Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo
1 O Partir das Naus e as Farpas da Despedida
O alvorecer sobre o porto real de La Push trazia um ar gélido e salgado. A imponente caravela de guerra do Exército Real, com as velas recolhidas e a bandeira do leão e do lobo balançando ao vento, aguardava a partida do Príncipe Herdeiro. Bernardo, aos vinte e dois anos, preparava-se para liderar a guarda de honra numa campanha diplomática e militar de três anos nos territórios da Itália.
A comitiva real inteira ocupava o cais de madeira. A Rainha Carlie enxugava as lágrimas com um lenço de renda, abraçada ao Rei Taylor, que mantinha a mão firme no ombro do filho. O Ancião Billy Black, o Rei Edward, a Rainha Bella, além de Jacob e Renesmee, cercavam o jovem Duque entre conselhos e recomendações de última hora.
— Lembre-se, meu filho — dizia Taylor, a voz grave e cheia de orgulho paternal. — O exército na Itália não é a corte de La Push. Os generais não se importam com o seu título, apenas com a sua coragem e a sua disciplina.
— Eu honrarei o nome da nossa família, meu pai — respondeu Bernardo, vestindo a casaca militar de botões dourados que ressaltava o seu porte físico elevado e robusto.
— E nada de arrumar confusão nas tavernas do Mediterrâneo! — advertiu o Rei Jacob, dando um tapinha forte nas costas do sobrinho e rindo de canto. — Já basta o trabalho que o seu pai me dava na juventude.
— Deixe o rapaz, Jacob! — brincou Emmett, aproximando-se com os braços cruzados. — Na Itália o vinho é forte e as mulheres são bonitas, ele tem mais é que aproveitar a viagem!
— Emmett! — repreendeu Rosalie, aplicando-lhe uma cotovelada na costela que fez todos caírem na risada.
Apenas uma pessoa na comitiva mantinha-se afastada, com os braços cruzados sobre o vestido de veludo azul e uma expressão de absoluto tédio. A Princesa Jaqueline, aos seus catorze anos incompletos, encarava a partida do primo com o nariz empinado.
Bernardo virou-se para a família, mas os seus olhos buscaram imediatamente a figura esbelta e altiva de Jaqueline. Um sorriso de canto, provocador e típico dele, desenhou-se nos seus lábios enquanto dava passos firmes na direção dela.
— Não vai me dar um abraço de despedida, Princesa? — perguntou Bernardo, a voz ressoando com uma ponta de deboche afetuoso. — Ou está com medo de chorar e borrar a pose diante de toda a guarda real?
Jaqueline nem piscou. Ergueu os olhos cinzentos com um desprezo impecavelmente ensaiado:
— Chorar, Bernardo? Eu estou contando os minutos para que esse navio zarpem. A única coisa que vou comemorar hoje é a paz e o silêncio que o palácio terá sem as suas brincadeiras de mau gosto e a sua arrogância.
— Ah, assim você parte o meu coração — disse ele, levando a mão ao peito numa dramatização exagerada que fez Seth e Quil rirem ao fundo. — E eu que pensei que você sentiria a falta da minha companhia ilustre.
— Eu sentiria falta de uma dor de dente antes de sentir a sua falta, meu caro Duque — devolveu ela sem hesitar, dando um passo à frente com o queixo erguido. — Espero sinceramente que os generais italianos coloquem algum juízo nessa sua cabeça dura. Embora eu duvide que mesmo o exército consiga milagres.
— Veremos, prima... veremos — sussurrou Bernardo, inclinando-se ligeiramente. Com um gesto rápido e ousado, ele pegou a mão delicada de Jaqueline e depositou um beijo demorado na sua pele, mantendo o olhar fixo nos olhos dela. — Tente não sentir demais a minha falta. Prometo voltar para ver se você finalmente aprendeu a ter modos.
Jaqueline puxou a mão com firmeza, franzindo a testa com indignação:
— Boa viagem, Bernardo. E vê se não volta tão cedo!
— Bernardo! O vento está a favor! É hora de embarcar! — chamou o capitão do navio do topo do convés.
O Duque acenou uma última vez para a família. Abraçou a mãe, Carlie, apertou a mão de Edward e Jacob, e subiu a rampa de madeira do navio com a elegância natural de quem nascera para o comando.
Enquanto a caravela desatracava e se afastava lentamente pelas águas do oceano, a família real acenava do cais. Jaqueline permaneceu de braços cruzados, observando a figura de Bernardo no convés até que o navio se tornasse apenas um ponto no horizonte. Por dentro, embora jamais admitisse para viva alma, o palácio de La Push pareceria estranhamente calmo demais sem o seu maior rival.
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