Covil da Cobra

2 Abnegação Mútua


Notas iniciais
Hey HEy HEY ♥ Último capítulo do desafio aaaaaaaaaaaaaaa, tudo passa tão rápido. Brincadeira, foram os dois capítulos mais demorados da minha vida. Demorei quase um mês para escrever, no caso procrastinei até o último momento e cá estamos. Boa leitura!!

A gladiadora e Tullius andaram por mais um dia até que chegaram num enorme jardim que tinha algumas estátuas, conforme avançavam mais e mais estátuas surgiam, de todas as poses e expressões diferentes, algumas estavam apavoradas e usavam armas, outras espantadas, sérias ou rindo. A jovem as tateava e percebia os mínimos detalhes de cada uma, sem dúvida o artista fizera um trabalho magnífico nunca feito por nenhum outro antes.

Foram caminhando cuidadosamente já que tudo estava calmo, o que gerava um certo desconforto e mau pressentimento. Venília não ouvia nada e não conseguia sentir nenhum outro cheiro a não ser do campo e algumas flores. Tudo permaneceu quieto até uma mulher começar a cantar, sua voz era suave e doce, passava uma pequena autoridade e sem dúvida tranquilidade.

Os dois pararam para admirar a beleza e leveza daquela voz, Tullius não encontrava de quem ela era, e Veníla não conseguia dizer ao certo de onde vinha, estavam muito confusos, no entanto se sentiram acolhidos pela voz. O coração da gladiadora bateu mais rápido do que em qualquer batalha, mesmo quando estava prestes a ser derrotada e morta ele não dava aqueles solavancos tão velozes. Sentia-se muita estranha, e não sabia dizer se gostava daquilo.

A curiosidade os corroía, queriam saber de quem era aquela voz. Tullius decidiu tentar encontrar a suposta dona dela naquele imenso jardim.

“Tullius, não vá, não podemos nos separar e se essa voz for de alguma ninfa traiçoeira ou até de alguma fera? ” — Disse a jovem mostrando preocupação.

“Não acho que alguma fera tenha uma voz tão bela assim. E além do mais, para onde você está nos levando? Já já sairemos dos nossos domínios e não achamos essa maldita. Tem certeza que estamos no caminho certo? ” — Saindo para procurar a pessoa. Veníla sentiu receio pelo amigo, e a voz era sua nova e única companheira.

Após um tempo a voz abandonou-a. Escutou alguém caminhando em sua direção.

“Tullius, é você? ”

“Não, não sou Tullius. Eu não vi mais ninguém aqui. ” — a voz era feminina e se parecia muito com a das canções. — “O que você está fazendo no meu lar? ”

A jovem ficou pensativa, porém mantinha a guarda. “Seu lar? Você é uma ninfa? ”

“Com licença, quem faz as perguntas aqui sou eu, afinal você está na minha casa. Agora, o que você está fazendo aqui?”

“Estou de passagem com meu amigo. Peço desculpas pela falta de educação. ” — num tom irônico. “Você sabe de quem é aquela voz? ”

“Parece que alguém aqui é teimosa. E, sei sim de quem é aquela voz, é minha. ”

A estranha se revelou como Medusa, disse que gostava de cantar para aquelas estátuas, para que elas não se sentissem sozinhas, afinal todas eram suas obras e consideradas como filhos.

Medusa perguntou se poderia arrancar as faixas dos olhos da garota para admirá-los, Veníla assentiu. As faixas foram arrancadas, a fera examinou-os e nada do que esperava aconteceu. Ficou surpresa, mas jamais decepcionada, estava feliz que pela primeira vez alguém não tinha sido petrificado, sentiu-se livre daquela maldição e extremamente aliviada.

Tullius encontrou as duas sentadas à sombra de uma árvore. Olhando para os cabelos da mulher ficou assustado, ao invés de cabelos via cobras. A mulher fechou os olhos, enquanto ele desembainhava sua espada, Veníla pulou na frente da companheira.

“Tullius, para com isso, o que pensa que está fazendo? ” — muito nervosa e em posição de defesa.

“Estou te protegendo. Essa mulher é uma fera, ela tem cabelos de cobra. Sabe-se lá o que ela ia fazer com você. ”

“Acha que eu não percebi que os cabelos dela são cobras? Você não pode matá-la. Ela é minha amiga. ”

“Sua amiga? Desde quando faz amizades com feras? Essas estátuas não são só estátuas, eram pessoas que por algum motivo viraram pedra, e acho que esse motivo tem alguma ligação com essa aberração que está protegendo. ”

“Acha mesmo que eu não sei o que ela é? O que faz ela ser diferente de nós? Ter cobras nos cabelos e transformar os outros em pedras com o olhar? Eu não enxergo, sou diferente de você, me considera uma aberração também? Ou a aberração aqui é você, que é diferente de nós? Tullius, não importa o que você diga, não posso te deixar fazer isso. ” — Veníla respirou um pouco, mas ainda mantinha a postura. — “Por favor, pense com clareza, ela não tem culpa de ser assim, foi amaldiçoada, não escolheu transformar essas pessoas em pedras, tentaram matá-la, e as outras pessoas não conseguiram não olhar para os olhos dela. Não pode culpá-la. ”

O amigo se acalmou, percebeu que estava errado, então se desculpou com as duas, disse que estava assustado e com medo de que Veníla se machucasse, Medusa ainda permanecia com os olhos fechados. Tullius foi caçar e retornou ao anoitecer, depois de um tempo os três estavam reunidos no pequeno e aconchegante covil da Górgona, se alimentaram e dormiram.

Na madrugada, Tullius levantou-se, pegou uma adaga e caminhou silenciosamente até a fera com intenção de cortar a garganta e levar a cabeça ao imperador. Veníla ao ouvir os passos do amigo, levantou empunhando sua lança tentando impedi-lo. Medusa ao ouvir a agitação despertou, o jovem olhou para os olhos dela e ali petrificou, tornando-se mais uma das obras da linda fera.

Veníla largou a arma e caiu aos prantos pela “suposta morte” do amigo, a fera correu ao seu encontro no intuito de acalmá-la, ficaram abraçadas por um bom tempo. Medusa secou as lágrimas da amiga e a beijou, o beijo tinha um gosto doce e os lábios eram muito suaves, era estranho e bonito como essa Górgona entrava em perfeita harmonia, mesmo com uma aparência robusta e um poder petrificante, sua voz e beijo eram os frutos mais doces do mundo humano, o que de fato equilibrava a magnificência dessa criatura.

Notas finais
O que achou? Medusinha é amorrrrr ♥ Amei escrever esse final, queria ele bem fofo, espero que eu tenha conseguido kkkkk Agradeço pela leitura ♥ Ah e se possível deixe um comentário, deixa um sorrizim na cara desse autor! Bjs no coração e até mais ver!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!