Correntes Ilusórias
3 Será o fim?
Notas iniciais
Gardenia estendeu a mão direita e exalou um perfume perigosamente venenoso na direção dos titãs e os x-men, já Sombra fez o dia virar noite, apavorando as pessoas que esconderam-se atrás dos carros e onde desse para esconder. Alguns, mais velhos, relembraram a Segunda Guerra, onde Magneto participou e explodiu tudo o que encontrou pelo caminho.
Robin jogou um dispositivo paralisante na direção de Gardenia que desviou, mas pegou de raspão, fazendo-a ficar meio tonta e se encostar em um poste, enquanto Sombra roubava as sombras das pessoas e usava-as como válvula de escape para pôr seu plano em prática, as sombras agarravam os heróis e os apertavam até pararem de respirar. Estelar tentou enviar um de seus raios energéticos na direção de Sombra, mas ele controlou sua sombra e a fez mirar para si mesma, fazendo-a arregalar e parar o próprio ataque.
Gardenia fez flores de mesmo nome surgirem na rua, as quais abriram-se e Tempestade foi obrigada a retirar as pessoas do local para não morrerem com o veneno, afinal elas não tinham culpa de toda aquela confusão que Sombra e Gardenia estavam fazendo, eram inocentes pagando um preço alto pela audácia de vilões sem escrúpulos. Wolverine atacou abertamente, avançou na direção de Gardenia, a qual tentou desviar e por estar tonta devido o dispositivo de Robin foi atingida e um líquido quente, vermelho e com cheiro de ferro escorria pelas garras de Wolverine que avançou na direção de Sombra.
Sombra que não era nada tolo, desviou dos ataques de Wolverine, Rogue tentou acertar Sombra com um poste com sua telecinesia, já Mutano tentou atacá-lo por trás na forma de um tigre, escapou por pouco de um ataque de Wolverine, graças ao desvio de Sombra que foi atingido em cheio pelo poste lançado por Rogue e acabou indo parar longe. Tempestade mandou uns raios no céu para ajudar na busca por Sombra, enquanto Estelar ia com Robin atrás dele e Ravena procurava-o com a escuridão ao seu redor.
Uma esfera negra surgiu na mão direita de Ravena, enquanto ela tirava alguém de um portal negro e jogava contra o chão bruscamente, a pessoa estava envolvida em sombras e ela o fitava com uma seriedade sobre-humana.
— Renda-se e eu poupo sua vida. — disse, no costumeiro tom baixo e rouco, vendo Sombra se levantar.
— Jamais me renderei a vocês. — a voz, firme e igualmente rouca, respondeu em um corte a afirmação de Ravena.
Estava faltando uma pessoa em meio àquela confusão: Ciclope. Por onde andava o rapaz da visão infravermelha? Após algumas mortes de civis, o calor da batalha e o sangue quente, Scott apareceu atordoado e tentou ajudar, mas Rogue o impediu com um gesto de mão, o famoso “pare”.
Sombra e Ravena lutavam, sombras contra trevas, ele estava em desvantagem e ela em vantagem, pois ela já conhecia muito bem as sombras, tanto as suas, quanto as dos outros, ele sequer conhecia a própria sombra. Uma mão escura prendeu o pescoço de Sombra e ergueu-o no ar, enquanto Ravena exalava uma energia negra e seu manto roxo flutuava ao seu redor.
— Vai se render ou não? — indagou Ravena, fitando Sombra fixamente, a pedra na cabeça de Ravena parecia cintilar, um brilho ofuscantemente vermelho, como se tivessem pingado sangue nela.
— N-nunca. — respondeu Sombra, ficando sem ar.
— É melhor pensar bem, não sou como os humanos que têm dó de seus inimigos, não rezarei por sua alma, após ceifar sua vida. — cada palavra dita por Ravena era como uma facada nas entranhas de Sombra, estava conseguindo dar cabo de Sombra ao ouvir os lamúrios de Estelar.
— Espera, Ravena. Não mate-o! — implorou Estelar ao finalmente encontrá-la junto do inimigo.
— Quem vai me impedir? Você? — indagou Ravena, fria como sempre.
— Você não pode matá-lo, Ravena. Ele precisa pagar por seus crimes, mas não com a vida. A morte será um prêmio para ele. — tentou adverti-la Estelar, esperava conseguir fazê-la pensar melhor.
— A justiça nem sempre é feita pela lei dos homens, Estelar. Você deveria saber que quem faz o mal deve pagar com o mal que fez a outrem. — respondeu Ravena, com a mesma calma de sempre.
— Antes um futuro problemático a um futuro cheio de trevas. As trevas também não levam ninguém a lugar algum, ainda assim as pessoas buscam-na como única solução para seus problemas e acabam perdendo-se no labirinto de suas próprias almas. — interviu Rogue, fazendo Ravena fitá-la com curiosidade e afrouxar a mão da escuridão no pescoço de Sombra, que caiu no chão tossindo muito e recuperando o ar.
— … — não era sempre que Ravena era pega de surpresa, só que naquele momento aquelas palavras fizeram-na pensar novamente, infelizmente o sangue de seu pai corria em suas veias e ela não conseguia abandonar a maldade em seu coração. Um sorriso surgiu em seu rosto de pele pálida, ao passo que Sombra era erguido no ar novamente, dessa vez, pela cintura.
— Pare com isso, Ravena! — gritou Estelar, mandando um raio de energia verde na direção da amiga, recebendo o mesmo, quando Ravena refletiu seu ataque.
— Mesmo que você esteja certa, Rogue. Ele tem de pagar. — disse Ravena, mantendo Sombra preso em sua mão da escuridão.
— Eu sei, mas não cabe a nós fazer justiça com as próprias mãos, cabe a nós salvar as pessoas de outras como ele e Gardenia. — tentou argumentar Rogue, mas Wolverine interviu.
— Chega de conversa fiada, vocês duas. Lugar de bandido é na cadeia e ponto final. O que adianta ficar discutindo o sexo dos anjos? — Wolverine pegou Sombra, colocou-o no ombro e pegou Gardenia pelos cabelos, arrastando-os até a delegacia mais próxima.
Entregou-os ainda com vida ao delegado que tremendo de medo, agradeceu Wolverine, o qual foi embora em silêncio.
O mal mais uma vez sucumbiu ao bem, entretanto fica um questionamento: até quando pagaremos pelos erros dos outros se podemos fazer a diferença, mesmo que seja pouca? Não importa se a responsabilidade é grande, temos de ser heróis para nossos entes queridos, quando ninguém mais quiser sê-lo. Precisamos abrir os olhos para não sucumbir à nossa própria maldade, não nos deixarmos acorrentar por correntes ilusórias e receber delas o pior de nós. Pensemos nisso, antes de sairmos procurando culpados, sendo que o culpado por nossos próprios erros somos nós mesmos.
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