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3 3. Catch me if you can
Notas iniciais
Capitulo 3 – Catch me if you can.
2 anos antes.
Eu me olhei no espelho novamente.
Eu nunca entendi ou me interessei por todo esse negócio de moda. Quando morava com meu pai meu guarda roupas se resumia em calças leging, regatas, casacos e botas tudo de cor preta. E é claro pijamas.
Desde que comecei a viver por minha conta, e ganhar dinheiro, comprava uma ou outra roupa diferente do habitual, porém eu nunca sabia o que usar com o que, ou que me faria ficar mais bonita.
Coloquei um short preto jeans e uma regata azul daquelas soltinhas com uma sapatilha.
Penso em passar maquiagem, mais a única maquiagem que eu sei é o lápis preto em volta dos olhos com um rímel forte que me deixa com um rosto sombrio, os olhos mais cinzas e gelados, a pele branca e com olhar penetrante e cortante.
Nada próprio para um encontro.
Não que fosse um encontro, eu só ia sair com o Percy. Como fazia todos os dias.
E como todos dias, eu havia ficado horas me arrumando e não conseguia evitar um friozinho na barriga ao lembrar que daqui poucas horas estaria com o meu...
Namorado? Ficante? Amigo? ...
A verdade é que eu nunca fui muito ligada em meninos, nunca me importei com o que pensavam ou se gostavam de mim, não que eu conhecesse muitos, mas diferente de qualquer outra garota de 16 anos eu não almejava um namorado.
Pelo menos eu achava que não, até Percy me beijar.
Não que antes eu já não o achasse bonito, porque na realidade ele era um deus grego, mas eu não sustentava qualquer tipo de queda por ele.
É claro que toda vez que acontecia algo de novo ou diferente comigo eu queria lhe contar, e que eu tentava prolongar ao máximo o tempo que passávamos juntos, mas ele é meu primeiro amigo.
Geralmente as pessoas que falavam comigo queriam 1) me matar 2) me usar ou 3) comprar drogas. Mas Percy não, ele queria... Eu não sei o que ele queria. Acho que isso é o que significa amizade, ficar com a pessoa só por ficar, por gostar de sua companhia, por querer saber sua opinião de tudo, por confiar em seus conselhos.
Mas tinham algumas coisas estranhas que aconteciam quando eu estava com Percy, meu estômago simplesmente se contorcia, meus olhos quando se encontravam com os dele ficavam perdidos naquela imensidão verde esmeralda, eu sentia um frio subir pela barriga, e as vezes um desejo de selar nossos lábios, tomava conta de mim.
E quando nos encostávamos eu sentia ondas de choque percorrerem meu corpo, seu olhar sobre mim fazia minhas pernas tremerem e quando ele dizia bem baixinho, quase como um sussurro, em meu ouvido como eu era bonita meu corpo inteiro se arrepiava.
Ás vezes, quando treinávamos, coisa que fazíamos quase sempre, eu procurava cair com ele em cima de mim, só para sentir o seu corpo junto do meu.
E quando ele me abraçava por trás com as mãos em minha barriga, o corpo inteiro colado no meu, minhas pernas simplesmente viravam gelatinas.
E seu cheiro, é estranho eu querer simplesmente cheirar ele por horas, deixar aquele aroma atípico de maresia tomar conta de meus pulmões.
Eu ignorei os arrepios, o coração batendo mais rápido, as mãos suando, o estomago se revirando e os sorrisos bobos que escapavam de minha boca quando estava com ele.
Então ele me beijou.
Foi diferente do que eu imaginava, minha cabeça tentava assimilar tudo ao mesmo tempo. Seus lábios nos meus, sua língua explorando a minha boca, a minha língua explorando a boca dele, sua mão em minha cintura, e outra no meu rosto acariciando levemente a minha bochecha, as minhas mãos que automaticamente, sem qualquer permissão, foram parar em volta de seu pescoço.
Sua boca tinha um gosto salgado, diferente, bom.
Eu lembro do nosso primeiro beijo, a semanas atrás. Foi do nada, eu não esperava que ele me beijasse, eu não sabia que ele queria me beijar, eu não sabia que queria que ele me beijasse, mas quando nossos lábios se tocaram eu desejei que eles não se desgrudassem mais.
Foi um dia qualquer, uma terça-feira ordinária. Estávamos treinando como sempre, e eu percebi que Percy estava mais distraído que o normal, demorando mais para desviar, caindo com mais facilidade, golpeando com menos força. E então depois de ele cair no chão pela milionésima vez eu pergunto: “Fala, Percy o que ‘ta acontecendo”, ele passa a mão pelos cabelos e me encara por um momento antes de dar dois passos em minha direção, segura meu rosto entre a suas mãos e falar bem baixinho “Eu preciso provar uma teoria” e me beija.
Eu fiquei extasiada, não conseguia me mexer. Meu coração batia rápido, minhas mãos suavam e meu estomago se contorcia, e uma queimação começou a subir pelo meu corpo.
Quando dei por mim estava correspondendo seu beijo, nossas línguas travavam uma batalha selvagem, minhas mãos ainda estavam coladas ao meu corpo e eu não ousava mexer um músculo a mais que o necessário, tinha medo que fosse um sonho, e que a qualquer momento eu fosse acordar.
E então nos afastamos, sem ar, e ele sussurro bem baixinho com nossas testas coladas, com os olhos nos meus “Desculpa, eu precisava...”, não o deixei terminar.
Tudo que eu pensava era ter seus lábios de volta nos meus, e então assim eu fiz: colei nossos lábios, e senti um sorriso formar na boca de Percy entre o beijo.
Eu não sabia o que tudo isso significava, nos encontrávamos quase todos os dias, saímos, riamos e nos beijávamos.
Em pouco tempo seu beijo se tronou essencial, seu toque era como estar no paraíso. Eu pensava nele antes de dormir, e quando acordava. Eu pensava o que ele acharia disso ou daquilo, até quando não estávamos juntos ele estava o tempo todo presente em meus pensamentos. Os momentos distantes dele eram excruciantes, era como se minha vida não tivesse sentido, e a única coisa que me confortava era que em pouco tempo estaríamos juntos de novo e eu poderia sentir seus lábios nos meu, seu toque sobre minha pele, sua voz roca baixinha no meu ouvido, sua risada gostava de se ouvir.
O barulho da porta se abrindo com brutalidade me tira de meus devaneios e eu gelo.
Olho pro relógio, 6:45, não era para ele estar aqui a essa hora.
Penso em sair pela janela, mas ela tem grades.
Pego um casaco e desço as escadas pé ante pé, segurando a minha respiração. Sem fazer nenhum barulho. Ouço a geladeira sendo aberta e passo devagar pela porta da cozinha, chegando a sala destranco silenciosamente a porta, em um movimento lento da chave na fechadura e a abro com todo o cuidado possível, não posso fazer barulho.
Sinto o vento do crepúsculo balançar meus cabelos e o cheiro de folhas secas invadir meus pulmões, porém antes mesmo de colocar meu pé pra fora, ouço – o:
– Aonde pensa que vai. – engulo em seco e serro os punhos.
– Vou sair, o horário de recolher que eu saiba é as 9 – falo me virando pra ele.
– Mas eu tinha planos pra hoje á noite — ele faz um bico e eu reprimo a vontade de lhe dar um soco.
– Divirta –se – eu digo, saindo pela porta.
E então algo puxa os meus cabelos para dentro da velha casa, me preparo para esganar o cidadão que fez isso, mas ouço o som de uma arma sendo carregada e depois o metal gelado encostando na minha cabeça. Droga.
– Ah eu vou! –ele responde me puxando pelas escadas, e eu começo a pensar em uma forma de arrancar a maldita arma da minha cara e esgana-lo.
Chegando em um dos quartos, ele me abraça por trás e eu engulo o almoço que vem em minha garganta, ele solta os meus cabelos e leva uma de suas mãos ao meu peito, o apertando. E nesse momento eu do uma cotovelada em sua barriga, ele automaticamente se projeta pra trás e eu chuto a arma que estava em sua mão antes de me jogar no chão em busca dela.
Com a arma em minhas mãos me levanto e aponto para o homem de 40 e poucos anos na minha frente, um pouco barrigudo, com alguns fios brancos e ainda trajando o seu uniforme de policial.
Ele levanta as mãos com um sorriso hesitante no rosto.
– Vai me matar Annabeth?
– Estou considerando seriamente – ele ri – O que? Acha que eu não capaz?
– Não, não – ele responde balançando a cabeça – Mas acho que você é esperta – arco minhas sobrancelhas – Annabeth, foram achados dois corpos na sua antiga casa em Los Angeles, um deles sendo seu pai. E você tinha sumido, foi dada como morta, até que te acham aqui, em Nova York, depois de 6 meses com uma enorme quantidade de drogas – ele fala calmo, e eu seguro o cabo da arma com mais força — E então você vai presa, vai pro reformatório – um tremor percorre o meu corpo – Até que eu, o delegado piedoso, me ofereço para cuidar de você, em prisão domiciliar pelo resto da sua pena. Quanto tempo é mesmo?
– 2 anos — respondo seca, ele abre um grande sorriso e assente.
– Muito tempo, para alguém que só é suspeita, né? Imagina se você fosse dada como culpada? Se você me matar, querida Annabeth, vai estar se entregando – ele dá dois passos na minha direção – Já foram 6 meses no reformatório e mais 6 meses aqui, falta só mais um ano... Se você for boazinha, eu posso fazer uma boa recomendação – ele pega uma mexa do meu cabelo, e põe atrás da orelha – posso falar como você é obediente, prestativa – ele chega mais perto e eu recuo um passo encostando minhas costas na parede, ele fecha a cara – Mas é claro que eu não vou forçar ninguém a nada, se você quiser pode passar o resto do ano no reformatório, quem sabe em um reformatório misto – então finalmente o pânico toma conta de mim.
Gabe tinha razão, eu não posso voltar para o reformatório os 6 meses lá foram horríveis, e se eu fosse para um misto, estaria acabada.
Ele dá um sorriso confiante e tira a arma da minha mão, sem dificuldade e a joga no chão.
– Boa garota.
Ele desabotoa a camisa azul que contém um distintivo e desafivela o cinto. Eu colo na parede tentando aumentar a todo custo o espaço entre nós. Ele puxa o meu braço e me joga no chão, eu me deixo cair e imploro para que o impacto seja forte o bastante para eu desmaiar, mas infelizmente não é.
Deito no chão, viro minha cabeça pra porta e fecho os olhos. Por seis meses eu consegui evitar que isso acontecesse, passando o máximo de tempo fora de casa. Por seis meses eu consegui manter a minha virgindade intacta.
Não que eu quisesse me preservar até o casamento, ou até mesmo tivesse idealizado uma primeira vez de filme, mas com certeza não queria que fosse assim.
Sinto um peso sobre mim, e reprimo a bile que sobe pelo meu esôfago, tento pensar em qualquer outra coisa, no caminho que o sangue faz ao circular o meu corpo, nas colunas gregas, na guerra civil, tento lembrar a capital de todos os países do mundo em ordem alfabética.
Mas mesmo assim, mesmo pensando em coisas aleatórias, mesmo repetindo as capitais em ordem alfabética, parte de mim ainda sente a mão dele em baixo da minha blusa apertando meu seio, o gemido nojento que ele solta e a mão dele descendo para desabotoar o meu short. Sem perceber eu cerro os meus punhos e me concentro em não dar um soco na cara dele.
Ao desabotoar o primeiro botão, sinto o seu peso sendo tirando brutalmente de cima de mim.
–--
3 dias antes.
Me algemaram na cadeira.
– Então o que temos aqui? – um homem gordo de cabelos brancos e barba rala pergunta.
– A meliante estava dirigindo embriagada — reviro os olhos, um copo de vodka não é embriagada – sendo que ela é menor de 21 e não tem carteira de motorista – é claro como alguém sem documentos pode ter carteira de motorista – e foi agressiva enquanto tentávamos traze – lá pra delegacia – reviro os olhos. A culpa não é minha se ele não aguenta um soco.
– Certo, precisamos do número do seu responsável – ele se dirigi a mim.
– Eu sou meu responsável, tenho mais de 18 anos – falo seca, eu conseguiria derrubar os dois homens a minha frente com uma mão nas costas, mais os outros 200 que tem lá fora não seria tão fácil.
– Tem certeza que não quer chamar ninguém? – suspiro.
– Tenho – ele arca as sobrancelhas.
– Olha criança, se você não chamar ninguém que se responsabilize por você, vai ter que passar a noite aqui. Eu imagino que os seus pais iram brigar com você mas é pro seu bem. Aqui, as pessoas podem ser perigosas. Traficantes, assassinos de aluguel, você não quer passar a noite no mesmo ambiente desse tipo de gente – com essa eu tive vontade de rir.
– Eu não tenho quem chamar – falo séria e o delegado assente – olha me desculpe por ter bebido, dirigido e socado o ruivo ali. Mas eu preciso realmente resolver um assunto, é de extrema importância e quanto mais tempo eu passar aqui pior vai ser.
Ele me analisa e assente.
– Ok me passa o seu nome, e se você tiver a ficha limpa eu te libero com uma anotação – jogo minha cabeça para trás, eu não tenho ficha limpa.
Droga quando eu acho que poderia estar chegando perto de achar algo sobre o paradeiro de Percy isso acontece.
– Annabeth Chase – digo com um suspiro derrotado. Ele digita rapidamente e me lança um olhar raivoso, se vira para o ruivo e diz.
– Leva ela pra cela.
Como se a minha experiência com a polícia não tivesse sido suficiente, ainda me sobra essa.
Entro na cela e encaro as duas meninas que estão conversando. Elas me veem e sorriem satisfeitas. Olho pra elas com o meu olhar frio. Com duas eu consigo lidar, o problema é quando é com quinze. Principalmente se você tem 1.60 e as outras 1.80. Uma coisa que eu aprendi no reformatório, o meu limite é 8 delinquentes gigantes de cada vez.
– Olha, olha. Uma patricinha – Porque todos acham que eu sou patricinha? – o que você fez? Se meteu em encrenca na festa de um de seus amiguinhos riquinhos, ta esperando a mamãezinha? – ela pega um dos meus cachos e analisa de perto.
Seguro sua mão forte, algo que Percy me ensinou, e espremo seus dedos até ouvir um cleck seguido por um gemido de dor. Solto sua mão e as duas voltam para o seu canto.
Eu me sento em uma cama verde que me fazem lembrar dos olhos mais bonitos que já vi.
Não sei quanto tempo se passa, mas o suficiente para eu estar me contorcendo de saudade. Quando não estou ocupada a procura dele, estou ocupada me definhando, remoendo nossas lembranças, pensado onde ele poderia estar.
– Annabeth, parece que é seu dia de sorte – um policial qualquer fala abrindo a cela.
– Como assim? – ele dá de ombros e abre uma porta, que da a uma sala branca onde um homem de terno preto e barba expessa aguarda sentado, direciono o meu olhar ao policial – eu não conheço ele.
– Bom, ele veio disposto a te tirar daqui – ele responde saindo da sala. O homem direciona seu olhar a mim, e me encara com seriedade.
– Olá, Annabeth. Eu sou o Quíron seu novo advogado.
– Porque? –pergunto desconfiada. Ela sorri de leve.
– Eu represento o senhor Olimpos. Ele acha que seus serviços seriam muitos uteis para nos. Então se concordar em vir comigo eu te tiro daqui e nada de reformatório.
–--
26h antes.
– Olá, senhorita Chase – aceno séria com a cabeça. Não me falaram exatamente onde estávamos, porém pela condição climática e a demora da viagem imagino que seja o Canadá – Deve estar se perguntando onde está? Bom não posso te informar a localização exata, mas imagino que já deve ter uma ideia – assinto com a cabeça – para todos os efeitos estamos na Academia Olimpo. – ele termina com um sorriso.
– Academia?
– Sim, nós treinamos os melhores agentes do mundo, costumamos aceitar somente crianças para elas serem moldadas conforme nossos padrões, entende a vida aqui não é muito fácil, não é qualquer um que aguentaria. Mas você, Annabeth, foi treinada desde cedo. Certo? – assinto – Então já deve estar acostumada, rapidamente você vai se adaptar aqui.
– Até quando eu vou ter que ficar aqui?
– O curso acaba aos 24 anos – ele diz sorrindo. Eu engulo em seco. 6 anos. Penso em Percy, sem chance de eu ficar 6 anos sem vê – ló, tenho que pensar em uma maneira de sair daqui, não deve ser tão difícil, Percy fugiu de uma academia como esta aos 16.
– Bom já que você é nova eu vou te explicar as principais regras: 1) não é porque vocês aprendem como matar pessoas, que podem matar uns aos outros 2) é obrigatório que você compareça a no mínimo 5 aulas por dia, a não ser que você tenha um bilhete da enfermaria 3) meninas são proibidas nos alojamentos dos meninos e vice versa 4) é proibido sair dos limites da Academia – ele para e me encara, como se lesse meus pensamentos sobre o quanto eu queria fugir – se você infligir qualquer dessas regras será punida de acordo com a gravidade – eu assinto – Você vai entender melhor sobre nosso ensino nesse panfleto. Seu quarto vai ser o 134, você vai dividi – ló com uma outra menina – eu assinto – pode ir – eu me levanto.
– Só uma coisa, como você sabia sobre mim? – ele hesita e seu sorriso vacila.
– Sabe Annabeth ás vezes cometemos erros, que nos arrependemos pelo resto de nossas vidas, as vezes precisamos perder algo para saber o quanto nos amamos aquilo. E quando recuperamos o perdido fazemos de tudo pra mante — ló perto de nós – eu assinto, sem entender bulhufas – A questão Annabeth é que você é muito especial para alguém que eu amo muito – nessa hora eu ajo como eu sempre faço quando estão falando uma língua que eu não intendo, sorriu e balanço a cabeça com o meu melhor olhar de compreensão.
Me viro par ir embora e o Senhor Olimpos pigarreia.
– Boa sorte Annabeth.
– Obrigada, senhor Olimpus.
– Me chame de Poseidon, por favor.
– Obrigada, Poseidon – eu respondo sorrindo, eu hein que cara estranho. Fica falando sobre arrependimento e pessoas que me amam (uma lista bem pequena) e depois se alta intitula deus dos mares.
–--
24h antes.
Parecia um refeitório normal, ou como eu imaginava ser um refeitório normal, tirando os olhares assassinos e as facas altamente afiadas.
Eu entrei com uma de minhas roupas típicas, calça, regata e bota tudo preto. O cabelo preso em um rabo de cavalo bem alto. E o colar, que Percy me dera, em meu pescoço como sempre.
Adentrei o salão e todos olharam na minha direção, revirei os olhos e fui me servir anda sentindo os olhares queimando em minhas costas.
Peguei algo que parecia ser batatas cozidas com outros legumes e carne. Sempre tive uma alimentação saudável, nunca fui muito de comer doces. Mas de longe vi algo azul me chamando a atenção, eram biscoitos, do estilo cookies azuis com gotas de chocolates, os preferidos de Percy. Na verdade tudo que era azul ele amava, mas esses biscoitos azuis com gotas de chocolate eram sem dúvida seus favoritos. Não pude deixar de pegar alguns, por ele.
Assim que termino de me servir sinto uma mão em meu cotovelo, me viro.
– Olá, novata – diz um menino loiro, de olhos azuis claros e uma cicatriz no rosto. Reviro os olhos e me viro para sair, porém ele segura o meu braço com mais força.
– Me. Solta. –falo pausadamente e entre dentes.
– Calma, princesinha – ele fala no meu ouvido – Sabe aqui pode ser um lugar muito perigoso para uma garota como você, eu posso te proteger e você em troca pode... – ele me lança um olhar malicioso.
– É mesmo? – pergunto, sorrindo abertamente. Pela visão periférica vejo todos os olhares sobre nós. Ele assente convencido, e enlaça a minha cintura.
Então eu dou a minha, tão utilizada, cotovelada na barriga, ele com susto se projeta para trás, porém com uma velocidade incrível, se recupera e vem pra cima de mim com sangue nos olhos, eu desvio facilmente dele, as vezes ter 1.60 tem suas vantagens, e o chuto pelas costas o fazendo cambalear para frente, ele se vira pra mim e tenta acertar a lateral do meu corpo só que eu diminuo o impacto com o meu braço, ele é realmente bom. Ele lança o braço sobre minha cabeça, mas eu me jogo no chão e enlaço minhas pernas nas dele o derrubando, um truque que Percy me ensinou, chuto sua barriga, e piso em sua garganta.
– Acho que eu consigo me virar bem sozinha, mas obrigada pela oferta! – digo em alto e bom som, todos os olhares estão direcionados a mim, eu apenas ignoro. Viro para pegar minha bandeja, e vou em direção as mesas, tentando não tropeçar no garoto de 1.75 estendido no chão.
Procuro por uma que esteja vazia, mas não encontro.
Vejo uma mesa no canto isolada na qual só tem uma menina de cabelos negros, e que diferente de todos não olha pra mim, simpatizei com ela.
Vou em sua direção. E me sento a sua frente na mesa redonda com 5 lugares.
– Não sei quem é você, nem quero saber. Só sai da minha mesa – ela diz sem me encarar.
– Desculpa – falo com a voz doce – mas eu esqueci de ligar antes e fazer reserva, e como você vê o restaurante tá cheio de leões famintos por carne nova.
Ela me encara por um minuto e dá uma risadinha. Sua pele é tão branca como a minha, seus olhos são azuis eletrizantes como o céu em uma tempestade, que se intensificam pelo forte rímel e o lápis envolta de seus olhos, seus cabelos eram pretos com mexas aleatórias de várias cores.
– Gostei da sua rasteira. Nós pequenas temos que saber lutar no chão.
– Até porque não estamos muito longe dele. – com essa ela deu uma risada.
– Prazer, Thalia Grace.
– Annabeth Chase.
– Annabeth é muito longo, posso te chamar de Annie? – dei de ombros – Então Annie, você gosta de comida azul? – eu olho com nostalgia para os biscoitos.
– Não – ela me olha com a sobrancelha arqueada – uma pessoa que eu amo muito gosta.
Ela assente.
Conversamos por horas e acabei descobrindo que ela era a minha colega de quarto. Talvez, ficar aqui até descobrir onde Percy está não seja uma má ideia.
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