Notas iniciais
Preparem os lencinhos! ~Enjoy~

O carro de Clark estacionou na esquina da rua indicada por Lia, ele agora só precisava localizar a casa certa.

– Não mãe, não vou me atrasar para a reunião... Eu sei mãe, a proposta é tentadora, mas para de pensar no dinheiro e pense nos meus sentimentos e nos de Leon.... Sentimentos não pagam nossas contas mãe, mas não vou ficar sofrendo por isso... Que droga mãe! Até mais tarde! — Deborah desligou o celular e bateu com força a tampa da lixeira da sua casa. — Que inferno.

– E no meio do caos um anjo aparece... — Clark fala num tom místico.

– Minha nossa! — Deborah salta assustada ao ouvir a voz de Clark. — Quer me matar Sr. Campbell?

– Na verdade, é você que parece estar querendo matar alguém. — ele gargalha.

– Engraçadinho, mas tem razão. — Deborah sorri.

– Vamos conversar... — Clark sugere.

– Estou precisando. Vem. — Ela caminha pela entrada de sua casa e abre a porta. — Fique a vontade.

– Obrigado. E a casa da grande Deborah Stone, tinha que ser a altura. — Clark comenta admirando a casa.

– Ah para. — Ela ri sem graça e fecha a porta. — Não ligo pra esse luxo, mas minha mãe insiste, então...

– É surpreendente Deborah. — ele vai entrando na casa.

– Obrigada eu acho. — Ela aponta para o sofá. — Senta, aceita beber algo?

– Eu gostaria de um suco, se possível. — ele disse ao sentar.

– Volto logo. — Deborah vai até a cozinha e logo volta com uma bandeja em mãos. — Aqui está. — Ela coloca a bandeja na mesa de centro e serve os copos com suco de laranja.

– E ai por que tanta raiva? — ele disse quando ela se sentou. Posteriormente bebeu um pouco de suco.

– Minha mãe quer que eu e o Leon sejamos namorados para uma campanha de perfumes. — Deborah bebe um pouco do suco. — Mas não posso aceitar isso.

– Caramba! Isso é insano! O que Leon pensou? — Clark olha para ela confuso.

– Não sei. A empresa antecipou a reunião para hoje a tarde e eu não conversei com ele ainda, mas ele não gostou nada quando minha mãe deu a notícia.

– E você o que realmente pensa sobre isso?

– Que é loucura! Estou começando a esquecer esse amor que sinto por ele e ficarmos juntos agora seria como a kriptonita e o super homem. Não sei se tenho forças pra isso Clark.

– É tão lindo ver tantos sentimentos num lugar só. — Clark suspira — O problema que pode atrapalhar essa proposta é o relacionamento em ajustes entre ele e Anne.

– Eu sei disso e também sei o quanto eles se amam, por isso abri mão do que sinto. Sei que se o Leon aceitar ou se a Anne descobrir sobre isso o relacionamento deles irá por água abaixo.

– Mas sabe o que eu também acho. Leon e Anne já não existe mais, eles é quem precisam enxergar isso. — Clark comenta.

– Espero que não demorem e encontrem sua felicidade. — Deborah sorri.

– Poderia ser hoje né? Vai assinar o contrato como? Positivamente ou negativamente.

– Depende do Leon. — Deborah suspira.

– Vou torcer de longe prá que tudo dê certo. — Clark sorri a ela.

– Como assim de longe? Já está indo embora? — Deborah olha surpresa para ele.

– Sim, vou partir depois de amanhã e por isso vim aqui. Por que gostei de você ao contrário da maioria. — Clark sorri lindamente a ela.

– Ah não Clark, não vá.

– Eu preciso Deb... Preciso realizar esse sonho... Viajar pelo mundo. — Clark sorri esperançoso.

– Por mais que eu queira que você fique, você está certo em ir. — Deborah sorri. — Já fiz isso e é maravilhoso.

– Obrigado pelo apoio. Então, também gostaria de presentear com algo que já pertenceu a minha mulher. Sei que talvez não é tão valiosa, mas... — ele tire de seu bolso uma linda pulseira com alguns pingentes parecia ser de prata pura por ser tão brilhante.

– Clark eu... Nossa, ela é linda!

– Assim como você e sua essência, coloque-a. — Clark entrega na mão dela.

Deborah coloca a pulseira e sorri.

– Eu não sei nem o que dizer.

– Apenas me abrace. — ele abre os braços a ela.

Deborah se aproxima dele e o abraça.

– Obrigada por ser assim e por fazer eu abrir meus olhos e me ajudar a mudar.

– Eu que agradeço a você e aos outros por terem me proporcionado tantas emoções durante esses dias. — Clark deixa uma lágrima escorrer, sentiria saudade de Deborah, Lia, Myle, Anne, mas principalmente de Jack.

– Só não fujo com você porque dessa vez minha mãe iria atrás. — Deborah ri ao se afastar dele e limpa o rosto de Clark.

– Se fugisse comigo talvez não seríamos tão amigos. — ele sorri de lado, provocando.

– Mas existe aquele lance, como falam? Amigos com benefícios? — Deborah sorri de lado.

– De vovô para amigo com benefícios, que bom que alterou suas percepções sobre mim. — ele gargalha.

– Engraçadinho. — Deborah ri.

– Espero que consiga tudo o que almeja Deb. — Clark olha ela.

– Eu desejo o mesmo pra você Clark.

– Bem, acho melhor eu ir... — Clark se levanta e dá um beijo na testa dela.

– Mas já? Fica mais.

– Só se você tiver um bom filme e pipoca com manteiga. — ele ri, não seria uma má ideia ficar mais um pouco com Deborah.

– Filmes na gaveta abaixo da TV, pipoca em 5 minutos. — Ela levanta do sofá e vai para a cozinha.

– E as camisinhas? — ele brinca, já abrindo a gaveta para escolher um dos filmes que eram vários, com certeza Deb nem havia assistido todos.

– No banheiro. — Deborah gargalha.

– Opa, bom saber... — Ele remove sua jaqueta e deixa sobre o sofá.

Deborah ri e começa a fazer a pipoca.

– Espero que tenha escolhido o filme. — Deborah volta para a sala com dois baldes de pipoca cheios.

– Who Is The Killer. — Clark balança o DVD em sua mão — Pela sinopse, um casamento arruinado por um serial killer numa ilha com um passado sombrio.

– Ganhei junto com o livro em uma viagem que eu fiz. Não li e não assisti, vamos ver se é bom mesmo. — Deborah sorri e liga a TV e o DVD.

Clark entrega o DVD para Deborah e senta no sofá sorridente.

– Espero que não pule no meu colo apavorada.

– Ah, sacanagem, queria fazer isso. — Ela faz bico e inicia o filme. — Posso? — Ela aponta para o disjuntor para apagar a luz.

– Perfeitamente. — Clark pega uma almofada e coloca em seu colo.

Deborah apaga a luz e senta ao lado de Clark.

– E play. — Ela sorri e o filme começa.

Leon estaciona seu carro na frente da república e se aproximando da porta toca a campainha.

Anne estava sozinha em casa, já tinha voltado da caminhada e Myle e Jack já tinham ido para o mercado.

– Já vai! — Ela berra descendo a escada. — Oi... Leon?

– Anne... Tudo bem? — ele sorri lindamente.

– Tudo e você? Que surpresa.

– Estou ótimo. Espero que não seja desagradável. — Leon sorri a ela.

– Não, claro que não. — Ela sorri. — Entra.

Leon entra e olha para a casa e relembra dos momentos que teve com Anne nela.

Anne fecha a porta e suspira.

– Fica a vontade. — Ela olha para ele e sorri.

Leon senta na poltrona.

– E ai já pensou sobre Arthur Hale? — Leon decidiu começar com um assunto mais leve.

– Ainda não. — Ela senta no sofá. — Vou resolver isso hoje.

– Boa sorte com ele, ainda quer que eu te leve lá? — Leon sorri a ela.

– Se eu for mesmo eu te aviso. — Anne sorri.

– Bem, comecei com um assunto leve, mas acho que tá na hora de nos resolvermos. — Leon suspira e olha ela.

– É, também acho.

Leon olha ela e nem sabe o que dizer, estava com o contrato no bolso da calça e sabia que a assinatura positiva do contrato dependia dessa conversa.

– Ontem me falaram algo que me ajudou a me decidir. — Anne olha para ele. — Com você eu sou outra Anne, uma Anne insegura, sem você eu sou confiante, diferente. — Ela sorri sem graça. — É confuso, mas é assim.

– Então você se decidiu? — Leon olha ela e até gosta de ouvir o que ela disse.

– Sim e você? Se decidiu?

– Sim... Não foi fácil, mas eu pensei em você e no que seria melhor prá nós. — Leon olha ela, ele tinha sua decisão, mas não sabia como falar, talvez essa decisão rasgaria sua garganta quando dita.

– Foram os melhores momentos da minha vida, mas acho que acabou Leon. — Anne olha para ele e umas lágrimas escorrem pelo rosto dela.

Leon sente seus olhos arderem as lágrimas estavam a caminho ele não sabia o que falar.

– Anne... Anne... É... Eu. — ele olha ela profundamente e chora.

– Leon... — Anne sussurra e não consegue continuar a falar. — Desc... — Ela abaixa a cabeça e coloca as mãos no rosto.

Leon abraça ela.

– Apesar de doer muito... É o melhor prá nós. — Leon chora amargamente.

– Eu não queria que fosse assim, Leon desculpa ser uma decepção pra você.

– Mas é claro que não é... Você é incrível, eu amo você e amo cada momento que vivemos. — Leon sorri e seus olhos brilham.

– Eu também Leon, muito. — Anne limpa o rosto.

– Mas... — Ele olha ela.

– Se continuássemos não seríamos felizes.

– Esse é o ponto. Infelizmente. — Leon limpa as lágrimas dos olhos dela.

– Então, seja feliz Leon.

– Você também Anne. — Leon sorri lindamente a ela.

Anne sorri e o abraça mais uma vez.

– Tem mais alguma coisa que queira me falar?

– Não sei se vai gostar muito, mas... — ele remove o contrato do bolso e entrega a Anne.

Ela pega o papel e lê.

– Você vai aceitar?

– Não... Mas, é o fim da minha carreira com a Stone. — Leon suspira e olha ela.

– Se você recusar seu contrato com ela vai acabar, e querendo ou não, Stone é a melhor do mercado, dispensá-la seria se aposentar da sua carreira Leon.

– Mas eu seria um canalha com você. Mesmo que tenhamos terminado. — Leon gesticula.

– Se estivesse comigo sim, mas não estamos mais e você precisa da sua carreira. — Anne sorri. — Assine Leon, ficarei feliz em ver sua carreira deslanchar com essa campanha. — Ela sorri.

– Mas... Mas... — ele não sabe o que dizer, ela estava agindo diferente de um jeito inesperado.

– Leon se estivéssemos juntos, seria um absurdo você aceitar, mas não estamos. Não precisa abrir mão da sua carreira por mim. — Anne olha nos olhos dele. — Você tem que fazer o que goste e ser feliz.

– Obrigado Anne. Realmente você sem mim é totalmente diferente. — ele ri.

– É, parece que sim. — Anne ri. — Quer beber alguma coisa?

– Que tal uma cerveja. — Leon ri se levantando, o rosto ainda salgado pelas lágrimas.

– Leu meus pensamentos. — Anne sorri e vai até a cozinha. — Vem.

– Preciso estar com cerveja na cabeça, prá assinar isso. — Leon suspira.

– Se não se sentir bem quanto a isso, não assine Leon. — Anne abre as garrafas e entrega uma para ele. — Se não está ciente e se não é o que quer, não deve assinar só porque eu disse para fazer isso.

– É que ainda me sinto mal e é estranho, largar de você e ter algo forçado com Deborah. — Leon bebe um gole.

– Eu estou tranquila quanto a isso, afinal você não me deve mais satisfações, como nunca deveu, mas não é comigo que deve se preocupar. — Anne olha para ele esperando que Leon a entendesse.

– Deborah? Devo me preocupar com ela? — Leon olha Anne, tentando entender.

– Sim. E se ela ainda te ama? Não acha que isso pode magoá-la?

– Recusar o convite? — Leon ficou um pouco confusa.

– Não Leon, você deve conversar com ela sobre isso antes que os dois assinem o papel.

– Tem razão. Não é somente chegar e assinar, ela também tem o lado dela. Talvez ela nem assine. — Leon suspira.

– Ou talvez ela esteja esperando uma resposta ou sua decisão. — Anne sorri de lado.

– Sabe... Não sei como vai ser eu e Deb. Sei lá, é engraçado falar de nós 2 com você. Vamos mudar de assunto. — Leon levanta os ombros.

– Vocês tiveram uma historia, assim como nós dois. — Anne sorri. — Vi meu vídeo hoje, tem mais de 100 mil acessos.

– O vídeo que chamou a atenção do Hale? — Leon fica animado.

– Aham. Quer ver?

– Óbvio! — Leon fala sorridente.

– Perai. — Ela vai para seu quarto e pega o notebook. — Aqui. — Anne volta para a cozinha e mostra o vídeo para Leon.

– Caramba... Isso está maravilhoso. Merece o triplo de acessos. E veja, já aumentou. — Leon estava empolgada, quem sabe Anne faria sucesso.

– Acho que vou ligar pro Hale.

– Ligue. Tem realmente talento o suficiente, Hale é simplesmente maravilhoso no que faz.

– Ainda não. — Anne suspira. — Ainda não.

– Boba... Bem, preciso ir... Hora de resolver tudo isso. — Leon olha ela — Sei que ligará no momento certo, tem até o domingo para se decidir, não?

– Sim, até domingo. — Anne sorri. — Te levo até a porta.

– Certo... E Anne, obrigado. — ele fala ao se aproximar da porta — Obrigado mesmo. Por tudo o que me proporcionou. — ele sorri lindamente.

– Não precisa me agradecer, só me prometa que será muito feliz com suas escolhas. — Anne sorri. — Tudo que passei contigo ficará pra sempre na minha memória.

– Eu só posso dizer que faz das suas minhas palavras. Seja certeira em suas escolhas, mas principalmente em suas atitudes Anne. E é claro que ainda pode ligar prá mim pro que precisar. — Leon suspira e seu rosto entristece, era o fim de Leanne.

– Você também, quando quiser é só me ligar. — Anne se aproxima e dá um selinho nele como uma despedida.

Leon mantém o selinho era bom sentir os lábios de Anne novamente, ela sempre teve esse beijo doce e repleto de sentimentos.

– Sempre te amarei Anne Collins. — Leon fala e olha profundamente.

– Eu também Leon Howell. — Anne sorri olhando nos olhos dele.

– Tchau. — Leon segura na mão dela e dá um beijo.

– Tchau Leon e boa sorte. — Anne sorri.

– Obrigado Anne, você também. — ele entra no carro e sai dando um aceno e uma buzinada.

Anne acena para ele e volta a entrar na republica. Ela fecha a porta e se encosta nela escorregando até o chão.

– Acabou. — Ela sussurra para si mesma.

Jack estaciona o carro e apanha as 2 sacolas das compras estavam bastante pesadas.

– Eu disse que seria uma festa e não um festival de culinária, prá que tanta comida? — Jack brinca com Myle.

– Melhor sobrar do que faltar. — Myle pega uma caixa com bebidas. — E pra que mais bebidas Jay?

– Tem que sobrar e não pode faltar! — Jack dá um bundada nela e sai andando parecido com Deborah, se sentindo vitorioso.

– Palhaço. — Myle ri.

– Também amo você. — ele abre a porta e espera ela entrar para depois fechá-la.

– Meu Deus! Vão alimentar Parksville inteira? — Anne desce a escada e ajuda eles.

– A exagerada está em casa Myle, vamos voltar. — Jack brinca e gargalha.

– Ra ra, palhaço. — Anne ri e segue eles até a cozinha. — Pra que tudo isso?!

– Festa de despedida do Clark, com a galera e... Strip poker. — Jack pisca para Anne.

– Uh, gostei. — Anne sorri animada. — Jack?!

– O quê? — Jack olha ela e ri.

– Acabou. Leon acabou de sair daqui e decidimos não voltar a ficar juntos.

– Ah jura... Você tá brincando comigo. — Jack coloca a mão na boca e olha Myle.

– Não, é isso. Leanne acabou. — Anne sorri amarelo.

– Poxa Anne. E você está bem com isso?

– Estou My, foi o certo.

– Então menos mal.

– Espero que esteja tudo bem mesmo. Veja como as coisas são engraçadas... Myle sempre quis que eu desiste de você e quando eu fiz ela já estava em outra e eu sempre quis que você largasse o Leon e quando isso acontece eu estou em... — ele tem uma pausa — Outra? — Jack se lembra que ainda não achou ninguém. Mesmo que não consiga negar ter se mordido de ciúmes da Lia.

– Outra? — Myle e Anne falam ao mesmo tempo.

– Opa. Eu não estou em outra... — ele sorri sem graça e corado.

– Ah está sim. — Anne ri e ajuda Myle a guardar as coisas.

– Quem é a sortuda? — Myle olha para ele.

– Claro que não... Vamos parar? — Jason olha as 2.

– Ta bom. — Myle mostra a língua para ele e Anne ri.

– Acho melhor tomarmos banho por que temos Fire hoje. — Jack guarda as bebidas no freezer.

– Podem ir. Já tomei. — Anne olha para Jack.

– Beleza, vamos juntos ruiva. — Jack morde o lábio e ri.

– Pode ir palhaço.

Jack sobe as escadas rindo, enquanto Clark entra na república sorridente.

– Tio Clark! — Myle sorri .

– Hey moças. Cadê meu sobrinho? — Clark olha elas.

– O cascão? Foi tomar banho. — Anne ri. — Acabou de subir.

– Caramba preciso entregar o presente dele. — Clark ri e coça o cabelo.

– Ainda não ouvi o barulho do chuveiro, sobe lá Clark. — Anne olha para ele.

– Ok. Obrigado loira, um beijo ruiva. — Clark sorri e sobe as escadarias.

Clark sobe as escadas e vê Jack indo para o banheiro enrolado na toalha.

– Precisamos conversar Jay Jay.

– Ok, tio. Vamos no meu quarto. — Jack sorri e volta para seu quarto.

Clark o segue, seu coração fica acelerado, falar com o sobrinho de novo seria bastante forte, as emoções ficariam a flor da pele.

Jack abre a porta e quando o tio entra ele fecha.

– Senta ai na cama tio e me fale. — Jack fala se sentando na cama.

– Ai Jack... Cada dia que se passa meu coração vai apertando...

– Pode parar, deixa a despedida, para a despedida. — Jack interrompe.

– Shiu... — Clark sorri.

Jack dá de ombros e silencia-se.

– Como eu estava dizendo... Ele vai se apertando... Porque dentre todos eu vou estar te deixando, meu filho, o que é complicado prá mim acredite você ou não. Jack você não faz ideia do quanto é importante prá mim. — Clark fala emocionadamente.

– Por favor... Não faz assim comigo... — Jack sentia seus olhos transbordarem.

– Você foi a única coisa que me estabilizou depois da turbulência que passei quando sua tia morreu. O seu sorriso, a sua inocência, a responsabilidade de cuidar e educar você, tudo isso misturado com o amor que sinto por você. Me salvaram da solidão, do caos emocional. — Clark deixou uma lágrima rolar e isso propiciou o choro de Jack.

– Pai... — Jack fala como um sussurro e passa a mão pelo rosto de Clark.

– Quando Anne ligou prá mim e me contou que você havia sofrido um acidente, tudo ao meu redor se quebrou, meu coração doeu como se tivesse sido torcido, todos os meus sentidos ficaram frenéticos, mas meus instintos de pai me guiaram até aqui. Na sala de espera tentei visualizar sua recuperação, tentei não pensar na possibilidade mínima que fosse de te perder...

– Não, pai... Você, não vai me perder... Não... — Jack gemia pela quantidade de emoções liberadas naquele momento.

– Ai entrei no seu quarto, você estava vivo, lindo, meu orgulho... Você é lindo Jack.

– Para seu velho gay... — Jack riu em meio ao turbilhão de lágrimas.

– Sua face resplandeceu esperança, ao te ver tive certeza, não te perderia... — Clark sorri — Ai você disse que sentia cheiro de velho. Pronto! Minha boca se encheu de riso. E depois disso vi o como você se tornou maravilhoso, rodeado de mulheres extraordinárias e com um caras legais. Você me trouxe uma alegria que achei que tinha perdido. Jogar boliche, gritar pela casa, dançar ao som de Audioslave, você foi a causa de tudo isso e sempre será. — Clark coloca suas mãos no rosto de Jack e aperta convicto o sobrinho (filho), não fala nada e apenas deixa as lágrimas incansáveis caírem.

– Até meu breve envolvimento com Lia. Calma não se zangue... Apenas entenda Lia é inteiramente sua. Enxergue isso. — Clark sorri com os olhos molhados.

Jack sente sua bochecha ficar vermelha.

– Não precisa dizer nada, apenas pense no assunto.

– Tudo bem...

– Mas Jack o principal objetivo dessa minha conversa contigo é que eu quero que você entenda que não estou te deixando... Vou viajar por um bom tempo, vou... Mas, é um sonho meu e quero realizá-lo.

– E irá, pai. — Jack assente a ele e sorri.

– E também, queria lhe entregar isso... — ele remove o relógio que estava usando.

– Mas, Clark isso foi a única coisa que meu pai lhe deu... Não posso aceitar.

– Você deve e irá aceitar. — Clark entrega a ele — Isso pertenceu a seu pai e não a ninguém mais parecido que ele. Foi uma honra ter esse relógio, mas ele é seu.

– Meu Deus, eu nem sei o que dizer...

Dessa vez Clark interrompeu Jack e o abraçou. Um abraço que demonstrou perfeitamente tudo o qie ele tava dizendo, cada sensação de cada momento desde a ligação de Anne. Clark não sabia viver sem ter a certeza de Jack estava vivo e bem, e certamente isso era recíproco.

As lágrimas molhavam ambos e eles choraram de uma maneira forte e intensa, audível para as meninas.

A emoção do momento passava pelas paredes do quarto e incendiava a casa.

Anne e Myle subiram a escada e ao pararem na porta do quarto de Jack sorriram e se emocionaram ao ver a cena.

– Acho que temos telespectadoras. — Jack cochichou a Clark.

– Entrem meninas, abracem o homem da casa, que está desolado. — Clark pediu e riu.

Anne e Myle vão até os dois e os abraçam. Elas não se conteram e choraram junto com os dois.

Jack e Clark abraçaram elas e choraram, sorriram, o momento estava intenso e Clark mal tinha ido embora ainda.

– Volto a insistir, fica com a gente Clark. — Anne sussurra em meio ao choro.

– A resposta será negativa. Realmente o velho quer viajar. — Jack riu e limpou o rosto molhado.

– Droga. — Anne resmunga.

– Me desculpem turminha, mas será bom prá mim. Eu volto, mas eu preciso disso. — Clark suspira.

– Nós sabemos disso Clark, mas a saudade já consome a gente. — Myle se afasta deles limpando o rosto.

– Me desculpe por isso. — Clark se afasta também e faz um carinho no cabelo de Myle.

– Bom, eu vou me arrumar. — Anne sorri para eles. — Com licença.

– 2! — Jack segue ela.

Cada um segue para seu quarto. Mais uma noite de trabalho e mais uma noite com Clark junto a eles. O tiozão faria falta, mas todos sabiam que no fundo ele voltaria para Parksville.

Notas finais
Até o próximo =D Reviews são bem vindos =D