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8 A garota ingênua
Notas iniciais
Uma das coisas que eu aprendi com a caçada é confiar nas outras como se fossem família, ou até mesmo suas próprias irmãs, bem tecnicamente a maioria de nós é uma família, a maior parte é no mínimo prima, ou meia-irmã, aliás, esse deve ser o motivo de Thalia e eu sermos tão próximas, nós não temos ninguém, então cuidamos uma da outra e não há nada pior do que mentir para sua melhor amiga, ainda mais se você a considera uma irmã. Eu sinto muito, Thalia, eu menti.
– Ei, onde você estava? Estávamos tão preocupadas, nós sabemos que você gosta de desaparecer, mas geralmente é pra caçar monstros, o que você estava fazendo lá fora?
– Acho que pensando, eu nem percebi que estava lá fora há tanto tempo- respondi sincera
– Quem estava com você?
– Eu estava só
– JURA?
– Eu não gostei do seu tom de voz, achei sarcástico demais pra mim- respondi brincando
– Não minta, eu sei quando você mente...- ela falou convicta, mas não, ela não sabe, dizem que mentira tem pernas curtas e bem... eu sou baixa, ela pode até saber quando as outras meninas mentem, mas ninguém sabe quando uma filha de Afrodite mente, vem no pacote, junto com o charme e com um pouco de treino, como eu disse, treino leva a perfeição, você se torna a maior mentirosa do mundo.
– Ah por favor! Não vai me dizer que estava com um garoto? – ela falou alto
– SHHH! Não acorde as meninas
– Então você estava com um garoto, deixe-me adivinhar, Nico? — inquiriu
– Não! Claro que! – neguei, como toda garota sensata faria, como quando seu pai pergunta se você está saindo com alguém responsável, quando, na verdade, você só sai com ele por ele ser o contrário disso.
– Então, por que você se importa tanto?
– Porque eu sou filha de você sabe quem e tenho uma reputação a zelar, além do mais, se eu estivesse com ele, não teria nada de mais, eu sou bem comportada e responsável. – falei com uma piscadinha no final, não queria falar o nome dela com medo de que ela viesse fazer uma visita especial para me assombrar.
– Primeiro, você não tem uma reputação muito fácil de destruir, só por estar com garoto...
– Mas mesmo assim, não quero levantar rumores — cortei
– Quem se importa com rumores, continuando, segundo, só porque você é filha de ´´você sabe quem´´ não quer dizer que você vai virar uma, o que te define não são seus pais, é você mesma e terceiro você pode até ser responsável, mas não é comportada, você de todas daqui é a mais sanguinária, você não pode ver um monstro que você ataca, não considero isso muito comportado, mas acredito em você, até porque se qualquer menino chegasse perto de você, você provavelmente destruiria o ser – disse rindo
– Obrigada, você me descreveu tão bem, cara de pinheiro- falei sarcástica e pisquei
– Senti sua falta, baixinha- falou me empurrando de leve
– Foi você que me abandonou, você prefere ficar com seus amigos do que com suas irmãs- empurrei ela de volta
– Sabe como é, né? Primeiro amigos, depois familiares, e como eles são meus familiares... – falou me dando língua
– Você é tão imatura... – ri, ficamos conversando até o sol raiar como fazemos na caçada
Xxxxxxxxxx
Quando eu acordei, o sol já estava alto e não tinha ninguém na casa grande, com exceção do Sr. D que não consegue dizer meu nome, o que é bem normal para todos os campistas, sendo que ele nunca olha torto para ninguém, nem pra mim há anos atrás, por que agora? ou seja, ou ele realmente não sabe quem eu sou, não lembra de mim, ou... ele sabe de alguma coisa, talvez a Rachel seja uma fofoqueira, porém ele é um deus, logo... ele tem outros meios de saber.
– Boa tarde Sr. D- falei sorrindo como se nada tivesse acontecido
– As outras estão no chalé, ou fazendo outras coisas, mas nenhuma delas está quebrando votos, Sara.
– Eu não estou quebrando meu voto, não sei do que o senhor está falando.
– Você sabe que eu não posso banir nenhum campista daqui, sem ajuda de outros deuses, mas nenhum se opôs, a decisão é sua, partir ou cometer um erro.
– Eu não irei cometer erro algum, foi apenas um sonho, sempre há outras formas de combater, me mate e acabaria de vez com essa indecisão- falei de uma vez, eu já tinha vivido mais do que deveria, morrer como uma guerreira seria melhor do que morrer em desgraça
– Nós dois sabemos que se você morresse, tudo pioraria, é melhor fugir, pirralha – falou sério e com desgosto
– Eu nunca fugiria do meu destino, ninguém consegue Édipo, Aquiles, Jasão e tantos outros tentaram e fracassaram, não fujo a luta, mate-me, porque eu sempre serei uma ameaça enquanto estiver viva, eu sou uma guerreira, eu não irei fugir.
– Se você for morta, iria parecer que Ártemis matou para se livrar de tudo, não pode haver interferências, tem que ser sua decisão, suas opções são ou você foge para longe, ou você fica e descobre o que vai acontecer, nesse tempo todos irão passar a odiá-la e desprezar tudo o que você fizer, suas caçadoras irão desejar que nunca a tivessem conhecido, você não é tão egoísta a esse ponto, ou é? – gritou e começou a debochar e rir da minha cara- você é muito ingênua, Zara, sinto muito, mas matar você seria fácil demais.
Eu corri, sabia que Dionísio não era o mais simpático de todos, mas ele nunca tinha sido tão destruidor, eu costumava acha-lo divertido, era irritado e mal-humorado, ele me lembrava meu avô, então costumava rir dele, parece que tudo tinha mudado, eu tomei minha decisão, eu não queria machucar ninguém, então como não havia ninguém quando eu voltei continuei a procurar pelo acampamento, elas estavam todas reunidas rindo em volta da fogueira, como se nada estivesse acontecendo. Do outro lado estava a causa de toda desconfiança, Nico não estava sozinho, Thalia estava com ele, eles pareciam bem juntos, eles ficaram juntos conversando por um tempo, eu apenas espionava, ninguém podia me ver do alto de uma árvore, Percy e os outros chegaram e ficaram juntos, até mesmo di Angelo sorria, eu percebi que eu era inútil ali, ninguém notaria meu sumiço, porque eu era uma menina fora do tempo, eu estava longe de casa, eu era uma fugitiva, eu tentei mudar, mas de nada adiantou, eu tenho problemas demais e assim como eu sempre fiz, eu prefiro fugir deles do que enfrenta-los.
Então, eu voltei para a casa grande, peguei minhas coisas, minhas armas e desci a colina, eu iria achar meu destino, ou melhor, meu destino me acharia e assim eu iria viver, eu não quero causar uma guerra, odeio tudo que se relacione a guerras.
A ingênua filha de Afrodite foge de novo...
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