Cosmopolicchion

2 1 - Um favor amigável


Tarde. Já era cerca de quatro horas da tarde e nenhum cliente tinha ido até seu escritório/casa. O viveiro do nosso querido detetive era a bagunça. Livros caídos em cima de comida estragada, latas e garrafas de bebidas já consumidas e muitos cigarros apagados em cima, baixo, lados de qualquer coisa menos um cinzeiro. Esse poderia ser um dos grandes motivos de sua popularidade chegar quase a zero, e foi nisso que pensava quando uma moça com a lateral da cabeça raspada e usando jaleco entrou chutando sua porta.

— Oi, Say... — Dizia desanimado enquanto fumava seu último cigarro e soltava a fumaça para cima — Por que está aqui em cima? Matou algum paciente? Sabe, não sou muito bom com corpos, deveria chamar a máfia. Algo do tipo. Alias, percebi que cortou o cabelo, já não passou da idade de se rebelar, Say?

Sayako Matsumoto, médica especializada em cirurgias de seres inteligentes, o que restringe e muito as espécies no universo que podia tratsr. Amiga de Hans, é dona de uma pequena clínica de emergência no mesmo prédio que o dele, no térreo. Eles se conhecem a muitos anos e tem muitas histórias engraçadas pra contar.

— Boa tarde pra você também, Hans. — Tentava inutilmente não pisar em algum objeto pelo escritório ou não sujar seu jaleco com alguma pizza jogada nos móveis — Infelizmente, não matei ninguém ainda. O que é uma pena, eu te disse sobre a minha ideia de criar aquela coisa que lemos uma vez... HM. Frankstein! Enfim, você poderia se voluntariar apesar de que uma peça pro experimento que é importante ser o cérebro e o seu já deve ter virado uma válvula de escape para seus pulmões deficientes... Então, não. Não matei ninguém. Pelo nunca quis matar.

— Como sempre: afiada e irônica.

— E não terminei — ajeitava um cadeira para se sentar — Meu corte de cabelo cai bem com minha idade, mas você que já passou dos quarenta deveria começar a pensar se "arrepiado" é mesmo o que você precisa...

— Eu tenho trinta e quatro...

— De novo: não terminei. Você sabe que apesar de sermos muito amigos eu não te vejo sempre. Sabe que eu não viria atoa até você. Assim como você nunca vai até alguém sem motivo. Hans, eu preciso de sua ajuda, só você conhece essa cidade por trás dos panos. Sabe o que achar e como achar.

— Estou escutando — Ele amassou o cigarro entre os lábios — é um trabalho de qualquer forma.

— Um amigo, um policial Katzen do Conselho. Ele é um agente, na verdade. Salvei a vida dele há alguns anos,enfim. Ele tem uma filha, ela acabou de se formar na escola de Cadetes. Achamos que ela pode estar em perigo, seu último registro foi no setor sul por volta de duas dá manhã. Eles estavam em alguma missão, algo do tipo, ele disse que eu não poderia saber dos detalhes mas eu disse que conhecia alguém que poderia encontra-la.

— E esse alguém é o grande detetive Hans. OK, eu vou precisar de mais informações. Onde posso encontrar esse agente do conselho?

∆

Hans demorou algumas horas pra chegar até o outro lado da cidade, a parte privilegiada onde somente as famílias mais ricas e influentes moravam. Em seu íntimo perguntava como alguém assim pudesse se relacionar com Sayako e pensou em pergunta-la mais tarde sobre a história, poderia ser engraçada afinal, ninguém morreu.
Ao chegar na casa do tal agente se deparou com uma quase mansão, mas reconheceu a riqueza que a família carregava. Tocou a campainha na expectativa de uma empregada robô atende-lo, mas quem abriu a porta era um típico Katzen. Os machos dessa raça tem o costume de deixar os bigodes crescerem para combinar com suas orelhas felinas e o pai da desaparecida tinha um bigode de respeito, vestia uma camisa branca amarrotada e seu rosto tinha traços rígidos. Lembrava a Hans a época em que via muito desse olhar, o olhar de soldado, mas provavelmente só estava variando.

— Você é o detetive que a Say indicou, correto? — O velho Katzen franzia as sobrancelhas levemente e estendia a mão para o outro — Me chamo Cornellius Von Krieger II. Mas pode me chamar de Cornellius.

— Exato, meu nome é Hans. Só Hans mesmo — Novamente, em seu íntimo ele não pôde se conter em pensar que outra pessoa também a chamava por "Say" e sentiu um leve ciúmes embora amigável — A Say... Sayako me falou um pouco do caso. Mas preferi vir até o senhor pra poder saber melhor sobre sua filha. Poderíamos entrar? Eu estou quase congelando com todo esse frio.

Hans acompanhou seu anfitrião até a sala de estar, havia uma lareira e estantes com livros e decorações descritas em contos antigos. A casa unha por todo canto uma escultura antiga, uma vez lhe contaram que no século passado os humanos meio que cultuavam outros humanos. A iluminação na casa era toda natural, ou pelo menos tentavam parecer reais com velas e castiçais espalhados pelas paredes e móveis.
O detetive não pôde deixar de perceber as cicatrizes no pescoço e orelhas do Katzen, assim como seu andar mancando com a perna direita apesar de não ter sinais de dor, o que dava indícios que seu mancar era apenas uma mania antiga, provavelmente sua perna ferida foi substituída por outra, uma robótica, recentemente e ainda não se acostumou. E se perguntara se poderia ser trabalhado de Simon, um amigo seu.

— O senhor conhece O Ruivo Walker? — disse bisbilhotando as estantes cheia de títulos que nunca tinha ouvido falar

— Você diz... Simon Walker? Aquele garoto fez uma perna nova pra mim, a minha estava me dando muitos problemas sabe? A ajuda que Say me deu há alguns anos deixou algumas sequelas, era inevitável uma hora eu ter que recorrer ao brilhante Walker. Foi há alguns meses atrás, Emilly me ajudou muito na recuperação.

— Entendo perfeitamente, eu também tive esse tempo de recuperação. — "Bingo" pensou consigo — Emilly é o nome de sua filha então, ela parece muito com sua mãe, bem, se eram vocês três no retrato logo na entrada quando passei pela porta.

— Bom, aquilo na verdade é uma pintura. Pedi que fizessem nos três como se ainda estivessemos juntos. A mãe dela, Elizabeth, morreu quando fui salvo por Say. Emanuella tinha dez anos na época. Seria impossível ter uma fotografia nossa daquele jeito.

O detetive agora repensou sobre perguntar a história para Sayako, afinal, agora tinha uma morte. Não era engraçado.

— Enfim — Disse Hans tentando quebrar o clima que ele criou — as características físicas que eu precisava saber agora eu tive olhando a pintura. Mas o mais importante: o que ela estava fazendo quando desapareceu? Pelo que fiquei sabendo ela estava no setor sul, onde não costuma ser muito legal no horário que foi registrado sua última atividade.

— Ela sempre foi assim, desde que sua mãe morreu, seu senso de justiça sempre foi bem atípico. Quando eu soube que ela queria se tornar uma detetive eu hesitei mas não posso controlar os sonhos de minha filha. Ontem foi sua primeira missão, uma patrulha preventiva, no setor central... Porém, uma ligação de seu celular pessoal foi rastreado e a localização ficava ao extremo sul, aquela terra sem lei.

— Um momento, eu preciso usar o banheiro. Poderia esperar um momento enquanto isso tente se lembrar do que mais é importante...

— Certo, o banheiro é no corredor a esquerda. No final.

Hans foi exatamente conforme seu anfitrião o orientou porém seu interesse estava no quarto dá garota. Ao ver as iniciais de seu nome, E. K., em uma porta pode deduzir que está fosse dá garota. Estava trancada, infelizmente. O detetive teve de recorrer a um grampo que prendeu em seu sapato para abrir a porta e em alguns segundos já estava dentro mas infelizmente as letras eram iniciais de Elizabeth. O seu quarto tinha um cheiro característico, fragrância de lilás. Havia um penteadeira com papeis penduradas por todo o espelho. Hans não gostava muito de espelhos então puxou uma das folhas que se revelou na verdade parte de um jornal local. A manchete falava sobre um assassino em série que começou a perturbar a cidade, mais ou menos na época em que Elizabeth foi morta. Verificando as notícias, pôde notar que o incidente com a Família von Krieger não tinha sido notificado.
Hans percebeu que os móveis estavam em sua maioria empoeirados, com exceção das penteadeira. A forma com que a poeira foi retirada evidenciava que alguém se debruçou sobre a madeira, como se tivesse chora do ou dormindo. As gavetas estavam vazias, mas o detetive passou suas mãos por baixo de cada compartimento pra ter certeza. Pra sua surpresa não achou nada, foi só quando para base da penteadeira que viu um cartão entrando por debaixo do espelho. Aquilo inesperadamente era a identificação de Emilly, simplesmente o que desejam na academia o tempo todo pra conquistar...

— Desculpe, demorei? Eu comi um Hot Rogers no caminho pra cá que não caiu muito bem. Então como havíamos falado, ela foi por conta própria fazer uma visita no maior centro criminal desse planeta: Os desertos do sul. Acho que não vou conseguir mais informações dela com o senhor. Começarei amanhã, está muito tarde pra muita coisa e cedo pra outras.