O despertador ao lado da cama de Jonathan tocou, eram 6h e 45 minutos, ele teria de levar os garotos na estação local para embarcar com o tio, o sol batia na janela e cegava Jonathan ele queria voltar a dormir, seus olhos estavam inchados de tanto chorar, ele levantou da cama e foi até o quarto dos garotos, o tec-tec da noite passada havia cessado, ele entrou no quarto chacoalhou os garotos até acordarem, mandou-os tomarem leite e trocar de roupa. Jonathan desceu as escadas até a cozinha enquanto os garotos trocavam de roupa no andar de cima.

Ele preparou o café da manha das crianças e dele mesmo, deixou tudo pronto puxou uma cadeira e se sentou, ficou olhando fixadamente para parede oposta, lagrimas escorriam do seu rosto enquanto pensava na sua esposa. Ouviu passos vindos da escada e enxugou o rosto, os garotos se sentaram à mesa.

- Papai, para onde estamos indo? – Perguntou Gerard o garoto mais velho.

- Vocês vão para a casa do seu tio, enquanto eu não puder ficar com vocês.

- Mas papai porque você não pode ficar com agente? – Agora que havia perguntado era o garoto mais novo Nickolas.

- Por causa da morte da mamãe, o papai precisa de um tempo para resolver a sua vida e não posso cuidar de vocês durante esse tempo.

O resto do café da manha foi silencioso ninguém disse nada, após terminarem de comer os garotos subiram novamente no banheiro para escovar os dentes.

O pai subiu para o quarto dos garotos ao pé da cama deles havia duas malas arrumadas, ele puxou os puxadores das malas e arrastou as duas pelas escadas até o hall da sala. Em cima de onde o pai estava havia o banheiro onde os garotos estavam o tec-tec da noite anterior voltou a soar pela casa, era como água pingando mais parecia ser de algo mais solido como uma bolinha de gude.

-AAAAAAAAAAAAAA – Gritaram no andar de cima, era o Nickolas o mais novo – Para com isso! Você me da medo, você é estranho!

O pai subiu correndo as escadas para o banheiro e ver o que estava acontecendo, não havia nada além dos dois garotos, Gerard estava em cima de um banquinho para alcançar a pia e Nickolas estava parado encolhido em um canto chorando.

-O que foi? – O pai perguntou desesperado.

- Ele é estranho! Ele me da medo!

- O que você fez Gerard?

- Eu não fiz nada, eu não sei o que eu faço. – Gerard respondeu com a voz tremula.

- Esqueçam isso. Estamos atrasados temos que ir.

O pai pegou os garotos no colo e desceu rapidamente as escadas, pegou as malas e foi para o carro. O amassado da noite passada ainda estava lá ele olhou e lembrou-se da mulher e de tudo o que havia passado com ela, seus olhos se encheram de lagrimas novamente e teve de segurar para não chorar.

Colocou as crianças no banco de trás, colocou o cinto nelas, abriu o porta malas, colocou as malas lá dentro e foi para o posto de motorista, o trajeto até a rodoviária foi tranqüilo não havia transito naquele horário apesar de o trajeto ser bem longo eles chegaram com antecedência.

Sentaram-se nos bancos perto das pistas para esperar a chegada do tio. O tio demorou a chegar, enquanto esperavam o pai dos garotos comprou algumas coisas na cantina da rodoviária. O relógio bateu dez horas e trinta minutos e um ônibus chegou à estação, era o ônibus do irmão dos garotos, eles caminharam até a porta do ônibus e tio foi um dos primeiros a sair.

- Nossa como os garotos cresceram! – Foi a primeira coisa que o tio disse.

Depois de cumprimentar todo mundo eles esperaram novamente o ônibus chegar para levar eles de volta a fazenda do tio.

O tio, chamado Mike, era um cara rico gordo e barbudo, tinha uma fazenda de produção bovina próxima às planícies do Lago Caddo no Texas, em Louisiana, além da produção bovina em suas propriedades havia minas de petróleo que deixou o tio praticamente milionário. A fazenda era enorme, milhares de alqueires e milhares de cabeças de gado.

E finalmente depois de muito tempo de espera o ônibus chegou, o pai acompanhou as crianças até a porta do ônibus e as embarcou deu um beijo em cada uma deu um abraço no irmão e pediu para que cuidasse bem das crianças. O ônibus partiu e o pai o observou indo, quando ele desapareceu no horizonte ele virou de costas, chorando, e saiu andando até o carro. Teria de começar uma nova vida.