Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo

22 Epílogo: Sementes de Primavera, Suspiros e o Maior Segredo



​Meses se passaram desde que a neve cobrira os jardins de La Push. A primavera chegara trazendo a promessa de vida nova, campos floridos e um clima de paz absoluta ao reino. No entanto, dentro dos salões reais, um certo Duque andava ligeiramente mais inquieto do que o normal.

​O Salão do Lago fora preparado para um chá de tarde familiar. Os Cullen, a corte e a família real reuniam-se sob o pergolado coberto de glicínias. O som de risadas ecoava suavemente, mas Jaqueline parecia um pouco distante, recostada em uma poltrona de vime repleta de almofadas macias. Ela vestia um vestido leve amarelo-canário, e embora ostentasse um sorriso tranquilo, recusara educadamente sua taça habitual de vinho de especiarias e o prato de torta de limão.

​Bernardo estava de pé logo atrás da poltrona dela, com a mão descansando protetoramente sobre o ombro da esposa. Seus olhos cinzentos não saíam do rosto dela por um segundo sequer.

​— Você está muito quieta hoje, Jaque — murmurou ele ao pé do ouvido dela, a voz aveludada carregada de um carinho atendo. — Quer que eu peça ao médico real para trazer aquele chá de camomila? Ou prefere subir e descansar um pouco?

​— Eu estou bem, Bernardo. Pela quinta vez nos últimos vinte minutos — riu Jaqueline baixinho, cobrindo a mão dele com a sua e entrelaçando seus dedos. — Você está me sufocando de tanto cuidado.

​— Apenas cumprindo meu dever de marido atencioso — respondeu o Duque, com uma piscadela.

​Do outro lado da mesa, Rosalie ajustou a postura e cruzou os braços, observando o comportamento do casal com um olhar afiado.

​— Com licença, Bernardo — disse Rosalie, com uma sobrancelha perfeitamente delineada erguida. — Eu sei que você reconquistou a sua esposa e que o romance de vocês está florido, mas você está cercando a Jaqueline como se ela fosse feita de vidro soprado. Ela só disse que não queria torta de limão.

​— Exatamente! — concordou Emmett, rindo enquanto servia uma fatia generosa para si mesmo. — Bernardo agora virou a sombra da Princesa. Se ela der um espirro, ele manda chamar três regimentos da guarda para cercar o palácio contra correntes de ar!

​— Não é excesso de zelo — defendeu-se Bernardo, mantendo a postura altiva, embora um rubor discreto surgisse em seu pescoço. — Ela acordou mais pálida esta manhã. Tem todo o direito de ser paparicada.

​Foi nesse instante que Edward Cullen pousou a xícara de porcelana no pires com um estalo suave. Um sorriso lento, amplo e genuinamente emocionado começou a se desenhar no rosto do vampiro. Ele olhou de Bernardo para Jaqueline, com os olhos dourados brilhando de surpresa e alegria.

​— Edward? — perguntou Bella, notando a reação imediata do marido. — O que foi?

​Edward olhou diretamente para Jaqueline e depois para Bernardo, balançando a cabeça com admiração.

​— Acho que o zelo do Bernardo tem um motivo muito mais profundo do que uma simples corrente de ar... — disse Edward, a voz suave preenchendo o espaço. — Aliás... parabéns aos dois. São dois corações batendo naquele peito agora.

​O silêncio caiu sobre o pergolado por exatamente dois segundos.

​Renesmee colocou as mãos sobre a boca, os olhos marejando instantaneamente. Carlie deu um pulo da cadeira, quase derrubando o bule de chá.

​— O quê?! — exclamou Emmett, parando o garfo no meio do ar pela segunda vez na história daquele palácio. — Espera aí... Edward, você está dizendo que...?!

​Jaqueline olhou para o marido, com as bochechas corando fortemente, mas com o olhar transbordando de uma felicidade pura e incontida. Ela pegou a mão de Bernardo, que até então parecia ter virado uma estátua de pedra ao lado da poltrona.

​— Eu ia contar durante o jantar... — confessou Jaqueline, a voz embargada pela emoção, olhando para a família. — Mas o meu avô não consegue guardar um segredo por cinco minutos. Sim... nós estamos esperando o nosso primeiro bebê.

​O caos de alegria irrompeu no jardim.

​— Eu vou ser avó! — gritou Renesmee, correndo para abraçar a filha e o genro. Esme e Carlisle sorriam abertamente, enquanto Jacob dava tapinhas fortes e entusiasmados nas costas de Bernardo, fazendo o Duque finalmente despertar do choque inicial.

​— Um herdeiro para La Push! — comemorou Seth, rindo. — Espero que venha com o juízo da mãe e não com a teimosia do pai!

​— Se vier teimoso como o Bernardo, a Guarda Real vai precisar de reforços! — debochou Emmett, abraçando o Duque com tanta força que quase o tirou do chão.

​Mas Bernardo mal ouvia as piadas da família. Seus olhos cinzentos estavam fixos unicamente em Jaqueline. A pose de Capitão durão e Duque inflexível desmoronou completamente. Com as mãos trêmulas de pura emoção, ele ajoelhou-se na grama ao lado da poltrona dela, ficando ao nível dos seus olhos.

​— Um bebê... — sussurrou ele, a voz falhando, as lágrimas finalmente acumulando-se em seus olhos enquanto ele apoiava as mãos com extrema delicadeza sobre a barriga ainda plana de Jaqueline. — Nosso filho... ou nossa princesinha.

​— Nosso — confirmou Jaqueline, inclinando-se para frente e segurando o rosto dele entre as mãos. — O fruto daquela nossa teimosia toda, meu Duque.

​Bernardo encostou a testa na dela, soltando uma risada emocionante e verdadeira que contagiou a todos ao redor. Ele inclinou-se e selou a barriga dela com um beijo longo e reverente, antes de subir para tomar os lábios de Jaqueline em um beijo apaixonado, repleto de promessas para o futuro.

​A brisa de primavera soprou suavemente pelos jardins de La Push, levando consigo as lembranças de noites frias, orgulhos feridos e guerras de ego. O que restava ali, sob o olhar atento e amoroso de toda a família, era a certeza de um amor que superara todas as barreiras — e o início do capítulo mais bonito de suas vidas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!