Correndo em Círculos
1 Capítulo 1: Precisamos Conversar
Notas iniciais
Pedro e Karina entraram no quarto aos beijos, nenhuma distância era o que eles queriam. Nada era o bastante.
Ela passou suas mãos pelo pescoço dele, o abraçando enquanto ele fechava a porta com o pé, para então atirá-la na cama, beijando seu pescoço. Ela geme, queimando por mais, puxando-o para mais perto.
–- Você não sabe o quanto eu senti sua falta. – sussurra ele em seu ouvido ela se arrepia com sua voz rouca, a voz dele era tão sexy que às vezes ela não entendia como ele podia ser tão desafinado. Não falou nada, deixando que seu corpo respondesse por si a saudade que sentia, puxando sua camiseta para fora do corpo e vendo-o tirar as próprias calças enquanto a beija nos lábios...
–- Ka! – grita uma voz e a chamada se levanta rapidamente, ainda absorta. Aquilo tinha sido um sonho? – Não acredito... você tava sonhando com o Pê? – pergunta Bianca, rindo da irmã que estava corada, suada e descabelada.
Ela morde os lábios, incrivelmente ciente do desejo que seu corpo ainda transmitia, sua cabeça zonza ainda tentando diferir sonho de realidade. Olhou a sua volta, estava dentro de uma barraca, deitada sobre um colchonete, com Bianca ao seu lado. Revirou sua mente e se lembrou do acampamento, de Pedro falando com ela ao telefone e a voz de Vicky no fundo. Morde os lábios com mais força.
–- Hey! Não vai dormir de novo, não! Me fala... o que acontecia no seu sonho?! – pergunta sua irmã, sorrindo maliciosamente.
Ela encara-a, totalmente vermelha, grata pela escuridão quase total dentro da barraca, exceto pela lanterna na mão de sua irmã.
–- Er... eu não lembro. – e corou mais um pouco.
–- Ahan... eu conheço essa carinha. Não precisa se envergonhar, é normal esses sonhos... ou você vai me dizer que nunca teve nenhum sonho quente com ninguém?
A irmã mais nova arregala os olhos, perplexa que sua irmã já tivesse percebido sobre o que se tratava seu sonho. Negou veementemente.
–- Uow! Então Pedro deve ser realmente especial!
–- Ah... não enche o saco, Bi! – e se deitou novamente, irritada.
Bianca ri da irmã, mas antes de se deitar fala:
–- Por que você continua resistindo se também quer?
Karina se vira para ela, suspirando.
–- Ah... sei lá, eu meio que tenho medo sabe... – vendo o olhar de incompreensão da irmã completou: -- eu tenho vergonha de me mostrar totalmente... quer dizer, e se nós terminarmos? E se não for do jeito que eu quero? E se ele me achar feia? Eu não quero ficar com essas memórias como negativas na minha mente...
–- Você não confia nele? Ele já não provou que gosta de você? Poxa Karina, o cara preferiu namorar você sem essa parte mais intensa do que ficar com uma garota que só oferecia isso. Você tem que se valorizar mais, você é linda, guerreira e mesmo marrentinha é fofa, o Pedro nunca iria te fazer mal ou terminar com você se ele não gostasse. Ele te ama, Ka. E não tem nada que impeça vocês dois de partirem pra próxima etapa.
Karina olha para cima, refletindo sobre o que a irmã falou, talvez realmente devesse considerar as investidas do namorado.
–- Ele ta ali fora com a galera da banda, queria falar com você, mas eu avisei que tu tava dormindo.
Karina encara-a, seu namorado estava ali?
–- Como assim, Bi? Ele e a banda não vieram pro acampamento... – Bianca sorri.
–- Parece que ele não aguentou de saudade.
Karina abre um sorriso de lado e se levanta.
–- O.K., eu vou lá falar com ele.
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Assim que chegou ao acampamento, Pedro saiu correndo à procura da namorada, já não aguentava mais ficar longe dela, sem saber como ela estava em relação á Vicky, sabia que ela não ia com a cara da garota. E com razão... ela sempre se insinuava para ele quando podia. Mas quando descobriu – graças à Bianca, que estava aos beijos com o Paulista quando ele chegou --, que todos já estavam em suas barracas dormindo, desanimou, teria que aguentar uma noite inteira sem vê-la.
Agora estava sentado em um toco de árvore, emburrado, enquanto seus colegas da banda armavam as barracas com dificuldade. Deu um pulo ao sentir duas mãos cobrindo seus olhos, sorrindo a seguir.
–- Minha linda... não sabe o quanto eu senti sua falta. – ele ouviu uma risada e desmanchou seu sorriso, aquela não era Karina.
–- Sério, Cabeludinho? – empurrou os braços que lhe prendiam com voracidade, se levantando e abrindo uma carranca ao ver Vicky parada em sua frente.
–- O que você ta fazendo aqui? – perguntou, irritado, ela colocou uma mão sobre a boca, fingindo perplexidade.
–- Isso é jeito de falar comigo? – perguntou a garota, manhosamente, fazendo biquinho. Pedro bufou alto. – O.K., eu falo, eu vim pra ficar mais perto de você... quer dizer, da banda, já que eu sou a nova vocalista, preciso ficar mais próxima, não acha? – e se aproximou dele, colocando suas mãos em seus ombros.
Pedro arregalou os olhos, aquilo não ia dar boa coisa...
–- Vicky, eu não qu... – mas ela o interrompeu, colocando um dedo sobre os lábios dele em um gesto de silêncio.
–- Não fala... se não estraga. – e se aprumou para alcançar seus lábios, enquanto ele caminhava para trás, tentando se afastar.
–- O que é que ta acontecendo aqui?! – gritou uma voz, interrompendo-a, Pedro empurrou Vicky para o lado e caminhou alguns passos, vendo sua namorada encará-los com uma expressão furiosa no rosto, lágrimas ameaçando jorrar de seus olhos.
–- Quê? Você é tão burra assim? Ainda não sabe o que duas pessoas fazem quando estão tão próximas assim? – perguntou Vicky, ironicamente. Karina respira fundo, trinca os dentes e aperta as mãos em dois punhos.
–- Quando duas pessoas descomprometidas estão próximas assim? Eu sei... agora um comprometido e uma ratazana vadia?
Pedro fez menção de interromper, mas Vicky foi mais rápida:
–- Ratazana vadia? Não tem nada mais criativo, Macho Mal-Acabado?!
–- Que tal Piranha Mal-Comida?! – e partiu para cima da outra garota, pronta para lhe dar um clinche, mas Pedro se impôs entre elas, adoraria ver a namorada acabando com aquela garota, mas não podia deixá-las se atacar sem fazer nada, afinal, a culpa daquilo estar acontecendo era toda dele, devia ter se afastado de Vicky imediatamente quando á viu.
–- Calma, Esquentadinha. – falou ele, suavemente, segurando o rosto da namorada que se acalmou um pouco ao vê-lo mais de perto. A saudade era tanta que ela até mesmo se esqueceu da cena que acabara de ver, queria se atirar em seus braços e sair dali, mas ainda havia uma pulga atrás de sua orelha, precisava saber o que estava acontecendo entre seu namorado e aquela garota, mesmo que não quisesse. – Vicky, acho melhor você sair daqui.
Vicky bufou, irritada e se afastou á contragosto.
– Vamos sair daqui... a gente precisa conversar. – disse Pedro, e Karina tremeu, temia que ele fosse terminar com ela por causa de sua cabeça esquentada que não á deixava se controlar, tanto quando ele ousava nas carícias, quanto em relação ao ciúmes. Lembrava-se de ter ameaçado bater em algumas garotas durante seus meses de namoro, sempre que elas se aproximavam demais ou algo parecido.
–- Não precisa, eu sei que era ela que estava se atirando pra cima de você. – responde ela, se odiando por ser tão covarde. – Agora eu preciso voltar pra barraca.
Mas quando ela estava se virando para se afastar, ele agarrou em seu pulso, puxando-a de volta.
–- Ka... você está mesmo bem? – perguntou ele, encarando-a profundamente, ela respirou fundo, parecia estar prestes a ter um ataque cardíaco por segurar suas lágrimas por tanto tempo. Mas ela não chorou, encara-o de volta, engoliu em seco e assentiu.
–- É claro que sim, só estou cansada. – Pedro estreita os olhos, desconfiado, mas então decide fingir acreditar nela.
–- Você não sentiu minha falta? – pergunta, encarando-a enquanto ela tentava fugir de seus olhos. -- Eu to louco pra te beijar... – ele engancha um de seus braços na cintura dela e acaricia seu rosto com a outra mão. E ela sorri, sem graça, mas não faz menção de alcançar seus lábios.
–- É claro que eu senti... mas eu tenho que ir. -- e depois de lhe dar um rápido selinho, se solta de seus braços e volta para sua barraca, deixando um Pedro confuso ali, ele havia feito mal em ir atrás dela? Ela parecia não ligar para o fato de Vicky estar correndo atrás dele, e aquilo era muito estranho.
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–- O que houve, Ka? – pergunta Bianca, ao ver a irmã entrar na barraca e se atirar no colchonete, deitando-se emburrada, finalmente se permitindo chorar. – Você ta chorando? Ah não! Não me diga que vocês terminaram?!
Karina se vira para ela, a respiração inquieta. – Não, mas acho que isso vai acontecer em breve. – Bianca se aproxima da irmã, abraçando-a e, pela primeira vez em muito tempo, Karina não se queixou, deixou-se ser consolada, abraçando-a de volta.
–- Por que você acha isso?
–- Ah, Bianca... não seja tola, ele pode ter quem ele quiser e ele nem se esforça pra que isso não aconteça, a Vicky tava lá se roçando nele e ele nem tentou afastá-la e com razão, ele já deve ta farto dos meus showzinhos. – sua irmã negou com a cabeça, encarando-a.
–- Vocês tem que conversar, Ka... não pode fugir.
–- Eu sei, mas sou uma covarde, eu não quero me afastar dele, pensar nisso me destrói. Nunca pensei que seria uma dessas garotas que choram pelos garotos.
Bianca a abraça e as duas ficam assim, em silêncio por alguns minutos, até que a respiração de Karina se acalma e seu choro cessa.
–- Eu ia pra barraca do Henrique, mas se você quiser fico aqui com você. – fala Bianca, quebrando o silêncio, Karina limpa seus olhos com as costas da mão.
–- Pode ir, eu to precisando mesmo ficar sozinha um pouco. – Bianca não insiste, assente, dá um beijo na testa da irmã e abre a barraca, saindo.
Ela olha para os dois lados, assim que sai, observando se tem alguém ali fora, e aperta o passo em direção de um toco de árvore, onde Pedro está sentado, observando seus amigos da banda montarem as barracas ao longe. Ele se vira para ela quando escuta seus passos.
–- Oi cunhadinha, como ta a Karina?
Bianca suspira e pensa um pouco antes de responder sua pergunta, talvez fosse melhor mentir e deixar que os dois se acertassem outra hora, mas pensar em sua irmã chorando a noite inteira não deixou que ela o fizesse. Sabia que Pedro não terminaria com ela por causa de uma garota qualquer, e mesmo que tivesse repetido isso diversas vezes para a irmã, sabia que só ele poderia acabar com suas dúvidas, por isso respondeu:
–- Nada bem... muito chateada com a situação de vocês. – Pedro suspira, não se surpreendeu em ouvir isso.
–- Eu não sei o que fazer... ela têm agido estranha comigo, sempre fugindo.
Bianca morde o próprio lábio, seria demais se ela contasse que sua irmã pensava que ele ia terminar com ela?
–- Ela ta lá na barraca, sozinha. Você devia ir lá falar com ela, não vou dormir lá essa noite.
Pedro assente, ao contrário de um dia normal, ele não sentiu vontade de brincar com o fato dela dormir em outra barraca.
–- Sim, eu vou falar com ela... – e se levantou.
–- Só... toma cuidado com o que você vai falar. Ela ta meio frágil...
Pedro assente novamente, passando a mão pelos cabelos, nervoso. Nunca havia se dado bem com pessoas tristes próximas á ele, parecia que toda sua energia positiva se esvaia e ele ficava desarmado, sem saber o que fazer. Fora assim quando ela propôs que terminassem algumas semanas atrás, ele desejou ter uma faca naquele momento, talvez sua dor diminuísse, mas não foi preciso, ele conseguiu fazê-la desistir daquela ideia maluca. Agora não tinha tanta certeza...
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