saberia o que realmente você pensava. Mas sabe querido, eu lhe digo que sempre soube, eu sabia de todos seus sonhos, sabia que queria ter um mundo maior.
Nunca me disse que queria sair da cidade e cometer loucuras, infelizmente tive que deixa-lo. Mas compreendo que tinha uma boa vida dentro de si, não precisava desvendar o mundo, pois já havia descoberto os segredos de sua mente. E isso, meu amigo, é o mais importante, me preocupo tanto com o mundo lá fora, mas não sei nem ao menos o que penso. Pelo menos sei que quando eu conseguir me descobrir vou poder voltar para sua calçada, sei que estará lá embaixo daquela árvore que mais parece um guarda-chuva.
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