Crônicas De Um Casal Assassino
5 Capítulo 5- Matheus
Uma chuva fina de primavera caía como uma névoa persistente entre os olhos de Matheus e Beatriz, que conversavam sobre assuntos aleatórios para quebrar o silêncio, enquanto andavam pela cidade silenciosa onde moravam.
Matheus contava a história de Caio e de quando foi internado em um hospício por ter se tornado um maníaco por assassinatos. Beatriz apenas assentia. Matheus tentou fazer com que Bea contasse sua história, mas só recebeu um olhar de relance de olhos castanho-avermelhados. Um silêncio torturador se instalou entre os dois depois disso.
Enquanto Beatriz e Matheus se estudavam através de olhares, um grupo de homens se aproximou do lugar em que eles estavam. Beatriz olhou e disse a Matheus:
— Matheus. O que você tem em seu arsenal portátil?
Matheus, de costas para o grupo de adultos determinados a se livrar de Beatriz, perguntou:
— Quantos?
— Oito. Homens.
Matheus suspirou e pegou sua adaga, Beatriz pegou Rafael e suas pequenas faquinhas, e oito homens morreram em uma tarde melancólica.
Matheus carregou os corpos até uma fogueira feita por Beatriz, que observava as chamas. Seus olhos estão ainda mais vermelhos agora, pensou Matheus, vermelhos como o sangue que está em minhas mãos.
Ela limpava seu punhal quando Matheus perguntou:
— Rafael, não é? — não conseguiu evitar uma risada diante da situação, afinal, Beatriz se relacionava melhor com o punhal de que com Matheus.
— É uma longa história... — Matheus assentiu, derrotado.
— É tão difícil assim confiar em mim, Beatriz?
Beatriz olhou para o único amigo que havia feito em anos, o único que era como ela, e falou:
— Rafael é o nome do meu irmão.
Matheus piscou, e disse:
— Você não me disse que tinha um irmão.
— Eu tive um irmão. Não te contei porque não é importante. — Em questão de segundos, aqueles olhos avermelhados marejaram, e Beatriz não conseguiu conter uma lágrima. Matheus sentiu o impulso de abraçá-la, mas lembrou-se que ela era a Beatriz. A única coisa que foi capaz de fazer foi se calar.
— Bea. — Matheus disse, depois de incansáveis minutos.
Beatriz olhou para Matheus, e Matheus continuou:
— Sinto muito.
— Não sinta, Matheus. Se as coisas tivessem acontecido de outra maneira, nós não estaríamos aqui.
Matheus refletiu, mas não conseguiu encontrar um sentido na fala de Beatriz. Tudo o que poderia fazer seria esperar pelo dia em que Bea contaria sua história.
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