Era final de tarde. O casal estava de carro, estavam voltando de férias. Ao longe, eles viram um vendedor de frutas. O homem então disse:

— Acho que vou comprar algumas frutas.

— Mas nós acabamos de comer fritas... — disse a mulher.

— Há... — tentou se explicar- eu queria uma coisa... Sabe... Natural.

O homem parou o carro em frente ao vendedor e ao abaixar o vidro ele pergunta:

— O que tem de fruta aí?

O vendedor não era de aparência jovial. Ele era baixo, cabelos brancos, tinha traços indianos e parecia ter uns cinquenta anos. Ele vendia frutas na estrada e estava sentado ao lado de sua pequena barraquinha.

— Moço, só sobrô umas maçã.

— Vô levar tudo, quanto dá?

— Um real e ciquenta- levantou-se e pegou uma sacola.

O homem do carro pegou sua carteira e retirou uma nota de dez reais. O vendedor colocou as frutas no saco e, antes de entregá-lo ao homem, viu o dinheiro.

— Não tem troco pra deiz não...

— Pode ficar com o troco, num tem problema não- estendeu-lhe a nota.

— Não posso aceitar.

— Pegue, eu lhe dou o troco.

— Não posso.

— Vamos amor, não tá vendo que ele não quer... — disse a mulher.

O homem analisa o vendedor. Olha a barraquinha. A casa que havia lá atrás; devia ser dele. Mas por que ele não queria aceitar o dinheiro.

— Você me lembra meu pai. — disse o comprador.

— Por quê?

— Teimoso igual a ele.

— Seu moço aceite logo o troco... — foi a primeira vez que a mulher falou com o vendedor.

— Não posso.

— Mas por que não pode?!- ele estava quase se exaltando.

— Nessa vida agente tem que ser honesto, sabe.

— O senhor não tem nada mais pra vender?- interrompe a mulher- assim completa o dinheiro.

— Só tem umas banana murcha lá na casa.

— Então vá buscá-las- disse o homem rapidamente.

O homem então lhe entregou o saco com as maçãs e foi até o casebre. A mulher então disse:

— Onde vamos colocar tanta fruta?- sabendo que no banco de trás só tinha mala.

— Não vamos- disse ele, jogando a nota em cima da barraquinha e cantando os pneus do carro na rodovia desgastada e sem sinalização.

Notas finais
http://cronicasdomundoreal.blogspot.com.br/