Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo
18 Armadilhas de Seda, Pães Queimados e a Batalha pela Atenção
Se antes Jaqueline lutava para manter Bernardo à distância, agora a Princesa de La Push declarara uma verdadeira guerra tática para reconquistar cada centímetro de atenção do marido. O problema era que o Duque Herdeiro era um veterano de guerra — e desviar das investidas desesperadas da esposa tornara-se o seu novo exercício diário.
Situação 1: O Banquete dos Sabores (Ou a Tentativa na Cozinha)
A primeira cartada de Jaqueline aconteceu logo pela manhã. Sabendo que Bernardo apreciava a culinária tradicional da província, a princesa dispensou os cozinheiros reais e decidiu, por conta própria, preparar o café da manhã do Duque.
O resultado na cozinha real fora um caos de farinha no teto e geleia nas paredes, mas ela conseguiu salvar uma bandeja com pães artesanais tostados (levemente queimados nas bordas), ovos poché e o chá de especiarias favorito dele.
Quando Bernardo entrou no Salão de Leitura para analisar relatórios, Jaqueline surgiu como uma visão, trajando um vestido justo de seda azul-turquesa que realçava cada curva do seu corpo, os cabelos acobreados impecavelmente trançados.
— Bom dia, Bernardo — disse ela, mantendo a voz doce e levemente aveludada, apoiando a bandeja sobre a mesa dele. — Notei que você tem trabalhado até mais tarde. Então... eu mesma fiz o seu café hoje.
Bernardo ergueu os olhos dos papéis. Ele olhou para o vestido estonteante da esposa, depois para os pães visivelmente esturricados sobre a bandeja, e por fim para o rosto dela, que ostentava uma mancha discreta de farinha na ponta do nariz.
Um brilho de riso quase escapou dos olhos cinzentos dele, mas o Duque manteve a expressão impecavelmente neutra. Ele levantou-se com calma e fez uma reverência formal.
— Agradeço imensamente o esforço, Duquesa — disse ele, a voz num tom terrivelmente educado. — No entanto, acabei de tomar um reforçado desjejum com os generais no alojamento da guarda. E tenho uma inspeção nas cavalariças em cinco minutos.
Ele pegou uma única uva da bandeja, deu uma leve mordida e sorriu com cortesia:
— Mas a intenção foi louvável. Com sua licença.
Bernardo pegou suas pastas e passou por ela com passos firmes, deixando Jaqueline parada no meio da sala segurando a bandeja de pães queimados, com o queixo caído e os olhos faiscando de pura indignação.
— Uma uva?! — esbravejou ela para a sala vazia. — Eu quase incendiei a cozinha real por causa de uma uva?!
Situação 2: O Incidente do Livro na Biblioteca
À tarde, Jaqueline mudou de estratégia. Se a culinária não funcionara, ela usaria o charme intelectual e a proximidade física.
Sabendo que Bernardo passava a hora posterior ao almoço na Grande Biblioteca Imperial, ela adiantou-se. Quando o Duque entrou no recinto, encontrou Jaqueline equilibrada na ponta dos pés no topo de uma escada de madeira alta, tentando alcançar um livro antigo na prateleira superior. O vestido de veludo verde que ela usava subira ligeiramente, revelando a curva elegante de seus tornozelos e pernas.
— Ah! Bernardo! — exclamou ela com um drama digno do teatro real, fingindo desequilíbrio assim que o ouviu se aproximar. — Que bom que você chegou! Esta escada está tão bamba... acho que vou cair!
Em tempos normais, Bernardo teria corrido, segurado a cintura dela no ar e aproveitado o momento para fazer alguma piada provocante sobre salvar sua princesa.
Jaqueline fechou os olhos, preparando-se para o impacto suave contra o peito largo do marido.
Nenhum abraço veio.
Em vez disso, Bernardo apenas deu dois passos à frente, estendeu a mão longa e segurou a lateral da escada de madeira com firmeza, estabilizando a estrutura.
— Pronto, Jaque — disse ele com extrema calma, olhando para cima com serenidade. — A escada está segura agora. Você já pode descer com cuidado ou me dizer qual livro deseja, que eu o pego para você.
Jaqueline abriu um dos olhos, encarando o marido que a olhava com a frieza profissional de um guarda de trânsito.
— Você... você não vai me ajudar a descer? — perguntou ela, a voz subindo de tom.
— A escada tem degraus perfeitamente firmes, Duquesa — respondeu ele, soltando a madeira e dando um passo para trás, mantendo a distância de segurança. — Não há risco de queda.
Jaqueline desceu os degraus pisando com tanta força que a madeira estalou. Ela pegou o primeiro livro que viu pela frente e bateu com ele no peito do marido.
— Tome! É este livro sobre táticas de cercos medievais que eu queria! — disparou ela, vermelha de vergonha e frustração.
— Excelente escolha de leitura — elogiou Bernardo, pegando o livro sem perder a compostura. — Se me dá licença, vou ler no meu gabinete. O ar da biblioteca está um pouco... carregado.
Situação 3: O Piquenique Interrompido (Ou a cartada final)
Determinada a não entregar os pontos, Jaqueline jogou sua última carta ao final da tarde nos Jardins Reais. Ela mandou montar um piquenique luxuoso à beira do lago, com colchonetes de veludo, travesseiros macios e champanhe gelado. Quando Bernardo passou pelo local a caminho do palácio, ela chamou-o com uma voz que misturava comando e sedução:
— Duque Bernardo! Venha aqui imediatamente! É uma ordem da sua Princesa!
Bernardo aproximou-se devagar, as mãos cruzadas nas costas.
— Sim, Vossa Graça?
Jaqueline ajeitou o decote e deu um tapinha no travesseiro ao seu lado na grama.
— Sente-se comigo. A tarde está agradável e nós precisamos... conversar sobre o reino. E sobre nós.
Bernardo olhou para a disposição romântica do piquenique, para a garrafa de champanhe e depois para o olhar quase suplicante — embora fantasiado de orgulho — nos olhos verdes dela. O peito do Duque apertou de saudade. Ele queria mais do que tudo se jogar naquela grama e puxá-la para os seus braços. Mas sabia que, se cedesse fácil, a tempestade de ego dela voltaria no dia seguinte.
Antes que Bernardo pudesse responder, Seth surgiu correndo pelos arbustos com um pergaminho na mão.
— Capitão Bernardo! — chamou o jovem guarda, arfando. — Os relatórios dos cavalos da patrulha chegaram!
Bernardo olhou para Seth e depois para Jaqueline, esboçando o menor dos sorrisos de canto.
— Uma pena, Duquesa. O dever me chama — disse Bernardo, fazendo uma reverência impecável. — Não posso deixar a Guarda Real esperando por causa de um piquenique. Divirta-se com o champanhe.
— Bernardo! — gritou ela, levantando-se da grama num salto. — Se você der mais um passo em direção a esses cavalos, eu juro que...
— Tenha uma boa tarde, Jaque — interrompeu ele suavemente, já se afastando ao lado de Seth.
Enquanto caminhavam de volta ao quartel, Seth olhou para trás, vendo Jaqueline chutar furiosamente um travesseiro de veludo para dentro do lago.
— Eh... Capitão? — murmurou Seth, engolindo em seco. — A Princesa parece pronta para cortar a sua cabeça com um machado de guerra.
Bernardo soltou uma risada baixa, rouca e verdadeira pela primeira vez no dia, ajeitando a gola da farda com um brilho vitorioso nos olhos cinzentos:
— Deixe-a ferver mais um pouco, Seth. O fogo só molda o ferro quando está bem quente.
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