Cosmic Love
6 Put Out Your Beating Heart
Notas iniciais
– M-me desculpe, eu não sei o seu nome.- Emma piscava os olhos, tentando não deixar transparecer o quanto estava abalada.
–Regina. Regina Mills. Você não lembra de mim?- ela arqueou as sobrancelhas e produziu um olhar misterioso cheio de expectativa. Depois de alguns segundos, as duas mulheres não desviavam a atenção uma da outra; armazenavam cada suspiro, cada ruído, cada traço daquele momento; eram atos involuntários, que as duas começavam a se incomodar. –Não vou culpa-la. Naquele tempo, eu mal saía da prefeitura; por... por motivos pessoais.- Regina abaixou a cabeça por alguns segundos, depois voltou a encarar a loira, sorrindo. – Bom, tenho certeza que nos encontraremos mais vezes. Vai ficar na cidade, ou está passando só para uma rápida visita?
Swan ergue o rosto, a luz do sol dói quando entra em contato com a sua retina, fazendo suas pálpebras se fecharem ligeiramente – Uma visita. – coça o cabelo; encara novamente o prédio a sua frente. – A princípio.
–Ótimo! – Regina lança seu conhecido sorriso irônico; se aproxima de Emma, sussurrando em seu ouvido , olhando em direção ao homem parado à sua frente. – Cuidado para não se tornar mais uma das vítimas dos cortejos de Hook, Swan. Você com certeza irá se arrepender. – a loira perde a concentração, a vontade de segurar as bordas do blazer de Regina e puxá-la para um beijo calmo e apaixonado e – Mande lembranças à Mary Margaret. – Ela se vira, retomando sua caminhada até a casa ao final da rua. Quando os sapatos começam a ecoar dentre as ruas, se afastando, a respiração de Emma se ajusta, ela se senta no capô do carro, tentando avaliar o que tinha acabado de acontecer.
Hook se manifesta, ainda com as mãos no ombro de Emma, se movendo em direção ao hospital.- Não leve em conta o que a Regina fala; ninguém leva. Você ta bem? – ele segura o rosto da loira.
Swan sente seus pensamentos doerem ao passarem por seus neurônios. Tudo o que acontecera, fora tão repentino e a assustara tanto, que tudo o que ela queria era deixar aquele momento bem no fundo de seu cérebro. O sentimento que for que tenha lhe atingido, não havia agradado; e achou que tinha conseguido sumir com ele em segundos. Só de pensar em ver Regina novamente, lhe dava calafrios.
–Aham. Vamos, vamos entrar- pega o braço do homem e adentra no hospital.
As enfermeiras entram no quarto de Mary Margaret para trocar os lençóis, a mesma se levanta e sai do quarto; não aguentava mais ficar deitada, passiva, enfastiada. David havia saído de manhã para cuidar dos assuntos da prefeitura e ainda não voltara; ele era a única companhia substancial que ela tinha. Os amigos, só passavam brevemente, e faziam as mesmas perguntas superficiais de sempre: “Como está se sentindo?” “Dormiu bem?” “Anda comendo?”; nem se atreviam a perguntar se estava melhorando... a resposta só traria sofrimento interno à todos.
A morena de cabelo curto se encosta na parede do lado de fora do quarto, carregando o equipamento de seu soro, com rodinhas. Em quanto em pé, faz acenos e sorrisos ligeiros para as poucas pessoas que passavam por ali. Seus olhos rodeavam o saguão do hospital; ela era uma das únicas pacientes que estavam internadas ali. Não aguentava mais sua vida monótona, sentia dores diariamente á noite, durante o dia não fazia nada. Não tinha mais nada de bom na TV, nem nos livros, nem nas músicas. O olhar de repente, para no outro lado do saguão. –Hook! – ela grita, acenando alegremente; fazia tempo que não via ele. Hook e uma mulher loira; sua namorada talvez? Mulher loira. Mulher l. Mulh. EMMA?!
–Bota o casaco Emma! Ta congelando lá fora- Mary Margaret fala vestindo o casaco na pequena filha.
–O casaco ta me engolindo mamãe!- era o que realmente parecia; a mãe solta uma risada estridente, que faz a filha olhar para ela, sorrindo; então Swan sai correndo porta a fora, afundando os pés na neve. Mary corre logo atrás, tentando alcança-la. Chegam perto da praia, no pequeno castelo de madeira, da criança.
Então ela para, revira a neve, e pega uma caixa, logo aparente; tira a neve de cima. A mãe se contém na entrada da pequena fortaleza e produz um sorriso encantado, olhando para a filha com contentamento. Emma abre a obra de madeira que está em suas mãos e tira um livro “Once Upon a Time”. Pede para Mary Margaret se sentar no banco e ler para ela; abraça suas pernas e alguns minutos depois, cai no sono. As duas ficam lá durante aproximadamente uma hora, com a morena acariciando o cabelo da filha.
Quando já era de noite, Emma se dirigiu para seu estúdio de pintura que os pais haviam montado na sala. Eles se juntaram a ela e rabiscavam na parede-Muitos príncipes e princesas – a pequena falava, enquanto se deliciava com a tinta guaxe, colorindo seus desenhos. – E os sete anões Emma?- David molhava seu dedo nos pigmentos e tentava demonstrar alguma habilidade para a filha; mas tudo o que ela sabia, era que os pais eram os mais inteligentes, talentosos e bonitos do mundo inteiro. Eram os melhores pais que uma menina de cinco anos pode ter.
–Emma?!- Mary Margaret tentou correr em direção a filha, mas foi incapaz devido as condições de seus ossos, é quando se apoia no balcão a sua frente e deixa os dois visitantes virem até ela. Então, agarra a filha pela nuca e descansa a mão em seus cabelos, a olhando nos olhos.
–Oi. Mãe.
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