Notas iniciais
Que bom que o Nyah voltou! Fiquei completamente perdida no espaço sem vocês! Boa leitura.

Capítulo 8Intimidade

Uma história se escreve com mais que intimidade

—Olá —cumprimentou surpresa, olhando a tela do celular com desejos de ter um celular moderno como o das outras colegas. No entanto, não iria adiantar ter porque Edward também não tinha celular Android e não poderiam teclar por horas, como desejava, além de ser proibido o uso de celular a maior parte do dia no internato.

Tudo bem, Bella? —questionou incerto.

Ela tinha esperado até quinta-feira para ligar para ele. Temeu forçar uma situação, até mesmo interpretar de uma maneira incorreta o relacionamento entre eles.

—Sim —assentiu presunçosa e cheia de si. —Sentiu minha falta? —questionou direta, extasiada por ter sido ele a dar o telefonema, quando parecia também estar decidido a negar a si mesmo.

Não deu tempo, Bella —censurou-a provocador.

—Como não deu? Hoje já é quinta-feira! —acentuou com falsa indignação. —Eu senti a sua desde segunda —declarou aberta. —Só de acordar sem você na madrugada, senti sua falta. Queria que você dormisse a noite toda no meu quarto —cobrou manhosa.

Não devo. Esme não vai gostar, se descobrir.

—Ela não precisa saber.

Eu prefiro dormir no celeiro com os bichos ou em casa com os roncos do Jasper a dormir com você —explicou tranquilo. Ela abriu a boca ofendida.

—Por quê? —baixou o tom, e não conseguiu esconder a pequena mágoa na voz. Ele percebeu.

Não é muito cômodo dormir com você —relatou trágico.

—Mas por quê? Eu me mexo muito? —questionou preocupada. Sentou-se na cama e conferiu se a prima e colega de quarto de internato, Alice, permanecia no banho.

Não, Bella. Não é questão de se mexer— consertou atencioso. —É que não estou acostumado a dormir com ninguém. Como você dorme de shortinho e top, eu de calça jeans, não percebe o quanto é desconfortável para mim. Domingo de manhã acordei todo dolorido e tenso. Por isso não passei a noite toda de domingo para segunda lá, porque eu tinha que estudar e trabalhar, então não podia passar a noite em claro com você encaixada em mim como uma colher com suas costas me empurrado na parede a noite toda —destacou acusador.

—Por que não tirou a calça para dormir? —quis saber desentendida.

Por que, Bella? —Suspirou frustrado.—Porque não costumo dormir de cueca. Por que seria um incômodo também estar sem a calça. Porque de qualquer modo eu não conseguiria dormir —explicou cansado.

—Tudo bem —assentiu incerta. Gostou tanto de dormir com ele, de abraçá-lo, de sentir seu calor, de não estar só nem se sentir solitária. —Você terminou com sua namorada? —mudou bruscamente de assunto.

Ele fez um barulho de desgosto. Ela também ouviu sons de cascos de cavalo. Obviamente ele estava no celeiro com os bichos de Bella que restaram. Ela sentiu um leve pesar por Anastácia, mas esmagou a dor.

Sim, mais ou menos.

—Como é terminar mais ou menos? —pressionou divertida. Talvez mais ou menos fosse o mesmo que os dois.

Eu disse a ela que queria um tempo, mas ela ainda senta ao meu lado na sala de aula. Fazemos alguns trabalhos juntos.

A porta do banheiro se abriu e a prima saiu enrolada na toalha.

—Bem, eu também não iria perder a oportunidade de ficar perto de você, no lugar dela —adulou baixinho para que a prima não ouvisse e a questionasse. Não queria falar de seu relacionamento com ninguém. Quanto mais discretos fossem e menos pessoas soubessem, menos chances de ter problemas.

Em todo o caso, ela é bem legal e prestativa. É bem diferente de muitas garotas, embora tímida —elogiou neutro. Bella sentiu um aperto de insegurança, mas também abafou o sentimento. Não queria ter ciúme dele. Eram muitos novos para prometer-se e cobrar um ao outro. Ele não queria esse tipo de cobrança, muito menos ela. De pessoa ciumenta e controladora em sua vida, bastava seu pai.

—Essa é a parte boa de estudar numa escola comum. A convivência com pessoas de sexos diferentes— Bella comentou, abriu um chocolate amargo que tinha ao lado da cama e mordeu uma barra.

Carlisle mandou fazer um galinheiro —contou a ela animado.

—Não quero nem passar perto! —alarmou defensiva.

Por quê?

—Não quero mais me apegar a bichos que tem chance de ser a próxima refeição só para me afetar.

Ouviu o som de buzinas do outro lado da linha.

Bem, tenho que ir—Edward avisou pressuroso. —Jasper tá me chamando.

—Para onde vão? —questionou curiosa.

Para o barzinho— A buzina soou de novo. —Aquele que fomos...

Ela sentiu outra opressão no lado esquerdo do peito ao intuir o que ele faria lá. Buscaria diversão e alivio físico. Mas por que não? Era homem, jovem, no início da vida adulta e sexual. Qual o problema? Pensar isso não aliviou a pressão. Poxa, por que ele buscava mulher de vida fácil, quando não pôs nenhuma restrição física aos dois? Sim, claro, estavam no início. Mas mesmo estando no início, era normal que meninas de sua idade iniciassem vida sexual com seus parceiros, não? Isso parecia. Óbvio que havia toda a pressão e medo no relacionamento deles, mas isso não diminuía o desejo e atração óbvia entre os dois.

Ela deixou os ombros caírem resignada. A prima secava o cabelo em frente a um espelho, de costas para ela.

—Então divirta-se. Não chegue tarde para não atrapalhar sua aula amanhã.

Ok. Boa noite— despediu-se sem mais. Ela olhou um tempo o telefone, frustrada. Deitou as costas no travesseiro e passou uma mensagem a Jean James acertando o horário para as fotos sábado pela manhã. A avó lhe levaria, ficou combinado.

A semana se passou sem contratempos. Jéssica estava de atestado médico por queimadura e Tânya não ousou aproximar-se de Bella sem Jéssica. Já Rosalie olhava Bella com um novo respeito. Sexta-feira, Bella chegou em casa com Carlisle de motorista e não perguntou pelos garotos ao não ver a caminhonete velha do caseiro estacionada na casa deles. Foi Rosalie a perguntar ao pai.

—Cadê os meninos, pai?

—Saíram para se divertir com rapazes da escola —explicou enquanto deixava Bella na porta da mansão. Bella iria questionar: de novo?, porém desistiu e entrou em casa sozinha. Encontrou Jéssica deitada no sofá como se fosse a rainha da casa.

—Nossa, que semana lenta— Jéssica comentou afetada. —Sem você nessa casa o tempo não passa, Bella.

Bella abraçou a mochila ao peito e passou por ela em direção às escadas, ignorando-a. Se tinha que conviver com essa peçonhenta rastejante na mesma casa, o jeito era ignorar suas chacoalhadas. Jéssica a seguiu.

—Livrou-se de uma surra na frente de todos por pouco, hein— zombou. Bella lhe deu as costas e pisou o primeiro degrau. —Charlie estava com tanta raiva. A surra seria das boas. Todos iriam ver sua humilhação, você implorando que ele não batesse— narrou dramaticamente. —Eu daria tudo para ter visto.

—Visto o quê, Jéssica? —Charlie apareceu na sala segurando um copo de café, vestido em seu macacão branco da engenharia. Bella parou no meio das escadas e olhou incerta de Jéssica ao pai.

—Olá, pai.— Desceu novamente as escadas e o cumprimentou com um beijo respeitoso no rosto.

—Como vai, filha? Pelo jeito está mais calma hoje— comentou como se não tivesse ocorrido nada entre eles.

—Eu disse que ela aceitaria, Charlie— Jéssica intrometeu-se e segurou no braço dele possessiva. Charlie avaliou a filha. Bella encarou Jéssica em hostil silêncio, com um esgar desgostoso afastou-se e voltou a subir as escadas.

—Bella? —Charlie chamou-a. Ela parou segurando o corrimão de alumínio, decidida a usar uma máscara de civilidade como autodefesa. Ele ajeitou o zíper do macacão no pescoço desconfortável. —A Jéssica conversou comigo e me alertou que não tenho sido um pai atencioso. —Suas palavras ganharam a atenção de Bella e o olhou atenta. —Quero te propor que nos comportemos como uma família —pediu. Ela abriu a boca pronta para questionar, mas ele falou antes. —Ninguém vai substituir sua mãe. —dispôs diplomático. —Jéssica não quer isso. Só queremos que você tenha alguém para conversar, para se aconselhar. Esses últimos anos nos distanciaram, mas não será mais assim. Jéssica é mais velha que você, mais madura que você. Ela vai te ajudar a se comportar melhor, vai te apresentar amigos de família, que sejam boas companhias. Seremos novamente uma família —declarou solene. Ela deu um suspiro triste e frustrado. Ele dizia o que ela sempre quis ouvir, mas no momento errado. Sua sede de afeto queria se inclinar e acreditar na mentira da família feliz, mas ela sabia a verdade. E, se dependesse dela, iria lutar até o último minuto para impedir que fossem uma família.

—Ok, papai. Boa noite. Vou dormir. Estou cansada.

Não recebeu a visita de Edward aquela noite. Dormira por volta de duas da manhã e a caminhonete de Carlisle não tinha chegado ainda. Rendeu-se ao sono porque pela manhã tinha que estar bonita e descansada para as fotos.

Acordou cedo, vestiu uma bermuda cargo, camiseta e foi visitar seus bichos. Nenhum deles era tão apegado e dócil como a galinha. O celeiro parecia vazio e triste sem Ana. Tinha combinado com a avó de sair de casa 8h30. Iriam encontrar Jean, fazer umas fotos depois almoçar na cidade. Passou pouca maquiagem porque sabia que ao chegar ao apartamento de Jean teria que deixar a maquiadora trabalhar nela. Ouviu o som do carro da avó e guardou novamente os bichos nos viveiros. Correu para encontrar a avó no instante em que avistou Edward caminhar com o rosto inchado de sono em direção ao celeiro. Acenou um bom dia para ele com um sorriso. Ele franziu o cenho confuso. Ela entrou no carro da avó.

—Vamos, vovó— avisou animada e olhou o retrovisor. Edward caminhava para elas com passos rápidos. A senhora ruiva notou e o esperou. Ele inclinou-se sobre a janela da motorista.

—Bom dia, dona Laura. A senhora está indo à cidade? —questionou diretamente a avó de Bella. Bella tentou captar seu olhar para questionar a abordagem, mas ele não a olhou.

—Sim. Vamos passear e almoçar fora —explicou solícita.

—A senhora pode me dar uma carona? Levaria somente um minuto ir lá em casa pegar minha carteira. Preciso comprar umas coisas —pediu educado. Vovó Laura olhou Bella como se pedisse sua opinião.

—Vamos demorar, Edward. —Bella avisou. Ele assentiu.

—Tudo bem. Estou livre.

Bella deu de ombros. A avó concedeu:

—Tranquilo. Eu te espero.

Durante o trajeto até a cidade, Bella contou à avó o ocorrido com Jéssica e Charlie na noite anterior. Vovó ficou revoltada com o absurdo do pedido de Charlie. Edward manteve-se em silêncio no banco de trás, com expressão ausente olhando a estrada. Estacionaram embaixo do prédio comercial onde Jean estabelecera moradia e estúdio.

—Vamos ficar aqui boa parte da manhã, Edward. Você pode comprar o que tem que comprar e nos encontrar aqui. O apartamento do Jean é o 102 —Bella explicou amistosa. Ele assentiu e afastou-se rumo ao comércio.

—Vocês não precisam disfarçar de mim, preciosa —ouviu a avó dizer. Fez cara de desentendida. A avó riu. —Eu sei que há algo entre vocês— esclareceu.

—Não, , nunca! —negou alarmada. Se não conseguiram esconder de Jéssica e da avó, em pouco tempo Charlie também poderia descobrir!

—Não precisa se preocupar comigo, Bella. Eu sei que sempre foram muito apegados. Ele olha para você desde criança como se você fosse o brilhante centro de seu universo— comentou divertida. Bella franziu o cenho surpresa. Vovó Laura segurou a bolsa e subiram as escadas que levariam ao apartamento de Jean. Ele abriu a porta com um sorriso caloroso, deu um abraço forte em Bella, depois um beijo na avó. Permaneceu com o braço no ombro de Bella quando caminhou para a sala. Uma maquiadora com cabelos pretos espetados, sombra preta e meias arrastão com short rasgado a esperava. Não era a mesma da outra sessão. Nova namorada de Jean.

—Que tipo de fotos faremos agora? —Bella questionou quando se encontrou no espelho com o belo trabalho feito pela maquiadora. A maquiagem era ousada, com tons vermelhos na área dos olhos, batom cor de goiaba e blush.

—Coleção primavera de uma marca com vendas pela internet —explicou Jean James diligente e abriu o armário com roupas penduradas. Vovó sentou-se no canto da sala do estúdio improvisado e abriu um livro. —Se não conseguir algum dinheiro com esse portfólio, ou vou atrás dos meus pais ou vou acabar tirando foto lambe-lambe 3 por 4 no meio da rua —lamentou dramático, Bella riu e fechou os olhos para incorporar a modelo fotográfica.

Jean lhe orientou em cada pose e, nas horas seguintes, Bella passou por uma cansativa sessão onde trocou de roupas seis vezes. A maquiadora mudou o penteado, suavizou a sombra. Bella comeu uma banana no intervalo de troca de roupa e manteve o bom humor nas exaustivas poses. Suas fotos espontâneas eram as que mais agradavam Jean.

Por volta de meio-dia, notou a presença de Edward na porta. Jean observava algumas fotos na câmera distraído, Bella usava somente a saia de um conjunto na troca da sétima peça. Na parte superiora usava um sutiã de renda bege.

—Olha, gata, esta aqui ficou demais— Jean celebrou animado, mostrando a foto na câmera a Bella. —Esse olhar de inocência e sensualidade mata qualquer um. —elogiou-a com uma piscada. —Cada dia você fica mais profissional. Por isso que eu amo tudo em você. —Abraçou-a e beijou-a no cabelo.

—Obrigada, Jean —agradeceu tímida com a presença de Edward. Ele encarava as costas de James com animosidade. Novos clicks aconteceram. Jean sempre a elogiava, animava e orientava.

—Não há nada em você que eu descartaria —Jean estava dizendo. —Esses dedos longos são maravilhosos. —Segurou a mão de Bella e arrumou-a numa pose de mãos na cintura e olhar entediado para o chão. —Ninguém tem uma garota como você —continuou. Ele a fazia sentir-se segura e bonita. Sua beleza era comum, sabia, mas perto dele sentia-se única. Jean tinha esse poder. Por ter somente irmãs, sabia como encantar e agradar garotas. Adorava-o.

Registrou quando a avó aproximou-se de Edward e o levou para a cozinha. Ele pareceu carrancudo enquanto ela claramente lhe chamava atenção por algo, mas o barulho da televisão ligada na sala e o som da música no estúdio impediram a curiosidade de Bella em ouvir ao que ela se referia. Por mais três vezes Bella trocou de roupa. No meio de uma troca, Edward aproximou-se em silêncio dela e lhe entregou um tablete de Toblerone. Jean o olhou com indisfarçável interesse ao vê-lo abrir o tablete e colocar na boca de Bella, então se afastar para também comer uma barra em frente à janela.

A sessão enfim terminou. Duas da tarde.

—Que bom— vovó Laura exclamou aliviada. —Estávamos famintos aqui.

Edward incorporou ao lado de Bella antes de Jean colocasse o braço sobre os ombros dela para descer as escadas. Jean encarou-o perplexo com a demarcação de território.

—Quem é o rapaz? —questionou curioso. Edward segurou a mão de Bella e cruzou os dedos, possessivo. Bella olhou-o surpresa por afirmar a relação na frente de Jean e da avó.

—Amigo de infância. —Vovó explicou neutra.

Jean olhou as mãos ligadas com indiscreta curiosidade.

—Bem, pensei que você era minha —riu divertido. Edward sustentou o olhar sem achar graça. Jean ergueu as mãos em sinal de paz. —Tudo bem, brabão. Ela é sua fora do meu estúdio, mas lá dentro ela é minha— provocou insolente, segurou a mão livre de Bella e beijou o dorso. —Qualquer coisa eu te ligo. Esse catálogo vai percorrer o Reino Unido com promoções de um site de compras coletivas. Sua parte depositarei na conta combinada com sua avó— avisou e voltou a subir as escadas.

—Vamos almoçar, crianças —convidou a avó. —O que querem comer? —Fingiu ignorar as mãos unidas. Edward não olhava Bella. Parecia aborrecido.

—Eu quero pão, bife e batatas— Bella avisou decidida. —Final de semana não quero saber de comida certinha.

—Então vou deixar vocês numa lanchonete e vou comer salada em outro restaurante. —Abriu a carteira e entregou uma nota de cinquenta a Edward.

—Não! —negou ofendido, olhando a cédula com horror. —Eu trouxe dinheiro.

—Guarde seu dinheiro, rapaz. Não me insulte rejeitando. Tenho que gastar minha pensão em algum lugar —acentuou dramática. Bella recebeu o dinheiro por ele e o guardou no bolso da bermuda. Vovó torceu os lábios com desagrado. —Bem, considere como uma concessão de um tempo a sós. Aproveitem e tomem um sorvete— indicou e deixou-lhes. Bella abriu a boca surpresa ao vê-la descer a rua em direção ao restaurante. Ela aceitava os dois sem censuras, intuiu alegre. Queria pular e beijar a bochecha de Edward de tanta felicidade, mas ele estava tão sério que se conteve. Observou a gaiola na mão dele.

—O que comprou? —questionou ao subirem os degraus da lanchonete.

—Uma ave que não vá para a panela.

Ela olhou novamente a gaiola, mas por ter ventilação só em cima não viu o que tinha dentro. O horário os permitiu ser atendidos rápido na lanchonete, em seguida foram à sorveteria ao lado. Ele continuava sério e em silencioso distanciamento. Sentaram-se lado a lado nas cadeiras com guarda-sol do lado externo da sorveteria e pediram dois milk shakes de ovomaltine.

—Aconteceu alguma coisa?—questionou após tomar metade da bebida num silêncio incômodo.

—Não.

—Por que veio conosco?

—Porque precisava— retornou conciso e sem querer dialogar.

—Rá, não me diga que foi para comprar um passarinho que não irei acreditar —apontou a gaiola com descrença. Ele encostou as costas na cadeira. O guarda-sol deixou os olhos cinzas mais escuros, sem o sol para contrastear.

—Poderia ser por que quisesse ficar perto de você? —questionou sério. Ela abriu a boca surpresa com a entonação e sinceridade.

—Você queria? —arriscou insegura, com o coração batendo mais forte de emoção.

—Óbvio— assentiu sem máscaras. —Também vim buscar um casal de aves que minha família encomendou para você, pela perda de Anastácia. —Ergueu a gaiola e abriu a proteção. Um casal de bichinhos emplumados encolhia-se ansiosos no canto.

—Que lindos! — exclamou animada e acariciou a gaiola. As aves olharam-na com olhos desconfiados e curiosos. —Amei, Edward. Obrigada! —agradeceu e deu beijinhos afetuosos na gaiola. —O que são? —questionou ao compará-los a periquitos, mas os excêntricos topetes os diferenciavam.

—Calopsitas— esclareceu. — São carinhosos, podem ser criados soltos e tem a vantagem de não ser comestível. —comentou amargo e pesaroso.

Ela olhou-o com olhos cheios de gratidão e afeto.

—É bom ter você —declarou carinhosa, tocou o dorso da mão dele sobre a mesa e baixou a gaiola para a sombra embaixo da mesa. —O que minha conversou com você no estúdio?

Ele afastou a cadeira para mais próximo e pôs o braço sobre seu ombro. Essa aproximação pública dele a surpreendia sempre e Bella gostou da novidade de namorar em público. Inclinou-se e cheirou-o no pescoço. A cimentação da intimidade esquentava seu intranqüilo coração. Ambos sempre pareciam receosos no inicio de cada encontro, mas então a intimidade fluía.

—Ela me avisou que sabia sobre nós — explicou Edward neutro. —Me ameaçou cortar meu, você sabe, se te ferisse emocionalmente, porque bonitões da minha idade, palavras dela...— Fez aspas no ar com uma careta. —Só fazem meninas sofrerem. Disse que sua mãe já teve a cota de sofrimento da família com bonitões. Salientou que queria te dar a cabeça dela para você saber como lidar com garotos como eu, mas que como não pode impedir você de passar na vida pelo que tem de passar, ficará de olho em mim —relatou descontente.

Bella abriu bem os olhos chocada com a inesperada intromissão, mas decidiu amenizar a situação.

—Não se preocupe com o que ela falou —intercedeu apaziguadora. —Ela diz isso por preocupação, mas seus conselhos para mim são os mais fanfarrões possíveis. —Riu para convencê-lo. — Disse que devo aproveitar a vida ao máximo, com muita responsabilidade, claro. E compreendo ao que ela se refere. Ela fica triste por minha mãe ter se apaixonado nova por um canalha, depois ter se casado com um ditador. Mas ela ignora que minha mãe era feliz com meu pai, do jeito dela. Tudo bem que era meio servil a relação dela com ele, mas nada tirava o sorriso do rosto dela. Isso é o que importa —lembrou com olhar nostálgico. — Quanto a mim, não me importo de sofrer, nem de chorar, se eu tiver tido um bom momento. Se tô no parque é para brincar. Se eu não quiser sofrer na vida e me decepcionar, é melhor me recolher a autopreservação e largar a diversão. Vou ter que me trancar no quarto e nunca deixar meu coração se interessar por ninguém. E isso é algo que eu não quero. Quero viver ilusões, apaixonar, sofrer por alguém. Se não der certo, tentarei de novo.

Após o discurso cheio de paixão, ele inclinou-se mais e deu-lhe um selinho.

—Alguém, não importa quem? —enfiou os dedos em seus cabelos. —Você quer simplesmente viver uma ilusão? —cobrou fingindo desinteresse, mas ansioso pela resposta.

—Não estou procurando um casamento— acentuou disposta a não pressioná-lo ou afastá-lo. Sabia pelas experiências contadas pela avó que com homens quanto mais liberdade se dava, mais tinha chance de eles se apegarem. —Só quero viver momentos. Ainda mais nessa idade em que querer e não poder é tão normal para mim. Tenho exatamente a idade que se quer fazer muita coisa e não se pode nada. Não posso sair com você, me expor. A única coisa que posso fazer hoje é ficar com você quando posso, sem exigir o que também não posso suprir.

Ele sentiu-se frustrado com suas palavras, mas também aliviado, o que eram emoções bem contraditórias. Em parte ela não podia se apegar a ele, porque seus planos em relação a Charlie não mudaram. Mas também não queria que ela tratasse o relacionamento que podiam ter com tanta frivolidade.

—Não gostei daquele cara— mudou o tema. —Não gosto de como ele te toca e te manipula toda hora.

Bella riu deliciada com a confissão.

—Jean? Ele não me manipula. É um fotógrafo. Precisa me tocar profissionalmente para me indicar a pose e para me fazer relaxar com ele— defendeu divertida. Edward percebeu o exagero e quis diminuir o embate da crítica.

—Eu só estou preocupado com você. Não consigo confiar em você com ninguém depois de P...

—Pare já! —interrompeu irritada. —Não ouse completar.

Ele enfiou os dedos em sua nuca, trouxe-a para mais perto e beijou a mandíbula, salpicando beijos na bochecha, o nariz esfregando e sorvendo seu cheiro.

—Cadê Alice? —perguntou após uns minutos de trocas de carinhos.

—Não pedi para ela vir passar o fim de semana. Ela tem os amigos dela e não vou ficar implorando companhia. Cansei de ficar sugerindo que ela venha e sempre receber um não. Tenho que me virar —comentou sem sombra de amargura, mas compreensão adulta. Ele observou-a admirado por sua postura de defesa e amor próprio.

—Para de me olhar com esse olhar de quem me adora que posso até acreditar— arreliou zombeteira e esfregou o nariz no seu. Ele torceu os lábios e deu um riso contido.

—Eu não adoro — garantiu convicto. —Mas você é adorável.

—Rá, sou nada! — censurou divertida. —Sou sem sal, magra como um inseto-pau e não tenho nada de incomum, espetacular e gracioso que não um cabelo cor de cenoura.

—Bem, isso parece estratégia para receber elogios —criticou com um esgar censurador. —Você é naturalmente charmosa, animada, positiva e uma magra linda, Bella— repetiu incisivo. — Alice também é magra e não a vejo se criticando. —comparou neutro.

—Mas ela é baixa— defendeu desconfiada por mais uma vez ele tocar no nome de Alice em pouco tempo de conversa.

—Você é alta com tornozelos fortes e joelhos bonitos — bajulou sincero.

—Ah, não, Edward, qual é! Ninguém elogia joelhos! —zombou e tocou o próprio joelho com censura. Ele seguiu sua mão e torneou os joelhos com as pontas dos dedos. Ela sentiu um arrepio irradiar por suas pernas e se surpreendeu que aquela parte fosse tão sensível.

—É bem feito, torneado— salientou conquistador.

—Rá, daqui a pouco você vai elogiar meu cotovelo também. —mostrou o cotovelo para acentuar. Ele puxou seu braço e deu um beijinho em seu cotovelo, ignorando que estivessem em frente à rua. Os olhos de Bella brilharam divertidos com aquela demonstração de afeto e abraçou sua cabeça pelos ombros, carinhosa. —Eu te adoro, Edward. Acho que você é um romântico bobo —implicou carinhosa.

—Não sou, não— negou com falso horror. —Nem pensar. Só gosto de coisas bonitas— justificou matreiro, o nariz inspirando o perfume em seu decote.

—Bem, já é melhor que outros que ficam por ficar, sem elogios, declarações e sem promessas, pensando que em breve se irá acabar.

—Ninguém entra num relacionamento esperando que ele se acabe, Bella. —advertiu sério. Ela beijou sua cabeça, inspirando o cheiro limpo de seus sedosos cabelos.

—Sim, também acho. Todos queremos acreditar que vai durar, mas também temos que estar preparados para o término, então o correto é não criar expectativas demais —repetiu seu ponto porque ela mesma precisava compreender isso. Não podia entrar cheia de ilusões num relacionamento, embora doesse aquela parte entre as costelas pensar em fica sem ele.

—Quando iria me confessar abertamente, hein, preciosa? —Vovó Laura assustou-os ao rodear a mesa e sentar-se com eles. Edward afastou-se do abraço de reflexo.

—Não queria te preocupar, vovó —justificou Bella, sem saída. — Estamos só ficando.

—Bem, na minha época não existia isso. Comecei a namorar com seu avô bem mais nova que você, com quinze anos. Foi meu único homem e quando menos esperei estava grávida e casada.

Bella riu e tomou o restante do milkshake no canudinho.

—É tão estranho imaginar a senhora nova, séria e com um bebê nos braços para cuidar —comentou sorridente.

—Difícil mesmo, porque ninguém nos ensina a ser mãe. Tive que aprender sozinha a ser responsável, a trabalhar. —Seus olhos adquiriram um brilho ausente. —Mas o pior mesmo é que ninguém nos ensina a ser viúva, Bella. Meu amor foi simplesmente tirado de mim e tive que superar.

—Pelo jeito superou rápido. —Edward acentuou acusador, apontando para a rua. Um rapaz forte e alto, com pouco mais de quarenta anos, os olhava tentando chamar atenção da elegante senhora em seus fulgentes cinquenta e oito anos.

—Você se engana— inclinou-se sobre a mesa, olhando-o séria. —Não há um dia em que eu não lamente sua falta e não me ressinta por ele ter me deixado só, viúva com pouco mais de quarenta anos, justo quando nossa netinha completava um ano. —Acariciou a mão de Bella afetuosamente. —Mas às vezes distrações nos fazem desviar a atenção da dor de não ter. É uma defesa. No decorrer da vida você vai aprender isso —lamentou melancólica, mostrando um lado vulnerável desconhecido.

—A senhora não parece sofrer —comentou Edward atento a ela.

—Não posso sentar numa cadeira de balanço ou me deitar e esperar que Deus venha me buscar para mostrar que sofro... Resta viver —defendeu, depois deu um suspiro resignado e ergueu os ombros. —Mas por que falar de coisas ruins? Falemos de coisas boas. A melhor fase da vida é a de vocês. Inicio da vida. Adolescência. Tempo em que fazemos tempestade em copo d’água e tudo parece maior que é. — Riu saudosa. —Aproveitem muito a fase em que até o vento nos arrepia— gracejou. —Depois a vida não é mais tão fácil. Embora o que eu puder fazer para proteger você, preciosa, farei —prometeu carinhosa a Bella.

Na semana seguinte, Jean matriculou Bella num curso intensivo para modelos com uma renomada modelo internacional que visitava Norfolk. Vovó comprometeu-se a encobrir e levar Bella ao curso sexta à tarde e sábado o dia todo, o que coincidiu com o dia em que Edward tinha acampamento com os seniores dos escoteiros. Foi um curso de grande valia. A modelo russa Alexia teve uma empatia automática por Bella e prontificou-se a expandir os contatos de Jean James. A brincadeira de Bella ganhava sentido e causa. A sensação de inutilidade e inadequação mudava dentro dela.

No decorrer dos dias, decidida a juntar provas do duplo comportamento de Jéssica, Bella gravou áudios de escárnios, de zombarias e implicâncias da prima. Gravou também sorrateiramente cenas de intimidade física de Jéssica com meninas do internato. No entanto, a programação do casamento e festa seguia sem interrupções, o que a frustrava e afligia. Por outro lado, Jéssica estava tão ocupada consigo que diminuiu as implicâncias e ameaças diretas a Bella, limitou-se a bullyings na escola.

Certo sábado, parte da escuderia tinha viajado com a equipe para um campeonato. Edward ultimamente corria no carro de testes na ausência deles. Dessa vez, o casal, Edward e Bella, ocuparam ambos um carro e apostaram corrida entre si. O barulho dos motores ecoava pela propriedade, mas somente os caseiros poderiam ouvir. O restante das pessoas saiu para se divertir.

Edward não usou toda a potência do motor para não estimular Bella a se precipitar, a ideia era somente matar o tempo se divertindo como podiam, mas Bella passou por ele e fez um gesto com tanta confiança e desafio infantil que na terceira volta já exigiam uma grande contribuição do motor para manterem suas posições e briga por primeiro lugar.

Voltaram ao box eufóricos e sorridentes. Ela desceu, tirou o capacete e programou o abastecimento.

—Deixa que eu faça isso. —Edward pediu e se adiantou posicionando a mangueira para abastecer.

—Por quê?

—Porque você é mulher— acentuou como o óbvio apontando-a com ar provocador. Ela ergueu o queixo pronta para retrucar, mas o som de passos se aproximando ganhou-lhe atenção. Viraram juntos os rostos. Sam.

—Vocês têm sorte por ter sido eu a ver—repreendeu sério e carrancudo, com jeito de quem estava a um tempo os observando. —O que pensam estar fazendo?

Bella congelou segundos, indecisa sobre o que dizer. Edward apertou a mangueira e prontificou-se a se explicar, mas Bella o interrompeu antes.

—Obriguei o filho do Carlisle a me acompanhar.—Ergueu o queixo para dizer, desafiadora. Sam olhou incrédulo de um ao outro, balançou a cabeça com um esgar depreciativo e arqueou a sobrancelha para Edward, como se zombasse da afirmação. Maior que Bella alguns centímetros e bem mais largo, Edward não parecia alguém fácil de fazer algo obrigado.

—Como?

—Ressaltei os riscos de eu correr só— improvisou. —Ele conhece carros, então foi prestativo e me acompanhou de perto para me orientar— explicou solene. O interesse de Sam em Edward mudou.

—Você é do setor de peças da mecânica, não é?

—Sim —assentiu Edward.

—Segunda-feira, quero que você inicie comigo no laboratório da engenharia —indicou. —Vou ver se você é bom e te vigiar de perto. Trabalhará em carros novos, não em sucatas. —Apontou com desdém para o carro que abasteciam.

Edward abriu bem os olhos, surpreso. Bella não entendia como, mas parecia que Edward tinha ganhado um aliado, não um importuno. Adiantou-se por ele, animada.

—Ele vai, sim. Com certeza —garantiu contente. —Mas o que faz aqui, Sam? Não estão em campeonato?

Ele deu de ombros e encostou-se à parede, relaxado.

—A corrida é em Silverstone e eu precisava vir aqui pegar umas coisas. —Mostrou uma maleta de equipamentos. —Estou indo. Fiquem alertas... —Olhou novamente Edward. —Poderia ter sido Charlie a encontrar vocês, e você sabe, Bella, o quanto ele pode ser intolerante— alertou preocupado, depois os deixou.

Bella encostou-se ao carro sem jeito, sentindo-se responsável por Edward quase ter entrado numa fria. Ele continuou abastecendo o carro.

—Subiu de cargo— gracejou tímida e deu uns murrinhos em sua costela. Ele resmungou um murmúrio contrariado, mas não por ter sido surpreendido por Sam ou por Bella tê-lo defendido, mas por ter conseguido ir para engenharia. Se a ideia de Elizabeth era que sabotasse a escuderia, a partir de agora seria possível. Não sabia se estava animado ou desorientado com o fato.

—Vou ficar na sua casa um pouquinho, posso? —Bella perguntou incômoda com o repentino distanciamento de Edward.

—Lógico que sim.

—Então vamos. —Apontou o caminho e caminharam lado a lado o caminho que separava a estrutura da escuderia das casas.

Esme estava na cozinha quando entraram pela porta dos fundos da casa. Ela olhou-os desconfiada, mas voltou a picar pimentão para a janta sem lhes fazer caso ou criticá-los por continuar andando juntos.

— Olá, Esme. Não tive chance de agradecer antes, mas obrigada pelo presente —agradeceu sem jeito. —Brinco com eles toda hora.

—Por nada, mas não foi ideia nossa, foi de Edward.— Apontou Edward com a colher, denunciando-o. Bella olhou-o sorridente, mas deixou de lado o caso.

—Obrigada mesmo assim. —Aproximou-se da pia. — Você precisava ter visto a briga de Wolf com os calopsitas por território — contou animada. —Wolf latiu bastante quando viu aquelas aves pequenas, então Adão, o calopsita macho, começou a ir para cima de Wolf com as penas arrepiadas e o pescoço altivo. —Imitou o bichinho com drama teatral. —Quanto mais Wolf latia, mais Adão e Eva avançavam para cima dele com aquele topete alto. Então Wolf retrocedeu desorientado, ganiu com medo e se escondeu atrás de Edward. Grande covarde! —Riu sem parar. Esme riu acompanhando-a. Edward balançou a cabeça decepcionado com o cachorro deitado na porta da sala. —Depois meus bichinhos reinaram absolutos no celeiro, andando de um lado ao outro como se fossem donos do lugar. —Imitou-os, o pescoço erguido e olhar superior para ilustrar. Edward olhou a coisinha inquieta com olhos quentes, receptivos e admirados com seu humor. Bella parou a encenação e encostou-se ao lado de Esme no balcão. —Me ensine a cozinhar—pediu animada.

—Pra quê? —questionou Esme. — Você não precisa. Tem cozinheiros em sua casa

—Vai que eu esteja pensando em fugir de casa e precise cozinhar—gracejou matreira, piscando para Edward para fazer alusão à conversa que tiveram no celeiro dias antes.

—Então venha aqui que vou te ensinar o principio básico de qualquer comida— convidou-a simpática e lhe ofereceu o avental. —Prenda o cabelo. —instruiu. Edward cruzou os braços e encostou-se ao portal, com um olhar duvidoso. —A base de todo prato que eu faço é alho e cebola. Não gosto de tempero pronto, então sempre estou socando um alho novo. —Apontou para o socador.

—Preciso fazer?

—Não. Já está feito, mas numa próxima vez você soca. —Pegou um pouco de alho no socador com a colher. —O prato de hoje será carne moída com abobrinha... —Passou os instantes seguintes explicando a Bella todo o processo de preparação e convidou-a a vir aprender mais no almoço no dia seguinte e no jantar. Esme nunca tinha sido tão prestativa. Sempre se mantinha com reservas, principalmente quando Bella aparecia com Edward. Mas dessa vez foi amável e atenciosa.

Esme também ensinou Bella a fazer cuscuz de arroz e instruiu a quando desligar o fogo. Depois de fechar a panela, deixou o casal na cozinha e foi à sala assistir à TV. Bella cortava tomates super empolgada por ter um afazer. Edward a surpreendeu por trás, beijando-a na nuca, as duas mãos prendendo-a na pia.

—Gostei de te ver aqui, com ela, no fogão— contou em seu ouvido, a boca plantando beijos abaixo da orelha.

Ela fechou os olhos e suspirou, esticando o pescoço para curtir o mimo.

—Mulher no fogão é o sonho de qualquer homem machista —acusou Bella.

—É o único lugar que elas conseguem dirigir com maestria —arreliou-a carinhoso e mordeu-a no ombro. Ela riu.

—Intriga machista— provocou. —Falta ousadia em você para ser melhor no volante que eu.

—Falta estratégia e paciência em você para ser melhor que eu— contra atacou com os dedos deslizando pela linha de sua espinha, por dentro da blusa. Ela riu, ele virou-a de frente e abraçou-a. Ela não sabia, mas o motivo do abraço era a aflita indecisão de Edward. Não sabia o que fazer com ela, só que não queria ficar longe dela.

—Eu fico triste por não ter tido mais tempo com a minha mãe para que ela me ensinasse a cuidar de uma casa e cozinhar —Bella comentou nostálgica. —Um dia ela estava saudável e linda, dias depois estava acamada e morrendo —lamentou com um suspiro.

—Você era muito nova para que ela te ensinasse.

—Sim. Mas se eu soubesse que teríamos pouco tempo, teria aproveitado mais. O único que me consola é saber que ela viveu intensamente, amou intensamente, por isso, quando ela me pediu para fazer o que pediu, não a censurei. Ela não queria definhar numa cama até a morte. O orgulho, que é o que temos em comum, não a permitiu —lembrou ausente. Edward beijou-a na bochecha, consolando-a. —Sinto muita saudade dela. O mundo parecia tão fácil para ela. Mesmo aguentar meu pai parecia fácil.

Edward tirou uma mecha de cabelo mogno de seus olhos e roçou o nariz em seu pescoço, roubando seu cheiro. Viver de prazeres inconsequentes e momentos roubados era flertar com o erro, mas não podia fugir daquela atração intensa e magnética que cada vez mais os unia.

—Você tem se saído bem com essa perda. Sua avó é uma presença essencial.

Ela estendeu a mão e espalmou sua mandíbula.

—Você também é. —Ofereceu os lábios para ser beijada. —Como estou me saindo na cozinha?

Ele sugou seu lábio inferior, os dedos acariciando seus braços .

—Seu cheiro está bem apetitoso. Vamos ver se o gosto está o mesmo. — Enfiou a língua em sua boca, experimentou o tato e aprovou baixinho. —Deliciosa. —Apertou-a contra a pia, o beijo peculiar e excitante, a língua tateando o interior da boca. Bella rodeou sua cintura com as mãos, exigindo seu calor. Tinham os olhos fechados e se acariciavam numa doce e exigente intimidade. Bella sentiu um dedo grosso e salgado enfiando-se atrevidamente em sua boca. Afastou-se do beijo e virou o rosto para surpreender-se com Jasper ao seu lado de olhos arregalados.

—Que merda é essa? —Olhou-os acusador, apontando para o quadril dos dois com incredulidade.—O que tá acontecendo aqui?

Edward afastou-se brevemente, surpreso por ter se envolvido tanto e ter se esquecido que alguém poderia flagrá-los. Bem, estava disposto a falar sobre os dois para a família, por isso não cuidou de precaver-se. Deu um olhar significativo a Jasper.

—Ela está aprendendo a cozinhar— explicou sério.

—Ah, sim, linguado? —zombou e encostou-se à geladeira, cheio de crítica. —Por que vocês estavam se pegando? Vocês estão juntos? —exigiu saber.

—Mais ou menos— Bella respondeu observando Edward. Não sabia se podiam falar.

—Estamos —garantiu Edward e para afirmar a assertiva puxou Bella para si, a mão possessivamente no fim de sua coluna.

Jasper balançou a cabeça censurando, então o som de fervura na panela lhe chamou atenção.

—E o que estão fazendo mesmo, além de enfiar a língua um na boca do outro?

—Estou cozinhando.

—Cozinhando? Tipo de verdade, com um fogão?

—Sim. Sei até ligar o botão!— ela garantiu solene. Jasper riu e estendeu a mão ao seu cabelo.

—Esse cabelo em chamas deve ser melhor que fogo para cozinhar —gracejou bajulador. Edward o observou-o animoso. Há tempos via as brincadeiras tolas e tratamento infantilizado, mas notava que Jasper a queria, se pudesse, contendo-se e respeitando-a por ela ser a filha do chefe.

—Tira a mão —ameaçou sem reprimir-se. Jasper arqueou a sobrancelha surpreso com seu tom.

—Hmmm, esquentadinho e possessivo —zombou divertido. — Sai fora— ergueu a mão no ar, diplomático. —Hostilidade e agressividade podem fazer mal a um cara legal e impressionável como eu. Não quero sua garota, só o cabelo dela... espalhado na minha cama. —Piscou para Bella com paquera. Edward fechou os punhos, irritado. — O que teremos para comer, Bella? —questionou indiferente a Edward, apontando a panela. Bella se lembrou de desligar o cuscuz.

—Carne moída com abobrinha e cuscuz.

—Vixi, carne moída com abobrinha! —exclamou com horror. —Pelo jeito a recessão não acabou.

—Recessão? —questionou Bella sem compreender. Carlisle ganhava bem como administrador da propriedade, não precisava economizar comida.

—Sim. Papai vive economizando em tudo para investir na aposentadoria. O negócio está tão feio aqui que, se brincarmos, tomamos chá de chuchu no café da manhã. E se fôssemos macumbeiros, usaríamos caldo de galinha ao invés de galinha preta— zombou trágico. Ela riu e balançou a cabeça, agradada por ter o braço de Edward rodeado em sua cintura.

—Não fale sobre usar galinhas em trabalhos porque ainda estou sentida por uma bruxa ter colocado Ana em seu caldeirão da maldade —lembrou sentida.

—Ta bom— assentiu solidário. —E o que tem pronto?

—O cuscuz tá pronto. — Ela desligou o botão. —Mas sua mãe disse que tinha que descansar um pouco.

—Hmmm— Olhou a panela de cuscuz e tirou a tampa. —Acho que vou comê-lo cansado mesmo. —Enfiou uma colher e levou à boca. —Tá gostoso.

—Obrigada. Tem minha mão— acentuou orgulhosa de si.

—Sim, garota, imagino que suas mãos façam mágica— disse malicioso e segurou uma mão de Bella, acariciando o dorso. Ela riu divertida, cheia de lisonja. Talvez ela estivesse passando por alguma transformação que atraía mais meninos, suspeitou. Sempre ouviu a avó dizer que os meninos corriam atrás de mulheres resolvidas consigo e tranquilas, não de mulheres que imploravam por atenção.

Edward pigarreou e puxou a mão de Bella da mão de Jasper.

—Achei que você estivesse com fome— convidou-o a se retirar, apontando com o olhar para o quarto.

—Estou, sim, seu possessivo. Sempre egoísta com seus brinquedos, né— espetou contrariado. — Mas tô avisando, não brinca com a filha do chefe. Se ela sofrer, serei o primeiro a cortar seus dedos e seu pinto —ameaçou zombador e caminhou para a porta. —Tá pegando o irmão errado, viu, Bella? — salientou fingindo de ofendido. —Eu sou o irmão pop e bonitão.

—Vou me lembrar disso. — Riu carinhosa. Edward rendeu-a na pia novamente, os corpos encostados. Ela arrumou o cabelo dele para trás com os dedos, risonha. —Viu, eu tenho um herói em minha defesa—provocou zombeteira.

—Bem, as ameaças sobre mim estão só crescendo— dramatizou. —Sem o dedo posso até ficar, mas sem o pinto seria um problema— lamentou tragicamente.

—Seria mesmo, até porque, você não pode ter o pipiu cortado sem ao menos eu ter sido apresentada. —Piscou maliciosa e olhou para o zíper. Ele beijou-a no pescoço, arrepiando-a com o ar morno de sua respiração.

—Você já o viu— lembrou, referindo-se ao dia que Jéssica o obrigou a despir-se.

—Ah, aquele dia ele parecia tão triste e intimidado que fiquei com vergonha de olhar.

Ele riu um sorriso contido dentro do peito e a apertou na pia, ao tempo que a beijava da mandíbula ao queixo com beijos abertos e molhados, acentuando com a posição o comprimento de sua excitação.

—Bem, suponho que ele agora está alegre e ousado. —Deu-lhe beijinhos molhados na boca, chupando seu lábio superior. Ela acariciou seu peitoral, subiu os dedos pelo pescoço e acariciou sua nuca.

—Vamos lá em casa para eu ver— convidou audaciosa e enfiou a mão por dentro de sua camiseta. Ele riu mais.

—Depois —adiou porque já era bem complicado o relacionamento sem vida sexual, se nublasse com mais essa intimidade aumentaria a complexidade da situação. Precisava de tempo.

Carlisle chegou a casa, os surpreendeu no canto da cozinha trocando carinhos, ignorou-os com certo aborrecimento e lavou as mãos. Edward afastou-se quando Esme chegou à cozinha para conferir o jantar. Ela chamou todos para a mesa de madeira rústica de seis lugares. Não era a primeira vez que Bella comia lá, mas a primeira vez que se sentia tão estranha. Nenhum dos participantes do jantar deu maior atenção ao casal. Não houve comentários, questionamentos ou brincadeiras, mas Bella sentiu a cautela e preocupação no ar e sequer tocou em Edward.

—Como você está reagindo a noticia do casamento do seu pai, Bella? —Esme questionou atenciosa. Bella torceu os lábios e baixou o olhar, chateada.

—Aceitando. Não posso fazer nada— lamentou e mexeu o garfo na comida. Lembrar o assunto tirava-lhe a paz e o apetite. —Se fosse outra mulher, eu torceria pela felicidade dele, mas sendo Jéssica, sei que só será problema.

—Será que a mãe dela não se opõe? —Esme arguiu.

—Não sei, mas acho que sim, embora não conte muito porque a Jéssica não dá a mínima para ela. Jane nem está falando com meu pai, por conta de dinheiro. Ela reclama da mesada. Tanto a mãe de Jéssica como de Alice reclamam muito.

—Elas têm razão— opinou Edward, que sempre se mantinha reservado em qualquer conversa. —Estão reivindicando algo que é delas por direito. —acentuou sério, remexendo a colher no cuscuz. Todos na mesa o olharam atentos ao seu tom acusador. —Se seu pai não é filho legítimo, e elas herdeiras legítimas, sim, elas têm mais direito que ele à renda gerada na escuderia —salientou incisivo. Bella o observou surpresa que ele falasse do tema que pouco se conversava na fazenda. Ninguém ousava falar nesse assunto, somente a periferia cochichava anonimamente sem que Charlie presenciasse. E Edward nunca se metia em intrigas ou fofocas.

—Meu avô não confiava em nenhuma outra pessoa, por isso passou a responsabilidade para o meu pai. —Sentiu-se na obrigação de defender.

—Ele passou mesmo a responsabilidade ou seu pai usurpou o direito, como dizem as más línguas? — pressionou mordaz. Ela não compreendeu seu tom ou o motivo da discussão. Como seu avô conheceu sua avó viúva com um filho de seis meses, o criou como filho. Mas nunca teve tratamento diferenciado do avô com seu pai até sua prematura morte num acidente de carro. Havia sim, implicância de suas tias com seu pai, mas Charlie as tratava com mão de ferro e não permitia que crescessem suas vontades sobre ele.

—Meu avô nunca confiou no meu irresponsável tio, pai de Alice, ou mesmo numa mulher como a mãe de Jéssica para gerir os negócios, só no meu pai. Além disso, o pai de Alice sumiu há muito tempo, por isso vovô deu a responsabilidade a papai.

—Isso é o que ele diz.

—Todos os antigos funcionários dizem que o pai de Alice, Jhon, era um playboy irresponsável— comentou Carlisle neutro. —E Charlie pode ser tudo, de grosseiro a cabeça dura, mas responsável e correto com seus negócios ele é.

—Obrigada, seu Carlisle — concordou Bella, contente com sua atitude diplomática. Edward recolheu-se ao silencio, o olhar frio e distante de quem se revoltava por julgar saber mais que todos. Foi Rosalie a interromper o momento tenso.

—Elas não estão te deixando em paz, né, Bella? —comentou solidária, desviando o tema. Durante a semana, Tânya e Jéssica tinham sabotado a maquiagem de Bella colocando cola super bonder no rímel incolor. Felizmente, Rosalie avisou a tempo, antes que Bella usasse.

—Não. Mas eu também não as deixo. Se antes eu levava a culpa sem fazer nada, agora estou fazendo por merecer— garantiu satisfeita consigo.

—E o que anda fazendo? —Esme questionou.

—Trotes bobos, os únicos que se consegue fazer numa escola de meninas. Colar chiclete no travesseiro, tinta preta no creme de pentear das louras. Coisas do tipo que não levantem provas e incriminações contra nós. —Piscou orgulhosa.

—Você sempre se comporta mal na escola? —Carlisle questionou divertido.

—Antes não. Agora, sempre que surge uma oportunidade. —Riu com expressão atentada. Todos sorriram. O jantar decorreu espontâneo e cálido após isso. Edward manteve o olhar atento nela. Embora o prato fosse simples, o ambiente era aconchegante. Esme apoiava-se vez ou outra no braço de Carlisle, sempre lhe tocando, acariciando. Ele lhe dava um olhar cheio de amor e consideração. Bella suspirou nostálgica com as lembranças repentinas da mãe. Ainda que arbitrário e controlador, sabia que seu pai a amou, do jeito dele. Era um amor doentio, óbvio. Enquanto ela fizesse suas vontades e se dedicasse exclusivamente a ele tinham paz em casa. Nada e ninguém poderiam desviar a atenção dela. Se ele sentia-se ameaçado, logo desfazia-se da ameaça e exigia atenção. A filha, a sogra, um animal, qualquer coisa que exigisse mais atenção que ele e lhe roubasse tempo ganhava sua inimizade.

—Da idade de vocês, tem que se aproveitar muito, brincar muito e se divertir, porque depois vem as responsabilidades e nada pode ser levado tão levianamente. —Carlisle comentou e passou para o segundo prato de comida.

—Responsáveis temos que ser desde agora com um pai como o senhor. —Jasper rebateu com fingido desgosto.

—Não exijo mais do que vocês podem fazer. Não quero que meus filhos cresçam sem limites e sem respeito por regras como vejo muitas crianças por aí.

—Duvido se o senhor não foi repreendido um dia por seu pai por irresponsabilidades— retrucou Jasper.

—Sim. —Sorriu Carlisle divertido. —Por isso hoje cobro de vocês. Sou difusor de preceitos familiares e regras. Meus filhos serão homens de verdade, não baderneiros, vândalos e arruaceiros brigões. Serão pessoas honestas e trabalhadoras. E quando estiverem suas namoradas, as respeitarão —discursou enfático, o olhar em Edward. —Namoro tem que ser algo sério, com compromisso, não leviandade. Sexo, só depois do casamento. —discursou solene.

—Bem, se fizermos as contas direitinho, eu e Jasper nascemos três meses depois do seu casamento no civil— Rosalie zombou. Esme engasgou e riu enquanto Carlisle ficava vermelho e tossia.

—Isso não quer dizer que eu não a respeitei— argumentou, mas o ar sério da mesa já tinha se dissipado e todos riam.

Depois de ajudar a recolher a louça e lavar as mãos, Bella despediu-se e voltou a sua casa pela cozinha sem ser registrada pelo mordomo. Vovó e os demais ocupantes da casa tinham saído. Edward entrou no quarto logo que ela terminou seu banho. Ela deu-lhe um sorriso de boas vindas e penteou os longos cabelos em frente ao espelho em seu pijama longo. Ele sentou na ponta da cama parecendo ter algo a dizer. Como ela não queria discutir e voltar ao tema vulnerável entre eles: ‘Charlie’, levantou uma bandeira de paz procurando outro tema.

—Rosalie está bem legal— comentou animada. —Foi ela a me alertar que no meu rímel tinha cola.

—Foi? —questionou curioso, disposto a desenvolver a conversa.

—Sim. Graças a Deus —ofegou dramática, inclinou-se em frente ao espelho e verificou seus cílios. —Imagine o que faria para tirar a cola? Acho que eu teria que raspar e ficaria careca de cílios —zombou divertida. Ele riu de canto. —Sim, você acha que não? Imagine como eu ficaria feia sem cílios. —Deu umas piscadelas para acentuar. —Iria dormir de olhos abertos, assim ó —deitou na cama e exemplificou com a face pétrea, boca aberta de peixe e olhos de peixe arregalados.

A encenação roubou uma gargalhada de Edward.

—Você é muito boba— ralhou brincalhão e ergueu-se em todo o seu tamanho sobre ela, com olhos quentes e famintos. Baixou o rosto e a beijou na boca aberta, a língua macia tomando posse completa e ardente. Ela assustou-se com a repentina empolgação, mas se recuperou a tempo de enlaçá-lo com braços e pernas, indisposta a ignorar essa coisa física e táctil entre eles.

O beijo transformou-se de doce surpresa a calidez física devido à excitação acumulada ao longo dos dias. Ele gemeu em sua boca e a apertou na cama, a língua com gosto de menta do creme dental investigando e acariciando o interior. As mãos grandes já familiares acariciaram ansiosas costas, barriga e subiram comodamente para os seios. Ela animou-se com a carícia, se arqueou e sussurrou um convite sensual em sua boca.

—Aperta.

Ele obedeceu, apertando o bico entre os dedos. Bella remexeu-se sobre ele, inquieta e cheia de expectativa. O beijo esquentou mais, a língua mesclando-se com a dela e penetrando profundamente. Ela voltou a pedir.

—Põe a boca —pediu ansiosa. Há dias ele não fazia. Afastaram-se com olhos cheios de fome e incertezas. Ele decidiu. Desfez-se com pressa da blusa longa do pijama e baixou lentamente a boca aos seus seios. Ela remexeu-se na cama como se levasse choques, agitada e sensível enquanto os dentes e língua roçavam num seio, depois outro.

Ele puxou a própria camiseta pela cabeça, ela baixou a mão, abriu seu zíper cheia de ousadia e ouviu um gemido rouco quando enfiou os dedos na cueca e deparou-se com a cabeça tensa do órgão masculino. Acariciou a ponta, verificou os prenúncios com fascinada atenção. A boca de Edward abriu-se indefesa e chupou mais forte os pequenos, pontiagudos e deliciosos seios. Ela retirou seu órgão para fora e o acariciou, de cima abaixo, sem a pressão correta ou o toque correto, mas ele estremecia a cada toque. Ela acariciou os testículos com curiosidade e arrancou um grunhido sufocado, uma espécie de soluço de boca aberta. Bella animou-se com a descoberta e resposta e passou a tocá-lo como achava que o agradava.

—Não faz assim... Não aguentarei —chiou Edward.

—Faz em mim também. Tá queimando —implorou baixinho, os olhos fechados com expressão de entrega. Sem resistência, ele baixou uma mão e desfez da calça de elástico e calcinha até o joelho. Ela estremeceu quando a palma da mão a acariciou no baixo ventre e meteu-se entre suas pernas. Todo o jovem corpo masculino eletrocutou-se ao deparar-se com a suave umidade deslizante da intimidade feminina. Ela percebeu sua surpresa.

—Vive assim agora —confidenciou com um sussurro vulnerável e empurrou inconsciente o quadril na sua mão, convidando-o e oferecendo-se a ele. —Perto de você.

—É molhada —disse rouco e deslizou os dedos para cima e para baixo, investigando, conhecendo, com a respiração vindo em arfadas pesadas com fascínio crescente. Afastou-se brevemente e olhou para baixo, registrando a bela púbis feminina com pelos aparados baixinho. Novamente beijou um tentador seio. Suspirou e olhou com fascínio os dedos úmidos. Então cheirou e pôs na boca. Ela viu a cena e riu.

—Isso é meio animal, você cheirar —gracejou carinhosa. Ele riu um riso predador, baixou a boca à sua barriga e desceu beijando e cheirando sua pele. Ela soltou-o com certa relutância e fechou os olhos. Ele esfregou o nariz na sua pélvis e sorveu o cheiro de sua intimidade como se quisesse registrar na memória. O prazer e a comichão da raspagem da curta barba a fez rir e arquear-se, sentindo tensão e cócegas onde ele roçava. —Sim, a convivência com Wolf e Thor tem feito você animal. Cavalo e cachorro cheira a pepeca das fêmeas.

—Cala a boca, carrapicho —riu carinhoso, abriu-a com os dedos e lambeu-a de baixo acima, sem pudor. O choque da língua quente a fez arquear na cama e abrir mais as pernas, a feminilidade sendo energizada por ser estimulada e explorada a primeira vez. Ele desfez completamente da calça do pijama, jogando-a no chão com a calcinha, abriu a boca com afinco e lambeu-a e chupou-a lentamente, como se estivesse degustando e experimentando uma delícia. Ela quis ver, quis bisbilhotar e sentir aquela língua deliciosa lambendo-a onde nunca se permitiu tocar. Ele tomou o broto na boca, como se também fosse a primeira vez e fechou os olhos. A respiração de Bella alterou-se, ela fechou os olhos e não pode mais ver aquilo que lhe tomava o ar e que agitava no escuro de sua barriga como um redemoinho. Suas coxas reagiram tremendo, ele usou os dentes na pontinha persuadindo e insistindo e deslizou a língua de um lado ao outro.

—Meu Deus, que isso? —ela gemeu deliciada com o coração quase parando, pronta para aquilo que não conhecia. —Não para, por favor. Isso... Me desrespeita, vai. — Sua barriga se apertou, tensa. —Isso. Aí, bem aí. Mexe a língua mais rápido... Óh. —Arqueou-se na cama deslumbrada, seu pescoço esticou-se e debateu-se. O primeiro orgasmo percorreu-a como um raio, irradiando de onde a boca masculina lambia às pontas dos dedos. Ele incentivou-a animado pelo que descobria, ela debateu-se e ele pôs um travesseiro no rosto dela para suprimir os sons defensivos que saiam de sua boca. Uma nuvem de prazer a envolveu, ela foi arrebatada por segundos, depois sentiu que descia de uma alta montanha russa, aterrizando em plumas. Demorou minutos para reagir e notar que ele voltou a beijá-la na boca, beijos molhados e cheios de desejo, as mãos afagando-a na cintura e confortando-a.

—Delicioso— elogiou emocionada, o olhar reverente. Ele arrastou-se na cama e deitou ao seu lado, abraçando-a. —Obrigada. Agora não sou mais uma total leiga —ciciou baixinho e beijou seu peito. —Meu corpo está mole e pesado —contou a ele. Ele riu baixinho de sua resposta física e emocional aberta. Ela nunca era tímida e afetada, sua naturalidade mexia com ele e aumentava a pressão no seu coração.—Não sei como alguém pode fazer isso e ter uma vida normal.

—Também não.

—Não sei por que casais saem do quarto, quando podiam fazer isso o tempo todo.

Sentiu novamente o som do riso no seu peito e afastou-se para encontrar seus olhos.

—Você está todo orgulhoso de si por ter uma boba como eu no seu cercadinho, né? —acusou brincalhona. —Todas reagem assim, com você? —questionou sorridente e aconchegou-se novamente em seu peito.

—Todas?

—Sim. Todas. Você deve ser o terror do grupo Seniores dos escoteiros. Sorte nenhuma das meninas grudar em você e fazer você dormir todo dia entre as pernas delas. Se você não se cuidar, agora que vou grudar como um carrapicho em você— tagarelou sonolenta. Sentiu novamente o riso em seu peito. —Você tem que agradecer a Deus por ter uma amiga honesta e que te avisa porque sinceramente vou grudar mais em você —avisou descarada. — Espero que isso ajude a inflar seu ego e que você volte sempre ao meu quarto.

—Pode saber que sim. —Beijou suas pálpebras pesadas.

—Aff, num tô valendo nada mais. —falou de olhos fechados. —Queria saber devolver tão bem feito como você. Você deve ter aprendido essa mágica com as mulheres daquele bar de fama contestável na beira da estrada— comentou tentando soar desprendida e neutra, mas aquele velho aperto machucou-a no peito ao imaginá-lo fazendo isso com outras. Doeu segundos, depois ignorou a dor por considerar desnecessário a queima de energia quando sentia-se bobamente feliz por apenas ficarem.

—Cala a boca, Bella —demandou zombeteiro e cobriu-a com o lençol. —Ninguém me ensinou. Aprendi hoje com você. —Acariciou-a na curva acentuada da fina cintura. —Você é tentadora, honesta com as sensações e explosiva como pólvora. É diferente de toda garota que já conheci—declarou e deu-lhe um selinho, depois se afastou e fechou o zíper da calça. Ainda encontrava-se incômodo com a dureza na calça e tenso. Ela o olhou lá embaixo curiosa que ele não quisesse fazer sexo propriamente dito, nem tentasse.

—Você já vai? —questionou quando o viu vestir a camiseta. Notou agora que ele tinha tomado banho e vestido uma roupa de sair.

—Sim. Jasper e Rosalie não querem passar um sábado à noite em casa.

—Ah, vocês vão ao bar? — Perguntou ocultando a desolação.

—Sim. Como lá tem danceteria, sinuca e bebida, todo mundo prefere ir lá —justificou-se sem jeito.

Estava aí a resposta, ela pensou. Talvez a inexperiência dela o entediasse e ele gostasse de mulheres experientes.

—Além de mulheres para todos os gostos —adicionou neutra, sentindo-se repentinamente insegura. A buzina da caminhonete soou. Edward inclinou-se sobre ela e beijou-a na testa.

—Não vou por causa de mulheres, vou para sair com eles e para ver o pessoal.

—Vai porque você tem uma vida, Edward. Vai porque está na idade de conhecer pessoas e se divertir, não estou te censurando nem nunca vou cobrar mais que você me dá. Não se preocupe nem se justifique. Um dia eu também vou curtir —assegurou convicta. Ele assentiu pesaroso por não poder levá-la sem ter o risco de provocar uma guerra mundial caso Charlie soubesse que saiu.

—Então boa noite.

—Divirta-se, seu gostoso vitaminado —incentivou com um sorriso bajulador e apertou no bíceps forte, então deitou a cabeça no travesseiro.

—Até amanhã, no rio, nove horas —combinou inseguro. Não queria deixá-la, mas precisava impor a distância emocional que a situação exigia. Se passasse a dormir com ela todos os dias, se grudasse nela como queria, ficaria cada dia mais complicado tomar uma decisão sobre o que fazer. Não podia deixá-la abrandá-lo. Ela abrandaria o ódio, e ele não teria mais contra o que lutar. Queria desistir dela, mas ela persistia no seu coração como uma influência perniciosa, fazendo-o querer e querer, sem poder. Precisava ser honesto com ela e falar da mãe, do pai e de todo emaranhado que era a família dos dois. Assim saberiam se fugiriam juntos, se enfrentariam juntos ou se tomariam cada um seu lado na disputa.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler. Estou meio devagar, mas não vou parar de escrever, podem confiar em mim. Essa estória me distrai, me anima e me faz viajar. É simples, bem normal, mas tem meu coração aplicado. Espero que se divirtam, como eu. Bia Braz
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